
Gostaria de partilhar este video do programa “Tudo e Economia” da RTP, onde o professor do ISCTE, Ricardo Paes Mamede, desmistifica aquela ideia que quase se tornou um ditado “Hoje em dia todos querem ser doutores e engenheiros e ninguem quer ser carpiteiro e etc”.
Concordo com o que e dito no fim do video. O problema nao esta na oferta da formacao dos cursos profissionais, mas sim em outros problemas mais estruturais como falta de progressao de carreira, perpetuacao de baixos salarios, etc.
Qual a vossa opiniao?
[Video tambem pode ser visto aqui (versao mobile)](https://www.youtube.com/watch?v=N8bM_qXwuZs)
https://reddit.com/link/rcs6r9/video/iyfvdexe6l481/player
**Outros posts relacionados com este**
[https://www.reddit.com/r/portugal/comments/rafwmq/a_propaganda_do_ha_falta_de_trabalhadores_em/](https://www.reddit.com/r/portugal/comments/rafwmq/a_propaganda_do_ha_falta_de_trabalhadores_em/)
[https://www.reddit.com/r/portugal/comments/rby6wj/ha_falta_de_mao_de_obra_empresarios_visionarios/](https://www.reddit.com/r/portugal/comments/rby6wj/ha_falta_de_mao_de_obra_empresarios_visionarios/)
39 comments
Eu sou blue collar, não quero saber o que dizem
só dão valor a quem tem licenciatura… quem não tem é quase visto como ralé… não é de admirar que “todos queiram ser doutores e engenheiros”
A escola também tem culpa no cartório quando dizem as miúdos que tirar um curso profissional seja em que área for é para burros porque quem vai para universidade é que é inteligente.
Deixa me ver as ofertas para carpinteiro e pintor no iefp. Yup. tudo salário mínimo.
Começa na família:
>Então o que queres ser? Engenheiro? Médico?
Passa pela escola primária/basica lá como era:
>”Não te esqueças que tens de estudar muito para ser alguém na vida”
Continua no secundário:
>”Cursos profissionais? Isso é para burros.”
Piora pela vida adulta:
>”Lembraste do Miguel? Ele não foi para a universidade e agora é técnico de manutenção industrial pff coitado não trabalha em IT como nós e suja as mãos”
E acaba no full circle:
>”O meu filho quando crescer vai para o IST como o pai?”
Pelo meio toda a sociedade olha de lado a quadros médios e acham que merecem o mínimo possível quer de consideração, quer de ordenado, quer de progressão na carreira, enfim espero que esta bolha rebente rapidamente e não há de faltar muito, a quantidade de colegas meus que não sabem trocar uma fita de estore ou instalar uma merda duma torneira é aterradora.
outra vez???????????
vejamos, quem tem ensino superior tem maior probabilidade de emprego fixo, maiores salários,…. bem gerido a coisa logo após a universidade estás financeiramente independente (nao digo que estejas folgado para fazer 1% do que desejas….. lol)
é um investimento numa formação.
agora isso de electricista, canalizador e bla bla, expliquei-me lá como adquire a formação (isto é uma área onde teoria e prática são longe de fazer ligação, já para nao falar que é mt manual) .
exemplo anedótico, toda essa malta q eu conheço, teve que ganhar menos do que smn durante muitos anos e a viver em casa dos pais até lá para 30 anos. porquê? porque estavam a trabalhar para outrem, a trabalhar como carne para canhão.
só após os 30 anos d idade é que passaram mais independentes porque começaram a trabalhar sozinhos (ja tinham aprendido tudo o que sabiam) e ai sim, começaram a ganhar bue e tal (sim, porque realizar alguns serviços sem fatura é normal na área, não censuro, normalmente os clientes não querem saber porque o electric/canaliz/etc é de confiança e fornece “garantia” e assim têm desconto de 23%) …
é um risco enorme e precisas de um grande “almofada” durante mt tempo.
Que tal serem canalizadores? Não? Quase todos os dias vejo pessoas a falar de se reconverterem para IT/quererem ser engenheiros/ser doutores, mas os canos também precisam de ser arranjados. Se eu não tivesse um bom trabalho até pensava nisso. Reparem que o Super Mario é canalizador, e ainda assim papa uma Princesa. Não sintam vergonha de arranjar canos. E até é uma profissão bem paga, com cada vez menos profissionais. Não querem? Em vez de serem o próximo Zuckerberg, não querem ser o Luigi?
