“Arrependo-me de ser mãe, não da minha filha”: as mulheres com sentimentos negativos sobre a maternidade

32 comments
  1. Era bom que estes assuntos fossem mais falados. A forma como quem escolhe não ter filhos ainda é olhado tem de mudar.

  2. Não vou ter filhos , foi das primeiras coisas que disse a minha atual namorada . Se ela mudar de ideias com a idade , vai ter de mudar de namorado também.

  3. Pelo meu trabalho falo com diversas mães e é algo bem mais comum do que pensava… muitas foram mães por pressão da sociedade, familia, parceiro

  4. Devia falar-se muito mais sobre estes temas. Fazer taboo não é bom para ninguém. Na geração da minha mãe ninguém falava sobre nada. Felizmente o meu primo mais velho teve uma filha há um ano e ele e a namorada falam muito mais sobre como é que é.

    Depressão pós-natal, alucinações por falta de sono, mamilos doridos de amamentar, mamas que doem quando não se tira o leite, as decisões difíceis que às vezes é preciso tomar…

    Descobri recentemente que a minha tia teve um aborto entre o 1º e 2º filho. Abriu-me os olhos, descobri que abortos são relativamente comuns, mais de 10% do total.

    Gostei muito do artigo!

  5. Quando digo que não quero ser mãe, estão me sempre a dizer que vou mudar de ideias, e que ser mãe é a melhor coisa do mundo…. As pessoas não respeitam a opinião/desejo de quem não quer ser mãe… Irrita me solenemente isto…. Estou bem como estou e não sinto necessidade de ter filhos. Tenho um sobrinho e faço tudo por ele, mas ter um filho só porque os outros querem, não faz parte da minha filosofia de vida. Às vezes penso que as pessoas só tem filhos porque ” faz parte” do processo da vida. Desculpem, foi um desabafo!

  6. Quase toda a gente que conheço e com o qual já falei sobre isso arrepende-se de ter tido filhos. Mesmo que seja só “mixed feelings” ou seja, pessoas que por um lado gostam da experiência da paternidade mas que por outro estão cansadas e sentem-se presas ou fartas. O consenso que acho que as pessoas chegam é que até podiam ter voltado a ter filhos, mas tinham pensado muito bem antes de o fazer, e não o ter feito simplesmente porque é o script social. Lembro-me de ter lido um estudo que diz que a paternidade torna as pessoas mais infelizes. Não sei se o mesmo se aplica em Portugal (o estudo é americano e lá as políticas de natalidade são uma bosta), mas dá que pensar…

  7. Há muitos tabus com a paternidade/maternidade que precisam acabar. A depressão pós parto, o não haver o clique instantâneo com o bebé, a perda gestacional, etc.

    Quem passa por essas coisas tem que lidar com a carga de passar por isso mais de se sentir uma besta por passar por isso.

    Felizmente a sociedade está a evoluir e as pessoas vão tendo formas mais saudáveis de lidar com estas coisas.

  8. Já conheci (e conheço) muita gente que diz isto: “Amo os meus filhos, mas se fosse hoje não os tinha”. Não julgo, nem acho que faça deles piores pais. Sempre me fez pensar.

  9. É por estas e por outras que temos que andar a “importar” pessoas para a Europa. Continente falido e envelhecido. Obvio que ninguém deve ser forçado a nada, mas não concordo com este tipo de sentimento anti natalista.

  10. Um dos grandes problemas aqui é novamente a vida moderna. Actualmente a maior parte das pessoas tem os deveres para com os filhos mas nenhuma das coisas boas de ter filhos.

    Trabalham o dia todo, chegam a casa e têm de ajudar a fazer os trabalhos de casa, preparar as coisas do próximo dia, tratar da casa, dormir, ir trabalhar no dia a seguir.

    Brincar com os filhos? Ensinar e ver coisas com eles?

    Não há tempo para isso, nem para a vida pessoal dos pais. Ter filhos é basicamente abdicar do pouco tempo pessoal disponível e ter só mais complicações porque nem sequer há tempo para estar com os filhos.

