Já algumas vezes foi debatido este tema do preço os livros em Portugal (a tradução paga-se etc) Hoje ao ver o Paulo portas na tv decidi ver o preço do livro e tomei a decisão de comprar em inglês. Felizmente consigo ler e entendo, com uma ou outra consulta ao dicionário. Mas quase 30€ num livro?

40 comments
  1. Ha muito que não compro. E andei a adiar por anos, mas acabei por comprar para oferecer um livro de que tinha gostado e em que a versão portuguesa foi separada em dois volumes e cada um mais caro que o livro todo em inglês.

  2. Os livros sempre foram caros: a maior fatia ia para a distribuição (Fnacs/Bertrands), mas os materiais também estão mais caros (gasolina + papel). Quantos livros de autores tugas tinhas ao mesmo preço dos traduzidos 😁 Os ebooks a mesma treta, porque é preciso alguém xpto para fazer o ebook 🙄 e depois a distribuição também é cara… é tudo caro 🤣 menos pagar aos autores 😁 Aí vais com margens mínimas

  3. Um livro passa por vários processos até ser publicado (hás de ter alguem a fazer a paginação do livro – não, não é meter o número das páginas nas folhas)
    Podes ter uma revisão / edição do livro
    E no caso de livros estrangeiros, traduções

    Tudo despesas que precisam de ser cobertas pelas vendas dos livros

    Qual é o problema em Portugal? Tens uma população mais pequena, o que faz com que tens um número de potenciais clientes mais baixo. OK, e qual é o problema nisto? Os custos com a impressão… Assumindo que hás de vender todas as cópias do livro, imprimir 100000 e vender a 15 euros vai dar com imprimir 10 000 e vender a 30; estes valores são puxados do ar, mas o que interessa aqui é que ao imprimires um número maior tens mais margem para vender cada unidade a um valor mais baixo. Provavelmente se procurares a versão PT-BR do mesmo livro deves ter um preço mais baixo

  4. Sim, o problema principal é que o baixo volume de vendas em PT devido à reduzida população (comparado a outros países) faz com que o custo adicional deva ser maior por livro. Por isto eu também acabo por comprar quase tudo em inglês, a diferencia é substancial

  5. Quando era mais novo gastava fortunas em livros, depois descobri a amazon.co.uk e comecei a poupar uns trocos ao comprar em inglês. Mas com a conjunto dos últimos anos, nem isso conseguia justificar. Assim investi num Kindle, e criei uma conta no forum mobilism.

  6. Comprei um kobo, pirateio os livros que quero ler, se quiser por na coleção acabo por comprar. Acho um absurdo o preço dos livros.

  7. Quem defende o custo dos livros pt que não me lixe porque existem muitas coisas que podiam ser melhoradas ou não pioradas nas edições portuguesas que resultariam num custo inferior.

    1- tipo de papel. Fala-se que se consome pouco livros, então porque é que as edições têm todas de ser tão premium que parece que é imprimido em papel cavalinho. Vamos aos ingleses ou americanos e é tudo em papel quase polpa que as vezes chega a ser cinzento. Não são tão bonitos mas para isso servem as edições xpto que se levam caro.

    2- tamanho das folhas e letras. Eu cá não sei mas em PT deve ser tudo pitosga que precisa de letra 20 para ler. Os livros ficam tão grandes que se tivessem furos e uma pega davam para jogar padel. E as margens? Já viram as margens das páginas? Alguns não basta a letra ser gigante como as páginas têm margens vazias que 2 dedos de um adulto.

    3- volumes. Claro que com tudo o falado acima um livro de mais de 300 páginas original tem de ter N volumes senão podia ser considerado arma branca. A Bíblia não dividem porque senão o cardeal ficava chateado e nesse caso foi possível otimizar o texto e a espessura de folhas. Mas literatura? Em português não pode haver um volume de 600 páginas. Deus me livre….

    Por isso acho que mesmo somando o custo de edição e tradução era perfeitamente possível ter literatura traduzida muito mais barata e consequentemente acessível. Mas cheira-me que o interesse não é esse mas outro. Se calhar é para ser mais difícil haver literatura traduzida e ficar tudo pelo nacional, não sei. Somos um país pobre e que lê pouco e por isso foi considerado lógico fazer edições que gastam mais papel. Brilhante.

  8. No outro dia, vi uma edição base do 1984 por quase 20 euros em português. Ao lado, vi uma edição lindíssima do 1984 mas em inglês. Custou-me 8 euros. Já mal me lembro de qual foi o último livro que li em português.