É que é importante que se comece a pensar nisto, senão qualquer dia a população toda só sabe criar websites e não há ninguém para desentupir uma sanita. Nunca vejo uma mãe a dizer “Ai, o Bernardo vai ser canalizador”.
Olha, para mim tá feito. Se ficar sem trabalho vou desentupir canos. Conheço quem ganhe grandes massas a lidar com merda.
À partida o título é enganador porque ele desmistifica a ideia, como diz muito bem o OP no texto.
Depois, o RPM diz meias verdades.
O diagnóstico é correto, mas não é verdade que o mercado laboral esteja sedento de gente altamente qualificada. Está sedento de gente qualificada de um lote muito específico de áreas onde é *extremamente fácil* rentabilizar esse investimento. Apenas.
E é caricato que isto seja dito por um tipo que no mínimo ganha, só de ser professor associado, se tiver exclusividade, mais de 60k/ano e tem o emprego mais seguro que existe em Portugal. Aos 40 já sabia qual ia ser o dia da sua reforma.
Temo duas opções: ou pagamos mais por um canalizador, serralheiro, etc, que uma ida ao médico, ou aprendermos e fazemos nós, como se fossemos o Bear Grylls
este sub está a tornar-se numa tasca de boomers, pelo menos pensam como tal, boomer não é uma idade é um estado de espirito. Em Portugal pouco mais de 1/3 dos miúdos acaba a universidade.
​
>No que toca às habilitações literárias das pessoas entre 25 e 64 anos, em 2005, o nono ano era o máximo a que tinham chegado três quartos das pessoas, o que coloca Portugal no grupo dos “países mais atrasados”, como México, Brasil ou Turquia.
>”Hoje em dia todos querem ser doutores e engenheiros, por isso nao ha carpinteiros e pintores”
Desigualdades, discrepâncias, precariedade, este capitalismo está mesmo a dar as últimas, já mete nojo o tão ridículo que está pelas histórias que vai ouvindo.
Bem posso dizer que não tenho licenciatura. Ganho mais que muitos licenciados. Trabalho para outrem e na agricultura. E todos os anos sou aumentado por isso, não sei o que pensar disso..
Boa partilha!
Não concordo, hoje em dia carpinteiros, canalizadores, electricistas, soldadores e etc são profissões muito bem pagas! Os bons cobram o que lhes apetece é trabalham as horas que querem. Acho que é mesmo uma situação cultural de falta de “prestígio” dessas profissões.
Com a quantidade de cursos superiores perfeitamente inúteis a ser lecionados e o avanço da AI para cada vez mais áreas, talvez no futuro haja uma reconversão em massa para trabalhos mais técnicos.
A prova que vivemos numa sociedade classissista em Portugal dos drs. Vs. os “analfabetos” é de desta discussão ser acerca acerca disso e não acerca das necessidades de mercado e de as profissões terem remunerações de acordo com a lei da procura e da oferta do mercado. Nada impede um canalizador ou pedreiro ter a sua própria firma e entender de como gerir essa empresa em termos de financiamento, cash-flows e ter conhecimentos de gestão. Mas em Portugal é tudo acerca da luta de classes, como um gestor e um canalizador são de classes diferentes a mesma pessoa não pode ter os dois conhecimentos, dá curto circuito e explode.
Vou contar aqui dois exemplos de primos meus que me fazem crer que os cursos superiores são, em grande parte, matadouros da independência financeira e liberdade profissional da juventude.
– Eu. Curso superior. Trabalho há anos numa empresa do meu sector por salário médio em Portugal. Pouca real progressão de carreira uma vez que esta indústria (Turismo) é altamente oposta a respeitar as convenções sindicais a que está sujeita. Ou seja, assumir mais responsabilidades é possível mas receber pagamento compensatório é muito raro.
– Primo 1. 6º nao de escolaridade. Abandonou a escola porque os pais eram mesmo daqueles rurais intragáveis. Ainda por cima, sendo Jeovás, não gostavam do que o rapaz andava a aprender. Foi para as obras, para electricista, para chapeiro, para pintor, para isso e para aquilo. Aos 26 anos tinha 10 anos de experiência e foi para o estrangeiro. Hoje tem uma pequena empresa de remodelação de edifícios na França. Começou a trabalhar para um patrão Português por salário mínimo. Depois de aprender a língua começou por sua conta em biscates. Hoje tem umas 10 pessoas a trabalhar com ele. A última vez que o vi foi há 3 anos com uma mulher árabe que trouxe de não sei onde após ter arranjado um contrato para restauro de dezenas de casas em Marrocos. Anda de M5 e já construiu duas casas em Portugal. Uma pare ele, outra para os pais. Já é, literalmente, milionário tendo em conta o valor do património que tem.