  11. Eu conheço uma pessoa que já confidenciou que é dos maiores arrependimentos que tem.

    Mas quando estamos em meio de conversa de grupo grande, e quando vem aquela boca do “e tu? Quando é que fazes um destes pequenos também? ” … ” Já chegou a tua vez!” Etc… Aquele bullying que todos já presenciamos. Essas pessoas que por portas e travessas sabemos que já estiveram ou continuam arrependidas de ter tido filhos são os primeiros a dizer; ” pois é! Não achas que já estás a abusar da boa vida?”. ” Aqui o meu Joãozinho vai precisar de uma namorada”.

  12. entrevista a uma mulher do Canadá… epa o pessoal de lá já não tem uma visão muito boa do que é sacrifício pelo outro, já que o “eu” vem sempre primeiro hoje em dia.

    já para não falar que apoio familiar ao nível de Portugal não é tão comum.

    tudo muito relativo.

    não conheci ninguém do sul da América (tenho família lá) que diga que se arrepende. dizem que é difícil e tal mas nunca que se arrependem.

    a cultura influência bastante

  13. É bom que hoje em dia as vontades de cada um sejam respeitadas, mas ao mesmo tempo vejo um futuro muito preocupante pois não vamos ter substituição da população exceto recorrendo a uma forte imigração.

    Se não o fizermos, no futuro não só não haverá reformas, como não haverá pessoal para trabalhar na saúde para nos tratarem todas as maleitas da terceira idade, as forças de segurança para nos protegerem quando formos velhos e isolados, bombeiros para nos acudirem quando precisamos de ser levados ao hospital.

    O pessoal toma esta decisão de não ter filhos porque querem um certo tipo de vida e compreendo, mas esquecem-se de equacionar que tipo de vida terão daqui a 30/40 anos, quando estiverem rodeados de velhos e sozinhos.

    E quanto à imigração, demos graças aos céus que felizmente há um país de 200 milhões de habitantes, que fala a nossa língua, tem uma cultura relativamente semelhante à nossa e tem INTERESSE em vir para Portugal, porque se não, estavamos bem lixados.

  14. Ainda se fantasia bastante com a maternidade.

    A verdade é que os pais não têm tempo para serem pais, e o pouco tempo é utilizado para tratar de questões operacionais e burocráticas como ir buscar os filhos, fazer-lhes jantar, dar-lhes banho, cama.

    Isto era giro há umas décadas quando a mulher governava a casa o dia todo enquanto o marido ia trabalhar. Ambos tinham tempo de qualidade em familia. Com o passar do tempo começou a ser cada vez mais impsosível.

    Ainda conheço alguns casos assim, mas são empresários ou altos cargos que conseguem sustentar a brincadeira, mas sim, são felizes.

  15. Uma pergunta completamente genuína para as pessoas que responderam neste thread a dizer que não querem ter filhos: sentem-se abertos a adotar algum animal de estimação? Se sim, porquê?

  16. Adoro ser mãe, adoro o meu filho. Há momentos complicados (sono, por exemplo) nem tudo é fácil, nem tudo é um mar de rosas.
    O meu problema, neste momento é encontrar um sítio onde considere que estejam alinhados com o que eu quero para ele em termos de cuidados diários. Não me sinto confortável deixá-lo na creche dele mais que as 2h que ele fica (por vários motivos) e assim não me vejo tão cedo a voltar a trabalhar, coisa que vou precisar de fazer em março.
    Não me faz sentido termos os filhos para os ter que depositar a maioria do tempo longe de nós, já pra não falar quando esse sítio não se alinha com o que queremos (exemplo prático, num dia fui busca-lo e os meninos de 1 ano, que é a sala onde os vamos buscar, tavam sentados a ver videos no telemóvel de uma auxiliar)

  17. Isto é um síndrome da nossa sociedade, as gerações anteriores não tinham nada para fazer da vida (trabalho para os que tinham e quase todos saiam a horas, falta de variedade de entretenimento, falta de rendimento descartável) e tinham facilidade em comprar casa.

    As gerações atuais vêem se sem possibilidade de comprar casa, com trabalhos mais exigentes, com mais necessidade de descanso por causa de horas extraordinárias ou trabalhos esgotantes, nalguns casos com mais ordenado descartável e com mais oportunidades e predisposição (seja porque motivo for) para gastar esse ordenado descartável em atividades (exemplo viajar). Isto em conjunto com a ausência de políticas de natalidade e vamos ter problemas sérios daqui a uns poucos anos.

  18. Siga noticiar isto que o importante é passar a mensagem aos jovens que ter filhos pode ser muito mau e causar muito arrependimento e transtorno.

