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https://reddit.com/link/rafwmq/video/w785nebj1z381/player

No jornal da tarde da RTP de ontem (5 Dezembro 2021) foi noticiado mais um capitulo da recente saga “Nao ha mao de obra, precisamos de imigrantes”. Nos ultimos meses, tem-se multiplicado nos orgaos de comunicacao social que nao ha trabalhadores para restauracao, turismo e afins. No fundo, o que nao querem mesmo dizer e que nao ha trabalhadores ondem pagam mal e porcamente.

Ontem foi a vez da industria textil, aquele sector onde sempre se pagou o minimo dos minimos. Para fazer face ao problema da falta da mao de obra, os empregadores “entrevistados” estao mais interessados em investir na lavagem cerebral do que pagar mais e oferecer melhores condicoes de trabalho. Pode-se ouvir na reportagem que a profissao de alfaite e uma arte e que estes sao uns artistas, mas sera que recebem uma salario que faz jus a condicao de “artista”?

O mais irritante disto e a RTP nao confrontar os “entrevistados” e simplesmente deixa-los sem oposicao para dizer o que bem lhes entender.

Quando nao ha dinheiro, nao ha palhacos.

Reparei que o video nao funciona em mobile. Fica aqui o link para o mesmo [https://www.youtube.com/watch?v=bRSOONN-OSA](https://www.youtube.com/watch?v=bRSOONN-OSA)

(Peco desculpa, mas nao consigo colocar pontuacao. Estou num teclado “estrangeiro”)

41 comments
  1. Quanto tempo até a CIP sugerir fazermos como no séc XVIII e irmos buscar escravos para a indústria têxtil/ hotelaria/ (daqui a pouco reconversão para IT também)?

  2. é mais barato a propaganda que pagar um salário mais alto.

    mas a propaganda está a deixar de fazer efeito. mas como a esperança é a última a morrer vais ouvir essa lenga-lenga ainda mais uns tempos.

    o que me enoja é mesmo a simplicidade com que media nacional aceita servir de megafone a essa mesma propaganda. é que já nem disfarçam, é asqueroso o ponto a que isto chegou.

  3. Deixa-me atirar lenha para a fogueira: vivo numa zona tradicionalmente ligada à indústria têxtil e não só se praticam salários baixos como se pratica a semana de seis dias. E nas mais dadas ao chico espertismo até tens horas negativas – quando a paragem de laboração se deve a avaria de máquinas.

  4. Tira-me do sério isto. Estou farto de ouvir histórias de pessoas super mal-pagas, sem direito a horas extraordinárias, pouquíssima estabilidade, mas depois “há falta de mão de obra” …

    é passar um tempinho no r/antiwork que se fica logo com uma raiva desgraçada, mas contente, de alguma forma, por sempre termos mais alguns direitos que os americanos.

    Mas fico mesmo a pensar — o que se pode fazer? O que posso fazer eu para que os BananaCafés da vida paguem bem a quem lá trabalha enquanto vendem vinho rasca caríssimo aos turistas?

  5. [https://www.publico.pt/2021/11/10/economia/noticia/dielmar-ponto-final-fabrica-fecha-operarios-vao-desemprego-1984430](https://www.publico.pt/2021/11/10/economia/noticia/dielmar-ponto-final-fabrica-fecha-operarios-vao-desemprego-1984430)

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    “Não há trabalhadores”, até tinham refugiados a trabalhar e fechou e todas estas empresas e outras vão pelo mesmo caminho quer tenham os novos escravos ou não. Esta propaganda é meramente para as pessoas se sensibilizarem com a livre circulação da CPLP. Tem piada que os mesmos que andam sempre com a retórica de Portugal ter sido um país esclavagista depois são os mesmo que defendem, promovem e até fazem leis para trazerem escravos para Portugal em pleno século 21.

    Em Portugal a facilidade de dar os documentos é a única coisa de valor para estas populações de imigrantes, ninguém imigra de um país pobre para outro país pobre em massa como acontece com Portugal ainda por cima com o preço das casas, eletricidade, gás, combustível e impostos tão altos.

  6. Exactamente isto!

    Mas pergunto-me quando se fala de médicos a solução apresentada pelos média é subir salários, quando se fala dos outros trabalhadores a solução apresentada não é subir salários, mas emigrantes. Estranho não é? Como se certas ordens manipulassemna opinião pública.

  7. A minha mãe trabalha nesta merda de área há mais de 20 anos, recebe 5 euros a mais que o ordenado mínimo e recebe um subsídio de alimentação de 2€ e tal. Banco de horas sem serem pagas é a norma nesta área. Quem é que quer trabalhar nesta merda?

