*Na convenção de Lisboa, fações dos liberais entraram em guerra aberta. Foram horas de acusações, discussão virada para dentro e até insultos. Carla Castro foi mais aplaudida mas barómetro pode enganar.*
Estava quase na hora de jantar quando Tiago Mayan Gonçalves, que foi candidato à Presidência da República e é agora apoiante de Carla Castro, subiu ao palco da convenção da Iniciativa Liberal para discursar. Virou-se para trás e, enquanto fazia agradecimentos, dirigiu-se ao líder cessante do partido, João Cotrim Figueiredo. Os microfones apanharam a resposta sarcástica de Cotrim: “[Agradece] ao Comité Central”. Ficava registado o episódio de fricção entre duas fações em confronto — um dos muitos que mostraram este sábado a tensão que se vive no partido, com fraturas expostas que deixam antever um day after difícil para quem tomar as rédeas a partir deste domingo.
A farpa de Cotrim surgia no seguimento de mais um caso de campanha — Mayan comparou, em entrevista ao Observador, o “paradigma” de liderança de Cotrim ao dos partidos comunistas — e ilustra uma das maiores razões de embate entre os principais adversários: se a lista de Rui Rocha, apoiado por Cotrim, é a solução de continuidade, a equipa de Carla Castro promete trazer rutura e romper com práticas que diz serem muito centralizadas e até “autocráticas” no partido (promessas semelhantes às que também faz o candidato menos conhecido, José Cardoso).
Já na reta final da noite, os candidatos acabariam a protagonizar, eles próprios, uma situação caricata: uma espécie de momento de declarações finais em que se foram sucedendo, várias vezes, em palco, para acrescentar os derradeiros apelos ao voto, com os respetivos apoiantes a fazerem uma espécie de concurso de aplausos no final de cada intervenção.
Foram instantes frenéticos: num espaço de breves minutos, Rui Rocha lamentou as referências a assuntos internos que dominaram a convenção, Carla Castro criticou quem faz “discursos agressivos”, Rui Rocha acabou a responder que os adversários “não sabem como funciona o partido” (e a ser apupado). Pelo meio, José Cardoso criticou ambos sem fazer distinção e o número dois de Carla Castro, Paulo Carmona, rematou o assunto, dirigindo-se à linha oficial do partido: “Aqui não há carneiradas” (mais apupos).
Mas houve aplausos também. No palco do centro de congressos de Lisboa, a tese de Carla Castro pareceu para já vingar — pelo menos, tendo em conta o medidor amador que se usa habitualmente nos congressos políticos: a quantidade de palmas que cada candidato recebe.
No palco, a discursar contra “barões e caciques” ou contra sucessões dinásticas, Carla Castro entusiasmou claramente os colegas de partido e ouviu fortes aplausos — mais do que Rui Rocha, que reconheceu erros no percurso de gestão interna da direção cessante (de que ambos fizeram parte) mas prometeu resolvê-los.
No entanto, e por muito que ambos os lados tenham pontuado os discursos com promessas de uma união que parece longínqua, quase todo o resto do tempo foi passado ao ataque, com o partido dividido em trincheiras e lavagens de “roupa suja”.
Discussões quase sempre sobre o partido e quase nunca sobre o país; acusações sobre ligações familiares e distribuição de cargos; críticas aos “paus mandados” que seguem a linha da continuidade (palavra de Carla Castro) ou aos “ignorantes” que querem romper com ela (Bruno Horta Soares dixit); ouviu-se de tudo um pouco no palco do centro de congressos, incluindo apupos, com os eventuais planos para fazer oposição ou para mudar o país a ficarem para segundo plano.
Nestas contas entra também José Cardoso, o candidato menos conhecido e menos premiado pelo palmómetro do congresso, mas que se apresentou como uma espécie de terceira via e também não se conteve nos ataques aos colegas de partido que, disse, fizeram uma campanha com “sangue” e passaram a assemelhar-se a “arroz de cabidela” — ou aos partidos tradicionais de que a IL tanto quer distanciar-se.
