Estou emigrado em Espanha e nunca sofri qualquer tipo de descriminação, apesar de já termos partilhado algumas piadas e estereótipos que temos entre Portugal e Espanha.
Fui super bem acolhido por toda a gente, ajuda imenso Madrid ser uma cidade muito internacional (apesar de, pessoalmente, talvez Barcelona ser mais internacional), nunca fui criticado pelo meu espanhol com sotaque ou erros nem nunca fui descriminado no acesso a emprego qualificado.
Um casal amigo que esteve vários anos em França confirma isso. Serviços públicos são bastante complicados para Portugueses, as pessoas que lá trabalham dificultam bastante a vida
xD se os franceses são xenófobos com os Portugueses nem quero imaginar com os marroquinos
Basicamente os portugueses sofrem lá o que fazem aqui com os brasileiros, e os brasileiros sofrem aqui o que fazem com os venezuelanos e haitianos… e por ai vai
A “xenofobia” não é tanto de franceses, é mais de outros imigrantes, nomeadamente muçulmanos e africanos que, por algum motivo, não gostam muito de portugueses (talvez porque os portugueses são uma comunidade menos “visível” e integram-se, também por isso, melhor). Mas já agora, muitos dos portugueses que já estão em França há décadas também não querem mais imigração em França, inclusive de outros portugueses.
O racismo de classe não tem a ver com a origem mas com o estatuto social do momento independentemente de ser nacional, estrangeiro, da cor da pele ou da cultura. Esta forma de segregação é tão antiga como a humanidade e é tão consensual que quase nunca é abordada, preferindo os nossos doutrinadores outras formas de segregação mesmo que sejam residuais e fortemente atenuadas como a xenofobia, homofobia, machismo, racismo étnico, etc.
Tenho tantos episódios.. vou só referir os últimos dois, quando já estava de partida e já noutro país!
Digamos que eu para resolver os meus assuntos em França, tive de levar o meu namorado comigo para ter um serviço decente! O discurso muda com um francês que fale por nós!
O Portugal-Gana que ouvi deste mundial na rádio estava a ser tão ofensivo com os portugueses que o meu namorado desligou a rádio e pediu desculpa.
“Árabes da Europa” é como alguns franceses nos vêem.
Racismo de classe ou *classicismo/elitismo*?
Não é preciso inventar palavras novas para dizer as mesmas coisas.
Ando com um carro velho com matriculas portuguesa pela Bélgica e raramente França, foi mandado parar duas vezes.
A Gendarmerie uma vez mandou me parar e fizeram uma revista ao meu carro sem dar um motivo.
A Politie uma vez mandou parar para avisar que os meus farolins não estavam a funcionar como deviam e deixar me prosseguir viagem.
Até em Portugal nós tratamos mal os emigrantes de França, por isso não vejo a surpresa 
Não vivo em França mas vou contar uma situação que passei na Biblioteca Municipal cá em Portugal.
Vim com visto em Março de 2017 e marquei o Sef para ter o título de residência em Maio de 2017, enquanto vinha a andar do Sef ,depois de ter levantado o título, passei em frente a Biblioteca municipal que fica a uns 300 metros.
Meu filho na época com 7 anos, queria ler um livro espefico não lembro bem o nome e fui procurar na biblioteca se poderia me cadastrar e pedir emprestado.
Ao entrar no balcão , era creio eu, que hora do almoço, estava um segurança sentado e perguntei o que era preciso para poder pedir um livro emprestado.
Ele não levantou a cabeça, nem me olhou, óbvio percebeu pelo jeito de falar que era brasileiro.
E já lançou – Para quem está aqui ilegal não se empresta livros…eu fiquei pálido, parece que tinha levado um tapa no rosto…
Me subiu uma raiva tão grande ,e respondi
Pois…o senhor está ilegal aqui em Portugal?
E ele aí sim me olhou e eu completei por que eu não estou, aqui meu título de residência.
