Querem ver que, afinal, a restauração não é uma carreira de sonho?

24 comments
  1. Palmas para este Sr por colcoar o “dedo na ferida”, por dizer a verdade sobre este setor. Andam na TV todos a chorar, quando a realidade e diferente.

  2. Brutal, deviam passar isto em horário nobre até os patrões aprenderem que contratam humanos e não números descartáveis, não só de restauração mas de muitas outras atividades.

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    Mas o que vai acontecer é que ninguém vai ver isto e vão continuar à procura de mão de obra barata “porque não falta quem queira” como já ouvi muitas vezes, ou então “quando o dinheiro acabar eles voltam todos”. Estimo muito que se fodam e estejam errados.

  3. Duvido que ele faça isso. Soa muito como conversa de publicidade. Até mudarem as práticas loborais, é tudo o mesmo.

  4. Entrar as 11h da manhã e sair a 1h da manhã, 1h ou 2h horas de pausa pelo meio, todos os dias sem folga, 400/500€ euros porque ainda só tas a aprender

    O patrão fica com metade das gorjetas

    Empregados vão-se embora procurar outro emprego

    Patrão: Está gente não quer trabalhar!

  5. Isto. A minha parceira trabalha na área. E apesar de trabalhar num local considerado “chique”, e até ganhar um ordenado considerável, toda a gente admira mas não olha o resto.

    30 dias de trabalho seguidos. Cada um deles 10+ horas. Chegar a casa já a dormir. Planos para passear algures é impossivel. O stress que causa na relação. Etc etc.

    Ora se depois conseguem alternativa, é obvio que não voltam.

  6. “Que daqui para a frente que tenhamos um bocadinho de mais cuidado com as pessoas que trabalham connosco”.

    Plot-twist: não vão ter.

  7. Suponho que haveria formas de dar a volta a isto, porque a restauração é um emprego honesto e legítimo (onde se pode tirar um rendimento extra a.k.a. gorjetas) e dependendo das circunstâncias pode ser algo atractivo.

    a) Formação é importantíssima! Há cursos profissionais de todos os tipos e para várias funções. Uns gratuitos e financiados outros não. Uns de longa duração e outros de curta. Isto valoriza automaticamente o trabalhador.

    b) Capacitar as pessoas/tecido laboral para em caso de abusos por parte desses Chef’s armados ao pingarelho mandá-los imediatamente para o c@r@lho virar costas e vir embora. As contas acertam-se depois.

    c) Em caso de horários repartidos porque não em vez de só um trabalhador em full-time, ter dois em part-time. Naturalmente que seria permitido a opção full-time para uma pessoa, inclusive deveria ter uma maior remuneração, mas o que interessa aqui é passar a haver maior flexibilização.

    Enfim, isto são apenas 3 pontos que me surgiram rapidamente, com certeza haverão outros igualmente válidos.

  8. A restauração em Portugal precisa de automatizar e pagar melhoras salários. Serviços personalizado a com mais trabalhadores, o custo para o cliente tem de ser maior.

    Muitas coisas podem ser feitas pelo cliente. Pegar talheres, pegar a comida, etc, para restaurantes baratos (menos de 40 euros a refeição). Normalmente trabalhadores limpam mesas, o restaurante e focam-se no acto de servir a comida ao balcão.

  9. Se não pagam mais e não dão melhores condições é porque não podem.

    Infelizmente a esquerda em Portugal está ao serviço dos grandes grupos economicos, que são quem pode pagar melhor e oferecer melhores condições aos seus funcionários, contra o povo Português.

  10. Na Madeira conheço alguns casos de malta que trabalha na área de hotelaria e restauração que estão a receber melhor no pós-covid do que pré-covid, muitos restaurantes e hotéis preferiram pagar os funcionarios e tê-los em casa em plena pandemia do que perdê-los e estar a formar/contratar malta nova.

    Estamos a falar de uma ilha que sobrevive em grande parte do turismo.

  11. Grande homem, a capacidade de introspecção e reconhecer os próprios erros e admiti-los publicamente é marca de grande carácter. Fossem todos os empresários assim, não só da restauração, mas de todas as áreas, e o país estava bem melhor. Infelizmente, é muito rara excepção.

  12. A restauração talvez seja o pior setor para se trabalhar em Portugal, incluindo cozinhas de luxo. É preciso mesmo gostar muito e ter uma pancada valente para se enfiarem nisso.

    Horários malucos, onde entras às 10:00 e sais de lá às 23:00 (repartidos a correr bem, isto é a norma não é a excepção…), salários no global tirando os chefes de renome, sub-chefes e um ou outro cozinheiro com mais estaleca, tudo miserável se fizermos as contas ao tempo que dedicam ao trabalho, é basicamente exploração. Pressão e condições de trabalho inexistentes, a violência psicológica é constante e normal por parte dos chefs para com os seus subordinados, quando não andam pratos pelo ar o dia é bom em algumas casas.

    As cozinhas são um mundo aparte, parece que a lei nacional fica à porta.

    Mas também é apaixonante, por algum motivo alguma malta com cabeça e qualificações anda lá metida.

  13. O que é pena é que este senhor é uma exceção. Falou tudo verdade, mas a ganância e a arrogância de muito patronato reina (ou reinava, pq agora querem lavar pratos? Lavem vocês!!)

  14. No entanto no final da entrevista diz algo como : enviem o vosso currículo estamos a precisar de pessoas para o novo espaço que vamos abrir no campo das cebolas.

  15. Um patrão vem admitir que não se têm portado bem.

    Mas mesmo assim os liberais gritam que o problema são os impostos e a burocracia.

    Foda-se… isto não se inventa.

  16. Bem. Esta é a minha experiência na hotelaria.

    Há cerca de 8 anos, terminei o meu curso de cozinha e pastelaria na escola de hotelaria e turismo de coimbra.
    Senti o chamamento através de um programa do chefe Henrique Sá pessoa, “entre pratos”. Foi a melhor coisa que fiz na minha vida. Foi onde aprendi que o trabalho árduo dá frutos, nem que não seja, pela satisfação do cliente em provar algo que NÓS fizemos.

    Depois de um estágio de 9 meses a gastar cerca de 100€ por mês para trabalhar, mais as propinas que os meus pais, com muito esforço, iam pagando, fui pedir para ir trabalhar para um restaurante conhecido na minha zona à borla ( a pagar mais uma vez ), onde fazia o trabalho que a brigada já não tinha estaleca para fazer, sempre pontual e sem faltar 1 dia. Nunca mais me vou esquecer de um dia dos namorados em que trabalhei 16h sem parar, e no fim do dia, nem um obrigado recebi. Desde esse dia, jurei para mim mesmo que na hotelaria, só trabalharei se for com a minha empresa.

    O amor e o gosto continuam lá. A área ainda me fascina. Mas nunca mais trabalharei para alguém, que ganha montes de dinheiro com o meu trabalho e de outros que estagiam ou recebem ordenados miseráveis a trabalhar com natal e ano novo rotativos, pelo menos 12h por dia.

    Para mim, hotelaria a trabalhar para os outros, NUNCA MAIS.

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