– Primo 2. 9º ano de escolaridade. Começou a trabalhar com o pai a electricista e mais tarde a serralheiro com o sogro. Também foi para a França. Abriu uma empresa individual de serviço de emergência à noite e fim de semana. Pessoas que ficam fechadas cá fora sem a chave. Emergências de pichelaria. Problemas eléctricos. Qualquer pequeno problema fora de horas lá vai ele com a carrinha. Ganha dinheiro às paletes. Qualquer deslocação é logo taxada a 100€ fora o resto dos serviço. Por vezes é só por uma braçadeira num cano ou mudar um fusível. Tira 5000 euros por mês a brincar. Muitas vezes apenas trabalha de Quinta a Domingo e passa o resto da semana a jogar petanca no parque e a tratar de ir buscar os filhos à escola.
Em ambos os casos estamos a falar de rapazes considerados hoje “analfabetos” em termos de literacia. A diferença entre eles e eu é que eles aprenderam artes realmente necessárias à sociedade que lhes permitem trabalhar onde raio quiserem no mundo dada à ilimitada necessidade deste tipo de profissionais.
Agora eu dou por mim a pensar na inutilidade que me na realidade sou para a sociedade. As minhas tarefas são completamente acessórias-além de que não tenho capacidade nenhuma de tomar conta das minhas próprias necessidades domésticas para além de montar móveis do Ikea ou e de fazer um furo na parede para colocar uma prateleira.
Portanto, podem ir para a TV repetir o que quiserem mas a minha experiência na vida real é bem diferente. Especialmente sabendo que o que não faltam são licenciados a ganhar salários baixos nas caixas de supermercados e a trabalhar em call centers.
Commenting agora para voltar e fazer minha casa do trabalho 🙂
Continuo sem perceber esse estigma a Cursos Profissionais.
Eu tirei e mais 2 colegas da minha turma e todos nós ganhamos/ganhámos +2K limpos. Eu desisti da área mas eles continuaram e são meninos para estarem a ganhar diria eu pelo que vejo da vida deles 3/4K facilmente. Todos nós liderámos engenheiros, mestres, etc. Também fizemos por encontrar uma escola exigente (na altura). Também beneficiámos de o conjunto de professores ser muito focado em pensar 80% do tempo e executar 20% o que faz diferença em tudo na vida.
Se és bom, és bom… Se não és, treina até seres. Ninguém é melhor que ninguém.
As pessoas têm de meter uma coisa na cabeça, não ganhas pelo canudo que tens, ganhas pelo que fazes ganhar. Quando meterem isso na cabeça resolvem tudo. Isso e queimar a pestana porque a aprendizagem não acaba na escola, é preciso estar à frente da curva todos os dias. O canudo só abre mais portas à partida e se calhar vais de elevador em vez de ires de escada mas se te deixares dormir o gajo das escadas chega ao destino primeiro que tu.
É uma questão de postura perante a vida.
Isto é só a minha humilde opinião.
Digam que daqui a pouco ter curso superior = a ter mestrado, é logo chapada lol
E é por isso que um Eng em Portugal ganha 1500€ por mês e um trolha que venha aqui a casa fazer uns serviços leva 1500€ por semana.
Porque é que não podem ir à universidade e ser pintor ou carpinteiro?! 🤷🏼♂️🤷🏼♂️
Os meus pais quando têm algum problema eléctrico ou de canalização lá em casa é quase preciso pedir por favor para o electricista ou canalizador lá irem. Andam sempre cheios de trabalho. E já aconteceu isto com vários.
Eu acho que o problema não é que falta mão de obra, há muita gente que adora pintar casas, conheço um rapaz de 19 anos que adora carpintaria, conheço um gajo de 32 anos que adora construir cenas…
Acho que o problema remete-se à falta de um ordenado digno.
Falando em inícios de carreira já que é o tema:
– ninguém quer ser pedreiro, carpinteiro, pintor, etc, ter o risco de cair de um andaime, trabalhar ao sol e à chuva, desenvolver hérnias e outros problemas físicos de saúde por um ordenado mínimo ou pouco acima.