Aí ele chamou uma outra pessoa e eu expliquei que tinha ficado chocado com esse tipo de atitude e se era verdade isso??
Então… um imigrante ,indocumentado, realmente não poderia pedir um livro emprestado?
Ela disse me que não era verdade,que com passaporte e comprovativo de morada poderia sim…e eu disse olha foi chocante receber uma resposta dessa na entrada da biblioteca.
Por isso acho que às vezes não é a instituição que é xenófoba/Racista mas as pessoas que atendem…
Tenho família em França.
Volta e meia são chamados de árabes.
Qual é a surpresa? Lol o racismo funciona para os dois lados… da mesma forma que falamos e nos sentimos dos PALOPS e outros, há quem sinta da mesma forma em relação a nós.
Houve, há e haverá muitos portugueses que trabalham muito e no duro lá fora para deixar melhor as seus filhos. Muitos deles nunca tiveram oportunidade de estudar como muitos de nós tem hoje em dia e estes, especialmente estes são os que levam com a mesma baboseira de serem escravos e de tirarem trabalho aos outros por receberem menos.
Em França isto acontece e e outros países também e só melhora quanto melhor for o teu trabalho e qualificações.
É sempre cringe para mim ouvir pessoal bem qualificado a trabalhar lá fora dizer de peito cheio que sempre foram muito bem tratados! Cringe porque no fundi estão a cagar-se para os que vão para as obras e para as que limpam os escritórios que bem sabem que não levam nem o metade do tratamento que estes levam.
Estes são provavelmente os que os desgraçados vão pedir ajuda e que lhes tratam exatamente como os nacionais os tratam.
Racismo de classe não é um terno que goste porque muitas vezes é utilizado para desvalorizar o racismo, mas neste caso é bem empregue.
Nasci e cresci na França ( até idade adulta), sou de origem portuguesa. Nunca me senti francês pela simples razão que as pessoas a minha volta relembrava-me que não era francês constantemente. Quando vim para Portugal, era chamado de francês, de avec mas nunca me senti excluído, não havia maldade. O francês já não pode gozar com árabes, africanos, judeus como fazia antigamente. Os portugueses, porque somos mais pacíficos, já continuam a ser vítimas silenciosas. [Este](https://m.youtube.com/watch?v=4rFe5IQ9DXg) video de um famoso “comediante” francês é um perfeito exemplo. Ele era incapaz de fazer o mesmo com outras minorias, mas com portugueses, ele é visto como “coragoso”.
Apesar disso, contínuo a gostar da cultura francesa, porque não podemos por uma nação de 65 milhões de habitantes num saco, há gente boa, e gente menos boa. Como em todo o lado.
Estou na Bélgica. Como sou moreno, algo perfeitamente normal em Portugal, todos cá acham que sou árabe e, como tal, perigoso.
Já tive pessoas a atravessar a estrada quando me viram a andar atrás delas. Muita gente fala diretamente em francês comigo, mesmo na parte flamenga, porque nunca na vida um árabe vai falar Flamengo não é? As pessoas olham sempre com desconfiança para mim ao início, e se ao começo era engraçado as pessoas dizerem-me muito supreendidas que o meu holandês é muito bom, ao fim de dois anos e meio cá já me começa a enervar.
“Mas como é que é possível, o holandês é uma língua tão difícil” vão para o caralho mas é. Não são especiais, nem a vossa língua, não é preciso ser um génio para a aprender, já falo 5 línguas e estou agora a aprender alemão, porque é que não havia de aprender a vossa também?
Começo a ganhar asco à minha cor de pele, mas ninguém aqui me percebe, nem a minha namorada, ninguém entende. Mas isso é porque ela gostava de conseguir ficar morena também, não vê a forma diferente como sou tratado. A partir do momento que aterreu no aeroporto de Bruxelas deixei de ser branco para ser árabe, africano, criminoso, perigoso, suspeito, o que quiserem.
