Aproxima-se o fim das obras do Claustro da Sé de Lisboa com críticas sobre preservação dos vestígios islâmicos do séc. XII

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  1. A construção no Claustro da Sé parece ser mesmo interessante, estou ansioso pelo bilhete a 30 euros para puder visitar o mesmo.

  2. O projeto de recuperação e valorização continua envolto em críticas, com arqueólogos e historiadores a garantirem que tem as prioridades trocadas. Dizem que há património arqueológico de importante relevância histórica a ser destruído para acomodar áreas do projeto de arquitetura aprovado pela DGPC.

    O projeto foi então considerado pela maioria dos investigadores como “inadequado porque não permite a conservação integral destas ruínas nem a sua visualização global”

    Arqueóloga Jacinta Bugalhão recorda que no PDM de Lisboa o Claustro da Sé está classificado como de “sensibilidade máxima”. “Aqui não se toca, é arqueologia – aqui a única coisa que se pode fazer é investigação arqueológica e valorização do património arqueológico – tanto que este projeto é de valorização do património”, sublinha.

    Por isso, o movimento cívico que a especialista integra critica a obra: “É um projeto cujo o objetivo é valorizar as ruínas arqueológicas e depois quer destruí-las e quer tapá-las e quer lá pôr betão. O projeto é para permitir que as pessoas vão lá ver as ruínas, não é para irem lá ver o projeto arquitetónico. Isto é um contrassenso”.

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    As diretoras científicas da escavação referem que “o sr. diretor-Geral garantiu publicamente que não haveria qualquer afetação”. No entanto, tanto quanto sabem, “o arquiteto projetista ainda não procedeu à entrega do projeto alterado”.

    A argumentação da DGPC para a construção do piso -1 tem-se baseado na necessidade de garantir a estabilidade do edificado mas o mais recente parecer, relizado por técnicos especializados, sobre o projeto de estruturas de intervenção no Claustro da Sé contradiz a entidade estatal. A avaliação, solicitada pelo Movimento, foi assinada pela empresa A2P Estudos e Projetos. Conclui que a “construção do piso -1 tem funções estruturais, mas não garante a estabilidade e segurança das construções existentes”, ou seja, do paredão sul e do arco extremo sul do Claustro.

    A obra foi orçamentada em 4,1 milhões de euros e contou com uma parcela de fundos europeus através do programa 2020, no valor de dois milhões de euros. Durante este ano a DGPC avançou que o custo da obra já havia derrapado em 500 mil euros.
    Para o movimento cívico, se a DGPC tivesse repensado o projeto não se havia perdido tempo e gasto dinheiro desnecessário: “a culpa não é da arqueologia, nem do património arqueológico – a culpa é de quem gere este projeto que não tem noção do que anda a fazer”.

    E acrescenta: “Andamos de conquista, em conquista quando esta situação deveria ter ficado resolvida em 2019 – já estava o projeto concluído e as pessoas a visitar o claustro da Sé”.

  3. Infelizmente o património islâmico em Portugal é muito pouco valorizado. Já sobrou pouco depois de séculos de destruição intencional e acidental, e se o pouco que sobra é tratado desta maneira…

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