Pessoas que acham que o problema da habitação em Portugal se resolve limitando artificialmente a procura, querem discutir este gráfico civilizadamente?

33 comments
  1. Antes de mais, sou da opinião que o problema é mais falta de oferta, muito pela burocracia existente à volta da construção e esta estar toda na responsabilidade das câmaras municipais, cada uma trabalhando de forma diferente e apoios do Estado que permitam os Portugueses comprar casa (como por exemplo programas de alugar para comprar ou condições especiais de financiamento para jovens)

    EDIT: Não querendo chorar muito, dar downvote sem contra-argumentar é só ridículo.

  2. O problema é de tal forma sistémico que não se pode resolver apenas por um lado. O aumento do número de novos fogos é mais um desses lados.

  3. Não digo que a falta de oferta não seja também parte do problema mas em Portugal para além de falta de oferta tens um grande aumento de procura, a imigração em massa com certeza não ajuda.

  4. Demasiada procura para a oferta existente.

    Tendo em conta as milhares de pessoas que tentam entrar em Portugal todos os dias, não há país que consiga acompanhar em construção.

    Portugal não tem as infra-estruturas necessárias para acolher tanta gente é tão rapidamente.

  5. A falta de oferta associada aos custos da construção (resultantes de múltiplos factores mas sobretudo fiscais e falta de mão de obra causada pela emigração de muitos técnicos para o estrangeiro) e à total inoperabilidade da Justiça em Portugal são os principais fatores, ou seja, o poder executivo não faz nada para solucionar o problema.

  6. em Lisboa não se vê falta de construção, ‘expropriam-se’ quarteirões e levantam-se bairros inteiros de raiz. Mas é construção ‘de luxo’.

  7. Projecto demoram anos a serem aprovados, é super caro construir, e as taxas sao gigantes.

  8. [https://www.pordata.pt/censos/quadro-resumo-litoral](https://www.pordata.pt/censos/quadro-resumo-litoral)

    Vê a secção dos edifícios e vai carregando nas várias ligações para teres mais informação.Eu vi isso só assim um bocado por alto, mas há uns quantos índices que são relevantes (habitações por cada 100 habitantes, habitações ocupadas pelos proprietários e por aí fora).

    Não te esqueças que esses gráficos que puseste correspondem só às casas novas e que as casas novas não são nem a oferta toda, nem muito provavelmente a maior parte.

  9. Na zona de Lisboa têm aparecido algumas construções mas pergunto-me sempre quem compra aquilo? É tudo preços de luxo!!! Mas os estrangeiros querem viver na alta de Lisboa, Ramada, Canecas, Loures, Miraflores ?? É que ainda nem têm um tijolo e já estão todos vendidos !

  10. Desculpem a pergunta idiota, mas Fogos aqui é plural de fogo? Tipo as casas ardem? Claramente sou ignorante a este termo e este gráfico está a dar-me uma dor de cabeça porque não percebo de todo o que é que fogo tem a ver com casas.

  11. A longo prazo têm de ser construídas mais casas.

    Mas as novas casas demoram anos a construir.

    Logo, a curto prazo, enquanto não chegam novas casas, e em força, ao mercado, a limitação da procura ajudaria a minorar (eu não disse resolver, disse minorar!) o problema da habitação.

  12. Tens que olhar para o número de fogos disponíveis em relação à população residente e vais ver que é bastante estável. Essa pressão existe mas não é por falta de casas construidas. É por falta de casas disponíveis no mercado de habitação.

    Por outro lado os anos 90 e 2000 foram completamente anormais em termos de construção, as grandes empreiteiras estavam ao rubro e a construção era um dos sectores mais fortes da economia, tido como sólido e promissor.

    No final foi mais um factor que contribuiu para o naufrágio dos anos 2010, viu-se que as construtoras nacionais eram gigantes com pés de barro e não havia procura para tanta casa.

  13. Tentar usar dados com o pessoal para quem a economia funciona na base do pensamento mágico – o pessoal que vota BE, livre, pan, pcp, e uma facção grande do PS – parece-me perda de tempo.

  14. Por existir um decréscimo acentuado na construção civil é necessário regular o mercado imobiliário, de forma a garantir que todas pessoas têm acesso a condições de habitação dignas.

  15. Não quero dizer que não seja um dos problemas, mas não te esqueças que a construção é um processo cumulativo. Não tens de ter todos os anos um grande volume de construções, porque já construiste no passado. Por isso a culpa disto não vem sozinha. Provavelmente ajudava, no entanto, não te esqueças que mais construção equivale a mais expansão de cidades, mais destruição de habitat natural, mais poluição e por aí adiante. As cidades não podem crescer infinitamente. Podemos argumentar que temos de ter construção cada vez mais vertical, só que para isso é preciso mais investimento.

    A procura existe mas…

    Atualmente pelo mundo todo uma casa é considerada um ativo de investimento e não um bem essencial. Toda a gente deveria ter direito a um tecto digno para se viver. Por mais que me digam o contrário não deixo de pensar que a habitação hoje em dia é um ativo especulativo. Tais como ações da Tesla valem o que valem sem se saber muito bem como (ou melhor valiam, mas isso é outra discussão), nas grandes cidades a habitação é vista como algo seguro para armazenar e ganhar dinheiro e muitas vezes não é utilizada para o que foi destinada, que é alguém lá viver. É o toca a investir porque está em alta. Uma casa fechada conta igual do que uma habitada para a oferta do mercado, o que é estúpido não achas? Isto é feito tanto por estrangeiros, como por Portugueses.

