Iniciativa Liberal. 5 opiniões rápidas sobre a Convenção da divisão

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  1. Alexandre Homem Cristo, André Azevedo Alves, Raquel Abecasis, Miguel Pinheiro e Miguel Santos Carrapatoso escrevem sobre o fim de semana em que a IL mostrou que está dividida

    1. **Alexandre Homem Cristo. A IL é um partido como os outros**

    Os congressos partidários são momentos nobres de atenção mediática e, por isso, uma oportunidade para um partido se apresentar a quem não o conhece por dentro, criando uma dinâmica de afirmação no seu espaço político — com novas propostas, com novas caras, com nova energia. A Iniciativa Liberal (IL) desperdiçou estrondosamente essa oportunidade. Pior: durante este fim-de-semana, a IL estilhaçou a boa imagem que tantos lhe atribuíam — a de um partido fresco, inovador e baseado em ideias. A IL que vimos na Convenção está fraturada, alimenta-se de ressentimentos pessoais, argumenta através de ataques pessoais e pouco ou nada se importa com ideias para o país — só a candidatura de Rui Rocha tinha uma visão para fora. Não é possível que alguém desinteressado das lutas internas do partido se tenha entusiasmado minimamente com a Convenção.

    A luta na lama tem uma razão de ser: o poder é o afrodisíaco da vida partidária. Ora, a IL de Carlos Guimarães Pinto nasceu de um certo romantismo ideológico, mas cresceu rápido com Cotrim Figueiredo e, subitamente, assentou nos cálculos eleitorais como partido de poder, quando agora se prevê que os seus votos sejam imprescindíveis para uma maioria alternativa ao PS. A idade da inocência e do partido que parecia uma start-up acabou — a IL entrou na idade adulta. Não é só um problema de estrutura (como tanto discutiram os candidatos), mas de mudança de ambições. A partir desta Convenção, morreram as ilusões dos que viam na IL um partido diferenciado: é mesmo um partido como todos os outros — destinado ao poder e com facções internas a digladiar-se entre si para aceder a posições de decisão política.

    O fim dessa ingenuidade não é forçosamente um aspecto negativo, mas tem consequências para a nova liderança de Rui Rocha. A primeira é que, a partir de agora, haverá oficialmente uma oposição interna e organizada à liderança da IL. Por mais apelos à união que se ouçam, é pouco provável que a IL volte a ser um partido coeso como havia sido (aparentemente) até à demissão de Cotrim Figueiredo. A segunda é que, num partido que procura o poder (“liderar a oposição” e “romper com o bipartidarismo”), será necessário dar maior consistência política às propostas da IL, que não raramente dispararam em todas as direcções (inevitável num programa eleitoral com 600 páginas) — e muito pouco se trabalhou nesse sentido na Convenção. A terceira é que, objectivamente, a IL ainda não tem uma estrutura partidária pronta para ser eficaz em tantas frentes e, com os holofotes apontados a essas insuficiências, o desafio organizacional é muito grande para os próximos dois anos.

    Por tudo isto, dizer que a vitória de Rui Rocha corresponde à vitória da continuidade na IL é cair num engano: entre os liberais, nada será como dantes. A IL sai desta Convenção entre dois cenários: o da ambição de crescer sustentada numa equipa que deu provas, e o de risco da fragmentação interna. Na linha ténue que separará estes dois cenários, o desafio de Rui Rocha será encontrar um equilíbrio: a IL só crescerá se aprender a conviver bem com esta nova fase da sua vida adulta.

    **André Azevedo Alves. IL aposta na continuidade**

    Com o apoio do líder cessante, João Cotrim Figueiredo, da maioria do grupo parlamentar e de quase todo o núcleo duro da estrutura do partido, a vitória de Rui Rocha representa uma aposta na continuidade por parte dos membros da IL. Isto numa convenção que ficou marcada logo na abertura pelo discurso bem medido de João Cotrim Figueiredo, conjugando uma mensagem de oposição e alternativa ao socialismo virada para o exterior com alguns apontamentos assertivos na resposta aos críticos internos.

