[https://youtu.be/EtUNmUf07N4?t=665](https://youtu.be/EtUNmUf07N4?t=665) Está aqui dito, para quem ainda tinha dúvidas – o PCP não apoia a Rússia nem a invasão. A maneira como as perguntas são formuladas revelam uma ideia instalada de que a invasão é o momento do início do conflito e que deve ser condenada como um evento isolado. A resposta do Paulo Raimundo não é uma resposta de sim ou não, porque o nosso entendimento da situação é mais complexo e rejeita a premissa implícita na formulação da pergunta: não tratamos a invasão como um evento isolado, mas como o culminar de um processo que se tem arrastado durante anos e que condenámos desde o início e que continuamos a condenar. Só não fazemos uma condenação unilateral que ignora o processo de instigação que tinha consequências previsíveis. Processo de instigação que, ao contrário do que se quer fazer acreditar, e tal como ficou aqui explícito, não atribuímos ao povo Ucraniano, de longe a maior vítima de todo este conflito. Da mesma forma, não fazemos a condenação unilateral da Rússia, incluindo também os EUA, NATO e UE, cujas responsabilidades nesta situação são sistematicamente ignoradas. A imagem que se tenta pintar é que tudo estava bem e um dia, do nada, ou da loucura do Putin, a Rússia decide começar uma guerra e invade a Ucrânia. O PCP vai sempre rejeitar esta narrativa tonta e simplista, até porque anos antes da invasão já fazia barulho contra a escalada que se foi promovendo. Não, não apoiamos a violação do direito internacional que é a invasão, não, não apoiamos a Rússia da oligarquia e do imperialismo, que em tudo é oposta ao ideal comunista, mas também não, não papagueamos narrativas simplistas e tendenciosas que ignoram o historial anterior à invasão e o papel que o chamado “ocidente” teve em todo o processo. E portanto, pintar-nos-ão como “putinistas” e defensores da guerra, sentimento instalado pelos media, que a comentadora que deu continuidade a este programa tratou prontamente de ecoar.

(E não me venham dizer que esta é uma mudança de discurso de agora. Vejam o João Oliveira a expressar exactamente esta posição já desde o momento da invasão: [https://www.youtube.com/watch?v=g\_u8FUPgFwU&t=206s](https://www.youtube.com/watch?v=g_u8FUPgFwU&t=206s) )

10 comments
  1. Esta mundivisão extremamente limitada do PCP faz-me urticária. E entristece-me profundamente, mas não me surpreende, que o Paulo (que conheço pessoalmente de há muitos anos) ser um porta voz da mesma.

    Para o PCP os desejos do povo ucrâniano são meros acessórios. O que interessa é a NATO, EU, US (incluir tudo o que não gostam) fez, faz ou fará ou até aquilo que imaginam que terá feito. Lá bem no finzinho da lista, em rodapé, menciona-se a Rússia porque o imperialismo desta é menos mau que o dos US. Porquê menos mau? Não se sabe, talvez por amores passados.

    Nunca, em momento algum, lhes passa pela cabeça que sim, que a Ucrânia quer enveredar pelo caminho das democracias ocidentais. E que esse desejo deve ser respeitado. Isso nunca, porque A e B e por A-mais-B resulta em C e a NATO e o caneco e a UE e o caralho mais velho.

    Só têm que respeitar o povo ucrâniano, nada mais. Deixem-se de conversas, abandonem os subterfúgios e parem de mandar poeira para os olhos. Os ucrânianos estão fartos, há muitos anos, de ser uma satélite da política russa. Querem estar no mundo moderno (aquele onde não se pilham máquinas de lavar roupa e sanitas) e estão fartos que lhes sabotem os sonhos, lhes envenenem os presidentes e lhes invadam o país.

    Só há uma solução: a Rússia sair da Ucrânia, por completo. Sem mas nem meio mas. Se o Paulo ou qualquer um dos camaradas quiser oferecer o seu querido Alentejo para sossegar as peneiras de Putin, estejam à vontade de o tentar. Mas deixem de se meter nos desejos de um país independente e soberano, que pediu ajuda e a teve. Aliás, até há relativamente pouco tempo era a sua desculpa para não meter o pé em situações que não lhe eram convenientes (*”Não nos intrometemos nas questões internas de países soberanos”*, diziam), mas estranhamente abandonaram essa higiene política a partir do momento em que o gás canalizado lhes pesou nas contas. Vai daí talvez tenham decidido que os ucrânianos podiam pagar as contas do proletário português com território nacional.

    Desculpem-me o rant, mas se há coisa que me faz ferver é desonestidade intelectual, venha ela de que quadrante político vier.

  2. Parto-me a rir com este post. Como se o Jerónimo não tivesse dito com um sorriso de merda que não se tratava de uma invasão, que era uma operação especial. O discurso não mudou o tantas. Eu li os comunicados. Eu vi as entrevistas.

  3. Dude, o discurso dele é o mesmo do resto do PCP: NATO mal, EUA mal, a Rússia podia estar melhor, mas pronto.

    É um partido nojento que não tem lugar no séc XXI

  4. https://www.pcp.pt/ucrania

    Isto ainda está online btw, o que é um MH17 ou a Invasão da Geórgia em 2008?

    Nao duvido que os individuos do PCP simpatizem com o povo da Ucrânia da mesma maneira que os NeoCons simpatizaram com os Iraquianos. Agora o dogma (e sim é dogma) de US bad é sagrado.

    Se eu usasse a mesma logica da batata para descrever que o Lumumba se aproximou da URSS e por isso a URSS não se devia ter metido em África para não interferir na Esfera de influência Belga já caía o carmo e a trindade.

  5. Estás a perder o teu tempo OP. Este sub é altamento anti-PCP por isso nem que o Raimundo fizesse uma tatuagem na testa com “eu condeno a invasão”, este sub ia dizer que não significa nada porque não está escrito em ucraniano.

  6. Só gostaria de saber como este senhor chegou a “líder” do PCP.
    O Jerónimo nem o conhecia!
    Que competências tem? O que já fez?
    Um cavalheiro com uns 50 anos deve ter algum histórico.
    Qual?

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