As infindáveis trocas de acusações acabariam por nem sequer se cingir só ao palco da convenção: aos microfones do Observador, os candidatos e apoiantes de uma fação ou outra continuariam os ajustes de contas, acusando-se de falta de honestidade e “hombridade” e falando num processo de sucessão “inquinado” desde o início.
Contas feitas, a IL mostrou-se partida, intervenção após intervenção, entrevista após entrevista, e com muitas feridas por sarar. E Carla Castro pareceu sair vencedora no medidor dos aplausos — mas, com uma convenção em que parte dos participantes está online e não no espaço físico do congresso, a contagem de apoios tem uma dificuldade redobrada.
**Roupa suja, caridade e “delírios”**
Na verdade, o confronto de fações começou mesmo antes do início da ordem de trabalhos propriamente dita: ainda os participantes discutiam pontos prévios, como a proposta (chumbada) de uma segunda volta na eleição, e no palco já se ouviam críticas ao “lavar de roupa suja” e aos dois minutos (mais tarde, reduzidos para metade) que cada participante tinha para discursar, um “ato de caridade inferior aos 125 euros do PS” e uma proposta “incendiária”, nas palavras de Valter Neves Ferreira.
O ambiente não melhorou. Aliás, só piorou. À despedida, Cotrim Figueiredo ainda falou do país, deixando críticas ao PS de Fernando Medina e Pedro Nuno Santos e prometendo uma oposição que irritará António Costa; mas no final dirigir-se ia aos críticos para rebater, uma por uma, as acusações “injustas” que ouviu durante a campanha.
Respondeu a Mayan, por causa da farpa do Comité Central, uma acusação que considerou um “delírio”; a Carla Castro, que sugeriu que a sua liderança foi autocrática, insinuando que a candidata se move por “objetivos pessoais”; e a todos os que consideraram o seu consulado “centralizador” e internamente pouco democrático, rebatendo as afirmações e reconhecendo com “humildade” que também cometeu erros — mas que repetiria o percurso que fez até aqui.
Ao Observador, foi ainda mais longe: Cotrim acabou por concretizar mais as críticas à adversária principal, confessando que lhe apeteceu “perguntar quando é que começou a achar que eu tinha uma gestão autocrática”: “Devia ter tido a hombridade de me dizer o que pensava. Não gostei”. Para Mayan, outra crítica sobre a frase do Comité Central: “Já que está à minha frente que diga o mesmo”.
A IL atingiu o seu ponto de crescimento máximo. Não vai passar disto.
Existe também este outro artigo que também vale a pena partilhar
*Há prémios para todos os gostos: dos adversários que se comportaram como concorrentes do Big Brother às receitas de arroz de cabidela, passando pelos barões e baronetes em potência.*
Os liberais gostam de dizer que se sentam aos ombros de “gigantes como Smith, Locke ou Mill”. Mas, durante os dois dias que durou a VII Convenção da Iniciativa Liberal, não se pode dizer que as grandes inspirações do partido tenham entrado no Centro de Congressos de Lisboa. Em contrapartida, não faltaram carneiros, um coronel, arroz de cabidela e muita, muita lavagem de roupa suja.
**Prémio “Montagem Sonora”: A Carneirada**
Quem costuma participar em congressos partidários sabe que não basta aplaudir e agitar as bandeiras para garantir um apoio robusto: os partidos usam técnicas como distribuir os militantes por pontos estratégicos para aproveitar a acústica das salas e garantir um efeito sonoro impressionante, criando uma dinâmica favorável ao candidato preferido. Neste caso, o facto de parte dos membros participar online dificulta a medição do palmómetro.
Ainda assim, se Carla Castro foi claramente mais aplaudida no sábado, quando fez o seu discurso, ao final da noite os dois principais candidatos decidiram entrar num despique caricato – com os apoiantes dos dois focados em garantir que cada um deles saía a ganhar no campeonato das palmas e dos gritos.
Durante alguns minutos, fizeram turnos no palco para fazerem apelos finais ao voto, com Rocha a acusar os adversários de não perceberem como funciona o partido (e a acumular, assim, alguns apupos) e Paulo Carmona, número dois de Castro, a rematar garantindo que do seu lado “não há carneirada”. Com os apoiantes divididos, os aplausos foram servindo para definir o tamanho das duas trincheiras, cada vez mais distantes.
