Como é que os supermercados vendem tão caro os produtos que compram tão barato? “É difuso”, assume ASAE

38 comments
  1. >Por outro lado, Portugal sendo uma economia aberta e livre não tem qualquer tabelamento relativamente às margens de lucro, a menos que o país viva alturas excecionais, como durante a pandemia, em que foram impostas limitações às receitas com máscaras e álcool gel, por exemplo. Isto permite, afirma o responsável máximo pela ASAE, “que a lei da oferta e da procura funcione em campo aberto”.

    Se não existissem cartéis, que são multados várias vezes ao ano e acaba tudo igual, podia ser que o mercado livre funcionasse. Mas para isso é necessário existir supervisão

  2. Conheci alguns produtores que deixaram de vender ao grande retalho e tentaram criar corporativas mas não conseguiram singrar (talvez por não saberem gerir esse salto). O motivo era simples: os agentes que negociavam com eles do grande retalho eram simplesmente brutais: pressionavam para comprar ao preço mais baixo possível (quase ao ponto do produtor ter um lucro baixo) e depois vendem ao preço de mercado, que como quem diz com 3x ou mais x lucro.

    Tudo isto faz parte do jogo claro, pois há custos de distribuição e de armazenamento que estão em jogo, mas o jogo torna-se viciado quando todos os players fazem o mesmo, os produtores não conseguem ter um negócio sustentável (alguns dos que conheci desistiram mesmo do negócio pois não tinham a quem vender que lhes comprasse a preços justos) e o grande retalho carteliza os preços.

    Se fosse feita uma investigação a sério, iriam ver situações destas em várias áreas alimentares, vestuário, etc.

    E isto que eu tenho conhecimento nem é de agora, já tem mais de 15 anos e nada mudou.

    Um dos motivos pelos quais eu gosto de ajudar o pequeno comércio, os pequenos mercados e os pequenos produtores é mesmo isso: os preços são mais em conta e os produtos são mais frescos. Não são tão bonitos como uma maçã no continente, mas também não ficam podres ao fim de 48h.
    E a relação que se estabelece com as pessoas é uma relação muito próxima, muito humana (vemos os filhos uns dos outros a crescer, oferecemos prendas no natal, etc).

  3. É o mercado a trabalhar…

    A volta que a malta faz para culpar a justiça ou a supervisão ou o diabo a quatro quando muitos destes casos nem sequer são crime.

    As regras do Santo mercado, a desregulamentação e a concorrência são estas e um estado sem capacidade de as condicionar redonda nisto. Quem tem mais poder (as grandes distribuidoras) execer-o sobre a raia miúda quer estejam cartelizadas quer não. Assumam isso em vez de andar a fugir com o rabo à seringa.

  4. Acho que alguém não sabe como é que funcionam os supermercados…

    Há produtos com muita margem e outros quase sem, porque são motivo para a deslocação ao supermercado.

  5. “dissecar e ver”??? Multas severas e encerramento de estabelecimentos é o mínimo a fazer! É um crime o que assistimos diariamente…

  6. > Isto porque segundo a Docapesca, a empresa estatal que gere a exploração das lotas, apenas podem lá comprar comerciantes de pescado ou proprietários de restaurantes.

    Alguém me sabe explicar qual é a razão lógica por detrás desta decisão? É para combater a evasão fiscal? Garantir a qualidade do produto ao consumidor final? É que de um ponto de vista leigo, não faz sentido absolutamente nenhum restringir os compradores de um produto alimentar.

  7. É tudo um cartel.

    Infelizmente não consigo eliminar compras nos supermercados. A oferta é demasiado grande.

    Mas comecei a ir comprar tudo o que é fruta e vegetais a produtores locais, ou mercados da praça, onde as coisas por norma são melhores e o preço inferior.

  8. >Para Simão, a única forma de “fazer justiça àquilo que recebe” é através da liberalização do leilão em que é comprado o peixe ao pescador

    Interessante, não sabia que o estado tinha mão nisto…não me admira que depois tenhamos que os maiores clientes do PS sejam certas grandes empresas

  9. Porque uma parte significativa dos produtos comprados pelos supermercados não são comprados pelo consumidores e acabam por ir para o lixo ou para outros negócios menos rentáveis.

    Porque ao comprar num supermercado também se compra toda uma série de comodidades que um supermercado dá, como por exemplo: horarios de funcionamento alargados, estacionamento gratuito (e por vezes coberto), climatizacao, etc.

