
Querem ver que, afinal, a restauração não é uma carreira de sonho?
Um dos motivos da dificuldade em contratar pessoas para a área da restauração. pic.twitter.com/6W6MhcInvW
— WalterDomingos (@WalterDomings) August 12, 2022

Querem ver que, afinal, a restauração não é uma carreira de sonho?
Um dos motivos da dificuldade em contratar pessoas para a área da restauração. pic.twitter.com/6W6MhcInvW
— WalterDomingos (@WalterDomings) August 12, 2022
24 comments
Palmas para este Sr por colcoar o “dedo na ferida”, por dizer a verdade sobre este setor. Andam na TV todos a chorar, quando a realidade e diferente.
Este homem com um discurso simples e prático, disse muito mais do que qualquer comentador televisivo
Brutal, deviam passar isto em horário nobre até os patrões aprenderem que contratam humanos e não números descartáveis, não só de restauração mas de muitas outras atividades.
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Mas o que vai acontecer é que ninguém vai ver isto e vão continuar à procura de mão de obra barata “porque não falta quem queira” como já ouvi muitas vezes, ou então “quando o dinheiro acabar eles voltam todos”. Estimo muito que se fodam e estejam errados.
Duvido que ele faça isso. Soa muito como conversa de publicidade. Até mudarem as práticas loborais, é tudo o mesmo.
Entrar as 11h da manhã e sair a 1h da manhã, 1h ou 2h horas de pausa pelo meio, todos os dias sem folga, 400/500€ euros porque ainda só tas a aprender
O patrão fica com metade das gorjetas
Empregados vão-se embora procurar outro emprego
Patrão: Está gente não quer trabalhar!
Isto. A minha parceira trabalha na área. E apesar de trabalhar num local considerado “chique”, e até ganhar um ordenado considerável, toda a gente admira mas não olha o resto.
30 dias de trabalho seguidos. Cada um deles 10+ horas. Chegar a casa já a dormir. Planos para passear algures é impossivel. O stress que causa na relação. Etc etc.
Ora se depois conseguem alternativa, é obvio que não voltam.
“Que daqui para a frente que tenhamos um bocadinho de mais cuidado com as pessoas que trabalham connosco”.
Plot-twist: não vão ter.
Suponho que haveria formas de dar a volta a isto, porque a restauração é um emprego honesto e legítimo (onde se pode tirar um rendimento extra a.k.a. gorjetas) e dependendo das circunstâncias pode ser algo atractivo.
a) Formação é importantíssima! Há cursos profissionais de todos os tipos e para várias funções. Uns gratuitos e financiados outros não. Uns de longa duração e outros de curta. Isto valoriza automaticamente o trabalhador.
b) Capacitar as pessoas/tecido laboral para em caso de abusos por parte desses Chef’s armados ao pingarelho mandá-los imediatamente para o c@r@lho virar costas e vir embora. As contas acertam-se depois.
c) Em caso de horários repartidos porque não em vez de só um trabalhador em full-time, ter dois em part-time. Naturalmente que seria permitido a opção full-time para uma pessoa, inclusive deveria ter uma maior remuneração, mas o que interessa aqui é passar a haver maior flexibilização.
Enfim, isto são apenas 3 pontos que me surgiram rapidamente, com certeza haverão outros igualmente válidos.
Alguém consegue colocar o vídeo na íntegra, por favor?
Entrevista completa: https://www.rtp.pt/play/p9766/e634658/grande-entrevista
A restauração em Portugal precisa de automatizar e pagar melhoras salários. Serviços personalizado a com mais trabalhadores, o custo para o cliente tem de ser maior.
Muitas coisas podem ser feitas pelo cliente. Pegar talheres, pegar a comida, etc, para restaurantes baratos (menos de 40 euros a refeição). Normalmente trabalhadores limpam mesas, o restaurante e focam-se no acto de servir a comida ao balcão.
Bullseye
Se não pagam mais e não dão melhores condições é porque não podem.
