Médica que assistiu grávida que perdeu o bebé alvo de processo disciplinar

3 comments
  1. Eu não compreendo o português, se for à worten comprar um aquecedor e o vendedor sequer ousar não sorrir de volta pedem logo o livro de reclamações e armam uma barraca do crl.

    Já os médicos… são mal atendidos, mal encarados, com diagnósticos errados que causam problemas graves e em casos como estes mortes. E não se passa nada falam baixo e é sr doutor….

    Também há médicos muito profissionais já tive um (puto novo) que me safou um braço em que recuperei 100% uma fractura.

    Nas porra 80% deles nem para servir cafés, a minha médica de família então nem olha para mim, só olha para o computador e sou daqueles que lá vai quando está a morrer.

  2. Ou seja não convém culpar mais ninguém da merda, culpa-se o elo mais fraco.

    SNS falha, tudo bem
    Administração falha, tudo bem
    Feche de serviço falha por todos os outros falharam, tudo bem
    Pessoa que assiste: é fudida.

    Muito bem, e ainda acham que os médicos só estão descontentes por causa do salário…

  3. Não estava para responder a este post, mas dada a desconsideração pelos médicos que vi nalguns comentários tenho a dizer algumas coisas que devem ser encaradas com alguma reflexão dado o viés de pertencer a ambos os lados.

    1º Nenhum especialista em obstetrícia deveria fazer urgência sem companhia de outro especialista, não apenas para avale de deciões clínicas, bem como em caso de complicação de um parto enquanto outro está a decorrer. Aliás, durante a minha formação passei pelo menos por 4 blocos de parto e nunca vi tal a acontecer. Dá ideia que a administração queria fazer omeletes sem ovos, e quem se fodeu, para variar, foi o ovo existente.

    Este primeiro ponto roça um bocado na passividade dos médicos de não exigirem condições de trabalho e aceitarem o que lhes é dado, sem considerarem que o pior pode e acontece e quem se prejudica são eles próprios. E o povo ainda atira por cima.

    2º Não vi em lado nenhum, evidência de má prática. Aliás a notícia é extremamente parca nos motivos clínicos da morte fetal, do que foi feito, do que deveria ter sido feito. Mas apesar disso a culpa da médica parece implícita na notícia. O título sensacionalista nem corresponde à verdade. O que está espelhado ao longo do texto é que o IGAS recomenda a abertura de um processo disciplinar, mas este ainda não foi aberto.

    3º A médica em questão não parece ser sequer da especialidade de Ginecologia/Obstetrícia, pois conforme consta ao longo do texto, essa urgência encontrava-se encerrada por não ter meios para ser mantida. Então de que especialidade era? Tinha sequer especialidade? Novamente uma médica ao dessenrasque para tratar uma emergência, muito provavelmente fora das suas competências, mas como é médica e tem um dever deontológico, socorreu a mulher em questão, mas apenas se prejudicou a si própria.

    Outro aspeto engraçado dentro deste, foi a administrativa, que tendo ordens para redirecionar urgências obstetrícas para outro lugar(sim,é assim que funciona), também foi alvo de processo disciplinar. Pois certamente, ela na sua formação de administrativa (muitas sem licenciatura ou qualquer educação superior) tem também o dever de saber identificar emergências…. Esqueço-me que somos todos profissionais de saúde. /s

    Por último e este ponto fora da notícia, mas a responder ao user que acha que os médicos de família não servem para nada e podiam ser substituídos por computador, só tenho a dizer, concordo completamente. 6 anos de formação, um exame super exigente com níveis de competição que tu nem sonhas, mais 1 ano de internato geral, mais 4 anos de internato específico… Não sei como ainda não foi feito essa app para telemóvel, onde pões os sintomas, encostas o coração para auscultação, os pulmões, os ouvidos, até podia colher amostras de líquidos, onde te dá o diagnóstico certinho e até te passa logo a receita. /s

    Agora fora de brincadeiras, como alguém já te respondeu, certezas a 100%, tenho a dizer que na medicina, raramente as tive e muito raramente as terei. As variáveis são demasiadas, e muitas vezes seguindo tudo certinho o diagnóstico é tipo o 5º ou 6º que estás a considerar. E mesmo em termos de tratamento não somos iguais, as patologias não são todas iguais, o que funciona com uns pode não funcionar com outros. Mas estou a divagar.

    Um desabafo final: Neste momento, não sei como alguém em Portugal quer ser médico a trabalhar para o SNS. O salário é miserável (está espelhado em várias tabelas salariais pela internet, mas se querem assim um valor: interno ~1200-1300€; especialista ~1700-1800€, por 40h semanais, que muitas vezes não são 40 horas mesmo em termos de trabalho efetivo, sem contar com produção científica e estudo, e valor que se formos comparar com enfermeiros é inferior no valor/hora, uma vez que estes só fazem 35 por semana), com um trabalho de grande responsabilidade (com elevada carga psicológica e ética), desconsideração pelos utentes e pelos nossos superiores, ocasionalmente por colegas de trabalho (e aqui estou-me a referir a qualquer classe, já fui maltratado por auxiliares, secretariado, enfermeiros e médicos). Com uma classe política cujo objetivo na minha ótica ao empurrar para mais alunos de medicina formados anualmente( e não se esqueçam que no acesso a internato de especialidade ficam de fora desde há alguns anos mais de 500 pessoas, por falta de vagas. No meu ano foram cerca de 1000) e para uma defesa de ausência de necessidade de especialidade em Medicina Geral e Familiar está a tentar contratar médicos baratos sem formação para o cargo que ocupam e ao mesmo tempo a empurrar os recém-especialistas para o privado para poderem receber decentemente. Logo a longo prazo a única coisa que eu estou a ver a acontecer ao aumentar o número clausus da faculdade é: mais emigração e mais médicos no privado (logo menor salário no privado, se aumentas a oferta, o resto da cantiga já sabemos). Portanto, o único setor que estou a ver a sair beneficiado destas medidas é o setor empresarial da medicina privada em Portugal. Não vejo qualquer beneficio para o SNS e para os utentes. E nem vou puxar pela medicina privada que isso é outro assunto para dar um texto de tamanho similar.

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    Desculpem o desabafo e o longo texto,bem como a minha capacidade de prosa(era um péssimo aluno a Português). Se tiveram interesse em ler, obrigado. Se não, ao menos sinto o peito um pouco mais leve.

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