
\[Sério\]
Redditors,
Há um descontentamento pronunciado neste subreddit com as condições de trabalho em Portugal, sentimento de que partilho.
Desde salários fracos, a falta de seguro, participação em planos de reforma, dias de férias, carga de trabalho/horária excessiva, etc. etc.
A solução mais comum dada será imigrar. Mas, nas palavras de alguns comentários, isto seria deixar o país entregado “à merda”.
A minha pergunta é: Porque é que não há (ou são raras) as empresas em Portugal que oferecem boas condições? Na mesma medida em que há explicação para a subida desenfreada dos preços no mercado imobiliário, há explicação para o fenómeno da falta de condições generalizada em Portugal?
As crenças parecem assentar sobre os pontos abaixo, com comentários a parênteses:
* Mentalidade do “Patrão Tuga” (isto podemos nós que não concordamos com a mentalidade mudar).
* O que o país produz não é valorizado no mercado^(1).
* Textura empresarial é principalmente constituída por PMEs de restauração e turismo (relacionado com o ponto anterior) que não gera por natureza cash-flow positivo o suficiente para melhorar as condições.
* Excesso de burocracia.
* Corrupção e ganância (interceção com 1º ponto).
* Investimento inicial demasiado grande (filtra camadas mais pobres ou classe média do mercado).
* Excesso de carga fiscal ( no entanto outros países Europeus com uma carga superior ou igual à nossa têm muito melhores condições).
Gostava de ouvir feedback de quem já teve/tem uma empresa, de economistas e de outros curiosos informados. É possível mudança e se sim como?
Este post tem o propósito de servir como iniciativa ao debate e ao encontro de soluções/respostas. Ambicioso, eu sei, e se estiver a argumentar a quadratura do círculo^(2) também quero entender porquê.
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^(1) Exportações de Portugal em 2020: [https://oec.world/en/visualize/tree\_map/hs92/export/prt/all/show/2020/](https://oec.world/en/visualize/tree_map/hs92/export/prt/all/show/2020/)
^(2) [https://pt.wikipedia.org/wiki/Quadratura\_do\_c%C3%ADrculo](https://pt.wikipedia.org/wiki/Quadratura_do_c%C3%ADrculo)
12 comments
e simples,o patrao nao quer e o estado nao deixa.
Quando cerca de 50% dos empresários portugueses não têm mais que o 9º ano, está tudo dito.
Vives num país em que o Estado capta todo o capital para beneficiar as empresas de familiares e amigos.
O mercado nao é livre, está viciado, portanto nao evolui como deveria e por si só também não permite que uma boa cultura de trabalho floresça.
tens a resposta no post. Não.
Temos baixa produtividade. Para a produtividade aumentar é preciso mais investimento cá, mas esse investimento não está a aparecer.
É simplesmente isto.
Por outro lado, países como Irlanda, Rep. Checa, Estónia conseguiram atrair muito mais investimentos nas últimas décadas (farmacêuticas, IT, sector automóvel,..) por isso enriqueceram.
É possível mudança com o tempo e com politicas publicas orientadas. O incremento de formação que a generalidade da população jovem hoje tem irá eventualmente transitar para o patronato… quero eu pensar.
Antes de mais é emigrar… depois, isto:
> a falta de seguro, participação em planos de reforma, dias de férias, carga de trabalho/horária excessiva, etc. etc.
São problemas causados pelos sucessivos governos de merda. Tu precisas de seguro porque o SNS não funciona, participação em planos de reforma porque as reformas são um roubo porque estás a descontar mas não vais ver nenhum, dias de férias e carga de trabalho são também por falta de fiscalização e justiça célere.
A mentalidade de patrão tuga, é em resposta aos sucessivos governos que temos que incentivam isso.
Queres mudança? Vota em quem não compactue com estas coisas em cima e é um passo em frente.
Portugal é o país de quem quer não pode e quem pode não quer. Juntas isso a um sistema económico em decadência que sempre favorece o enriquecimento de quem é rico e dá para perceber. O país está descapitalizado e quem detém o pouco capital que temos é ganancioso e incompetente. As empresas portuguesas são uma vergonha o que também não permite que explorem mercados externos lucrativos (falta qualidade e organização). E depois é um ciclo vicioso porque quem tem talento não trabalha nessas empresas e prefere emigrar
Tudo o que apontas são repostas de reação ao capitalismo.
Quando mesmo sem gostar do outro o respeitamos, criamos espaço para que o meu sucesso e liberdade acabe onde começa a do outro. Ainda mais, ao reconhecer o talento do outro, junto-me para fazer algo ainda maior e respeito o outro na sua humanidade, pensamento e opinião.
Somos um povo primitivo neste aspeto e a nossa prioridade tem sido a de sobreviver. Quando um povo já não está em modo de sobrevivência então consegue evoluir em outros campos da vida.