Infelizmente a esquerda em Portugal está ao serviço dos grandes grupos economicos, que são quem pode pagar melhor e oferecer melhores condições aos seus funcionários, contra o povo Português.
Na Madeira conheço alguns casos de malta que trabalha na área de hotelaria e restauração que estão a receber melhor no pós-covid do que pré-covid, muitos restaurantes e hotéis preferiram pagar os funcionarios e tê-los em casa em plena pandemia do que perdê-los e estar a formar/contratar malta nova.
Estamos a falar de uma ilha que sobrevive em grande parte do turismo.
Grande homem, a capacidade de introspecção e reconhecer os próprios erros e admiti-los publicamente é marca de grande carácter. Fossem todos os empresários assim, não só da restauração, mas de todas as áreas, e o país estava bem melhor. Infelizmente, é muito rara excepção.
A restauração talvez seja o pior setor para se trabalhar em Portugal, incluindo cozinhas de luxo. É preciso mesmo gostar muito e ter uma pancada valente para se enfiarem nisso.
Horários malucos, onde entras às 10:00 e sais de lá às 23:00 (repartidos a correr bem, isto é a norma não é a excepção…), salários no global tirando os chefes de renome, sub-chefes e um ou outro cozinheiro com mais estaleca, tudo miserável se fizermos as contas ao tempo que dedicam ao trabalho, é basicamente exploração. Pressão e condições de trabalho inexistentes, a violência psicológica é constante e normal por parte dos chefs para com os seus subordinados, quando não andam pratos pelo ar o dia é bom em algumas casas.
As cozinhas são um mundo aparte, parece que a lei nacional fica à porta.
Mas também é apaixonante, por algum motivo alguma malta com cabeça e qualificações anda lá metida.
Yah. Não vai mudar. Muito melhor ir para os jornais queixarem-se do que melhorar as condições
Eu até largava uma lagrima por isto, ams estamos em tempo de seca.
O que é pena é que este senhor é uma exceção. Falou tudo verdade, mas a ganância e a arrogância de muito patronato reina (ou reinava, pq agora querem lavar pratos? Lavem vocês!!)
No entanto no final da entrevista diz algo como : enviem o vosso currículo estamos a precisar de pessoas para o novo espaço que vamos abrir no campo das cebolas.
As vezes nem para o patrão é.
Conheço donos de cafés que nem ferias podem tirar porque não ha dinheiro.
Um patrão vem admitir que não se têm portado bem.
Mas mesmo assim os liberais gritam que o problema são os impostos e a burocracia.
Foda-se… isto não se inventa.
Bem. Esta é a minha experiência na hotelaria.
Há cerca de 8 anos, terminei o meu curso de cozinha e pastelaria na escola de hotelaria e turismo de coimbra.
Senti o chamamento através de um programa do chefe Henrique Sá pessoa, “entre pratos”. Foi a melhor coisa que fiz na minha vida. Foi onde aprendi que o trabalho árduo dá frutos, nem que não seja, pela satisfação do cliente em provar algo que NÓS fizemos.
Depois de um estágio de 9 meses a gastar cerca de 100€ por mês para trabalhar, mais as propinas que os meus pais, com muito esforço, iam pagando, fui pedir para ir trabalhar para um restaurante conhecido na minha zona à borla ( a pagar mais uma vez ), onde fazia o trabalho que a brigada já não tinha estaleca para fazer, sempre pontual e sem faltar 1 dia. Nunca mais me vou esquecer de um dia dos namorados em que trabalhei 16h sem parar, e no fim do dia, nem um obrigado recebi. Desde esse dia, jurei para mim mesmo que na hotelaria, só trabalharei se for com a minha empresa.
O amor e o gosto continuam lá. A área ainda me fascina. Mas nunca mais trabalharei para alguém, que ganha montes de dinheiro com o meu trabalho e de outros que estagiam ou recebem ordenados miseráveis a trabalhar com natal e ano novo rotativos, pelo menos 12h por dia.
Para mim, hotelaria a trabalhar para os outros, NUNCA MAIS.
Olha! Olha! Olha! Se não são as consequências das minhas proporias ações!!! Quem diria???