Não sei se sou só eu, mas fodasse, desde que apareceu um vídeo de um chefe a criticar como são tratados os funcionários na hotelaria e restauração pelo patronafo e chefes, incluindo ele, só vejo textos e cartas abertas sobre o assunto. Tudo escrito como se fossem muito edgy e corajosos.

Parti de rir quando vi um gajo de um empresa de contabilidade que me candidatei a partilhar esses mesmos vídeos. Os mesmos recrutaram uma pessoa com 0 experiência para um cargo abaixo do promocionado e com salário abaixo também, no fim de contas. Devia de ter previsto depois de me ter candidatado mandame mensagem no whatsapp a perguntar se podia fazer entrevista em 10 minutos.

Isto da malta com phd, doutoramentos e o caralho que os foda a mandarem bitaites quando nunca trabalharam um dia da vida deles a sério. Podem dar sorte que já nasceram com bolsos fundos para tirarem formações muitas vezes sem saberem seauer como é trabalhar nas áreas e entrar de cunha para certos cargos.

Eu já nem sei o que dizer ou sentir sobre tanta hipocrisia além de fechar os olhos e fingir que nem se está a passar à minha volta. Esta malta havia de liderar pelo exemplo, principalmente o governo devia mas se não o faz que se foda, não é por haverem tabelas a definirem os mínimos que as empresas tenham que se ficar pelos mínimos.

Uma coisa que afeta a hotelaria diretamente foram mudanças na legislação que reriraram alguma da qualificação ao setor. Por exemplo deixou de ser obrigatório profissionais de certos cargos terem que ter determinadas formações, o que já haviam formas de contornar mas pronto a curto prazo ajudou a preencher quadros. A longo prazo obviamente que levou a haverem mais cunhas e malta que não tem competências a assumir certas funções, o que em retorno levou muitas destas emprezas a trabalharem em situações de quase colapso e às custas de pessoas que não saem mas que não lhes é reconhecido o valor como pilares da empresa, isto é até sairem.

Eu felizmenfe já sai do setor e estou num trabalho de escritório das 9 às 5 segunda a sexta e ainda trago mais para casa. Mas não me consigo desligar do facto que passei 3 anos numa licenciatura, todos os sítios onde trabalhei dei conhecimentos a superiores meus que desconheciam conceitos básicos de hospitalidade, criei diversos procedimentos, fui responsável pela segurança e saúde e claro trabalhei sempre até estar tudo feito, tudo para no fim receber menos do que recebo agora e com menos regalias e sair com uma palmadinha nas costas.

Já pensei fazer um post aqui ou no r/PORTUGALCARALHO sobre entrevistas e casos engraçados que tive e para saver de outra malta, porque não conheço ninguém com histórias tão estranhas como eu e principalmente na área que rodeia o turismo, restauração e hotelaria há muita malta que vive noutro mundo.

16 comments
  1. > Por exemplo deixou de ser obrigatório profissionais de certos cargos terem que ter determinadas formações

    Mas isso é mau? Tás na cozinha e a servir, não tás a operar um paciente. Para que complicar com requisições, cada empresa sabe de si, da qualidade que contrata, o Estado tem é de sair da frente.

  2. O cérebro humano tem limites no que consegue fixar e processar. Um PhD foca-se numa área extremamente específica e adquire conhecimento elevado nessa área. É portanto normal que sejam uns brugessos na maior parte de outros assuntos. Principalmente os que nunca saíram da Faculdade.

  3. Os trabalhadores de hotelaria e restauração que tenham o mínimo de juízo, fogem imediatamente da área e vão fazer outra coisa qualquer, nem que seja varrer ruas.

    E quem está a pensar prosseguir no ensino superior nestas áreas, que beba um copo de água e que comece a pensar se tem algum padrinho que o oriente. É que se não tiver, mais vale ir para agronomia.

    Conheci duas pessoas com mestrados de gestão hoteleira a servir como bagageiros e rececionistas respetivamente. Malta nos seus 30s e sem perspetivas de subirem.

    E se efetivamente forem excelentes em línguas, até sabem falar fluentemente 3 ou 4 línguas (conheci um miúdo com 26 anos que já era chefe de receção num 4 estrelas – não sei se tinha ou não cunha, mas percebia muito de línguas). Mais inteligente era ele se encaixasse num call center de francês ou alemão, mais dinheiro menos chatice.