Mas é seguir em frente e ignorar. Falo bem holandês falo, obrigado, já cá estou há dois anos. Não, não é uma língua difícil, não se preocupem. Sais-me da frente? Ótimo, chego mais rápido onde tenho de ir. Olhas-me de alto a baixo pela minha cor de pele? Okay, daqui a uns dias já estás a ser super simpático e a dizer-me para te tratar por tu e pelo teu nome porque não és senhor nenhum, precisas do negócio que te trago não é? “Ah estes imigrantes e refugiados chegam e tiram-nos o nosso emprego”, diz-me o meu colega de trabalho que até já se esqueceu que eu sou imigrante. Deve ser porque em vez de lhe tirar o trabalho, sou o responsável por ele.
E enquanto se queixam, continuo a crescer. Foi fodido com 22 anos, continua fodido agora com 24, mas menos. Comecei como estafeta de bicicleta, já estou a gerir uma coisa de aluguer de autocaravanas em Antuérpia e dobrei o meu salário, com ou sem descriminação chego lá. Fodam-se.
Tl;Dr: sim, passei e passo por isso. É cagar e andar.
O meu padrinho está em França e teve um acidente grave. Foi mandado para casa depois de um dia internado, fez 60 km de ambulância com dores inimagináveis.
A enfermeira que foi lá no dia seguinte estava chocada com o estado dele e ligou para o hospital a reclamar que ele não estava em condições para estar em casa e que se fosse francês não tinha sido mandado para casa.
É verdade. E desde 2016 piorou bastante
Estou em França a estudar e nunca senti xenofobia por ser português, já senti foi desprezo por não ser francês ou não falar francês, independentemente de onde venho
E qual a fonte desse entulho publicado?!
A Cêu Neves?!?!
Vivo em Inglaterra e nunca sofri de nada. O pior que sofri foi terem assumido que era de Espanha devido ao meu nome e me terem agradecido com “Gracias”.
Acho engraçado que o racismo sistêmico existe quando os portugueses emigram, mas não existe para os que cá imigram
Estou emigrada no Reino Unido e mesmo em ambient após Brexit só houve uma instância em que acho que fui alvo de xenofobia (sendo que eu tenho aspeto e nome de pessoa claramente não britânica). Nas urgências do hospital uma enfermeira britânica, depois de eu lhe dizer que me sentia a morrer de dores e com ardor insuportável no esófago (eu sentia como que se ele se fosse romper!), disse-me ela como se eu fosse uma criança mal comportada: “This is A&E: accidents and emergency and this is clearly none of them” ao mesmo tempo que eu via uma criança britânica com literalmente apenas um galinho na cabeça aos saltos toda contente a ter cuidado prioritário sobre mim. Quis-me mandar para casa no meio do tempo gélido de Novembro com paracetamol, um clássico por estas bandas no NHS. Eu é que não desisti e liguei novamente para o equivalente deles à Saúde 24 e implorei para que me vissem nas urgências e depois fui atendida por um médico e enfermeiros incríveis e super prestaveis. E diga-se também que eu paguei um visto e taxa de serviço nacional de saúde de 2000 libras por isso não estava lá a “usurpar” de nada que também não fosse meu. (Estava com uma crise de refluxo gigantesca que já durava há um mês e que se foi a ver e era Helicobacter, e só agora passado um ano é que me sinto a ter uma vida normal outra vez, com uma espécie de IBS como consequência, mas controlável). Fora disso felizmente só tive boas experiências, e os ingleses todos que conheço sentem-se mesmo envergonhados relativamente ao Brexit.
Se os franceses sao racistas e porque nunca vieram a inglaterra…
Em férias de passagem numa vila qualquer perto de Bordéus decidimos parar para jantar num restaurante. Só havia um aberto. Descobrimos que era de emigrantes portugueses. Tudo ótimo, mas quando íamos para sair uma senhora de outra mesa começou verbalmente a falar alto e mandar injúrias aos portugueses enquanto a companheira de mesa a tentava acalmar e suavizar. Ela falou em francês e apesar do meu francês não ser grande coisa deu para entender que estava a falar de nós e não eram coisas bonitas.
