Sendo um leitor assíduo, e “colecionador de livros”, tenho vindo a analisar o mercado livreiro em Portugal há já alguns anos. A conclusão a que chego é que é incompreensível o degredo editorial existente neste país.

-***Livros que noutros países custam 10/12 euros, por cá custam de 20 para cima***. Exemplo número 1: Os pilares da terra, de Ken Follett. O livro em espanhol custa 12.30 euros, [em capa dura](https://www.amazon.es/dp/8466341781/ref=cm_sw_r_cp_api_glt_i_GN04F8K5H76ADNVV25AA). Também encontram facilmente versões de bolso por menos de 7 euros. Em Portugal? Dividiram a edição em dois livros de capa mole, e custam 20 euros cada um,[no site mais barato que encontrei](https://www.wook.pt/livro/os-pilares-da-terra-volume-i-ken-follett/195433). Na fnac o volume 1 custa 23 euros, e o segundo custa 27 euros. Portanto o livro fica mais caro cerca de 30 a 40 euros em Portugal. O mesmo livro.

Exemplo número dois, O herói das eras, de Brandon Sanderson. Em Espanha o livro custa 12.30 em [formato de bolso](https://www.amazon.es/dp/8413143748/ref=cm_sw_r_cp_api_glt_i_FF37G1SR0J8T5NZ0BSC1) , ou então 20 euros [em capa dura](https://www.amazon.es/dp/8413143748/ref=cm_sw_r_cp_api_glt_i_FF37G1SR0J8T5NZ0BSC1). Em Portugal Dividiram novamente em dois livros de capa mole, [20 euros o primeiro, 18 o segundo](https://www.fnac.pt/O-Heroi-das-Eras-Parte-1-Brandon-Sanderson/a910679?gclid=Cj0KCQiAnuGNBhCPARIsACbnLzr5rt0gO16BCSd4Ga_N08bvhXrCa3BVNpdeNasjwPXVKaZ9aINOWhgaAuLcEALw_wcB&origin=google_pla_livro). Em inglês o livro fica por 10 euros.

Exemplo número 3: A coisa, de Stephen King. Em inglês, 13.30 euros, capa mole. Em espanhol, 12.30. Em Portugal? Dividiram o livro em duas edições claro. 40 euros para comprar as duas.

Exemplo 4: O medo do homem sábio, de Patrick Rothfuss, o segundo livro da série Kingkiller Chronicles. Em inglês custa 11.50. Em português foi dividido em dois, 20 euros cada um. 28 euros de diferença.

Podia continuar, mas já percebemos a ideia. Não, não são todos os livro que são divididos em dois, em Portugal, mas são todos os que ultrapassem uma certa quantidade de páginas, basicamente. The Witcher, A senhora do lago, um livro com 530 páginas, em Portugal está dividido em duas versões, 15 euros cada uma. Harry Potters, fantasia em geral, e acredito que em muitos outros géneros. Uma curiosidade é que o primeiro livro da série vem sempre num volume, mas depois dividem o resto dos livros, porque sabem que o cliente já está investido na série, tem que comprar o resto.

-***Mesmo quando as editoras decidem não assaltar os portugueses*** que tenham interesse em literatura, dividindo os livro em dois, os preços são 100% das vezes superiores. Um livro em Portugal, fica em média cerca de 18 euros. Um livro em Espanha, Irlanda, Inglaterra, Itália fica em média 12 euros.

-***As capas dos livros em Portugal, regra geral, são horríveis***. Escolhem sempre a pior capa possível, entre as originais. Nunca vi uma edição portuguesa de um livro estrangeiro, com uma capa diferente das já existentes. Outros países fazem edições especiais, com arte diferente, que muitas das vezes leva os fãs a comprar, mesmo não compreendendo a língua. Como exemplo fica a versão da série The Witcher, [em polaco](https://www.reddit.com/r/witcher/comments/ea52lw/the_new_polish_editions_of_the_books_based_on_the/?utm_source=share&utm_medium=ios_app&utm_name=iossmf). Ou esta versão the The way of kings em [russo](https://www.reddit.com/r/Stormlight_Archive/comments/ke9jws/twok_russian_cover/?utm_source=share&utm_medium=ios_app&utm_name=iossmf). Em Portugal é raríssimo encontrar versões de capa dura sequer, quanto mais com capa única.