  8. Eu sou de todo a favor dos emigrantes, eu podia ser um deles, mas meus senhores e minhas senhoras, o nosso futuro, jovens, de risonho tem pouco. Vamos concorrer com quem já comeu o pão que o Diabo amassou, direitos humanos não lhes era nada de onde vieram, para onde vem também não vão ser. Os mesmos comerciantes de escravos que exisitiam, vão existir hoje, vamos concorrer com quem faz menos, o mesmo ou talvez mais a ganhar muito menos. Quem emprega quer quanto mais barato melhor, o objectivo é que o escravo voltar ao posto de trabalho, produzir para o porco continuar a comer. Existe uma coisa que eles talvez não tenham em conta, enquanto eles no Mediterrâneo se agarram à vida a nossa geração está a desapegarsse dela, já vimos a futilidade do conforto, a depressão e suicídio não está a diminuir nas gerações mais novas, está a aumentar. Desde sempre me disseram: Não te metas com quem não tem nada a perder, eles talvez, na ganância de suínos não saibam com quem estão a lidar. Basta ver como são vistos os bilionários na América, cada vez mais contestados, independentemente do benefício civilizacional.

  9. Que interessante, tiveram de mudar fabricas por falta de mão de obra, será que foram para a Alemanha? Será que foram para a Bélgica? Não, foram para o norte de África. Porque será?

    OP, claro que não confrontam os entrevistados. Isto são reportagens pagas.

  10. Como é que querem que a malta tenha filhos nestas condições? Muito gostam de culpar o povo que não tem culpa nenhuma.

  11. Ir buscar gente fora é bom para todas as partes: um povo dividido discute entre si e sobra-lhe menos tempo e energia para olhar para cima.

    Nao é bom para o povo, mas querer o melhor é ser ‘ista’.

    É o que é. Vai para bem pior.

  12. Basta comparar uma empresa portuguesa com uma estrangeira sediada em Portugal que já se nota muita diferença a nível de salário , condições de trabalho etc… Empresa tuga 70% das vezes são uma bela porcaria. Felizmente trabalho para estrangeiros .

  13. Fico chocado com esta onda romântica desta entrevista, vejamos as observações dos empresários:
    1. Eles são artistas, os jovens não querem dedicar-se a esta área e é preciso cativar…
    Meus senhores – tudo num âmbito ambíguo e qualitativo. De quantitativo? Nada mencionado. Os jornalistas que façam as perguntas certas e vamos perceber o porquê. Isto não é serviço público é uma peça pedida em que apenas de ouviu uma das partes.

  14. “É de mão de obra intensiva, mas não é trabalho intensivo” Sem comentários.

    “É arte. Se encararmos isto como arte vamos atrair jovens”
    Arte: onde trabalhas numa linha de produção a fazer X casacos iguais 8 horas seguidas.

    Mas que ginásticas de raciocínio.

  15. As a immigrant who has worked in farms and such, I would say its not about lack of manpower. Its more of lack of manpower who is ready to work at bare minimum wage and live in a barely acceptable living conditions. Also its not about not having money with the company or owners, its just wanting to pay as less as they can. Also why they want immigrants, Most native people know enough about their rights and rules and capable to afford not work in these conditions. Almost all the workers working in the place I used to work were immigrants.

  16. Eles choram, mas continuam na mesma, e nem falo apenas dos salários, mas da atitude de superioridade para com os funcionários e candidatos às ofertas de emprego, como se estivessem a fazer caridade connosco e em troca da boa vontade deles deixarmos a nossa vida em função da sua vontade. Há pouco tempo tive dois exemplos disso, numa, a oferta era para uma loja mais virada para vender coisas a turistas, tinha feito a entrevista por teams, mas depois iria fazer uma entrevista presencial em loja com uma gerente que viria de Lisboa para tal, a entrevistadora do Teams disse que ligaria na mesma semana para combinar a entrevista presencial (não ligou, só o fez na semana seguinte), acontece que na semana em que a entrevistadora me ligou, a minha mãe fez uma cirurgia, nada sério mas ainda assim, precisava da minha ajuda nas coisas de casa, levá-la de carro para ir trocando os curativos no centro de saúde, consultas no hospital, etc, disse-lhe que nessa semana não poderia por causa da situação que descrevi acima, ela ficou meio desapontada e perguntou quando eu teria disponibilidade, disse-lhe que poderia no início da semana seguinte, ela disse então que voltaria a ligar…e não ligou mais. No segundo caso foi para trabalhar numa instituição infantil, também neste caso fui contactada na semana da cirurgia da minha mãe para ir nessa mesma tarde a uma entrevista na instituição, que ainda fica afastada da minha casa, expliquei que não podia e o motivo, também me disseram quando teria disponibilidade e respondi o mesmo que disse na outra oferta de emprego, também neste caso disseram que iriam dar feedback, e nunca mais responferam. Dias depois, ambos tinham novamente anúncios de emprego na internet, honestamente preferia que me dissessem logo que não iriam querer continuar, do que enrolar e praticamente fazer uma pessoa de parva.