O mais WTF disto é que ela estava num restaurante de portugueses enquanto consumidora, enquanto injuriava portugueses. Até hoje não entendo o que se passou ali. Mas aquela senhora não suportava portugueses.
Odeiam tanto que não param de vir para cá… Os franceses odeiam é toda a gente que não seja francesa, povo arrogante por natureza.
Fui uma vez de férias para o Luxemburgo, tenho lá bons amigos, então aproveitei uns dias para ir conhecer aquilo. Como sabem, prai 30% da população é portuguesa, e nota-se ao longe os portugueses dos outros…
E dada a diferença de comportamento que reparei dos portugueses comparado com os luxemburgueses, fiquei logo a perceber porque é que existe essa descriminação, a diferença a nível de civismo é outra.
Sai para a noite e encontrava grupos de portugueses, que até me fizeram vergonha de ser portugues, parolos grosseiros. Se virem um honda civic com escape barulhento pelas ruas fora ás 3h da manha é barulhento. Estão durante o dia nas esplanadas a fazer uma barulheira enorme.
Só para terem uma ideia, o casal com quem eu fui ter, já nasceram lá, estão bem na vida, andam de carro caro, tem bom apartamento, etc. Chegamos ao apartamento deles, estacionamos, do outro lado da rua tem um café, notoriamente frequentado por tugas. Depois fomos pra terraça do apartamento deles, e ouvimos cá de baixo da espalana “OLHA, ESTÃO ALI EM CIMA!…”.
Sou portugues, e fiquei logo com péssima impressão dos portugueses que lá estão, e embora hava muito boa gente, outros são uns parolos e obviamente já denegriram a imagem dos portugueses.
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Fonte: https://www.dn.pt/sociedade/investe-se-na-formacao-e-nao-ha-retorno-estamos-perder-a-geracao-mais-qualificada-15467311.html#media-1
EXPERIÊNCIA PESSOAL
Estou emigrado em Espanha e nunca sofri qualquer tipo de descriminação, apesar de já termos partilhado algumas piadas e estereótipos que temos entre Portugal e Espanha.
Fui super bem acolhido por toda a gente, ajuda imenso Madrid ser uma cidade muito internacional (apesar de, pessoalmente, talvez Barcelona ser mais internacional), nunca fui criticado pelo meu espanhol com sotaque ou erros nem nunca fui descriminado no acesso a emprego qualificado.
Um casal amigo que esteve vários anos em França confirma isso. Serviços públicos são bastante complicados para Portugueses, as pessoas que lá trabalham dificultam bastante a vida
xD se os franceses são xenófobos com os Portugueses nem quero imaginar com os marroquinos
Basicamente os portugueses sofrem lá o que fazem aqui com os brasileiros, e os brasileiros sofrem aqui o que fazem com os venezuelanos e haitianos… e por ai vai
A “xenofobia” não é tanto de franceses, é mais de outros imigrantes, nomeadamente muçulmanos e africanos que, por algum motivo, não gostam muito de portugueses (talvez porque os portugueses são uma comunidade menos “visível” e integram-se, também por isso, melhor). Mas já agora, muitos dos portugueses que já estão em França há décadas também não querem mais imigração em França, inclusive de outros portugueses.
O racismo de classe não tem a ver com a origem mas com o estatuto social do momento independentemente de ser nacional, estrangeiro, da cor da pele ou da cultura. Esta forma de segregação é tão antiga como a humanidade e é tão consensual que quase nunca é abordada, preferindo os nossos doutrinadores outras formas de segregação mesmo que sejam residuais e fortemente atenuadas como a xenofobia, homofobia, machismo, racismo étnico, etc.
Tenho tantos episódios.. vou só referir os últimos dois, quando já estava de partida e já noutro país!