-***Devido aos altos preços praticados em Portugal****, que causam por sua vez as baixas vendas, muitos livros nunca são traduzidos para português. Poderia dar milhões de exemplos, mas ficam aqui dois: The way of kings, de Brandon Sanderson, um dos pilares da fantasia contemporânea, com milhões de vendas em todo o mundo, escrito em 2010, nunca foi traduzido para português. Em espanhol existem várias versões do livro, desde capa dura, até livro de bolso. Outro exemplo é: I’m thinking of ending things, de Iain Reid. Um sucesso mundial, com direito a adaptação na Netflix, nunca foi editado em português. Todos estes livros tem edição espanhola.

-***Muitas das vezes, quando são traduzidos para português, traduzem só o primeiro volume da série***, e depois param. Exemplo: As mentiras de Locke Lamora, de Scott Lynch, primeiro livro de uma trilogia, traduzido em 2011. Passados 11 anos, os restantes livros ainda não foram traduzidos, apesar de ser uma série de sucesso mundial.

-***É preciso pagar aos tradutores***, dizem vocês, e com toda a razão! Mas livros escritos em português, são igualmente caros. O último livro de José Rodrigues dos Santos, O mágico de Auschwitz, custa 22, versão [capa mole](https://www.fnac.pt/O-Magico-de-Auschwitz-Jose-Rodrigues-dos-Santos/a8049326?gclid=Cj0KCQiAnuGNBhCPARIsACbnLzrvmlFVsfxO4NN1Wvj2nYmaxMXhAx8VdTthavWj3kvK4Gfzl9mVlsQaAoyLEALw_wcB&origin=google_pla_livro).

-***Foi feito um estudo*** em 2020, em que 26% dos alunos inquiridos, disseram não ter lido nenhum livro por prazer nos últimos 12 meses. Essa percentagem era de 11% em 2007. Subiu mais de 1% por ano. Em 2020 a maioria dos alunos inquiridos, diz ter lido menos de 3 livro, num ano. [Fonte.](https://observador.pt/2020/09/30/jovens-portugueses-leem-cada-vez-menos-e-habitos-das-familias-influenciam/amp/)

E agora eu pergunto: será que os portugueses não lêem por causa do estado do mercado de livros em Portugal? Ou será que o estado do mercado dos livros em Portugal se deve ao facto de os portugueses não lerem?

Eu li 52 livros no ano passado, cerca de 28 000 páginas. Desses, só seis livros foram lidos em português. Dos outros 46, 40 não existe sequer versão em português. Gastei provavelmente mais de 400 euros em livros, mas quase nenhum dos livros que comprei foi em português. Penso que não faltam portugueses que queiram ler, (e que de facto leiam), faltam é livros em português com preços competitivos com o mercado internacional, e com a mesma qualidade também.

Nota: em relação às bibliotecas, compreendo que são um grande ponto positivo para a literatura, claro que sim! Mas para ponto de referência, decidi visitar a biblioteca municipal da cidade onde moro, onde já não entrava há uns 15 anos. Fui dar uma olhadela nas secções de terror e fantasia, onde passei grande parte da minha infância. Vi os mesmos livros que já li dezenas de vezes, mais velhinhos um bocado. Mas poucos ou nenhum livros novos vi.

Nota nr 2: muitos dos livros com preços ridículos de que vos falo, principalmente em fantasia, e terror, pertencem à mesma editora: Saída de Emergência.

Edit: esqueci me de um factor muito importante. A maneira como as editoras alargam as margens, e aumentam o tamanho da letra, para criar um livro maior, e justificar os preços absurdos. Deixo aqui um exemplo, em que metade do livro está [praticamente vazio.](https://imgur.com/a/TXAEu7h) A versão original deste livro tem 1000 páginas. A versão portuguesa, são dois livros de 600 e tal cada um.

Edit 2: para quem vem defender as editoras, e refere que as impressões em tão poucos exemplares fica sempre mais caro, questiono porque é que os ebooks são tão caros na mesma? O livro O herói das eras, em formato digital, foi também dividido em dois volumes em Portugal. Custam 18 euros cada um, 36 euros no total. Na versão inglesa fica por 9 euros, e é só um livro. Expliquem me para onde vai esta diferença de 27 euros.

42 comments
  1. Eu costumo visitar a biblioteca da cidade onde moro e honestamente é deprimente. A oferta é muito reduzida, pobre e com baixa qualidade. Provavelmente estou a ser injusto pois é um espaço que está sempre vazio – tirando um senhor que lá deve passar o dia a ler – e com cada vez menos afluência de utentes, o que dificulta o investimento.

