A perplexidade começa logo na génese. O Livre nasceu com a missão de unir os partidos de esquerda. Criar um partido para unir é quase um oxímoro: unir a esquerda partindo-a ainda mais, obrigando a que os votos se dispersem por mais partidos? Mais peculiar ainda, o inspirador do Livre, Rui Tavares, não tinha grande currículo no que toca a promover a união entre partes desavindas. Afinal, foi eleito para o Parlamento Europeu pelo Bloco de Esquerda, desentendeu-se com eles, passou à condição de independente e deixou a delegação do BE.
Com o Livre, Rui Tavares nunca conseguiu ser eleito para nada. Em 2014, falhou o Parlamento Europeu. Em 2015, não conseguiu ser eleito para o Parlamento nacional. Em 2019, voltou a falhar o Parlamento Europeu. Na verdade, a única candidata bem-sucedida do Livre foi Joacine Katar Moreira, de quem o Livre se viu livre. Mais um testemunho da sua vocação para a união.
**Excerto 2**
Com o Livre, o que verdadeiramente surpreende é a sua importância política ser inversamente proporcional ao seu peso eleitoral. Isso mesmo pudemos ver nas últimas autárquicas: pouco depois de se escolher Rui Tavares como candidato a presidente da câmara, Medina anunciou uma coligação entre o PS e o Livre em Lisboa. Rui Tavares ficou no sexto lugar da lista e com um pelouro importante. Perante o meu espanto, alguns amigos lisboetas explicaram-me que a sua presença seria importante para ir buscar votos à esquerda do PS.
Entretanto, houve uma sondagem para a Câmara de Lisboa feita pelo ICS/ISCTE pouco antes de a coligação do Livre com o PS ser conhecida. Nessa sondagem, o Livre não aparecia no tratamento noticioso e, vendo a ficha técnica, percebi porquê: só duas pessoas declararam votar no Livre, um homem e uma mulher em 800 inquiridos
**Excerto 3**
Lembrei-me disto por causa de um trabalho que fiz com a Rádio Renascença.
(…)
Um ou dois dias depois, a Joana Gonçalves diz-me que o código de computador dava erro e encravava quando se tratava do Livre. Vendo os dados, percebemos o problema: em várias sondagens o Livre aparecia com zero votantes. Zero. E, da forma como está programado, o algoritmo não lida com o zero.
**Bónus**
O congresso do Livre para chutar a Joacine fora. Às 3h31m depois de muita discussão sobre quem pode votar na decisão, membros ou também apoiantes, decidem votar para decidir quem pode votar, e começa a discussão sobre quem pode votar para decidir quem pode votar.
>O Luís Aguiar-Conraria tem uma presença mediática e uma importância política completamente desproporcional à sua real importância
Não é o único exemplo, o BE que só tem 19 deputados tem comentadores em todos os canais da TV, nos jornais especialmente o Público, o Jornal 74, influência em faculdades como a FCSH, qualquer tópico nacional e lá está a atriz a comentar na TV, completamente desproporcional a visibilidade na TV comparada com os outros partidos excepto o PS, até ex-deputados do BE ainda hoje andam na TV a parasitar como só os bloquistas conseguem, a Ana Drago tem na [TSF](https://www.tsf.pt/programa/nao-alinhados-com-ana-drago.html) e na [RTP](https://www.rtp.pt/play/p8306/e579662/o-outro-lado), em 2021! Quem é que quer saber da Ana Drago? Saiu em 2014, mas esta gente não sabe fazer nada de produtivo e têm de sugar o dinheiro dos que descontam até ao fim dos dias, o Rui Tavares é meramente outro saído do BE, tudo farinha do mesmo saco.
4 comments
**Excerto 1**
A perplexidade começa logo na génese. O Livre nasceu com a missão de unir os partidos de esquerda. Criar um partido para unir é quase um oxímoro: unir a esquerda partindo-a ainda mais, obrigando a que os votos se dispersem por mais partidos? Mais peculiar ainda, o inspirador do Livre, Rui Tavares, não tinha grande currículo no que toca a promover a união entre partes desavindas. Afinal, foi eleito para o Parlamento Europeu pelo Bloco de Esquerda, desentendeu-se com eles, passou à condição de independente e deixou a delegação do BE.
Com o Livre, Rui Tavares nunca conseguiu ser eleito para nada. Em 2014, falhou o Parlamento Europeu. Em 2015, não conseguiu ser eleito para o Parlamento nacional. Em 2019, voltou a falhar o Parlamento Europeu. Na verdade, a única candidata bem-sucedida do Livre foi Joacine Katar Moreira, de quem o Livre se viu livre. Mais um testemunho da sua vocação para a união.
**Excerto 2**
Com o Livre, o que verdadeiramente surpreende é a sua importância política ser inversamente proporcional ao seu peso eleitoral. Isso mesmo pudemos ver nas últimas autárquicas: pouco depois de se escolher Rui Tavares como candidato a presidente da câmara, Medina anunciou uma coligação entre o PS e o Livre em Lisboa. Rui Tavares ficou no sexto lugar da lista e com um pelouro importante. Perante o meu espanto, alguns amigos lisboetas explicaram-me que a sua presença seria importante para ir buscar votos à esquerda do PS.
Entretanto, houve uma sondagem para a Câmara de Lisboa feita pelo ICS/ISCTE pouco antes de a coligação do Livre com o PS ser conhecida. Nessa sondagem, o Livre não aparecia no tratamento noticioso e, vendo a ficha técnica, percebi porquê: só duas pessoas declararam votar no Livre, um homem e uma mulher em 800 inquiridos
**Excerto 3**
Lembrei-me disto por causa de um trabalho que fiz com a Rádio Renascença.
(…)
Um ou dois dias depois, a Joana Gonçalves diz-me que o código de computador dava erro e encravava quando se tratava do Livre. Vendo os dados, percebemos o problema: em várias sondagens o Livre aparecia com zero votantes. Zero. E, da forma como está programado, o algoritmo não lida com o zero.
**Bónus**
O congresso do Livre para chutar a Joacine fora. Às 3h31m depois de muita discussão sobre quem pode votar na decisão, membros ou também apoiantes, decidem votar para decidir quem pode votar, e começa a discussão sobre quem pode votar para decidir quem pode votar.
https://www.youtube.com/watch?v=Few9W-Xu9mc&t=12660s
Parece um sketch do gato fedorento
>O Luís Aguiar-Conraria tem uma presença mediática e uma importância política completamente desproporcional à sua real importância
Não é o único exemplo, o BE que só tem 19 deputados tem comentadores em todos os canais da TV, nos jornais especialmente o Público, o Jornal 74, influência em faculdades como a FCSH, qualquer tópico nacional e lá está a atriz a comentar na TV, completamente desproporcional a visibilidade na TV comparada com os outros partidos excepto o PS, até ex-deputados do BE ainda hoje andam na TV a parasitar como só os bloquistas conseguem, a Ana Drago tem na [TSF](https://www.tsf.pt/programa/nao-alinhados-com-ana-drago.html) e na [RTP](https://www.rtp.pt/play/p8306/e579662/o-outro-lado), em 2021! Quem é que quer saber da Ana Drago? Saiu em 2014, mas esta gente não sabe fazer nada de produtivo e têm de sugar o dinheiro dos que descontam até ao fim dos dias, o Rui Tavares é meramente outro saído do BE, tudo farinha do mesmo saco.
Grande LAC! Adoro ler os seus artigos