
“O QUE É A EUTANÁSIA EM ANIMAIS?
A eutanásia animal é o nome dado ao procedimento que tem por objetivo aliviar o sofrimento do seu animal, devido a condições clínicas dolorosas ou sem tratamento, através da morte clinicamente assistida.
A eutanásia animal só pode ser feita pelo Médico Veterinário, e resulta como uma solução definitiva e irreversível quando não há tratamento disponível ou quando não é possível garantir o bem-estar do animal em vida.” https://www.vetsobrerodas.pt/veterinario-ao-domicilio/eutanasia-animal
Já me aconteceu, a minha cadela de 17 anos, que (pelo menos para a minha família) fazia parte do agregado e era um membro insubstituível da família, com 16 anos foi-lhe detetado cancro da mama, tentámos de tudo, mas o cancro alastrou para os pulmões, como resultado, ela desmaiava com falta de ar e com dores. O médico disse que se amávamos o nosso animal de estimação, e como não tinha solução (era inoperável dada a extensão do cancro e a idade avançada), o mais digno e humano seria terminar-lhe com o sofrimento. Resumidamente o procedimento de eutanásia.
Se conseguimos compreender o sofrimento dos nossos animais de estimação, porque não conseguimos compreender o sofrimento dos nossos semelhantes?
O que nos leva a pensar que os humanos não são dignos da mesma compaixão e paz?
Será que estou a pensar mal?
Gostava só de deixar claro que penso no procedimento de eutanásia em casos muito específicos, em casos de dor insuportável e associados a doenças incuráveis.
Eu penso que se me acontecesse a mim, ou a alguém da minha família, ver essa pessoa a definhar, a agonizar de dor, presos numa cama e com a perceção de que o futuro não passará para além da condição atual. Onde está o amor quando vemos alguém que amamos sofrer eternidades até ao último suspiro? Mesmo quando essa pessoa implora por descanso e paz.
Eu também sou batizada e li a bíblia, e nunca percebi em tudo o que li, que fosse o desejo de Deus ver-nos sofrer, corrijam-me se estiver errada. Ou dêem-me outro ponto de vista para eu mudar de opinião.
Obrigada e desculpem o desabafo.
23 comments
Concordo plenamente. Para além disso, havendo opção de escolha, as pessoas que são contra não precisam de tomar essa decisão.
Não vou falar contra porque sou a favor, mas existem argumentos válidos do “outro lado” que tem de ser ouvidos, um deles é a possibilidade de se usar a eutanásia em vez de tratar coisas perfeitamente tratáveis para poupar dinheiro ao SNS, por ex.
> no procedimento de eutanásia em casos muito específicos, em casos de dor insuportável e associados a doenças incuráveis.
e
> Eu também sou batizada e li a bíblia, e nunca percebi em tudo o que li, que fosse o desejo de Deus ver-nos sofrer
Se as pessoas desistem então não há incentivo para a cura. Sem cura não há evolução. A noção de Deus (entendida pelos Cristãos) não é que o individuo seja essencial mas sim a humanidade (o povo Cristão), daí o exemplo da crucificação do próprio filho.
É a dor que faz a humanidade avançar. É nas guerras que ocorrem os maiores saltos tecnológicos.
Talvez eu não me tenha explicado bem. O que eu procurava era perceber porque não vejo ninguém se opor à eutanásia nos animais? Mas nos humanos já é um problema.
Gostava de perceber quais as diferenças para as diferentes reações.
Comparar o cão, um animal sem possibilidade de consentimento, a uma pessoa.
Está certo então.
A tipica ideia que “os velhotes devem morrer e depressa para não custarem tanto dinheiro”.
A eutanásia só é tema de discussão por causa do fanatismo religioso e ignorância de quem não percebe o que é sofrimento a sério. A partir do momento que é o próprio a decidir se quer ou não morrer, ninguém tem direito algum a opor-se.
Estamos ainda a falar de casos muito específicos, não é qualquer miúdo que foi deixado pela namorada que pode decidir acabar com a vida.
A DECISÃO É PESSOAL, INDIVIDUAL, NINGUÉM MANDA EUTANASIAR NINGUÉM.
O problema com a eutanásia não são os casos óbvios, mas sim o potencial enorme para abusos.
“Sim, o senhor disse que queria morrer. Não, mais ninguém ouviu, só nós que temos interesse economico no desaparecimento desta pessoa é que ouvimos, e legalmente é suficiente. Ka-ching”
Eu estou completamente de acordo que alguém em sofrimento horrivel, que não tem qualquer solução, possa ser ajudado a morrer sem destruir quem o ajude. Mas não estou disposto a dar esse tipo de incentivo legal a estruturas como o estado, em que a culpa morre solteira e a corrupção abunda.