    Os portugueses ligam à cultura cada vez menos e com o surgimento do COVID isso foi muito óbvio.

    Ter manuais com preços abusivos e literatura cara também não ajuda.

  2. O que dizes é verdade, mas eu julgo que está essencialmente ligado ao facto de o custo com a tradução ter de ser imputado a um número muito reduzido de cópias vendidas.

    Pela mesma razão as maiores editoras só traduzem livros que estejam dentro dos paladares dos portugueses ou cujos autores tenham notoriedade ou sejam premiados.

    A menos que vás para editoras mais literárias e aí grande parte da “cena” internacional está a ser traduzida.

    Confesso que não leio em português, nem livros portugueses, mas acho que é principalmente por isto que o preço fica tão elevado. Os ebooks originais custam uma fracção do preço vendido em Portugal.

  3. >
    E agora eu pergunto: será que os portugueses não lêem por causa do estado do mercado de livros em Portugal? Ou será que o estado do mercado dos livros em Portugal se deve ao facto de os portugueses não lerem?

    Como diria o avô Simpson: a little from column A and a little from column B

    Pessoalmente só compro livros em Portugal se não os encontrar em mais lado nenhum mais barato.

  4. No fundo é a escala. O custo é repartido por edições de 3.000 exemplares ao contrário do estrangeiro onde fica distribuído por 20mil.

  5. Eu agora vivo no UK, mas já quando vivia em Portugal, aos 14 comecei com dificuldade a ler livros em inglês e desde então foi ligar o turbo e sempre a encomendar do Book Depository, que os havia bem baratos e na língua original, fosse ela Inglês ou Espanhol. Mesmo pagando o envio. Os livros custavam mais ou menos 7£ ou 8£ e depois com o envio praí 12£ ou assim.

    Eu prefiro ler na lingua original o quanto possível, mas mesmo em livros traduzidos não-ingleses, o preço em Inglês vai ser 8€ enquanto que em Português vai ser 22€. Simplesmemte não compensa.

    Agora aqui com envio do Book Depository grátis compro livros por 7£.

    Ou então entro na Livraria e é 7£ também.

  6. >-É preciso pagar aos tradutores, dizem vocês, e com toda a razão!

    Dou-me com várias pessoas que já traduziram vários livros cada uma dela e todas têm um drama qualquer com uma editora que falhou nos pagamentos muito à descarada numa de “é fodido né? processa-me, então”.

  7. E é por essas razões que só leio em inglês. Para tornar a minha vida mais fácil, comprei um leitor de livros.
    Os únicos livros em português que compro são livros em segunda mão numa feira feita todos os meses na minha cidade. Se tiveres sorte, encontras o que procuras e sai-te muito barato.

  8. há cerca de 16 anos, comprei grande parte dos livros da anne rice em ingles e em espanhol exatamente por serem um quarto do preço que pediam em portugal… hoje as minhas leituras passam praticamente todas pelo kindle e quase que leio 98% em ingles e 2% português (mas em português vai sempre diminuindo porque muitos livros que chegam ao kindle é em pt-br e é difícil ler assim….)

  9. podemos também falar dos livros desnecessariamente grandes que na maioria se deve a margens de quase 2cm entre a página e o texto? Que resulta em livros desnecessariamente grandes?

    ​

    há algum tempo alguém falou que os livros portugueses são mais caros porque são de boa qualidade (check) e tem o custo da tradução. Agora a questão é que esse luxo vai contra o objetivo que é vender mais.

    ​

    Por mim que usem papel reciclado, nem que seja Polpa. Muitos deles são para ser lidos uma vez e mesmo os de polpa aguentam vários anos.

    ​

    Não faz sentido ter tantos “livros de qualidade” se pouco ou nada vendemos.

    ​

    edit: é por isto que maioritariamente compro e leio em inglês.

  10. A qualidade dos livros em português tem vindo a baixar bastante e não falo só dos títulos disponíveis. Nota-se que os custos são reduzidos ao mínimo:

    – paginações sofríveis, com tamanhos de letra que só dificultam a leitura;

    – falta de editores que revejam os livros – até em Saramago já apanhei gralhas;

    – livros que não são ingleses a serem traduzidos da versão inglesa -para isso, leio em inglês, sempre é menos um intermediário.