**Prémio “Big Brother”: Cotrim, Mayan e Carla Castro**
No Big Brother, os concorrentes costumam garantir que são frontais, diretos, e dizem toda a verdade, por muito que doa aos adversários; e as conversas na IL – que chegaram, nalguns casos, a incluir insultos lançados no púlpito – não foram muito diferentes. E como a Convenção se prolongou muito para lá do tempo previsto — a determinada altura, os membros estavam literalmente impedidos de sair do pavilhão –, a experiência não foi muito diferente da de um reality show.
Nestas coisas, o exemplo costuma vir de cima. E Cotrim Figueiredo esteve à altura. O agora antigo líder do partido desafiou Mayan Gonçalves a dizer-lhe na cara as críticas que fez aos microfones do Observador (comparou o funcionamento da direção cessante à de um comité central). Na TSF, minutos depois, aumentava o tom: “Mayan devia ser homenzinho”. A determinada altura, tornou-se difícil distinguir se era uma discussão entre concorrentes do Big Brother ou entre colegas de partido.
E nem ficou por aqui. A Carla Castro, Cotrim Figueiredo deixou um desafio do género: “Não teve hombridade de me dizer o que pensava na cara. Fiquei desagradado. Não gostei”, sublinhou.
Apesar de tudo, não se pode dizer que o nível de argumentação tenha sido exclusivo de uma das partes. “Um bom ex-líder é um ex-líder calado”, devolveu Miguel Ferreira da Silva, também ele antigo presidente da Iniciativa Liberal. É o que dá conviver 24 sobre 24.
**Prémio “Pires de Lima”: Rui Rocha**
Será difícil para quem assistiu ao congresso que começou a traçar o destino do CDS – o congresso de Aveiro, que elegeu Francisco Rodrigues dos Santos, em 2020 – não fazer comparações com o que se passou este fim de semana em Lisboa.
Na altura, houve críticas ao poder instalado, que no CDS era representado pelos ‘portistas’ e aqui pela direção de Cotrim, que apoia Rui Rocha; houve farpas aos “barões e caciques” da linha oficial do partido; e houve quem apontasse que os críticos não passam de uma agregação de “ressentidos” – a mesma tese que os portistas defendiam no CDS.
O fim da história que começou em Aveiro é conhecido: Rodrigues dos Santos liderou a revolta das bases e ganhou, mas o CDS saiu do congresso partido ao meio – e embrenhou-se em guerras internas infindáveis até acabar por sair do Parlamento.
Na IL, a candidata que dizia representar as bases não saiu vencedora, mas houve momentos de verdadeiro déjà vu: o momento em que Bruno Horta Soares subiu ao palco para criticar a “ignorância atrevida” dos críticos da direção, lembrando o mérito que teve quem participou na construção do partido desde a primeira hora, foi dos primeiros que mereceram apupos sérios dos críticos da linha oficial.
No CDS, isso aconteceu ao histórico António Pires de Lima, que aconselhou a Rodrigues dos Santos que “apurasse a sua cultura democrática” e chamou “tribo” aos seus apoiantes. Os apupos que ouviu confirmaram aos portistas a sensação com que tinham entrado no congresso: tinham perdido o partido. No caso da IL, a linha oficial continua no poder — mas num partido mais dividido do que nunca.
Eu juro que nunca vi uma convenção partidária ter tido tanta atenção neste país como esta em específico teve.
Não estou a dizer que a IL é um grupo de santos sem defeitos, mas há muita gente interessada em deslegitimizar o partido aproveitando-se da maior transparência no que diz respeito aos seus problemas internos.
Trazem as más práticas das empresas onde trabalham em Oeiras e no Saldanha.
Bots da IL assemble!
Percebo que seja difícil para um partido novo e que luta pela liberdade individual deixar de dar voz a qualquer militante, mas tal como noutros partidos, há muito lixo que tem de ser filtrado, sob pena de as convenções se tornarem repositórios de memes. A IL é fundamental para ocupar o espaço deixado vago pelo CDS e ser o partido esclarecido e decidido que o PSD não consegue (nem quer) ser. Se vai haver alternativa em Portugal ao PS, a IL tem que fazer parte disso. Se as futuras convenções forem mais deste circo, há muito eleitorado que vai fugir. Os cromos que berram para dar nas vistas não podem ter palco.