Os casos perfeitamente idiotas que têm saido de paises que legalizaram a eutanásia deviam pôr-te os cabelos em pé.
Venho em paz.
Um dos problemas da eutanásia em humanos é que estamos a colocar o peso em alguém (alguém que desliga uma máquina, alguém que dá uma injeção, etc).
É muito complexo o tema da eutanásia. Por um lado não queremos prolongar o sofrimento de ninguém. Por outro, passar a “culpa” para outro também não é fácil.
Eu não sou a favor da eutanásia mas por incrível que pareça também não sou contra.
Acho que a eutanasia deve ser o ultimo recursos quando todo o tipo de cuidados ja foram dados e tentados.
Deve ser horrivel estar deitado numa cama a espera de morrer quando ja nao ha mais esperanca
Há duas diferenças:
1- No caso dos animais de estimação nunca são estes que escolhem, é não-voluntária;
2- No caso humano há situações que devem ser tidas em conta:
i) garantir que a pessoa não quer morrer por não ter acesso a cuidados palativos que possam ajudar a reduzir o seu sofrimento (poderá querer morrer apesar de existirem, mas é preciso que existam e estejam disponíveis);
ii) garantir que a pessoa não quer morrer por influência de familiares/cuidadores (por se sentir um estorvo na vida/carteira destes).
Com essas garantias salvaguardadas, sou a favor.
Bom. Eu concordo com a existência da possibilidade de eutanásia.
Aquilo que compreendo de quem é contra, e compreendo algumas objecções, é que existe um potencial não negligenciável para situações dúbias e problemáticas.
O maior está relacionado com as situções que envolvem heranças ou os custos de manter uma pessoa dependente.
Nos casos em que a pessoa está consciente e capaz de tomar a iniciativa e manifestar a sua vontade em terminar a sua vida, não me parece problemático, mas existem muitos casos em que tal não acontece e aí tudo passaria a estar na mão dos familiares/herdeiros… Com os óbvios problemas que vêm daí.
As objecções religiosas descarto. Se a própria pessoa tem objecções desse tipo, então não irá pedir a morte assistida, se não tem, não devem as convicções religiosas de mais ninguém colocar entraves.
Defendo a liberdade religiosa ao ponto de defender a liberdade de não se ser religioso.
Quanto à parte final de a divindade judaico-cristã não nos querer ver sofrer, existem múltiplas provas em contrário… Desde o velho testamento até à manifesta incompetência comprovável de um ser omnipresente e omnipotente para evitar o sofrimento das criaturas que supostamente criou e supostamente ama sem limites.
Deus pode não querer ver-nos sofrer, mas claramente não faz nada para o evitar.
As pessoas merecem ter um fim digno. Há muito boa gente que entende eutanásia como sendo uma maneira de suicídio só “porque sim”. Não! A eutanásia seria regulamentada para apenas ser acessível em casos muito específicos, nomeadamente doença terminal/degenerativa/dor. E nunca, nunca seria imediata. Tal como se sucede para abortos, teria de haver consultas com profissionais competentes (psicólogos, terapeutas) de modo a averiguar se é esse o desfecho que o doente quer.
​
O fanatismo religioso em Portugal é o que não permite a legalização da eutanásia. “Não matem os velhinhos”, mas quê? O objetivo não é matar ninguém. O doente é que tem a faca e o queijo na mão e se quer deixar de sofrer, está no seu direito.
​
Já tive de eutanasiar dois animais de estimação. Custou muito, mas elas estavam a sofrer tanto… Logicamente que não puderam decidir por si, mas os animais realmente não conseguem comunicar.
Eu concordo plenamente contigo. A resposta a isto é o poder da igreja sobre a nossa cultura que faz com que sejamos uns sádicos em tudo o que a igreja se tenha metido. Não vês a igreja a falar ou “regular” as interacções com animais de estimação e o ser humano age de forma lógica quando não tem as regras da “sociedade” para se conformar.
E sim, a igreja é uma associação do mais sádico e repravado que existe e ainda me espanta quem adore e reze a um personagem que quer o sofrimento de quem o adora.
A eutanásia deve ser apenas uma decisão pessoal, mais ninguém tem que se meter nela. Temo que haja pressão de médicos em alguns casos para esse rumo ser escolhido para poupar recursos, não estivéssemos a falar de saúde em Portugal, mas aí o problema é do país que temos e não da eutanásia em si.
Pessoalmente, nunca escolherei esse caminho mas não sou ninguém para impedir quem o queria fazer. Acho que temos de começar a colocar estas questões assim. No caso que falas, aqui não há problemas porque são só animais e a questão religiosa não se põe. Sinceramente, até me faz mais confusão eutanásia de animais que não têm capacidade de escolha do que a eutanásia de humanos conscientes.