    E as capas andam mesmo feias.

  11. Cheguei a um ponto em que só compro livros em segunda mão. Um pouco trabalhoso encontrar um livro específico que ande à procura mas eventualmente ele aparece. Costumo comprar cada um por 4/5 euros e para mim é o que me vale. Se não fosse deste modo, não conseguiria ler a quantidade de livros que leio anualmente…

  12. É frustrante não haver mais livros traduzidos. Escreve uma pessoa que fala e escreve em Inglês todos os dias.

    Ler um livro na língua materna é muito diferente. Muito mais natural e fluído.

    Mas por outro lado, eu entendo os preços e também a falta de oferta. O nosso mercado é tão pequeno que a única maneira das publicadoras terem lucro é praticarem esses preços. E deve haver umas incontáveis edições que só dão prejuízo.

  13. Regra geral concordo contigo, mas um ponto a favor das “nossas” edições é a qualidade do papel, que é bastante superior às edições inglesas.

    Mas sim, o “dividir em dois” de sagas de fantasia, que por si só já costumam ser longas, é ridículo. E não se desculpem com as vendas baixas. Se calhar são baixas mesmo por isso. No final gastam-se 100€ ou mais a ler uma saga inteira, como se o nosso poder de compra fosse compatível com isso.

    Outra coisa que não referiste é o factor “encher chouriços”. Quando os livros não têm palavras suficientes para entrar na zona dos 15-20€, é colocar letras e margens enormes e folhas em branco entre os capítulos e voilá. Alguns dos últimos livros do José Luís Peixoto seguem esta tradição. E ainda ontem encontrei uma obra do Dostoievsky que desconhecia na Bertrand (algo sobre um homicídio de uma mulher), fui a folhear e era algo que provavelmente estaria despachado em 30 minutos, e eram 16€. Se fossem 5€, com margens e letras normais, até numa edição de bolso tinha comprado, assim nem pensar.

  14. >E agora eu pergunto: será que os portugueses não lêem por causa do estado do mercado de livros em Portugal? Ou será que o estado do mercado dos livros em Portugal se deve ao facto de os portugueses não lerem?

    Acho que ambas.

    Por um lado, julgo existir também uma espécie de “cartel”, no que toca aos preços dos livros, isto é, o mesmo livro custa sempre praticamente o mesmo onde quer que o compres. Além disso, tens atitudes monopolista do maior grupo livreiro português, [como aqui relatado há uns tempos](https://www.reddit.com/r/portugal/comments/oircjy/parece_que_a_bertrand_vai_seguir_o_modelo_da_wook/) , onde tentaram basicamente “acabar” com o formato ebook em Portugal.

    Contudo, procura-oferta vai sempre ditar estes mercados, e, como mostraste “um quarto dos alunos não leu nenhum livro por prazer” – agora, quais os factores responsáveis por isso, já não te sei responder…

    Tens a questão de hábito, por ex nas gerações mais velhas, antes liam muito, agora continuam a ler.

    Tens a questão da tecnologia, se calhar os alunos nascidos nos anos 90 liam mais em 2007 (com base nos teus dados) do que a geração de alunos de 2020, por terem crescido com menos acesso a tecnologia?

    Tens a questão da escola, será que promovem iniciativas de leitura? Ou é só cumprir o plano nacional de leitura, com “aqueles” infames livros, e não incentivam os putos a lerem mais?

    Tens a questão cultural, será que os portugueses se interessam por livros? Ou é só futebol e mais nada importa?

    Tens a questão da própria qualidade literária portuguesa e dos próprios leitores portugueses – sendo um livro escrito em português, não há necessidade de pagar tradução, o que poderia justificar preços mais baixos. Uma coisa que me deixa sempre intrigado, e não é um ataque pessoal aos escritores, é ver por ex que [no top de compras da Bertrand](https://www.bertrand.pt/destaques/os-mais-procurados-online-nao-ficcao/00/00/11919), 20% dos livros não ficção comprados, são livros de culinárias escritos por “influencers” de instagram. Ou seja, o consumidor também acaba por ditar o tipo de livro que é vendido.

    No fundo, acho que acaba por ser como tudo em Portugal – um sector cartelizado, com pouca regulação, e com preços demasiado altos para o típico poder de compra português

  15. E quando as editoras portuguesas pegam num livro, dividem em 2 ou 3 partes e quintuplicam o preço original do livro? <3

  16. Preocupa-me mais a dificuldade em encontrar variedade nas obras portuguesas. Alguém que me dê um bom livro terror sci-fi lusitano.