  9. Há umas semanas queria comprar Os Pilares da Terra, então fui à internet consultar o preço do livro.

    A versão portuguesa encontrava-se (como era de esperar) dividida em dois volumes, cada um a ~26 euros. Significa isto que, ao todo, o livro ficava pela módica quantia de mais de CINQUENTA EUROS.

    Entretanto, já desesperado, fui à Amazon ver o preço da versão inglesa. Imaginem o meu espanto quando esta se encontrava à venda por… 7 euros.

    Escusado será dizer que optei por dar o meu dinheiro ao careca.

  10. Compro sempre em Inglês por 3 motivos, em primeiro o preço, em segundo devo ter gostos esquisitos porque há muita coisa que gosto de ler que nunca é lançada em português e terceiro também porque muitas vezes as traduções são uma bela treta e de má qualidade.

    e francamente também a coisa que mais pirateio hoje em dia são livros e audiobooks, mas de longe, os preços são ridículos.

  11. Fui à feira do livro e comprei 7 livros por nem 30 euros. Fui na sexta à fnac e vi um livro a 40. Se bem que era um calhamaço do Piketty, mas os outros estavam todos acima de 20

  12. Acho que só não há uma rede “social” self publishing de livros digitais porque a indústria de papel e livreira teve bastante sucesso a passar a propaganda que um punhado de folhas por livro é melhor que 1001 livros no bolso. E eBooks são vendidos ao mesmo preço ou mais caros para desincentivar as pessoas a descobrirem as melhorias de qualidade de vida de um livro digital.

    Eu tinha uma amiga escritora que também andava a gozar com o eReaders porque estão dependentes de uma bateria (que dura semanas por sinal) e que dizia que preferia livros físicos por causa “do cheiro”. Eu perguntei-lhe o que achava da ideia de publicar um livro sem ter que dar a valente margem a uma editora, sem ter de cortar árvores, ou sem alimentar a mesma indústria que faz arder o país todos os anos porque viciou a flora nacional, substituindo árvores antigas com eucaliptos. Hoje é uma grande defensora de livros digitais, mas a maioria dos leitores não os quer.

  13. A consolidação do sector, dominado por apenas 2 grandes grupos (Leya e Porto editora) também deve influênciar os preços.

  14. É muito comum e só está a piorar. Em fantasia e ficção-científica é pior ainda. Traduzem livros que caberiam perfeitamente num volume, dividem em 2 e vendem a preços exurbitantes.

    A “Saída de Emergência” é especialmente conhecida por isto. Depois ainda deixam coleções a meio porque obviamente poucos compram.

    Outra coisa muito comum em portugal e que não entendo é o tamanho e qualidade dos livros. São enormes (em altura), com tamanho de letra maior inclusivé deixam muito espaço em branco na parte superior e inferior das páginas e as folhas e capas são de demasiada qualidade o que acaba por aumentar os custos.

  15. Há 20 anos que compro livros quase exclusivamente em inglês e o principal motivo é o preço. Como vários disseram, as edições portuguesas são sempre premium, os livros são enormes e difíceis de transportar e as editoras insistem em dividir as obras em volumes para fazerem mais dinheiro. A tradução paga-se, mas isso é uma regra válida em qualquer país do mundo que lance livros fora da sua língua nativa. O que acontece em Portugal é uma pescadinha de rabo na boca: o mercado não cresce porque os preços são elevados e os preços não descem porque o mercado não cresce. O facto de haver apenas 2 editoras grandes a dominar o mercado também ajuda a manter os preços elevados. 30€ por um livro é absurdo e por muito que gostasse de ver as coisas mudarem em Portugal, não tenho carteira para isso.

  16. Os preços dos livros PT são realmente absurdos, só compro na feira do livro, na hora H, de resto compro em inglês ou saco para ler no Kindle.
    As diferenças de qualidade dos livros portugueses para os ingleses nota-se no entanto: os PT são maiores, papel mais grosso, letras maiores, mais espaçamento para o topo e fim da página, capas melhores, etc.

    Gostava de dizer que a qualidade paga-se, mas mesmo assim acho que não se justifica serem o dobro ou triplo (se não mais, quando dividem o livro em várias partes) do que os ingleses

  17. Já há alguns anos que compro a quase totalidade do que leio em inglês…mas tenho a facilidade de ser bilingue. Encontram-se edições com preços bem mais em conta, as traduções para português de algumas expressões arrepiam de tão más e pelos vistos os meus gostos em livros não são muito comuns – solução: ler os originais. Recentemente adquiri um kindle e mesmo em pt arranjo mais barato. A cultura em Portugal paga-se a peso de ouro.