  17. O jornalismo em Portugal está à venda ou é impressão minha?

    Não tinham um código deontológico…? Foi-se com os porcos?

  18. Acho interessante como ainda ninguém, nem sequer um liberal (acho que não existe tal coisa em Portugal apesar de alguns dizerem que o são), disse o óbvio: a solução para esta falta de mão de obra também passa pela modernização e automatização.

    Só que para isso acontecer é preciso comprar máquinas e pagar a técnicos/engenheiros em vez de comprar carros de luxo.

    E também há que vender lá fora, exportar. Mas para isso é preciso pessoas de marketing, de webdesign, de relações internacionais, etc, em vez do puto do patrão nas horas vagas fazer um site no wix e um logotipo no paint.

    Claro que os nossos deputados, sendo eleitos de forma indirecta por listas fechadas em círculos eleitorais muito desactualizados (um dos sistemas eleitorais menos democráticos da Europa) preferem seguir as ordens de marcha de quem manda, e a solução é mandar vir mais escra…colaboradores a preços baixos.

    No fundo quem se lixa é a malta mais pobre, e também os imigrantes que graças a estas políticas atraem ódios que deveriam ser dirigidos contra quem manda, e não contra o mexilhão.

    Peço desculpa pelo meu rant em resposta a outra rant.

  19. Na dielmar antes de ir à falência, era só emigrantes numa vila ao lado de Castelo Branco. Eu percebo que estejam à procura de uma vida melhor mas os portugueses nem são aceites porque se sabem defender e não querem efectivos. Nestas terras é o ganha pão de muitas famílias, e não querem lá pessoal a ganhar mal mas de modo efectivo anos e anos…
    No turismo, o meu namorado é licenciado e não querem lá licenciados porque têm de pagar mais, basicamente não há emprego.
    Não pagam, só aceita quem não consegue nada melhor.

  20. Sou de Barcelos, conheço dezenas de pessoas que trabalham na área, entre familiares, amigos e conhecidos. Conheço também patrões destes, que acham que pagar 750€ por uma costureira com experiência já é bem bom. Gajos destes que têm grandes e várias casas, carros topo de gama, filhos com carros topo de gama.
    Não conheço ninguém que ganhe bem nesta indústria (leia-se bem, como uns “excelentes” 1000€ líquidos de salário base) mesmo pessoal com muita experiência.

    Tenho uma coisa a dizer a estes patrões: vão-se f@der todos, paguem salários decentes, não tratem os colaboradores como se fossem escravos, dêem-lhes condições dignas de trabalho (não assar durante o verão, não morrer de frio no inverno) e talvez o pessoal mais jovem queira voltar a trabalhar nesta indústria.

    Tenho pessoas conhecidas que mudaram de ramo porque muitos destes patrões (quase todos) são umas autênticas bestas, que não respeitam ninguém, que pagam uma miséria, banco de horas e afins, e que andam sempre de costas direitas e nariz empinado.

  21. O meu trabalho também me tentou fazer uma lavagem cerebral mas eu estou muito atento. Só sigo as regras porque são as que são.

  22. Não precisamos de imigrantes para nada.

    Precisamos sim de dar condições para que os nossos jovens permaneçam cá e que os que saíram no passado voltem.

    Passamos em 50 anos de um país com filosofia de trabalhadores e camponeses humildes para uma sociedade que já não aceita a exploração e salários indignos que eram marca do nosso tecido laboral.

    Pior do que o próprio mercado de trabalho é a acelerada degradação da unidade cultural Portuguesa. Se nenhum governo encarar o problema entre as expectativas mínimas das novas gerações e a realidade de grande parte do mercado profissional, Portugal acabará invadido por imigrantes de forma irremediável.

    E qualquer pessoa que ache que aniquilar uma cultura e sociedade preferindo o multi culturalismo desgovernado, ou não tem juízo nenhum ou faz de propósito para não querer aprender com a história.

  23. És do algarve? Não vives em cidade? Estas desempregado?