  17. A gota final para deixar de comprar livros em PT foi mesmo os Pilares da Terra, na altura a namorada comprou a versão espanhola, bonita, capa dura, 12 euros. E eu feito tótó tinha comprado o primeiro volume PT, metade do livro pelo dobro do preço.

    Agora nas livrarias nem procuro os livros PT, vou logo aos ingleses. E agora estou à espera do meu Kobo Clara HD, estive a comparar preços entre versão digital e física, e enfim, é uma estupidez. Estão à venda edições especiais dos contos de Edgar Allan Poe, HP Lovecraft e Robert E. Howard. Edições bonitas, sem dúvida, com artistas nacionais e etc. Mas mesmo a comprar em promoções, gastei 60 euros. O preço total seria 75 euros. E no guttenberg.org, está tudo de graça.

    Edições PT de clássicos que já são domínio público ainda estão a 20€ (como 20 Mil Léguas Submarinas, o último que ainda me preocupei em procurar). Como gosto de ficção científica, há alguns autores clássicos que queria ler mais, Júlio Verne, HG Wells. Mas não a 20 euros cada livro. Com o Kobo, vou ler tudo de graça.

  18. Ja li bastantes livros em inglês só porque a versão em Português era mais cara no minimo 10€

  19. Tenho uma pilha de 9 livros para ler e só um é Português. Livros em inglês, particularmente clássicos são ridiculamente baratos, e encontro-os até mais barato em lojas pt, por alguma razão.

    Mas o nosso mercado é demasiado pequeno. Quem é que lê neste país? Meia dúzia.

    Mas as edições também tendem geralmente a ser de boa qualidade. Era bom que houvessem edições mesmo baratas, porque nem toda a gente precisa de livros para serem lidos dezenas de vezes. Desde que o texto seja correcto.

  20. Infelizmente tudo o que tem sido relatado neste *thread* se aplica também à literatura traduzida para Português, seja ficção ou outra coisa qualquer (técnica, por exemplo). O último livro que comprei traduzido para Portuguẽs – erro meu, eu sei – foi o Cisne Negro do Nassim Taleb. Apetecia-me ler alguma coisa dele e não encontrei o original nas livrarias (fnac, bertrand) pelo que por impulso adquiri a versão Portuguesa. Alguém o leu? Sinceramente, gostava mesmo de saber o que pensam deste livro. Quando o comprei, ia na 9ª edição em Portugal! 9º edição! Quantos livros tiram por edição? 10? É que este não é o tipo de livro que toda a gente compre, mesmo que seja para o mostruário da sala e jantar. Ele há encadernações muito mais bonitas… O livro é o arquétipo de um mau trabalho editorial e de tradução! O que me interessa é a edição Portuguesa. Como é possível fazerem 9 edições de uma obra traduzida por um calceteiro marítimo? Perdoem-me os calceteiros, mas deixo só uma pérola (há muitas) desta tradução: “*Como Estaline, que nada sabia acerca da mortalidade, terá dito: «Uma morte é uma tragédia; um milhão é estatística.» A estatística permanece em silêncio dentro de nós.*” [ipsis verbis] Após ler isto tive de adquirir o original para perceber até que ponto o erro estava aí ou na tradução. Escusado será dizer que o livro em si, originalmente escrito em Inglês, está correto. Isto é um problema da ignorância do tradutor e um mau trabalho do revisor, se exitiu um. O livro custou 22€ em Português e 7£ no Reino Unido, antes do Brexit…

  21. mais ou menos no mesmo tópico, não querendo desfazer o trabalho das pessoas, eu deixei de comprar livros editados pela Saída de Emergência porque, nos livros que li, achei o trabalho de tradução/revisão muito fraco. eles publicam coisas muito interessantes mas para quem fala inglês vê-se perfeitamente os decalques, as frases traduzidas à letra… além dos erros de revisão, typos, tempos verbais mal conjugados, etc. não sei se eles se orientaram nos últimos tempos mas aqui há uns ~10 anos era bastante mau. e ainda têm o desplante de vender um livro de 250 páginas por 20 euros.

