
Estou indignado, sinto que devia ir para a rua protestar ou embarcar numa cruzada, mas não sei propriamente contra quem.
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Tudo começou no início do presente milénio, um outono bem farrusco num passeio com um amigo micólogo. Andávamos nós pela floresta à procura de boletos e cantarelos quando vem à conversa os míscaros (*Tricholoma equestre).* Dá-se o caso então de ele me informar, e de me cair o coração aos pés, que os meus tão apreciados míscaros [são tóxicos](https://www.wilder.pt/naturalistas/o-que-procurar-no-outono-cogumelos-no-bosque/) e que foram banidos dos mercados em França (sendo que, penso que mais tarde, também em Espanha e possivelmente outros países europeus). Aparentemente causam, por acumulação de uma toxina, uma [doença degenerativa muscular](https://pt.wikipedia.org/wiki/Rabdomi%C3%B3lise). Ainda hoje não sei se a substância acumulada é “limpa” com o tempo ou se fica lá a chatear.
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Uns anos mais tarde, a ler um livro sobre história gastronómica, descubro que os meus queridos chícharos (refiro-me especificamente ao [*Lathirus sativus*](https://pt.wikipedia.org/wiki/Lathyrus_sativus), pois já ouvi pessoas da Beira Alta a usar o termo chícharo para se referir ao feijão frade) contêm compostos que provocam [uma doença neurotóxica](https://pt.wikipedia.org/wiki/Latirismo), que já teve uns quantos episódios ao longo da história, [inclusive com os nuestros hermanos](https://en.wikipedia.org/wiki/Lathyrism#History). Mais uma vez, que quantidades são aceitáveis?! Não sei, eu adoro chícharos, mas não sei!
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E hoje, e a razão da minha indignação latente, descubro que o nosso poejo (*Mentha pulegium*) é [também ele tóxico](https://www.sciencedirect.com/topics/pharmacology-toxicology-and-pharmaceutical-science/mentha-pulegium), contendo uma substância hepatóxica. Como alguém que, vivendo uns anos no Alentejo, ganhou o gosto e até plantou para consumo próprio poejos no quintal, tendo consumido ao longo dos anos uma quantidade soberba de poejos, grande parte deles crus no meu famoso *tzatziki* atugalhado, fiquei atónito. Terei provocado ao longo dos anos danos no meu fígado? As minhas análises anuais saem sempre impecáveis, mas serão específicas o suficiente ´para isto? Mais uma vez, existe uma quantidade de poejo aceitável para consumo?
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Geralmente dá-se o caso de um alimento não dever ser consumido em excesso. Chocolate, café, gorduras. Agora, conterem neurotoxinas e hepatoxinas, na indústria alimentar, é morte certa do alimento.
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O que tiram disto? Estraguei o vosso dia? Há outros alimentos similarmente perigosos que eu desconheça? Vão mandar-me foder e continuar a comer em igual quantidade ou em quantidade superior só por despeito?
12 comments
Deixa-te de paranóias! Não há nada pior que morrer cheio de saúde.
Este gajo cogumela
eu desde sempre que ouço que o poejo é contraindicado para gravidas.
o Tricholoma equestre tambem sempre ouvi dizer que pode ser consumido mas com bastante moderação.
Lathirus sativus nunca provei, e nao es tu nem a doença q m vai impedir de os provar
O que não mata, engorda.
Ma cagar. Vou continuar a comer feijão frade. Isso do ser toxico é o que dá gases. Eles saem depois.
A mim sempre me disseram que o poejo é usado para tirar o tesão aos porcos.
e as bananas radioativas
*Voz fantasmagórica*
Fast food dá hipertensão **e** colesterol…
Se fores analisar todos os cogumelos selvagens vais ver que todos eles são mais ou menos tóxicos.
É a natureza do Cogumelo.
Tudo tem a ver com a quantidade. Até os taninos no vinho são tóxicos por natureza e ninguém deixa de beber por causa disso.
Ao início não tive interesse, mas mostraste empenho no q escreveste e genuíno interesse q acabei por ler tudo.
Suponho que tudo tenha um lado menos bom, o importante é haver equilíbrio e desfrutar.
Em alternativa podemos sempre não desfrutar das coisas q gostamos e morrer saudáveis.
isso com um bagaço a acompanhar limpa os hepatoxicos todos
Amigo isso é uma conspiração para que só seja consumido pela elite comunista como acompanhamento para os bebés assados no forno. Come à vontade.