A ditadura parou Portugal no tempo e trouxe a pobreza. Quem veio a seguir deu-nos formação mas não nos tirou da pobreza. Observa quantos de nós vivemos a contar os trocos enquanto vemos teatro na tv.
Desses pontos que referiste, creio que podíamos começar logo com um ” nível fácil” que é a desburocratização. Este aspeto é uma grande ajuda para incentivar a mudança.
Comecei uma empresa há + de 10 anos. Estou arrependida de o ter feito como tudo. O mercado está viciado para todo o lado. A grande distribuição é uma autêntica máfia. A autoridade da concorrência é uma anedota. Se não untares as mãos a certas pessoas chave, tens inspeções até mais não. Licenças e autorizações – que precisas para tudo e mais alguma coisa – passam a vida a ficar esquecidas na gaveta. A não ser, lá está, pessoas chave e tal… Os inspectores e técnicos no geral não percebem um corno do que andam a fazer. Inventam regras até mais não. Quando apanhas alguém que até faz o trabalho como deve ser, queixa-se que não consegue inspeccionar certas empresas porque, sempre que o tenta fazer, recebe um telefonema do chefe a mandar voltar para trás (pessoas chave e tal…). Se quiseres entrar no negócio das pessoas chave e tal, nunca irás conseguir sair, porque no dia em que o quiseres fazer és presa por isto ou aquilo. Os fundos comunitários não seguem as tendências de mercado – se as pessoas querem azul os fundos são para amarelo. A burocracia para obter os fundos é absurda, com pedidos de documentação que nem os funcionários do estado conhecem. Para conseguir fundos uma empresa tem de estar direccionada para isso – conseguir fundos. Por isso, ou uma empresa se direcciona para o mercado, ou se direcciona para os fundos. Para conseguir fundos, as pessoas chave também são fundamentais. A troco de um pequeno favor ou contrapartida claro… As leis em Portugal são exaustivas (eu juro que qualquer dia passa a ser obrigatório ter de fazer registos de quantas vezes se vai à casa de banho) mas completamente aleatórias. Sabiam que se matarmos acidentalmente alguém com um produto alimentar a coima é de cerca de 6.000€ mas se dermos um saco a alguém a coima é de 12.000€? Sim. Bem-vindos a Portugal. O consumidor no geral é burro que nem uma porta. Como diz o ditado, todo o burro come palha é só preciso é saber-lha dar. É claro que as marcas brancas são mais baratas que as outras marcas! Alguém acredita que um supermercado coloque o produto com a sua marca mais caro que os outros? Conflito de interesses até mais não. Qualquer dia a produção alimentar está nas mãos de meia-dúzia de multinacionais. Vamos ver se as marcas brancas nessa altura irão continuar a ser baratas. Já mencionei que a autoridade da concorrência é uma anedota? Estado… meus amigos, querem cobrar impostos façam-no de forma normal. Caça-à-multa como forma de cobrar impostos, sem parecer que se está a cobrar impostos, já não engana ninguém. Já não há pachorra para autoridades do estado a exigirem coimas até 500€ em troca de não criarem chatices. Faz lembrar o pessoal a pedir bitcoins em troca de não divulgar imagens da pessoa a masturbar-se a todos os seus contactos. Tal e qual! É este o estado que temos. Justiça. Que justiça? Se uma pessoa tiver problemas, a máquina burocrática é mais célere e mais eficiente em Portugal para resolver a situação que os tribunais. O pessoal tem mais medo de perder a licença, a certidão, ou a autorização, do que de perder a liberdade. (Excepto se fores estrangeiro. Aí já não precisas da licença, certidão ou autorização porque o burocrata tuga só fala português). Em relação a custos, os custos da justiça em Portugal são proibitivos. Meus amigos… se uma pessoa tiver problemas com contratos ou pagamentos, é mais barato ficar a arder com o dinheiro do que levar as coisas para litígio em Portugal, independentemente da quantia em dívida. A justiça em Portugal só serve os indigentes, os muito ricos e o estado. Trabalhadores… querem ganhar mundos e barafundos e não querem fazer nenhum. Existem excepções, que são difíceis de encontrar como tudo. Em relação aos salários, meus amigos… não é possível ter produtos baratos e salários elevados. Ponto. A maioria dos trabalhadores pensa que é a última bolacha do pacote. Meus senhores e minhas senhoras, só existe UMA última bolacha por pacote. Por isso o mais normal é não seres tão especial como pensas que és. Não sou a tua mãe nem a tua cara-metade para achar que és a pessoa mais especial do planeta. Estou a automatizar tudo o que posso. Já não tenho pachorra para tanto direito e nenhum dever da parte dos trabalhadores. Se alguém quiser comprar uma empresa, está disponível para venda. /rant
Para quê oferecer boas condições aos tugas se temos 2 ou 3 imigrantes dos Palop e 5 ou 6 Brasileiros acabadinhos de entrar e dispostos a fazer o trabalho por metade?! Ahahhahah
Carrega Costa, carrega políticas ideológicas de esquerda!!