    Hotelaria está fixe para muito imigrante que está a chegar aí preparado para ser explorado, o aviso está dado, só cai quem quer.

  4. Atualmente varrer ruas ( que é um emprego como os outros) paga menos 60€ que restauração e hotelaria. Sendo que o horário inves de 12h e fazer o dia todo fazem das 06 da manhã as 14:00.

    Se por mais 60€ vale a penar ser um autêntico escravo ja vai na opinião de cada um..

  5. Antes que alguém diga que sou licenciado e não sei escrever.
    Sim é um problema que tenho, estive muito tempo sem telemóvel (partiu e estava a adorar a liberdade passado algum tempo) então clico mesmo estupidamente muito nos sítios erradoa do ecrã (gota de suor na testa emoji)

  6. Partilha essas e entrevistas OP. informação nunca é demais.

    Quanto mais exposição mais depressa as pessoas exigem ser menos mal tratadas (espero eu).

  7. Como anda por aqui muito pessoal da restauração, o programa da TVI “Pesadelo na cozinha” é tudo encenado ou as cozinhas estavam mesmo naquele estado deplorável?

    Se é encenado, quem fez os efeitos especiais daquela sujidade, gordura em todo o lado, frigideiras a desfazer, baratas a passear e comida podre, está de parabéns pelo realismo..

  8. honestamente, todas as vezes que abro o linked in fico com o meu sangue a ferver de quanta hipocrisia que existe na minha área que é a mesma do OP. Eu só consigo ter aquilo aberto durante uns minutos e depois tenho de fechar. é tudo muito bonito por lá quando a realidade é das piores.

  9. Trabalhei em restauração durante uns 5 ou 6 anos e prefiro 1000x fazer limpezas. Sim. Prefiro limpar sanitas do que trabalhar em restauração. Faço o meu horário e preço por hora, trabalho com quem eu quero (despacho
    à vontade todo o cliente chato) e quase sempre tenho fds para mim. O desgaste físico não é muito diferente mas é infinitamente mais tranquilo do ponto de vista emocional.

  10. Cheguei a trabalhar num dos restaurantes (O Talho) do famoso Chefe Kiko quando ele ainda estava a iniciar a carreira dele. Foi a pior experiência que tive nessa área de restauração. Quando juntei a equipa, ainda era jovem, tinham me prometido que iria ser barman dessa loja mas após a realização de alguns serviços é que apercebi que era apenas um empregado de mesa.

    Primeiro ano em recibos verdes e depois se gostarem do teu performance, irias passar a contrato. Nem cheguei a completar o ano e fui embora. Pagavam 720€ na altura e era um bocado acima do ordenado mínimo mas eram horas ridículas no ponto de entrar as 10:30 da manhã até 15/16 horas da tarde, voltar a entrar as 18:30 e nem sequer tinhas horas de sair porque só poderias sair quando o último cliente for embora, então, um cliente fica até as 24h ou 01:00 da manhã e só sais de lá meia hora depois.

    Decidi falar com meus colegas na altura e estavam também cansados mas ninguém falou. Depois questionei diretamente à pessoa que contratou me e compreenderam, no entanto, a desculpa deles era, como a empresa está numa fase inicial, temos que aguentar a bonbocas e que futuramente as coisas irão certamente melhorar.

    Tentaram arranjar soluções como trabalhar 4 dias seguidos e ter 3 folgas logo de seguida. Esquece, as folgas tornaram se rotativas e ligavam nas folgas das pessoas para virem ajudar porque o fulano que era para vir hoje para fazer o turno dele ficou doente ou tem uma emergência por isso não está.

    A teoria era muito bonito, durante os 4 dias, ficas toda hora e minutos dentro do restaurante, fazer trabalho onde já não há trabalho, 1 pausa e já vais com sorte, logo entras às 10:30 da manhã até 24 da noite ou máximo 02:00 da manhã sem parar.

    Resumindo e concluindo, cansei, acordei e mudei de área, hoje tenho o que tenho porque desisti a tempo.

  11. fodasse → [**foda-se**](https://www.reddit.com/r/portugal/comments/3yacuo/nazigramatical/cybzyw9)

    haverem tabelas → [**haver tabelas**](https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-uso-do-verbo-haver/31143) (o verbo haver conjuga-se sempre no singular quando significa «existir»)

    haverem mais → [**haver mais**](https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-uso-do-verbo-haver/31143) (o verbo haver conjuga-se sempre no singular quando significa «existir»)

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