A maquinaria de jornalixo a tentar varrer para debaixo do tapete os sucessivos escândalos políticos do PS ao tentar apontar o telescópio a outro partido…onde é que eu já vi esta tática?
Não me admirava que alguns dos descontentes saiam do partido e criem outro mais conservador ou saltem para o chega ou cds. Talvez assim até seria melhor. A ideia que a IL tem de aglomerar todos os liberais é uma treta. Está visto que nunca vai funcionar e vão ter sempre o partido dividido. Na Holanda há uns quantos partidos liberais, talvez aqui seja preciso o mesmo.
Não há famílias em que não existam desacordos… a bem da nação.
Só para avisar aqui aos bots da IL que liberdade de expressão não é insultar uns aos outros e sair ileso. A palavra “liberdade” perdeu sentido e tornou-se “eu fico amuado se não puder fazer o que me interessa mais!!!”
Alguém me consegue resumir sucintamente que facções se tratam, o que defendem, e o que é feito dos infiltrados do CDS?
Não é hate, é pergunta genuína.
Podem meter uma câmara nas sedes a IL e transmitir à la Big Brother??? Não digam à Cristina para rla não me roubar a ideia.
Metam legendas porque o sotaque da Lapa pode ser forte
Memeativa liberal a memear liberalmente
Estes tópicos são mais movimentados no sub do que aqueles que têm clara corrupção apresentada cometida pelo PS (Partido Socialista), desculpem-me, mas anda aqui muita malta a mamar em tachos.
É o que é, agora esperar que o Contrim apresente a sua candidatura ao parlamento europeu
É impressionante ver malta debitar tanta palavra no reddit
17 comments
O artigo em questão
*Na convenção de Lisboa, fações dos liberais entraram em guerra aberta. Foram horas de acusações, discussão virada para dentro e até insultos. Carla Castro foi mais aplaudida mas barómetro pode enganar.*
Estava quase na hora de jantar quando Tiago Mayan Gonçalves, que foi candidato à Presidência da República e é agora apoiante de Carla Castro, subiu ao palco da convenção da Iniciativa Liberal para discursar. Virou-se para trás e, enquanto fazia agradecimentos, dirigiu-se ao líder cessante do partido, João Cotrim Figueiredo. Os microfones apanharam a resposta sarcástica de Cotrim: “[Agradece] ao Comité Central”. Ficava registado o episódio de fricção entre duas fações em confronto — um dos muitos que mostraram este sábado a tensão que se vive no partido, com fraturas expostas que deixam antever um day after difícil para quem tomar as rédeas a partir deste domingo.
A farpa de Cotrim surgia no seguimento de mais um caso de campanha — Mayan comparou, em entrevista ao Observador, o “paradigma” de liderança de Cotrim ao dos partidos comunistas — e ilustra uma das maiores razões de embate entre os principais adversários: se a lista de Rui Rocha, apoiado por Cotrim, é a solução de continuidade, a equipa de Carla Castro promete trazer rutura e romper com práticas que diz serem muito centralizadas e até “autocráticas” no partido (promessas semelhantes às que também faz o candidato menos conhecido, José Cardoso).
Já na reta final da noite, os candidatos acabariam a protagonizar, eles próprios, uma situação caricata: uma espécie de momento de declarações finais em que se foram sucedendo, várias vezes, em palco, para acrescentar os derradeiros apelos ao voto, com os respetivos apoiantes a fazerem uma espécie de concurso de aplausos no final de cada intervenção.
Foram instantes frenéticos: num espaço de breves minutos, Rui Rocha lamentou as referências a assuntos internos que dominaram a convenção, Carla Castro criticou quem faz “discursos agressivos”, Rui Rocha acabou a responder que os adversários “não sabem como funciona o partido” (e a ser apupado). Pelo meio, José Cardoso criticou ambos sem fazer distinção e o número dois de Carla Castro, Paulo Carmona, rematou o assunto, dirigindo-se à linha oficial do partido: “Aqui não há carneiradas” (mais apupos).