– ninguém quer ser padeiro, pasteleiro, entre outros para se levantar às 2 ou 3 da manhã para ir confeccionar as coisas, recebendo um ordenado mínimo.
– entre outras profissões.
Esta gente tem é de receber um ordenado digno para o esforço que fazem. Tenho exemplos de casos:
– um carpinteiro de cofragem, só à coisa de 10 anos é que passou a ganhar mais de 1000€, já tem 30 de experiência.
– Um pedreiro, ganhava 800€, faleceu na obra quando uma corrente rebentou e lhe caiu 1 tonelada de pedra em cima.
– Um pasteleiro e padeiro, durante 5 anos pegava às 2 da manhã ao trabalho por 600€ (isto em 2010 por aí), não tinha vida social praticamente porque dormia de dia e trabalhava de noite.
Acham mesmo que o problema está em cenas sociais? O problema está é no ordenado que estas profissões ganham, nos riscos que estas profissões acarretam e naquilo que é preciso abdicar para trabalhar.
Até eu próprio, gosto de carpintaria, sabem porque é que não sou carpinteiro? Porque na altura davam-me o ordenado mínimo. Optei por um trabalho administrativo que apesar de na altura ganhar o mínimo à mesma, pelo menos trabalhava Sentadinho, com riscos de saúde praticamente nulos e tinha ar condicionado.
Gosto de ouvir e ler o Paes Mamede, mas isto é obviamente uma questão para sociólogos e não para economistas…
Este tópico sempre me intrigou bastante e confesso que preciso de pesquisar mais, especialmente sobre a situação em Portugal. Mas já li em vários sítios que boas carreiras para se apostar são os tais “blue collar jobs”, estes trabalhos de curso profissional como carpintaria, eletricidade, canalização, mecânica, etc. São trabalhos que não podem ser automatizados e por isso não desparacem, e são sempre necessários pois são coisas que toda a gente precisará eventualmente. Se toda a gente quer ser doutor e engenheiro, parece que libertaria mais espaço para mais profissionais nesta área a receber melhor
No entanto esta thread parece que está a dizer precisamente o contrário. Porque é que em Portugal este tipo de trabalhos não rende tanto?
*carpinteiro de cofragens* esses existem não existe é salário compatível com a profissão, se há uns anos *13/14 anos* recebiam por cada hora 8€, hoje estão nos 5.5/6€ o mesmo que um servente há uns 13/14 anos.
Não era YouTubers e rappers?
Picheleiro sem forçar muito ~7000 mês…
No secundário queria entrar para informática porque achava que o ensino tradicional não era para mim. O meu DT da altura desaconselhou e acabei por entrar em humanidades. Depois fui para a universidade tirar um curso que não tem rigorosamente nada a ver comigo.
E pq será q isso aconteceu? O q é q os media nos andam a mostrar há anos?
O único carpinteiro q aparece nos media é Jesus, e para além de estar fora de moda evoluiu para líder espiritual.
E o q os pais têm dito aos filhos todos estes anos?
*Estuda para não seres como eu!*
E os ordenados? E as casas? Os carros?
Alguém está admirado com este desfecho?
Quando os carpinteiros e pintores receberem mais dinheiro, mas muito mais dinheiro q os engenheiros e doutores, a coisa logo muda…..
O problema de portugal nao é drs a mais, temos drs a menos, agora porque é que ha falta de gente especialista em outras areas, primeiro ganham pouco, horarios de merdas, depois ja ouviram falar de emigraçam e baixa natalidade, portugal tem falta de pessoas em geral. e so vai ficar pior.
O problema é que se forem procurar formações nos centros, é tudo direcionado ao turismo…
Eu até concordava com a afirmação mas como estou a acabar o curso de engenheiro e sou carpinteiro, não sei o que pensar
Eis o feedback que tive há uns 15 anos atrás quando disse a uma pessoa da minha família (que era professora do ensino básico) que queria ir para um curso profissional de informática:
“Cursos profissionais são para o pessoal das barracas!”.
É esta a mentalidade das famílias portuguesas e, pior ainda, dos próprios professores.
Não me parece que as coisas tenham mudado… Com licenciatura ou não, somos uma fábrica de exportar excelentes trabalhadores. Os governos dos países para onde esses profissionais vão trabalhar agradecem…
Andei a dar uma olhadela nos vários comentários e vou deixar aqui a minha posta de pescada sobre vários problemas que por aqui foram levantados. Por isso isto vai ser looongo. Resumo no fim.