    Mas importa assinalar que o resultado alcançado pela candidatura liderada por Carla Castro e Paulo Carmona é significativo. A lógica de uma candidata underdog a liderar uma coligação (ainda que ideologicamente muito inconsistente) de descontentes acabou por mobilizar uma parte relevante das bases do partido. Obter 44% contra a solução de continuidade num jovem partido vindo de um forte sucesso eleitoral é um feito assinalável e que deve fazer reflectir Rui Rocha e quem o acompanha, nomeadamente do ponto de vista da reorganização e robustecimento interno do partido.

    Uma vez concluída a necessária clarificação interna, importa conseguir unir o partido, uma tarefa que não será fácil depois de uma campanha interna que nem sempre decorreu com a elevação desejável. De facto, ainda que o impacto externo directo dos ataques internos seja reduzido (poucos eleitores seguem a vida interna dos partidos), há feridas abertas que provavelmente terão alguns efeitos a prazo. Mais do que diferenças ideológicas, a campanha revelou em muitos casos um clima de hostilidade aberta entre as candidaturas que dificilmente não terá consequências pelo atrito e erosão provocados nas relações pessoais. A capacidade de encaixe e reconciliação é fundamental em política mas é bastante provável, por exemplo, que a relação de confiança entre Carla Castro e o resto da bancada parlamentar tenha sofrido danos significativos, com os quais será necessário lidar.

    Além do desafio de conseguir a união do partido, Rui Rocha terá agora pela frente mais duas tarefas prioritárias: ganhar notoriedade junto do eleitorado e preparar o caminho para os próximos actos eleitorais, com destaque para o desafio das eleições europeias, nas quais o ex-líder João Cotrim Figueiredo poderá ser uma opção (mas não a única) a considerar.

    Uma nota final para o deputado Bernardo Blanco, que protagonizou uma notável intervenção na convenção, ao nível aliás das excelentes intervenções que tem tido também na Assembleia da República. Pela sua juventude, Blanco não será (ainda) uma opção para a liderança da IL, mas deixou mais uma vez indícios de ter um potencial sem paralelo no partido. Se a IL tiver futuro, esse futuro deverá passar necessariamente a médio prazo por Bernardo Blanco.

    **Raquel Abecasis. As armas e os barões assinalados**

    Pode ser que amanhã a Iniciativa Liberal consiga voltar ao caminho interrompido e atropelado há dois meses. Pode ser que sim. Mas os últimos meses não foram bons e os últimos dois dias foram péssimos.

    Rui Rocha diz que quer que o partido chegue aos 15%, bem acima dos dois dígitos que Paulo Portas andou anos a reclamar até conseguir. Para o conseguir Rui Rocha tem que fazer muito, mesmo muito, para fazer o país esquecer o poço fundo em que inexplicavelmente o partido se deixou cair este fim de semana.

    A pergunta que fica no ar é: como é que um partido que surgiu no panorama político português como uma lufada de ar fresco, criativo e moderno, faz uma Convenção a fazer lembrar o pior dos partidos velhinhos e alguns já em vias de extinção?

    Não era isto que os portugueses esperavam ver na Iniciativa Liberal. A mesma Iniciativa Liberal que em pouco tempo, e por ter chegado com novas ideias e novos métodos, conseguiu conquistar o voto mais ambicionado: o voto jovem.

    A partir de amanhã veremos se Rui Rocha conseguirá fazer o partido recuperar deste gigante tiro no pé que foi a sétima Convenção da Iniciativa Liberal recheada de barões de armas apontadas uns aos outros. Para já a recuperação não fica à vista com o discurso de encerramento de Rui Rocha, sem ideias e sem propostas capazes de mobilizar o eleitorado.

  2. Assim que o passos voltar ao PSD, quando o governo do Costa cair de podre, a IL esvai-se e reduz-se ao deputado único novamente ou perto disso. Fica reduzida aos jovens homens de IT a quem o PSD nada lhes diz.

  3. So vi alguns excertos nas redes sociais e parti o coco a rir. Eu reconheço que algumas pessoas no partido devem ter boas intençoes, mas acaba sempre por parecer um conjunto de gente tola a medir pilinhas de quem é mais liberal.

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