    Epá! Não falta é trabalho na jardinagem! A sempre lugar! A malta jovem é muito preguiçosa, alguns ainda ficam uns meses, mas vai quase tudo logo embora.

    Aceitas? Ai que bom! Isto há aqui muito trabalho! Olha para estas ervas todas!
    Claro que limpamos isto tudo a semana passada! Que raio de pregunta é essa?

    Anda lá! As ervas do chão não desaparacem sozinhas!

    Dizes que tens experiência na área? Então vai apanhar ervas!
    Tu se não tens experiência começa por apanhar ervas!

    Não custa nada, talvez com sorte daqui a 2 anos ja fazes outra coisa difrente de apanhar ervas.

    Va que eu tenho mais que fazer, volto daqui a 2h e quero ver isto limpo!

    Então! Está feito? Não está? Vocês são muito lentos! Façam assim pá, como o Sonic! Eu? Claro! Eu trabalho sempre assim muito rápido, é por isso que sou chefe!

    Vá, toca a trabalhar! Eu cortei ali 2 arbustos durante a manhã toda.. fuuu muito difícil… é preciso muita técnica! Venha la um dos dois apanhar as folhas que eu cortei!

    Eu vou ali para aquela casa à sombra tratar de 2 plantas envasadas a tarde inteira.

    Toca a limpar isto tudo! Ao fim do dia quero o aldeamento inteiro sem ervas! Eu fazia isto numa manhã! Vocês são mesmos lentos pá!

    Olha o patrão! Boas chefe! Eu sei que ainda ta muito para fazer. É porque estes empregados novos atrasam tudo! Andei a correr a manhã inteira e ainda tive de os ajudar a apanhar ervas! É por isso que no que toca as ervas avançou assim tanto! Eles sozinhos ainda tavam na primeira casa!

  24. A parte mais engraçada é que os imigrantes que estão a “acudir” estes patrões vão-se pôr no crlh mal consigam estatuto de residente em Portugal. Nem eles querem ficar aí, vai ser um ciclo sem fim

  25. Eu trabalhei numa fabrica durante um ano para juntar dinheiro para a universidade.
    Primeiro estava a ganhar 100+ euros menos do que o salario minimo porque “era aprendiz” apesar de exigirem a mesma produção do resto das pessoas.
    A chefe era uma cabrona, maltratava toda a gente e chegou ao ponto de fechar uma das funcionárias no escritório dela para a rapariga não ir buscar a filha ao infantário porque estava com febre.
    Quando eu me despedi para ir estudar a chefe berrou comigo e disse que eu era burra não tinha nada que ir para a universidade.
    Tínhamos 10 min por dia de intervalo.
    Dávamos todos os dias 1.30h para a casa(banco de horas uma treta).
    Chegava a casa cansada e deprimida. Só chorava porque a minha mãe é costureira há 30 anos e só pensava que ia ter a mesma vida dela.
    Um ano naquela merda de empresa deixou-me exausta física e mentalmente. Desenvolvi problemas nas costas e uma ansiedade tremenda que ainda hoje tenho problemas em lidar.
    E eu só estive lá um ano. Trabalhar na indústria têxtil é como um veneno que te vai matando aos poucos, que vai matando a tua noção de self-worth. É um ambiente tóxico em. Conheço mulheres que preferiram receber 200 euros de reforma para poderem deixar as fábricas onde trabalhavam.
    A indústria têxtil que se foda.

  26. Voltamos sempre ao jornalismo da piça que se faz neste país!

    *Patrão*: Há falta de trabalhadores neste país!

    *Jornalista*: Pois deve haver, afinal esta pessoa idónea e imparcial diz que sim!

    *Editor*: Vejo que não fizeste mais pesquisa sobre o assunto, que não contactaste o IEFP, o INE ou associações sindicais do sector! **Perfeito** Vamos publicar!!!

  27. Conheço empresas (infelizmente poucas) que se sair de lá alguém ou abrir alguma vaga não faltam candidatos a tentar entrar. Secalhar deviam fazer uma reportagem nessas empresas para mostrar a esses senhores que sempre há gente que quer trabalhar e qual o “truque” para as convencer a tal.

  28. Ahahah, também vi e foi um misto de indignação e de riso. Eles também disseram que é uma indústria que gera milhares de milhões por ano, mas depois pagam porcamente mal.

  29. Exportar pessoas com educação superior e experiência, importar pessoas sem educação e sem experiência, pagas a preço de escravo.

    É isto que a Esquerda considera o sucesso do seu modelo.

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