  22. e agora imagina procurar livros mais underground, de artes por exemplo, não só são caríssimos como ainda mais raros devem ser, muitos naõ se encontram em lado nenhum. dei pulos de alegria quando descobri que o TNDMII fez versão em português recentemente dos livros de Stanislavski (um dos grande mestres do teatro) que nunca existiram propriamente traduzidos diretamente do Russo, só do inglês… estes custam ~20 cada um quando em inglês são 10€ também

  23. *olha para a coleção de livros em que 95% é manga…*

    Sinto que tou num void entre quem lê de facto e quem não pega num livro à anos.

  24. Aquela que é considerada a edição “standard” em Portugal dá-me um bocado de nojo de tão desnecessária que é. Obras normais com livros enormes, pesados e com um papel tão branco que brilha. Tudo para justificar os 20€+ que pedem por eles.
    É que nem sequer são práticos, são mais difíceis de transportar e se quiser ler num sítio sem apoios, ao fim de algum tempo os braços começam a chatear.
    Depois uma pessoa compara com a mesma obra em inglês: um terço do preço, leve e com papel meio reciclado que mais do que cumpre o seu propósito. A decisão torna-se fácil.

  25. Bem, concordo com quase tudo. Os preços dos livros sao altissimos e a qualidade das ediçoes nao o justifica.

    Tal como tu, compro, sempre que posso ediçoes estrangeiras; até porque prefiro ler na lingua original do autor (isto depois de ler o GGatsby na versao tarduzida e me apetecer arrancar os olhos).

    É ridiculo comprar um livro em capa dura por 10€, em inglês, e o mesmo livro em português custar 20€ e o grafismo ser um copy print da série/filme que inspirou.

    No supermercado onde vou fazer compras há um alfarrabista e tenho encontrado lá livros usados a preços muito agradáveis. O último foi a versao traduzida para português do Gravity’s Rainbow, que custaria uns 30€ novo e eu comprei por 10.

    Depois também há aquelas ediçoes, que penso que resultam de finaciamento do estado, das companhas para a promoçao da leitura, em que se arranjam livros a muito bom preço. Comprei uma série deles, o grafismo nao é nada de especial, mas sao ediçoes de capa dura a 9€.

    A frustraçao de se deixar as traduçoes a meio das séries também a conheço. Há uns anos atrás quis oferecer ao meu sobrinho a saga do Ender. Eu já tinha lido em inglês, mas ele na altura ainda nao tinha essa desenvoltura. Foi na mesma altura que saiu o fime e lá publicaram o primeiro livro da série, o Ender’s Game. Depois nunca mais.

    Só nao concordo que seja o preço dos livros que desincentive à leitura. Quem quer ler, vai ler. Há bibliotecas, há ediçoes online gratuitas, há familiares que emprastam, etc, etc. Simplesmente, ler sempre foi o hobby só de alguns.

  26. Sem comentar essa questão dos preços, não percebo essa tua preocupação com traduções. Se sabes ler outras línguas então é sempre preferível ler os textos originais, não?

    Se queres ler em português lê autores portugueses. Não pagas mais para os ler cá do que lá fora. Falta de oferta e de qualidade de certeza que não há.

    EDIT: E isto talvez explique em grande parte o porquê do mercado de livros traduzidos em Portugal não ser tão competitivo como o de Espanha… Mais ou menos o mesmo motivo de programas televisivos estrangeiros serem legendados aqui e dobrados lá… diferentes hábitos de leitura e de consumo, perhaps…

  27. Upvote por alguém conhecer os livros de the Witcher. De resto concordo com tudo, caríssimo comprar livros em Portugal

  28. Eu sempre gostei de ler e agora que posso financeiramente compro mais livros . Tanto em segunda mão como nas editoras . Podia comprar em inglês , ou em alemão. Que os preços são maravilhosos mas devido a saudade que as vezes tenho da lingua portuguesa compro os livros em português para me sentir conectada a língua e também para não esquecer porque já misturo um pouco as línguas , já me esqueci um pouco de palavras e expressões. Mas de facto são caros , sim o mercado português é pequeno e as vezes as editoras gostam de ser chicas espertas , dividir livros , não editar sagas completas , ect. Mas acho que a literatura em Portugal não é para todos ( chega a ser um pouco elitista) e és julgado pelo que lês. ( Sei do falo trabalhei numa livraria em Portugal e meus colegas e gerentes julgavam os livros que as pessoas compravam e chegavam a gozar elas ) Também o incentivo a leitura é fraco. E falando da minha experiência quando era jovem era a única numa turma de 30 que gostava mesmo de ler e era visita diária a biblioteca da terra.