Digamos que eu para resolver os meus assuntos em França, tive de levar o meu namorado comigo para ter um serviço decente! O discurso muda com um francês que fale por nós!
O Portugal-Gana que ouvi deste mundial na rádio estava a ser tão ofensivo com os portugueses que o meu namorado desligou a rádio e pediu desculpa.
“Árabes da Europa” é como alguns franceses nos vêem.
Racismo de classe ou *classicismo/elitismo*?
Não é preciso inventar palavras novas para dizer as mesmas coisas.
Ando com um carro velho com matriculas portuguesa pela Bélgica e raramente França, foi mandado parar duas vezes.
A Gendarmerie uma vez mandou me parar e fizeram uma revista ao meu carro sem dar um motivo.
A Politie uma vez mandou parar para avisar que os meus farolins não estavam a funcionar como deviam e deixar me prosseguir viagem.
Até em Portugal nós tratamos mal os emigrantes de França, por isso não vejo a surpresa 
Não vivo em França mas vou contar uma situação que passei na Biblioteca Municipal cá em Portugal.
Vim com visto em Março de 2017 e marquei o Sef para ter o título de residência em Maio de 2017, enquanto vinha a andar do Sef ,depois de ter levantado o título, passei em frente a Biblioteca municipal que fica a uns 300 metros.
Meu filho na época com 7 anos, queria ler um livro espefico não lembro bem o nome e fui procurar na biblioteca se poderia me cadastrar e pedir emprestado.
Ao entrar no balcão , era creio eu, que hora do almoço, estava um segurança sentado e perguntei o que era preciso para poder pedir um livro emprestado.
Ele não levantou a cabeça, nem me olhou, óbvio percebeu pelo jeito de falar que era brasileiro.
E já lançou – Para quem está aqui ilegal não se empresta livros…eu fiquei pálido, parece que tinha levado um tapa no rosto…
Me subiu uma raiva tão grande ,e respondi
Pois…o senhor está ilegal aqui em Portugal?
E ele aí sim me olhou e eu completei por que eu não estou, aqui meu título de residência.
Aí ele chamou uma outra pessoa e eu expliquei que tinha ficado chocado com esse tipo de atitude e se era verdade isso??
Então… um imigrante ,indocumentado, realmente não poderia pedir um livro emprestado?
Ela disse me que não era verdade,que com passaporte e comprovativo de morada poderia sim…e eu disse olha foi chocante receber uma resposta dessa na entrada da biblioteca.
Por isso acho que às vezes não é a instituição que é xenófoba/Racista mas as pessoas que atendem…
Tenho família em França.
Volta e meia são chamados de árabes.
Qual é a surpresa? Lol o racismo funciona para os dois lados… da mesma forma que falamos e nos sentimos dos PALOPS e outros, há quem sinta da mesma forma em relação a nós.
Houve, há e haverá muitos portugueses que trabalham muito e no duro lá fora para deixar melhor as seus filhos. Muitos deles nunca tiveram oportunidade de estudar como muitos de nós tem hoje em dia e estes, especialmente estes são os que levam com a mesma baboseira de serem escravos e de tirarem trabalho aos outros por receberem menos.
Em França isto acontece e e outros países também e só melhora quanto melhor for o teu trabalho e qualificações.
É sempre cringe para mim ouvir pessoal bem qualificado a trabalhar lá fora dizer de peito cheio que sempre foram muito bem tratados! Cringe porque no fundi estão a cagar-se para os que vão para as obras e para as que limpam os escritórios que bem sabem que não levam nem o metade do tratamento que estes levam.
Estes são provavelmente os que os desgraçados vão pedir ajuda e que lhes tratam exatamente como os nacionais os tratam.
Racismo de classe não é um terno que goste porque muitas vezes é utilizado para desvalorizar o racismo, mas neste caso é bem empregue.