Mas houve aplausos também. No palco do centro de congressos de Lisboa, a tese de Carla Castro pareceu para já vingar — pelo menos, tendo em conta o medidor amador que se usa habitualmente nos congressos políticos: a quantidade de palmas que cada candidato recebe.
No palco, a discursar contra “barões e caciques” ou contra sucessões dinásticas, Carla Castro entusiasmou claramente os colegas de partido e ouviu fortes aplausos — mais do que Rui Rocha, que reconheceu erros no percurso de gestão interna da direção cessante (de que ambos fizeram parte) mas prometeu resolvê-los.
No entanto, e por muito que ambos os lados tenham pontuado os discursos com promessas de uma união que parece longínqua, quase todo o resto do tempo foi passado ao ataque, com o partido dividido em trincheiras e lavagens de “roupa suja”.
Discussões quase sempre sobre o partido e quase nunca sobre o país; acusações sobre ligações familiares e distribuição de cargos; críticas aos “paus mandados” que seguem a linha da continuidade (palavra de Carla Castro) ou aos “ignorantes” que querem romper com ela (Bruno Horta Soares dixit); ouviu-se de tudo um pouco no palco do centro de congressos, incluindo apupos, com os eventuais planos para fazer oposição ou para mudar o país a ficarem para segundo plano.
Nestas contas entra também José Cardoso, o candidato menos conhecido e menos premiado pelo palmómetro do congresso, mas que se apresentou como uma espécie de terceira via e também não se conteve nos ataques aos colegas de partido que, disse, fizeram uma campanha com “sangue” e passaram a assemelhar-se a “arroz de cabidela” — ou aos partidos tradicionais de que a IL tanto quer distanciar-se.
As infindáveis trocas de acusações acabariam por nem sequer se cingir só ao palco da convenção: aos microfones do Observador, os candidatos e apoiantes de uma fação ou outra continuariam os ajustes de contas, acusando-se de falta de honestidade e “hombridade” e falando num processo de sucessão “inquinado” desde o início.
Contas feitas, a IL mostrou-se partida, intervenção após intervenção, entrevista após entrevista, e com muitas feridas por sarar. E Carla Castro pareceu sair vencedora no medidor dos aplausos — mas, com uma convenção em que parte dos participantes está online e não no espaço físico do congresso, a contagem de apoios tem uma dificuldade redobrada.
**Roupa suja, caridade e “delírios”**
Na verdade, o confronto de fações começou mesmo antes do início da ordem de trabalhos propriamente dita: ainda os participantes discutiam pontos prévios, como a proposta (chumbada) de uma segunda volta na eleição, e no palco já se ouviam críticas ao “lavar de roupa suja” e aos dois minutos (mais tarde, reduzidos para metade) que cada participante tinha para discursar, um “ato de caridade inferior aos 125 euros do PS” e uma proposta “incendiária”, nas palavras de Valter Neves Ferreira.
O ambiente não melhorou. Aliás, só piorou. À despedida, Cotrim Figueiredo ainda falou do país, deixando críticas ao PS de Fernando Medina e Pedro Nuno Santos e prometendo uma oposição que irritará António Costa; mas no final dirigir-se ia aos críticos para rebater, uma por uma, as acusações “injustas” que ouviu durante a campanha.
Respondeu a Mayan, por causa da farpa do Comité Central, uma acusação que considerou um “delírio”; a Carla Castro, que sugeriu que a sua liderança foi autocrática, insinuando que a candidata se move por “objetivos pessoais”; e a todos os que consideraram o seu consulado “centralizador” e internamente pouco democrático, rebatendo as afirmações e reconhecendo com “humildade” que também cometeu erros — mas que repetiria o percurso que fez até aqui.
Ao Observador, foi ainda mais longe: Cotrim acabou por concretizar mais as críticas à adversária principal, confessando que lhe apeteceu “perguntar quando é que começou a achar que eu tinha uma gestão autocrática”: “Devia ter tido a hombridade de me dizer o que pensava. Não gostei”. Para Mayan, outra crítica sobre a frase do Comité Central: “Já que está à minha frente que diga o mesmo”.