O problema está em surgir o tema religião quando estás a decidir sobre o tema eurasiática num estado leico.
para mim a eutanásia seria permitido a tudo e todos. cada uma faz a sua escolha e quando não pode, a pessoa de confiança escolha por nós. desculpem mas viver pelo tubo e mexes o pescoço não é viver é sobreviver de tristeza
Há algumas questões que são diferentes:
-os animais não consegue comunicar ao nosso nível logo parece menos eticamente errado decidir por eles
– os tratamentos paleativos avançados em animais são caríssimos logo “é mais facil” desistir
– o conceito de “deixar ir à sua vida” é muito mais aceite nos animais do que nos humanos. Faz-se demasiada distanásia aos humanos. Se usássemos os mesmos critérios dos animais a nossa esperança de vida era inferior.
Estás a tentar equiparar coisas que não são comparáveis.
Estás a pedir à mesma população que eutanasie pessoas como nos animais quando estas não são capazes de as deixar morrer naturalmente as pessoas como os animais.
É complicado.
Se reparares bem não é só nessa questão da eutanásia. Os veterinarios atendem regra geral bem melhor e com mais gosto. Não é raro sermos atentidos por médicos ‘de trombas’ e que parecem estar lá a fazer um favor. Quando vou com os meus cães ao veterinário sou sempre bem atendida, e já fui a muitos diferentes. Urgências ou marcações e exames, aliás, chego com uma urgência e fazem logo todos os exames necessários para que o problema seja bem detetado e resolvido enquanto as pessoas quase parece que têm de suplicar exames necessários aos médicos do SNS.
Também posso entrar nas questões reprodutivas de criação responsável e dizer que um bom criador faz testes genéticos e todos os exames fisicos e até alguns psicológicos aos seus animais. Avalia compatibilidade de criação para conseguir bons exemplares e reduzir possiveis problemas e o ser humano continua a fazer filhos sem qualquer cuidado e com incompatibilidades que podiam ser muitas vezes evitadas e desfechos desagradáveis. Aliás, a selecção genérica humana ainda parece ferir muitos sentimentos. Como se todos fossem portadores da lotaria genética. A dignidade dos animais parece ser muitas vezes superior à do ser humano no nosso país.
Existe o argumento de que ao aprovarmos a eutanásia, estamos a ver as coisas pelo lado errado, pois não deveríamos ir pelo caminho mais fácil em vez de melhorarmos os nossos cuidados paliativos e/ou tratamentos para certas doenças, no entanto, eu continuo convencida que uma coisa não impede a outra. O facto de aprovarmos a eutanásia, não quer dizer que não tenhamos de continuar a melhorar noutros campos. Simplesmente é uma liberdade individual. É uma escolha que poderá ou não ser feita e ninguém tem nada a ver com isso. Defendo sempre a ideia de que quando toca ao nosso corpo, a decisão é nossa e ponto final.
Eu sou a favor de ser legal por motivos muito semelhantes aos que descreveste e porque a legislação parece bem concebida para todos os envolvidos (e.g.: médicos podem recusar-se e há proteções para casos de doenças mentais, mas teria de estudar as proteções para os doentes mentais para dizer com certeza que são suficientes).
Há, no entanto, uma restrição que eu poria na lei. Só quem é fisicamente incapaz de cometer suicídio é que devia ter a opção. Odeio a idea de facilitar suicídio a que tem a opção de o fazer por si próprio. Alguém que não tenha convicção para cometer suicídio não devia ser aceite que tem convicção para querer eutanásia.
Na minha opinião, e vale o que vale, se for uma decisão do próprio, é aceitável. Ao contrário dos animais que não nos podem dizer que já não querem mais estar aqui, um ser humano tem essa capacidade (a não ser que já não seja capaz de o verbalizar). Creio apenas que não cabe a ninguém senão o próprio ter esse poder de decisão.
Que comparaçãoa absurda. Não me lembro de alguma vez algum animal de estimação pedir para ser eutanasiado. “Eutanásia animal” é um mero eufemismo, já que o animal não tem poder de decisão, ao contrário da eutanásia em humanos.
Fora do assunto principal, mas…
>sou batizada e li a bíblia
Leste MESMO a bíblia? É que talvez 99% das pessoas que dizem isso não a leram, só pequenos excertos.
Agora relacionando o assunto com a bíblia: o tal “deus” de certeza que é a favor da eutanásia, porque se a bíblia é assim tão real, então esse ser que dizem ser bom e todos os outros adjectivos simpáticos matou cerca de 25 milhões de pessoas