A questão do ensino e do mercado de trabalho estão um pouco interligadas e ambas têm problemas estruturais graves mas que terão que ser resolvidos independentemente um do outro. Além disso, diria que o mercado de trabalho é o mais problemático de todos e esse acaba por também influenciar um bocado as escolhas das pessoas no caminho a seguir.
Vamos começar pelo ensino que é onde eu me sinto mais confortável a falar. Todo o sistema de ensino em PT deveria ser reformulado. Não estou só a falar da forma como ele está estruturado, mas também da forma como os professores são tratados, como as escolas são geridas, como o financiamento do mesmo chega ou não chega a determinados locais.
Pensem que, no mínimo nós passamos 12 anos na escola. Se forem para a universidade passam a, provavelmente 17 ou mais. Este é uma parte estruturante da nossa sociedade. É na escola que nós nos desenvolvemos como pessoas, que a nossa forma de pensar é estruturada, que os nossos ideais são construídos. Obviamente que a educação que se tem em casa tem um grande papel, mas o tempo que se passa na escola, não só a estudar mas também em grupo, molda muito a nossa personalidade.
É impossível falar da escola e do ensino sem falar da problemática dos professores, pois são eles que transmitem ideais, mentalidades, cultura, entre outros, aos alunos. Um professor feliz, faz alunos felizes, mais capazes de pensar por si mesmos, mais inteligentes, mais esforçados. Um professor infeliz vai provocar o inverso. Resolver a questão dos professores poderia ter um impacto positivo nas nossas crianças.
Além disso temos a questão do ensino profissional. Peço desculpa, mas é totalmente incorreto chamar ensino profissional aquilo que se passa nesse mesmo ensino. Infelizmente dado as ideias construídas há já muitos anos, o ensino profissional em PT é (como muita gente aqui o disse) considerado a ralé do ensino. Só vai para lá quem não tem perspetivas de vida futura, quem não quer saber da escola, quem se está a cagar para aquilo, quem só faz merda nas aulas e fora delas. Ora isto complica e muito o trabalho de um professor, que muitas vezes não tem forma de lidar com turmas tão complicadas. Além disso, esse mesmo ensino, tal como disse antes, tem pouco de profissional em vários aspetos. O que lá se aprende, dificilmente poderá se aplicado de forma consistente no mercado de trabalho.
É necessário olhar para o ensino e reformular as coisas de forma a que esta ideia de que o ensino profissional é para burros mal comportados seja colocada de lado. Para isso é preciso mudar o ensino profissional, adaptá-lo às exigências do mercado de trabalho, melhorar os cursos e melhorar os professores. Além disso é preciso que a sociedade comece a encarar esta saída como uma saída válida!!
Mas para isto acontecer, é preciso que o mercado de trabalho absorva estes alunos e lhes dê uma carreira e uma perspetiva de vida decente. Coisa que não acontece nos dias de hoje. Alguém que sai do ensino profissional estará praticamente condenado a receber o salario mínimo ou pouco mais que isso, a não ser que se consiga estabelecer por conta própria, mas nem toda a gente tem essas capacidades ou vontades.
A falta de mão de obra nas várias profissões é uma falácia gigante. Acho que todos nós já vimos isso. Não falta mão de obra, falta é mão de obra disponível para trabalhar aos preços que os patrões querem pagar!!! Então em certas áreas, como por exemplo o Turismo, não falta povo que se diz explorado, e com toda a razão.
Passemos então ao ensino superior. Muita gente diz por aí que no ensino superior não se aprende nada. Eu discordo totalmente disso. Podem dizer que há cursos sem saídas profissionais, isso é verdade infelizmente. Mas daí a dizerem que é que restringe os jovens e que não serve para nada vai uma longa distância. Apesar de eu ter uma ideia bastante positiva do ensino superior, não quer dizer que não ache que há coisas muito mal feitas. Há sem dúvida que há. Tens professores que de professores não têm nada, tens U.C.s que estão paradas no tempo há uns 20 anos. Mas isto advêm de que os professores universitários não são na realidade professores. São investigadores que vão dando uma aulas. A sua avaliação é determinada pela quantidade de publicações cientificas. Não pela qualidade, pela quantidade!!! Além disso tens um corpo docente super envelhecido (o mesmo acontece no ensino não superior) e onde há enormes dificuldades em renovar esse corpo docente. Há excelentes professores que não são aproveitados pelas instituições de ensino porque não há verbas para os contratar. Não é que não há espaço para eles, haver há, não há é verbas ou vagas para se tornarem professores de carreira. Há alguns que vão ficando como docente convidados durante décadas até abrir uma vaga para docente de carreira, há outros que o mercado de trabalho lhes paga o decentemente e então eles vão-se embora porque não estão para estar décadas à espera. E assim se perde um excelente profissional.