A IL atingiu o seu ponto de crescimento máximo. Não vai passar disto.
Existe também este outro artigo que também vale a pena partilhar
[Os oito globos liberais da convenção (da IL). Há estrela Michelin, Big Brother e 5àsec](https://observador.pt/especiais/os-oito-globos-liberais-da-convencao-ha-estrela-michelin-big-brother-e-5asec)
*Há prémios para todos os gostos: dos adversários que se comportaram como concorrentes do Big Brother às receitas de arroz de cabidela, passando pelos barões e baronetes em potência.*
Os liberais gostam de dizer que se sentam aos ombros de “gigantes como Smith, Locke ou Mill”. Mas, durante os dois dias que durou a VII Convenção da Iniciativa Liberal, não se pode dizer que as grandes inspirações do partido tenham entrado no Centro de Congressos de Lisboa. Em contrapartida, não faltaram carneiros, um coronel, arroz de cabidela e muita, muita lavagem de roupa suja.
**Prémio “Montagem Sonora”: A Carneirada**
Quem costuma participar em congressos partidários sabe que não basta aplaudir e agitar as bandeiras para garantir um apoio robusto: os partidos usam técnicas como distribuir os militantes por pontos estratégicos para aproveitar a acústica das salas e garantir um efeito sonoro impressionante, criando uma dinâmica favorável ao candidato preferido. Neste caso, o facto de parte dos membros participar online dificulta a medição do palmómetro.
Ainda assim, se Carla Castro foi claramente mais aplaudida no sábado, quando fez o seu discurso, ao final da noite os dois principais candidatos decidiram entrar num despique caricato – com os apoiantes dos dois focados em garantir que cada um deles saía a ganhar no campeonato das palmas e dos gritos.
Durante alguns minutos, fizeram turnos no palco para fazerem apelos finais ao voto, com Rocha a acusar os adversários de não perceberem como funciona o partido (e a acumular, assim, alguns apupos) e Paulo Carmona, número dois de Castro, a rematar garantindo que do seu lado “não há carneirada”. Com os apoiantes divididos, os aplausos foram servindo para definir o tamanho das duas trincheiras, cada vez mais distantes.
**Prémio “Big Brother”: Cotrim, Mayan e Carla Castro**
No Big Brother, os concorrentes costumam garantir que são frontais, diretos, e dizem toda a verdade, por muito que doa aos adversários; e as conversas na IL – que chegaram, nalguns casos, a incluir insultos lançados no púlpito – não foram muito diferentes. E como a Convenção se prolongou muito para lá do tempo previsto — a determinada altura, os membros estavam literalmente impedidos de sair do pavilhão –, a experiência não foi muito diferente da de um reality show.
Nestas coisas, o exemplo costuma vir de cima. E Cotrim Figueiredo esteve à altura. O agora antigo líder do partido desafiou Mayan Gonçalves a dizer-lhe na cara as críticas que fez aos microfones do Observador (comparou o funcionamento da direção cessante à de um comité central). Na TSF, minutos depois, aumentava o tom: “Mayan devia ser homenzinho”. A determinada altura, tornou-se difícil distinguir se era uma discussão entre concorrentes do Big Brother ou entre colegas de partido.
E nem ficou por aqui. A Carla Castro, Cotrim Figueiredo deixou um desafio do género: “Não teve hombridade de me dizer o que pensava na cara. Fiquei desagradado. Não gostei”, sublinhou.
Apesar de tudo, não se pode dizer que o nível de argumentação tenha sido exclusivo de uma das partes. “Um bom ex-líder é um ex-líder calado”, devolveu Miguel Ferreira da Silva, também ele antigo presidente da Iniciativa Liberal. É o que dá conviver 24 sobre 24.
**Prémio “Pires de Lima”: Rui Rocha**
Será difícil para quem assistiu ao congresso que começou a traçar o destino do CDS – o congresso de Aveiro, que elegeu Francisco Rodrigues dos Santos, em 2020 – não fazer comparações com o que se passou este fim de semana em Lisboa.
