[Os manifestantes criticam a escolha de um ator cisgénero para representar uma personagem trans, comunidade que afirmam continuar subrepresentada. Teatro do Vão admite ter cometido um erro.](https://www.sabado.pt/gps/teatro/detalhe/peca-tudo-sobre-a-minha-mae-interrompida-por-protesto-anti-transfake)

>A representação da peça *Tudo Sobre a Minha Mãe* foi interrompida esta quinta-feira por uma ativista pelos direitos *trans* que acusou a produção de alimentar uma narrativa “*transfake*”, ao optar por ter um ator cisgénero (cuja identidade de género é a mesma do sexo que lhe foi atribuído à nascença) a representar uma personagem *trans*. A companhia Teatro do Vão admitiu que errou na escolha do elenco e promete fazer melhor.

Leiam o artigo mas mais importante, vejam o vídeo. Partilho aqui tanto para espalhar awareness pela causa como para refletir sobre os contornos da própria intervenção.

IMO… Sendo legítima a importância da consciencialização perante esta causa, alegar falta de respeito, desrespeitando os presentes – tanto profissionais como audiência – e invadir um palco para exigir a saída de alguém cujo trabalho é **representar,** em pleno local de trabalho é no mínimo… *incoerente*. Sinto demasiado ódio a ser usado para combater o ódio e tenho sérias dúvidas de que isso atinja resultados positivos para a sociedade, a começar nas minorias que o sofrem, mas também nas comunidades que o replicam. Dois errados não fazem um certo.

Desconfio que este assunto vá dar pano para mangas aqui no r/Portugal, pelo que peço desde já aos moderadores que tenham paciência extra porque de facto toca pontos importantes de ser discutidos.

25 comments
  1. É a importação de americanices em todo o seu esplendor. Se vivêssemos o nosso próprio mundo em vez do dos americanos, que socialmente não são um exemplo para nenhum país desenvolvido, estaríamos todos muito melhor e menos polarizados.

  2. >Desconfio que este assunto vá dar pano para mangas aqui no r/Portugal, pelo que peço desde já aos moderadores que tenham paciência extra porque de facto toca **pontos importantes** de ser discutidos.

    Importantes para quem?

    ​

    > A companhia Teatro do Vão admitiu que errou na escolha do elenco e promete fazer melhor..

    ​

    Ora aqui é que está o problema.

    Reforçamos a ideia de que os malucos têm algum tipo de razão e justificamos as atitudes que tomam. Um par de lambadas e uma denúncia na polícia e a questão ficava resolvida.

  3. Foda-se… mas agora para fazer de gay o actor também tem de ser gay? Ou vice versa? Que cambada de bestas.

  4. Agora tem de ser assim, por exemplo, se for um filme de super heróis, os actores têm de ser super heróis /s 😀

  5. ou seja, papeis de drogados têm de ser representados por drogados, de amputados por amputados, ricos por ricos, pobres por pobres, reis por reis, princesas por princesas, fascistas por fascistas, comunistas por comunistas, gays por gays…

  6. Chamam-se “actores” porque representam. Duh.
    Por muito solidária que seja com algumas causas, isto não consigo entender nem lhe ver a lógica.

  7. Haja pachorra para aturar estás estupidezes.
    Da próxima vez que vir um ator a fazer de conta que é uma banana também me vou revoltar – banana-fake.
    Santa paciência.

  8. >A companhia Teatro do Vão admitiu que errou na escolha do elenco e promete fazer melhor.

    errou o caralho, não errou em nada

    foda-se não há mesmo respeito nenhum pelo trabalho de ator, levamos pontapés de todos os lados. cum crlh, estes ativistas da treta metem nojo

    o trabalho do ator é representar, fazer de algo ou alguém, seja quem for

  9. A companhia errou? Vão para o caralho. Estas merdas tiram-me do sério.

    Também metem atores que são boas pessoas a fazer de vilões. Ou ricos a fazer de pobres. Ah grandes cabrões pah devem pensar que são atores…

    Eu trato toda a gente bem mas este tipo de conversa rebenta comigo. Estas pessoas sentem-se no direito de nunca serem ofendidas. Errado! Elas têm o direito a sentir-se ofendidas, não é o direito a calar os outros e muito menos interferir no seu trabalho. Não gostam fazem como toda a gente e vão-se embora.

    Essa senhora devia ser, no mínimo, proibida de voltar a entrar num espetáculo desses.

  10. O pior disto tudo não é a atitude rude da ativista, pessoas mal educadas há em todo o lado. O mais preocupante disto tudo é o Teatro pedir desculpas a ela e sentirem que erraram quando não havia nenhuma razão para isso. Eu li a notícia, eles tinham incluído no elenco 1 atriz transgénero e um actor cisgénero a fazer papel de personagem travesti. Não é como se eles não tivessem tentando ser “woke”. Se calhar não conseguiram arranjar uma atriz transsexual porque simplesmente não conseguiram porque o número de actores transgénero é muito pequeno e por isso é mais díficil arranjar actores com essas caracteristícas (?)
    Se se tornar comum os teatros darem ouvidos a este tipo de pessoas hipócritas e de nariz empinado, a arte e a cultura portuguesa que esta em declínio vai ficar ainda mais declinada.

  11. Protesto de uma pessoa? Isso não é apenas ser estúpido? Eu aprendi que os nossos direitos terminam onde começam os direitos dos outros. O resto do público não tem direito a ver um espectáculo para o qual pagou?

  12. Discordo da maioria dos comentários que por aqui li, admito que durante muito tempo pensei assim e hoje partilho convosco a dúvida que em mim persiste sobre o tema.

    Considerando o teatro uma forma de arte, acho importante percebermos que, na grande generalidade a arte (em todas as suas vertentes) conduz as sociedades à abertura, à pluralidade de ideias e, por consequência, à democracia e liberdade invidivual. Portugal tem uma memória recente disso mesmo – a revista ou a música de intervenção, por exemplo.

    Acreditando que a livre expressão do eu – sexualmente e da identidade de género, neste caso – é uma evolução civilizacional, a arte tem uma “responsabilidade” de a acolher, apresentar e representar. Desse ponto de vista deveria o teatro / companhia ter feito um esforço para recrutar um ator transexual, partindo, claro, do princípio que existem e estão disponíveis.

    A reação é exagerada? Talvez. Também achei o mesmo em relação à “dobragem” de um filme da Disney pelo Jorge Mourato, no qual a personagem é negra, mas compreendo as razões base para o mesmo.

    Ainda no mesmo assunto – menos mediático é certo – gostava de saber a opinião destes ativistas sobre a série Esperança da SIC / Opto. É um papelão de César Mourão – e um trabalho de caracterização ainda mais impressionante. Agora, não haveria atrizes disponíveis, mulheres de idade já avançada cujo momento da vida é mais consentâneo com a personagem? Isto é ou não válido? Não invalida este pensamento também a expressão artística dos atores?

    Não será a arte, também, um rasgar de convenções e abrir horizontes? Será que, uma peça, que de alguma forma já aborda a realidade *trans* seja algo de censurar?

    Como comecei por dizer, neste tema não tenho respostas, apenas muitas dúvidas.

Leave a Reply