    No entanto, já estamos a ver que esse esquema de investimento não é saudável a longo prazo. Por isso, concordo que deve haver instrumentos que limitem a utilização da habitação exclusivamente para ganhos financeiros e que haja oportunidade para que todos consigam ter as condições de habitação razoáveis.

    http://www.dn.pt/local/amp/lisboa-tem-quase-48-mil-casas-vazias-que-camara-quer-por-a-uso-14489586.html

  16. Devido aos impostos altos e a toda a burocracia associada à construção, neste momento só compensa fazer habitação de luxo em Portugal. As pessoas mais pobres e até mesmo a classe média ficam a chuchar no dedo… A maior parte da malta não tem noção da burocracia e dos impostos associados à construção.

  17. Talvez falte correlacionar isso com o envelhecimento da população não ? Ou uma população idosa precisa de tantas construções como no passado ? Não basta pôr isto e defender a ideia de que não se deve proibir a venda de imóveis a estrangeiros 😉

  18. Discutir civilizadamente ? Aqui não há nada disso é culpar os “outros” e mais nada.

    Agora deixa me contar vos uma historia, há cerca de 2 anos quis construir uma segunda habitação esta habitação seria térrea e seria para os meus pais e um dia mais tarde quando eu for mais velho para mim, pois atualmente vivo numa que tem vários pisos.Seria uma casa simples com o valor de mercado aproximadamente de 160 mil euros em Vila Nova de Gaia. Como não sou rico iria ter de pedir um empréstimo e os meus pais em vez de pagarem uma renda altíssima, pagariam um valor fixo a mim e eu cobria o resto pois o imóvel ficava depois para mim.Agora vamos as complicações, o custo total do imóvel incluindo juros licenças e seguros ficava entre 222 mil euros (euribor media) e poderia ficar por 294 mil no caso extremo de taxas de euribor media a 5,65%.Notar que apesar do meu património ser o dobro do valor que eu ia pedir as regras só me permitem pedir 80% do valor total do imóvel, ou seja tinha de entrada dar 40 mil euros mais cerca de 7 mil em impostos e cerca de 3 mil para o projecto e outros custos.

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    Sendo que os meus pais ainda conseguem subir escadas pensei em arrendar a casa pelos primeiros anos de maneira a ter alguém que me paga se a prestação o problema ? Com a Euribor atual por um empréstimo de 120 mil euros eu pagaria ao banco €617 mais cerca de 70 euros em seguros só ao banco, mas ainda sou obrigado a ter um seguro extra por ter a casa arrendada. Ou seja a casa de 160 mil euros custaria me facilmente 700€ por mês.

    Agora vamos arrendar a casa para eu ganhar dinheiro ou pelo menos cobrir os custos mensais tenho de ter entrada de 700€ liquido o problema é que o estado leva 28% ou seja a renda tinha de ser 900€ só para não perder dinheiro.

    Sendo que ainda teria de pagar cerca de 600€ em IMI e cerca de 10% de uma renda por cada vez que fizer novo contracto. Não pagaria AIMI pois não tenho um património assim tão grande.

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    Entre isto tudo ainda teria os riscos do costume possíveis acidentes e estragos, manutenção subida da euribor acima do valor atual onde por exemplo a 7% eu em vez de pagar 617 euros pagaria 931€ (eu teria de arranjar mais 300€ por mês do ar para pagar o imóvel que nem habito) e teria de pagar ao banco a prestação quer a casa tivesse ou não arrendada esse mês.

    E finalmente a cereja em cima do bolo se a pessoa a quem aluguei a casa fizesse 65 anos na casa e fosse de “rendimentos baixos” eu não poderia “não renovar” o contracto ou seja arriscava me a pagar uma casa para os mais pais que eles se calhar nunca iriam viver nela dependendo da longevidade da pessoa.

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    E para quem achar que construir casas que não sejam de luxo dá dinheiro porque elas aumentam 7% ao ano, aconselho vos a olhar para o preço das commodities de construção, ferro, cimento, tijolo, madeira de construção, alumínio e tintas. Todos com subidas MUITO acima dos 7% alias o único que não sofreu grande subida foi o vidro que subiu 7% ao ano.

  19. A população está a diminuir, somos o país da Europa com mais casas vazias. Toda a construção que vejo é com preços de 250 mil para cima t1/t2 que depois ou fica vazia ou é para os turistas.

    Em 2019 Lisboa recebeu perto de 5 milhões de turistas, Barcelona recebeu pouco mais de 20 milhões de turistas. Adivinhem lá em qual das cidades existe mais AL?

  20. Então um dos problemas é falta de construção é? Como pensam resolver o problema se o que é construído é tudo classe de luxo? Que nem 50% da população tem capacidade para adquirir.

  21. Por muito que custe a malta liberal, este problena não é europeu é global. Há dois casos de estudo que a meu ver são dignos de se dar uma vista de olhos: Singapura (habitação construída por empresa estatal) e Viena (habitação detida pelo Estado e arrendada aos habitantes – limitada a quem não seja ‘da cidade’). Para mim é óbvio que o problema está do lado da oferta, principalmente na falta da oferta oriunda do Estado. Só quando percebermos que a habitação é mais prioritária que as auto estradas e que é pagando a fundo perdido (como fazemos quando é para TAPs, Novos Bancos e concessionárias) que vamos resolver o problema. É preciso construir a ter prejuízo (coisa que só o estado pode fazer) para tornar este direito uma realidade para os portugueses.

  22. A construção voltou desde 2015 na zona de Lisboa. Por exemplo, a Alta de Lisboa, o Infatado, na Amadora a Atalaia na Reboleira e Neudel na Damaia estão quase concluídos assim como as urbanizações junto a Queluz no seu centro… Ou seja, a construção voltou mas pode é ainda ser pouco.

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