    Gostava de ver a reação do sub a uma notícia que fosse “arrependo-me de ser pai, não do meu filho” com o mesmo conteúdo mas a narrativa trocada em termos de sexo.

    * Depois de ser pai, não dormi mais uma noite, a mãe amamenta de dia e está cansada, tinha que ser eu a pregar olho de noite enquanto trabalhava de dia.
    * Tudo pareceu desabar, não conseguia manter os padrões para mim mesmo.
    * Mais do que qualquer outra emoção, sentiu raiva. O ressentimento passou para a parceira, para os filhos e até para estranhos.

    ​

    A formula da sociedade não precisa de ser reinventada. Monogamia porque poligamia iria resultar em 80% das mulheres a copular com 5% dos homens, 5% das mulheres a realmente ter o benefício do tempo e atenção masculina que desejam (1:1 entre os 5% de homens que captam o interesse de quase todas as mulheres e a sua preferida entre todas as opções). As mulheres e homens que não atraem ninguém a circular o Twitter com movimentos supremacistas do seu sexo (feminismo, machismo). Não me venham dizer que feminismo é igualdade, isso está mais do que debatido e mostrado que não passa de boca, na realidade nunca foi assim, nem no século XIX.

    Dentro da monogamia, escolham bem. O que nos homens atrai as mulheres e o que nas mulheres atrai os homens é bem diferente. Mas a solução é a mesma. Reservar os pontos próprios de atração para a pessoa que desejamos atrair. Só dar acesso a essas qualidades quando há garantia de compromisso.

    A partir daí, quando se sentirem confortáveis começam a pensar em criar família e cada casal entre as suas 4 paredes decide que orientação educativa dar aos filhos, como se relacionam entre si, que regras existem dentro de casa.

    Não é difícil, os portugueses analfabetos de há 100 anos atrás (mais de 70% era analfabeto em 1923), regra geral, compreendiam isto muito bem e a vida familiar funcionava. Agora vejo notícias destas, e é sempre jornais de esquerda (Público, CNN, etc)… Pergunto-me qual será o objetivo real da esquerda no meio disto tudo.

  19. Gostaria muito de ser mãe, mas sei que atualmente com os deveres laborais e outros não há tempo de qualidade para os filhos. E então, se é para os ter mas não haver tempo para construir uma relação próxima, se calhar é melhor ficar me por aqui, no sonho.

  20. Acho bem que as pessoas não tenham filhos. No fundo estão a dar a oportunidade a alguém de um país de terceiro mundo para vir ter uma vida bem melhor para um país europeu. Também é algo louvável.

    No caso da notícia o problema é também outro. A ideia de competição que existe nas redes sociais mina a saúde mental das pessoas, e os padrões estão sempre em patamares demasiado elevados.

  21. O tabu tem tendência a atenuar-se com as novas gerações. Quando estava grávida as minhas tias diziam que era incrível ser mãe e um privilégio enorme. Já as minhas amigas que tinham filhos diziam que era um privilégio mas que tinha muitos aspetos negativos. As novas gerações são mais abertas em relação a esta questão e falam da maternidade sem rodeios.

  22. Fui pai aos 38 pela primeira vez (muito tarde…) Tive sorte com a catraia que veio. Se soubesse tinha sido pai mais cedo. Mas a vida dá as suas voltas e às vezes não é como queremos…

  23. “se calhar poderias ser um pai mais feliz e consequentemente melhor pais se estivesses separado da mãe do teu filho.” – sim, por isso me divorciei.

    A questao é que os homens sao educados a estar sempre no limite, a querer mais e a aguentar dor/sofrimento. É assim que a nossa civilizaçao evoluiu e foi assim que as mulheres ao longo da historia escolheram os melhores homens. Quem arrisca tem mais sucesso e toda a gente sabe que a maiot parte da mulheres esta a espera dos vencedores
    O gene de homem que hoje em dia existe foi seleccionado ao longo de milhares de anos pelas mulheres justamente pq aguenta melhor a dor emocional com vista a obtençao de recursos.

    O que estas a dizer é o ponto de vista da mulher, sair da relaçao se esta infeliz.
    O ponto de vista do homem é aguentar pancada r continuar a produzir. Pq isso é o que o homem tem feito desde sempre.

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