Mesmo com todos estes problemas, diria que o ensino superior trará sempre mais possibilidades de teres uma boa carreira do que sair da escola no 12º ano. Além daquilo que se aprende em termos de qualificações, também ajuda a desenvolver outras skills, principalmente se os alunos assim o quiserem.
Claro que terão sempre pessoas que por diversas razões, terão um curso superior e não estarão a ganhar e a trabalhar naquilo que deveriam. Mas lembram-se de quando andavam lá, quantos dos vossos colegas se interessavam e se esforçavam para tirarem boas notas?! Pois… Tinha um professor que dizia que apenas 10% dos alunos de uma turma estavam interessados na matéria e interessados em se aplicar para aprender mais e melhor. Daquilo que vou vendo, não deve estar muito longe da verdade.
Seja como for, o ensino superior precisa também de uma reformulação. Desde olhar para os cursos atuais e ver o que faz ou não sentido, desde mudar o acesso à carreira docente e como eles são avaliados, separar os docentes dos investigadores, etc.
Por fim o mercado de trabalho. O mercado de trabalho é algo bastante complexo e diversificado. Se na área das TI isto está a bombar forte e feio e com boas perspetivas futuras, há outras áreas em que a coisa está muito má. Então se olharmos para o trabalho menos qualificado, não falta patrões que simplesmente se aproveitam dos empregados, pagando mal, tratando-os mal e destruindo-os física e mentalmente. O mais engraçado nisto tudo é que alguns dizem que não dá para pagar mais e tratam mal os empregados, mas uma empresa do mesmo ramo, na mesma zona, consegue pagar mais e tratar os funcionários como seres humanos dignos.
Já nem consigo contar, a quantidade de estórias mirabolantes que se passam em algumas empresas, muitas delas com faturações de milhões, onde os empregados são mal tratados, mal pagos, sem os benefícios que deviam ter. E vocês dizem, porque é que os funcionários não se vão embora?! Porque, apesar do que é dito na TV, continua a não ser tão fácil quanto isso arranjar trabalho a não ser deste tipo.
Obviamente que num país onde o trabalho não especializado é tão mal pago e os funcionários tão mal tratados, qualquer pai que se preze vai pressionar os filhos para irem para a universidade, pois com isso acabarão por ter mais probabilidades de ter uma acesso a uma carreira mais estável e bem paga.
Resumo: Está tudo uma merda!! O ensino (superior e não superior) precisa de ser remodelado, a carreira dos professores (do ensino superior e não superior) precisa de ser alterada, o tecido empresarial precisa de sair do século passado, a sociedade e o governo precisam de olhar para o ensino profissional como algo bom e decente. Mas mesmo assim, o ensino superior acaba por dar mais possibilidades de ter um bom futuro.
A nossa sociedade é classicista. Há 2 anos criaram um cartão de credito a dizer eng. xpto. Telefonei para a minha gestora e perguntei porque raio tem o titulo antes do meu nome. Não quero espalhar pelo mundo que me formei em engenharia sempre que pago algo. É a minha informação pessoal. Só o meu patrão ou algum cliente meu pode precisar dessa informação e quando for necessário digo. Passado 2 anos ainda não me tiraram isso apesar de me ter queimado quase todas as vezes que contacto com eles. enfim…
É verdade. Existe um estigma enorme para quem nao quer seguir a faculdade.Quem for a Alemanha ou Suíça ve que ha imensos jovens a fazerem oficios tecnicos, em Portugal é tudo faculdade ou nada.
O resultado? Imensos cursos inuteis so para dizerem que sao “licenciados”. 1001 faculdades privadas de merda que oferecem variantes de fisioterapia ou design. É irrisório ver as pessoas mais burras que ha a tirarem cursos de merda so porque sim.
“Hoje em dia todos ~~querem~~ TÊM de ser doutores e engenheiros, por isso nao ha carpinteiros e pintores”