Nasci e cresci na França ( até idade adulta), sou de origem portuguesa. Nunca me senti francês pela simples razão que as pessoas a minha volta relembrava-me que não era francês constantemente. Quando vim para Portugal, era chamado de francês, de avec mas nunca me senti excluído, não havia maldade. O francês já não pode gozar com árabes, africanos, judeus como fazia antigamente. Os portugueses, porque somos mais pacíficos, já continuam a ser vítimas silenciosas. [Este](https://m.youtube.com/watch?v=4rFe5IQ9DXg) video de um famoso “comediante” francês é um perfeito exemplo. Ele era incapaz de fazer o mesmo com outras minorias, mas com portugueses, ele é visto como “coragoso”.
Apesar disso, contínuo a gostar da cultura francesa, porque não podemos por uma nação de 65 milhões de habitantes num saco, há gente boa, e gente menos boa. Como em todo o lado.
Estou na Bélgica. Como sou moreno, algo perfeitamente normal em Portugal, todos cá acham que sou árabe e, como tal, perigoso.
Já tive pessoas a atravessar a estrada quando me viram a andar atrás delas. Muita gente fala diretamente em francês comigo, mesmo na parte flamenga, porque nunca na vida um árabe vai falar Flamengo não é? As pessoas olham sempre com desconfiança para mim ao início, e se ao começo era engraçado as pessoas dizerem-me muito supreendidas que o meu holandês é muito bom, ao fim de dois anos e meio cá já me começa a enervar.
“Mas como é que é possível, o holandês é uma língua tão difícil” vão para o caralho mas é. Não são especiais, nem a vossa língua, não é preciso ser um génio para a aprender, já falo 5 línguas e estou agora a aprender alemão, porque é que não havia de aprender a vossa também?
Começo a ganhar asco à minha cor de pele, mas ninguém aqui me percebe, nem a minha namorada, ninguém entende. Mas isso é porque ela gostava de conseguir ficar morena também, não vê a forma diferente como sou tratado. A partir do momento que aterreu no aeroporto de Bruxelas deixei de ser branco para ser árabe, africano, criminoso, perigoso, suspeito, o que quiserem.
Mas é seguir em frente e ignorar. Falo bem holandês falo, obrigado, já cá estou há dois anos. Não, não é uma língua difícil, não se preocupem. Sais-me da frente? Ótimo, chego mais rápido onde tenho de ir. Olhas-me de alto a baixo pela minha cor de pele? Okay, daqui a uns dias já estás a ser super simpático e a dizer-me para te tratar por tu e pelo teu nome porque não és senhor nenhum, precisas do negócio que te trago não é? “Ah estes imigrantes e refugiados chegam e tiram-nos o nosso emprego”, diz-me o meu colega de trabalho que até já se esqueceu que eu sou imigrante. Deve ser porque em vez de lhe tirar o trabalho, sou o responsável por ele.
E enquanto se queixam, continuo a crescer. Foi fodido com 22 anos, continua fodido agora com 24, mas menos. Comecei como estafeta de bicicleta, já estou a gerir uma coisa de aluguer de autocaravanas em Antuérpia e dobrei o meu salário, com ou sem descriminação chego lá. Fodam-se.
Tl;Dr: sim, passei e passo por isso. É cagar e andar.
O meu padrinho está em França e teve um acidente grave. Foi mandado para casa depois de um dia internado, fez 60 km de ambulância com dores inimagináveis.
A enfermeira que foi lá no dia seguinte estava chocada com o estado dele e ligou para o hospital a reclamar que ele não estava em condições para estar em casa e que se fosse francês não tinha sido mandado para casa.
É verdade. E desde 2016 piorou bastante
Estou em França a estudar e nunca senti xenofobia por ser português, já senti foi desprezo por não ser francês ou não falar francês, independentemente de onde venho
E qual a fonte desse entulho publicado?!
A Cêu Neves?!?!
Vivo em Inglaterra e nunca sofri de nada. O pior que sofri foi terem assumido que era de Espanha devido ao meu nome e me terem agradecido com “Gracias”.