  29. Desde que mudei pro RU leio 20x mais livros do que lia ai em PT. E nao e so porque os livros sao bastante mais baratos aqui: e pq ha excelentes bibliotecas em todo o lado.

  30. Não gosto muito de ler livros traduzidos, acho que se perde bastante, há muito tempo que não compro um livro em português mas concordo, os preços são ridículos e tenho a certeza que os tradutores não são assim tão bem pagos quanto isso.

  31. Querem uma gira? (se alguém ainda não falou nisto?)

    As Brumas de Avalon é apenas UM livro. Mas, como tem 4 partes, vamos lá dividir em 4!

    Enfim.

    Ligeiro off-topic, existe algum sítio dedicado a livros usados, que não seja o OLX, o Vinted, ou o Facebook?

  32. Queria o Dune, primeiro livro mas na fnac só havia sequelas em inglês a 12,75€. Fui à Bertrand que tinha o primeiro livro em português – 24€. Dass!

  33. Eu nao sou capaz de ler no novo acordo ortografico. Recuso-me. Vejo-me obrigado a comprar livros em segunda mao.

  34. > -É preciso pagar aos tradutores, dizem vocês, e com toda a razão! Mas livros escritos em português, são igualmente caros. O último livro de José Rodrigues dos Santos, O mágico de Auschwitz, custa 22, versão capa mole.

    Boa piada.

    *Source*: trabalhei numa empresa de tradução, na parte “administrativa” e posso-te dizer que os preços praticados em Portugal são de uma vergonha tremenda.

    Os livros são caros em Portugal por interesses, ponto final.

  35. Não me encontro dentro desta demográfica (ou pelo menos não me identifico como leitor ávido, vai na volta ainda conto para os números), mas partilho o mesmo sentimento de desilusão.

    Ainda não falando nos preços e primeiro que tudo… Selecção. Confesso que se calhar devia dar mais oportunidade a poesia por exemplo. Mas sejamos sinceros: o que eu como mais é romance policial (Agatha Christie se não estou em erro), fantasia (portanto Senhor dos Anéis) ou terror/fantasia negra (Lovecraft). Ou seja, no que toca a oferta já estou a alienar-me do espaço português ao preferir estes géneros. E nisto nem sei se existem bandas desenhadas de autores portugueses que explorem estes temas. Portanto já desde início que tenho uma influência para ir buscar as minhas fontes de leitura ao estrangeiro.

    Agora soma a isto os preços e naturalmente que lojas estrangeiras tornam-se ainda mais apelativas (já mencionaram a Book Depository aqui, grande loja, mandei vir de lá umas bandas desenhadas dos Darkstalkers e estavam impecáveis) que praticam preços minimamente decentes e possuem uma selecção mais variada.

    Agora… Lojas de livros portuguesas, tipo a Bertrand? Só vou lá buscar livros técnicos, a ocasional compilação de bolso de autores clássicos (ainda estou a ler uma com contos do Eça) e uma cena ou outra geek. Que mais vou lá buscar? Isto tendo em conta que estou a pagar mais caro, e que estou consciente desse facto. É mesmo porque preciso de urgência de algo e em português (o inglês está bom por estes lados mas em PT lê-se melhor) e um bocadinho de amor à camisola… Que é algo a que as livrarias não deveriam recorrer.

    “OK mas ainda podes ir às bibliotecas ler alguma coisa certo?” Meus caros, eu já nem me lembro da última vez que meti os pés numa biblioteca. É verdade que estou numa situação pouco favorável a nível de horários, mas honestamente nem penso num possível aluguer de livros por duas razões: nem faço ideia da oferta que têm e em segundo lugar porque quando leio, é sempre em situações em que facilmente posso ficar sem livro, ou estragá-lo. Logo para isso prefiro ter a minha bibliotecazinha pessoal que assim fico mais descansado e posso ler a meu tempo sem ter de obedecer a um prazo.

    Portanto resume-se a isto: produções portuguesas? Nem vê-las. Traduções? Só o que não interessa na maior parte das vezes (sei que pelo menos o Lovecraft e o Ghost in the Shell tiveram direito a uma versão portuguesa). Bibliotecas? Nem me passam pela cabeça.