  10. O erro foi ter-se deixado cercar as cidades com grandes supermercados e pior, progressivamente deixar que se aproximassem do centro.

    Isso deu cabo do pequeno comércio — basta ir ao centro de Lisboa e ver que praticamente todo o pequeno comércio é para os turistas — e deu cabo dos produtores porque deixaram de ter o pequeno comércio.

    Mas isso foi há 30 anos.

    Agora estamos tramados, porque também não se pode fechar os supermercados

  11. Difuso? WTF

    Fico completamente lixado quando alguém não faz o seu trabalho. Então não é obrigação da ASAE responder a esta questão e perceber porquê?

    Se o meu chefe vier ter comigo e perguntar “porque é que isto ainda não está feito?” ou “porque é que isto está mal?” e eu lhe responder “olhe chefe, é difuso” ele vai virar-se para mim e vai dizer “ah então está bem, continuação de um bom trabalho”, o caraças é que vai.

    enfim.

  12. Lucrar de forma ética? Que é isso!? As grandes empresas querem lucrar á bruta e crescer de forma perpetual até engolirem o mundo inteiro, depois disso depressa se inventa viagens espaciais e colónias em marte para poderem engolir marte também.

    NUNCA nada é demais para quem é avarento.

  13. pequenos produtores espremidos até ao tutano.

    Direct to market é o segredo.

    Beneficia o consumidor e o productor e remove o middleman.

    Sempre que é possivel remover o middle man aumenta-se a eficiencia.

    Imobiliarios, Cadeias de supermercado, vendedores de carro…

  14. Conselho. Comecem a comparar preços com por exemplo a Amazon. Obviamente não aconselho a comprar comida lá, mas outras coisas até pode conpensar

  15. Pergunta ao povo: Qual é então a solução para este problema? De que forma poder-se-á aumentar o rácio de dinheiro que vai directamente para o produtor face ao preço do produto final?

  16. Deve ser fudido não entender que é necessário pagar salarios a colaboradores, rendas das lojas, transportes e um sem numero de outras coisas.

  17. Eu a mim faz-me é impressão de como é possivel os produtores sustentarem-se a vender abaixo do custo

  18. Algumas grandes cadeias usam táticas medonhas: compram em grandes quantidades nos primeiros anos para garantir o monopólio dos pequenos fornecedores, por um preço ligeiramente acima da concorrência, para anos depois fazerem chantagem com esses mesmos fornecedores de não pagar as remessas desse ano se os pequenos fornecedores, que já tinham uma margem de lucro pequena, não baixarem ainda mais os preços. Em vez de um lucro 3x superior garantem um lucro 5 a 8 vezes superior. Aí a ASAE anda calada.

    Edit: exemplo: Intermarché.

  19. A ASAE está mais preocupada em ir ao pequenos agricultores que vendem nos mercados municipais das terras e multá-los, por, por exemplo, venderem o seu vinho caseiro, sem rótulo. A multa é de cerca de 600 euros neste caso.

  20. A ASAE não tem nada a ver com o assunto.

    A ASAE serve para verificar se cumprem com as normas de segurança, consumidor, etc.

  21. Além do que já foi dito, o consumidor também tem alguma responsabilidade.

    Tenho um bocado a perceção que as pessoas acham caro mas compram na mesma. As grandes superfícies estão sempre cheias e muita gente nem olha para as etiquetas só para a palavra promoção.

    Eu já perdi horas no apoio ao cliente a reclamar de preços mal marcados, mas à minha volta é só pessoas a trocar os pontos para as facas ou lá o que é.

    E há coisas que é possível comprar no comércio local com diferenças brutais, fruta e legumes é um bom exemplo, mas também coisas como tintas que numa drogaria se consegue por 70% do valor e com atendimento personalizado. E também há supermercados locais com preços competitivos e estáveis. Dá é mais trabalho andar de loja em loja a comparar preços quando se pode comprar tudo numa grande superfície.

    E depois há aquelas coisa que o tuga vê como premium e paga que nem um pato como é exemplo os chocolates de Natal que paga 2x e 3x mais do que paga um holandês ou um belga em vez de os deixar ficar quietos na prateleira.

  22. Aqui no Brasil a culpa é da carga tributária. A margem de lucro do empresário é pequena. ( sou contador) . Trabalhamos para sustentar privilégios nos três poderes.

Leave a Reply