Acho engraçado que o racismo sistêmico existe quando os portugueses emigram, mas não existe para os que cá imigram
Estou emigrada no Reino Unido e mesmo em ambient após Brexit só houve uma instância em que acho que fui alvo de xenofobia (sendo que eu tenho aspeto e nome de pessoa claramente não britânica). Nas urgências do hospital uma enfermeira britânica, depois de eu lhe dizer que me sentia a morrer de dores e com ardor insuportável no esófago (eu sentia como que se ele se fosse romper!), disse-me ela como se eu fosse uma criança mal comportada: “This is A&E: accidents and emergency and this is clearly none of them” ao mesmo tempo que eu via uma criança britânica com literalmente apenas um galinho na cabeça aos saltos toda contente a ter cuidado prioritário sobre mim. Quis-me mandar para casa no meio do tempo gélido de Novembro com paracetamol, um clássico por estas bandas no NHS. Eu é que não desisti e liguei novamente para o equivalente deles à Saúde 24 e implorei para que me vissem nas urgências e depois fui atendida por um médico e enfermeiros incríveis e super prestaveis. E diga-se também que eu paguei um visto e taxa de serviço nacional de saúde de 2000 libras por isso não estava lá a “usurpar” de nada que também não fosse meu. (Estava com uma crise de refluxo gigantesca que já durava há um mês e que se foi a ver e era Helicobacter, e só agora passado um ano é que me sinto a ter uma vida normal outra vez, com uma espécie de IBS como consequência, mas controlável). Fora disso felizmente só tive boas experiências, e os ingleses todos que conheço sentem-se mesmo envergonhados relativamente ao Brexit.
Se os franceses sao racistas e porque nunca vieram a inglaterra…
Em férias de passagem numa vila qualquer perto de Bordéus decidimos parar para jantar num restaurante. Só havia um aberto. Descobrimos que era de emigrantes portugueses. Tudo ótimo, mas quando íamos para sair uma senhora de outra mesa começou verbalmente a falar alto e mandar injúrias aos portugueses enquanto a companheira de mesa a tentava acalmar e suavizar. Ela falou em francês e apesar do meu francês não ser grande coisa deu para entender que estava a falar de nós e não eram coisas bonitas.
O mais WTF disto é que ela estava num restaurante de portugueses enquanto consumidora, enquanto injuriava portugueses. Até hoje não entendo o que se passou ali. Mas aquela senhora não suportava portugueses.
Odeiam tanto que não param de vir para cá… Os franceses odeiam é toda a gente que não seja francesa, povo arrogante por natureza.
Fui uma vez de férias para o Luxemburgo, tenho lá bons amigos, então aproveitei uns dias para ir conhecer aquilo. Como sabem, prai 30% da população é portuguesa, e nota-se ao longe os portugueses dos outros…
E dada a diferença de comportamento que reparei dos portugueses comparado com os luxemburgueses, fiquei logo a perceber porque é que existe essa descriminação, a diferença a nível de civismo é outra.
Sai para a noite e encontrava grupos de portugueses, que até me fizeram vergonha de ser portugues, parolos grosseiros. Se virem um honda civic com escape barulhento pelas ruas fora ás 3h da manha é barulhento. Estão durante o dia nas esplanadas a fazer uma barulheira enorme.
Só para terem uma ideia, o casal com quem eu fui ter, já nasceram lá, estão bem na vida, andam de carro caro, tem bom apartamento, etc. Chegamos ao apartamento deles, estacionamos, do outro lado da rua tem um café, notoriamente frequentado por tugas. Depois fomos pra terraça do apartamento deles, e ouvimos cá de baixo da espalana “OLHA, ESTÃO ALI EM CIMA!…”.
Sou portugues, e fiquei logo com péssima impressão dos portugueses que lá estão, e embora hava muito boa gente, outros são uns parolos e obviamente já denegriram a imagem dos portugueses.
Esteriótipos existem por algum motivo