  18. O que se passa com os livros é o mesmo que se passa com os hipermercados e a Internet/TV/Telemóvel.

    Tens só uns poucos de grandes grupos que dominam o setor e que decidem os preços que querem.

    Ainda para mais, nos livros há exclusividade editorial, se queres um livro que é editado pela Leya, não podes ir procurar mais barato noutro editor.

    E assim eles vendem os livros ao preço que lhes dá mais jeito e tornam os livros quase artigos de luxo.

  19. Há uma trilogia inglesa, são 3 livros de 900 folhas, fica em 10€ mais ou menos em Inglaterra por livro, os americanos decidiram dividir cada livro em 2, logo ficaram em 6 livros, há uns anos a saída de emergência começou a editar os livros, surpresa, dividiram a versão dos EUA por foi outra vez, logo um conjunto de livros que fica por 30€, na versão portuguesa ficou ( se alguma vez editarem todos, o que não o fizeram) em 20€ por livro, o que fazendo a conta 20×12=240. É uma das razões que não compro livros em português há 10 anos.

  20. Tens noção que estás na tuga não tens!? Ninguém quer saber ou dá importância a este assunto. A quantidade de colegas que acabaram a faculdade sem nunca ter lido um livro é infelizmente muito grande 🙁

    Por isso, próximas gerações vão ser interessantes.

  21. Sempre comprei livros em PT e tentei sempre apoiar. Já li mais nas leio em média 5-10 livros ao ano. Normalmente andam pelos 20€ em PT. Comprei um Kindle e agora só compro na Amazon. Não só fico com o livro em formato digital na biblioteca que posso ler ou emprestar a qualquer pessoa em qualquer lugar como fica muito mais barato e pouco o ambiente

  22. O problema não está na tradução. O Problema está que os livros que vez na fnac e bertrands desta vida, cerca de 70% ou mais fica para eles. O resto que vai para a editora serve para pagar trabalhadores e escritores.

  23. eu não sei o que os livros portugueses têm de especial em comparação com os estrangeiros… quer dizer, vais a países com o dobro ou triplo do ordenado mínimo e os livros custam metade do preço ou menos. e estou a falar em livrarias, não estou a falar do mercado online (pelo menos dos países que conheço claro)

    Ainda a semana passada comprei o Silmarillion em capa rígida, novo na livraria em Berlim por 8€ e a media dos preços ronda isso. Tlz entre 8 a 12 € mais ou menos. e não existe grande distinção entre estar em alemão ou inglês (se bem que aqui também encontro mais barato em inglês)

  24. Não seria má ideia criar uma editora “lowcost” tipo wordsworth classics com livros em português. Capas baratas, livros de domínio público. Certamente que venderiam muito

  25. O problema do preço dos livros em Portugal é o tamanho do mercado, e não há muito que se consiga fazer quanto a isso, pois somos muito pequenos.

    Segundo sei, o que custa mais dinheiro é a preparação e configuração do software e da maquinaria para imprimir aquele livro, com certo tamanho, certa capa, certo número de páginas, certo tipo de lombada, etc… Depois se imprimem 10 ou 10.0000 exemplares não faz uma diferença assim tão grande no preço.

    Se forem a uma gráfica, pedem cerca de 5.000€ para imprimir 200 cópias de um livro, com papel e capa de qualidade razoável. Ou seja, cada exemplar fica a 25€.

    No entanto, se quiserem 2.000 cópias, pedem cerca de 15.000€( 7,5€ por cada livro), para 20.000 cópias, pedem cerca de 100.000€( 5€ por cada livro), e assim sucessivamente.

    Não esquecer que a este preço da impressão, vão ter de juntar a margem para o escritor, para a editora, para a livraria, custos com transporte e publicidade, etc, daí não ser de admirar que um livro cá fique possa ficar por mais de 20€

    Ou seja, quanto mais se imprimir, mais barata fica cada cópia. O problema é que não há assim tantos livros que vendam dezenas de milhares de exemplares em Portugal, e por cada um que vende bem, as editoras têm 3 ou 4 que dão prejuízo.

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    Países como os Estados Unidos ou Inglaterra conseguem livros vender a preços muito mais baixos, estamos a falar em mercados que imprimem às centenas de milhar ou mesmo aos milhões de exemplares de um livro, que lhe fica por menos de metade do que fica um feito para Portugal ou outro país pequeno.

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