Na altura, houve críticas ao poder instalado, que no CDS era representado pelos ‘portistas’ e aqui pela direção de Cotrim, que apoia Rui Rocha; houve farpas aos “barões e caciques” da linha oficial do partido; e houve quem apontasse que os críticos não passam de uma agregação de “ressentidos” – a mesma tese que os portistas defendiam no CDS.
O fim da história que começou em Aveiro é conhecido: Rodrigues dos Santos liderou a revolta das bases e ganhou, mas o CDS saiu do congresso partido ao meio – e embrenhou-se em guerras internas infindáveis até acabar por sair do Parlamento.
Na IL, a candidata que dizia representar as bases não saiu vencedora, mas houve momentos de verdadeiro déjà vu: o momento em que Bruno Horta Soares subiu ao palco para criticar a “ignorância atrevida” dos críticos da direção, lembrando o mérito que teve quem participou na construção do partido desde a primeira hora, foi dos primeiros que mereceram apupos sérios dos críticos da linha oficial.
No CDS, isso aconteceu ao histórico António Pires de Lima, que aconselhou a Rodrigues dos Santos que “apurasse a sua cultura democrática” e chamou “tribo” aos seus apoiantes. Os apupos que ouviu confirmaram aos portistas a sensação com que tinham entrado no congresso: tinham perdido o partido. No caso da IL, a linha oficial continua no poder — mas num partido mais dividido do que nunca.
Eu juro que nunca vi uma convenção partidária ter tido tanta atenção neste país como esta em específico teve.
Não estou a dizer que a IL é um grupo de santos sem defeitos, mas há muita gente interessada em deslegitimizar o partido aproveitando-se da maior transparência no que diz respeito aos seus problemas internos.
Trazem as más práticas das empresas onde trabalham em Oeiras e no Saldanha.
Bots da IL assemble!
Percebo que seja difícil para um partido novo e que luta pela liberdade individual deixar de dar voz a qualquer militante, mas tal como noutros partidos, há muito lixo que tem de ser filtrado, sob pena de as convenções se tornarem repositórios de memes. A IL é fundamental para ocupar o espaço deixado vago pelo CDS e ser o partido esclarecido e decidido que o PSD não consegue (nem quer) ser. Se vai haver alternativa em Portugal ao PS, a IL tem que fazer parte disso. Se as futuras convenções forem mais deste circo, há muito eleitorado que vai fugir. Os cromos que berram para dar nas vistas não podem ter palco.
A maquinaria de jornalixo a tentar varrer para debaixo do tapete os sucessivos escândalos políticos do PS ao tentar apontar o telescópio a outro partido…onde é que eu já vi esta tática?
Não me admirava que alguns dos descontentes saiam do partido e criem outro mais conservador ou saltem para o chega ou cds. Talvez assim até seria melhor. A ideia que a IL tem de aglomerar todos os liberais é uma treta. Está visto que nunca vai funcionar e vão ter sempre o partido dividido. Na Holanda há uns quantos partidos liberais, talvez aqui seja preciso o mesmo.
Não há famílias em que não existam desacordos… a bem da nação.
Só para avisar aqui aos bots da IL que liberdade de expressão não é insultar uns aos outros e sair ileso. A palavra “liberdade” perdeu sentido e tornou-se “eu fico amuado se não puder fazer o que me interessa mais!!!”
Alguém me consegue resumir sucintamente que facções se tratam, o que defendem, e o que é feito dos infiltrados do CDS?
Não é hate, é pergunta genuína.
Podem meter uma câmara nas sedes a IL e transmitir à la Big Brother??? Não digam à Cristina para rla não me roubar a ideia.
Metam legendas porque o sotaque da Lapa pode ser forte
Memeativa liberal a memear liberalmente
Estes tópicos são mais movimentados no sub do que aqueles que têm clara corrupção apresentada cometida pelo PS (Partido Socialista), desculpem-me, mas anda aqui muita malta a mamar em tachos.
É o que é, agora esperar que o Contrim apresente a sua candidatura ao parlamento europeu
É impressionante ver malta debitar tanta palavra no reddit