    Um modelo que achei piada foi a venda de livros mais “pessoal”. Lembro-me de estar de visita ao Porto (tenho amigos nessa zona) e estar num cafezinho não sei onde, quando de repente aparece-me uma mocinha super simpática a dar a conhecer novos autores portugueses. Paguei por um livro novo logo ali e nem foi nada caro. Ainda não o acabei mas gostei do que li.

  36. No Canadá o pessoal coloca livros que já leu em caixotes para que todas as pessoas da comunidade leiam. Tem lá um pouco de tudo mesmo, livros recentes e livros velhos a serem despachados.

    Como é que sei? Familiar quando vem cá a Portugal, usa aquilo como presente de imigra.

    É claro que colocar livros no caixote nunca lhe passa pela cabeça. São mentalidades completamente diferentes.

    Engraçado falares nos Pilares da terra, vendi a anos: 10eur os 2. A rapariga que os comprou disse-me que era um sonho, que nunca conseguiu $ para comprar.

    Não temos escala para ter margens competitivas companheiro. Eu todos os anos comprou na feira do livro a 50% de desconto. Faço as compras tugas para o ano.

  37. É o negócio das editoras..
    Se fosse só com os livros de leitura… Basta olhar para para os manuais escolares.. Mesmo programas escolares nos manuais, basta mudar a ordem do programa escolar e já somos obrigados a comprar manuais novos.. De 3 em 3 anos…
    É uma tristeza, mas não de admirar, temos que incentivar a leitura nas crianças desde pequenas, mas ao invés de a promover, só a “despromovem”…

  38. Tenho andado a pensar nisto há imenso tempo e fico feliz que alguém tenha posto isto por palavras.

    É um absoluto exagero. Em 2020 decidi começar a ler mais, pelo que cheguei a ler 45 livros nesse ano. Comecei por ler livros em português, o que rapidamente se tornou impossível de continuar a fazer dado que o preço dos livros são absurdos. Tive de começar a ler em inglês para conseguir continuar o bom hábito. Este ano decidi arranjar um ereader, que se tem tornado um fiel companheiro. Leio neste momento maioritariamente em inglês com livros digitais, dos quais 99% são pirateados ou pertencem a bibliotecas online livres.

    Eu gosto de Portugal. Reconheço que é um bom sítio para morar. Mas Jesus, não sei como é que ninguém fala mais sobre a cultura e medidas que não têm em conta a educação das pessoas. Tenho alguns amigos que se queixam exatamente dos preços dos livros e indicam que esse é o principal motivo pela qual não leem. É ridículo ter de pagar tanto por livros, que, pela minha experiência, vêm cheios de problemas de tradução, de formatação e até de impressão.

  39. Tens razão! 70% da minha estante está preenchida com livros em Inglês. A minha namorada utiliza esse facto para não ler os livros que compro/recomendo e por isso não lê…

    Depois de começar a ler em Inglês apercebi-me do fosso que existe entre a experiência de ler um livro traduzido ou na língua nativa. Por exemplo, a experiência de ler a saga de A Song of Ice and Fire.

  40. Sempre gostei de ler, mas cheguei a um ponto em que me fartei de ser roubado.
    Comprei um ebook reader onde leio agora 90% dos livros que se pagou em poucos meses.

    OP: faltou-te ainda outra coisa, os ebooks. Tenho um familiar que já foi publicado cerca de 15 vezes e uma vez ele mostrou-me um livro dele na editora e a versão do e-book era apenas 2-4 euros a menos do que a versão em papel. Um PDF era literalmente mais caro do que a maior parte dos livros em papel e de capa dura que existem a venda noutros países europeus.

  41. ISTO! Desde que aprendi a ler que era uma devoradora de livros. A minha infância e adolescência, passei-as literalmente a ler. Não saía à noite, tinha a sorte de praticamente não precisar de estudar… Quem se lhes de mim na escola, refere-se a mim como aquela que estava sempre na biblioteca ou sentada pelos cantos a ler.
    E assim foi enquanto tive fácil acesso a uma biblioteca (neste caso, até ao fim do secundário). Depois disso perdi completamente o hábito. Às vezes pergunto-me como deixei desaparecer um hábito tão intrínseco em mim, tão eu, que me fazia tão bem e de que gostava tanto.
    E tu, OP, acabaste de dar a resposta. Sempre que vou ver que livros há por aí, nada a menos de 20 euros. Para quem ganhar o salário comum (não o médio xD) 20 euros é dinheiro relevante que tem para onde ir antes de se pensar em comprar livros.

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