Diz alguém que nunca na puta da vida atingiria algo não fosse a falta de meritocracia…
Isso é sequer motivo de controvérsia? Só alucinados sem noção da complexidade das estruturas sociais e económicas é que podem concordar com algo tão simplista como essa tanga da meritócracia.
>O modelo meritocrático é a ideia de que cada um de nós chega até onde as nossas capacidades o permitem. Vem muito associado à ideia de esforço. E portanto, **como se a origem e o ponto de partida de cada um de nós não fosse muito relevante. Penso que é muito fácil para cada um de nós compreender que os nossos pontos de partida foram muitíssimo relevantes para o que somos, independentemente do esforço.**
Ironicamente, tal é precisamente atestado pelo entrevistado. Quanto do que o JFR é dependerá do “acaso” de ser filho de quem é? O mérito não é tudo e em muitos casos, é a menor das muitas componentes de que depende o sucesso de uma pessoa e o seu rendimento/património.
Tal como o próprio reconhece:
>Acredito piamente que o esforço faz a diferença, mas também não sou cego, e reconheço o privilégio que tive por ter nascido onde nasci, e ser filho de quem sou.
Agora como é que uma coisa que mais do que simples e evidente, é ainda [atestada pela ciencia](https://press.princeton.edu/ideas/a-belief-in-meritocracy-is-not-only-false-its-bad-for-you) continua a escapar a tanta gente é que me é uma incógnita… Ou melhor… não é. Só acredita na pureza da meritócracia quem está em posições de sucesso. Usa este conceito para explicar e justificar a sua propria posição de poder, ignorando todos os outros factores e acasos que a fizeram ser como é. Admitir que não é só o mérito a influenciar o estatuto de uma pessoa seria ela ser levada a confrontar-se com essas outras vertentes menos prestigiantes.
Meritocracia: mais uma disciplina das faculdades atuais. Aprendem coisas que nunca viram, transformam em números coisas e transportam para Excel algo.
E através de uma fórmula básica definem a competência de alguém.
Numa fábrica, por exemplo, quem tem mais mérito: quem produz pouco com qualidade ou muito sem qualidade (produzir muito com muita qualidade não existe, e não estamos a falar de robôs).
No Excel, a meritocracia vai para o que produz muito, para mostrar aos outros que é possível e aplica-se umas “penalidades” ao mesmo indivíduo porque produziu com baixa qualidade, sem alarmes, para não assustar. No fim temos uma fábrica toda destrambelhada, porque apostou na meritocracia e não na motivação do grupo de trabalho.
Em Portugal sim, não existe meritocracia
Fora sim.
Ele tem razão. A solução de todos os males, é como ele aplicou no caso dele: Nascer na família certa.
é difícil dar valor a algo que ele nunca precisou
O odio pela meritocracia e uma das causas do nosso fraco desenvolvimento.
E obvio que o esforço e o merito individual nao sao as unicas coisas que determinam o sucesso de cada um. Mas as sociedades onde se igualam oportunidades a partida, sao consequentemente sociedades mais meritocratas.
O seu papi deve gostar muito dessa ideia.
Cá existem as “cunhas” ou “tachos”.
mas e se for meritocracia de bem???
Bela entrevista de alguém que reconhece e bem as vantagens do ponto de partida em que começou na vida. Parece ter uma posição ideal para apontar o dedo as falhas deste sistema.
A sugestão do uso da contribuição para o bem social, ou da comunidade, como metrica de sucesso pode ser pouco tangível para ser pratica no dia a dia. No entanto o idealista em mim pensa que somente aproximar questões como a remuneração ou mesmo o reconhecimento em sociade dos diferente agentes desta contribuição podem gerar uma sociedade mais justa, que oferece oportunidades a individuos mais diversos de realizarem o seu potencial. Gostei particularmente da sugestão para a habitação, penso que é similar ao modelo austríaco e que do que conheço gerou óptimos dividendos.
As punhetas intelectuais que os inúteis inventam para justificar aquilo que não são… 🤣
Enquanto tivermos a meritocracia sequestrada pelo “papácracia” não nos iremos livrar destas bujardas dos inuteis deste País. Já são 50 anos desta merda.
Assumindo que a meritocracia é uma opção realista, qual seria a solução final para as pessoas que não tivessem mérito? Existe algum ensaio sobre este assunto?
Ui, tive agora uma discussao com uma amiga americana sobre o nosso estilo de vida europeu e o quanto somos controlados pelos governos e que eles tem de lutar por merecer as coisas.
Achar que todos podemos ter sucesso se trabalharmos para isso, e que se nao o temos e’ apenas culpa nossa…
Esta entrevista tem tanta coisa errada, mas vou-me focar só no título.
>“O modelo meritocrático é a ideia de que cada um de nós chega até onde as nossas capacidades o permitem. Vem muito associado à ideia de esforço. E portanto, como se a origem e o ponto de partida de cada um de nós não fosse muito relevante. ”
Isto é um espantalho daqueles, é equivalente a dizer que a sociedade devia rejeitar qualquer tipo de ideias igualitárias porque um pedófilo subsidiodependente não devia ter os mesmos direitos que um trabalhador honesto. Ao longo desta entrevista e conhecendo o background do homem fica logo extremamente claro o motivo da aversão à meritocracia.
Adiante, o modelo meritocrático não é bom por ser perfeito, obviamente que não é e uma pessoa que venha de um meio extremamente desfavorecido terá de trabalhar mais para atingir o mesmo que alguém que tenha pais ricos. A questão é que sem meritocracia ficamos sujeitos à cunha e à corrupção, e é a isto que este senhor deve a sua vida e o seu conforto material. Eu tive de estudar, trabalhar e emigrar para não estar sujeito à humilhação de andar a ganhar menos que um qualquer verme da Juventude Socialista.
A meritocracia é uma mentira? Sim, mas a igualdade também, e a boa educação também é só uma construção social.Se abandonarmos este tipo de “mentiras” só nos resta uma tecnocracia autoritária com um programa de reprodução eugénico, era bom para mim, mas se calhar vocês não iam gostar.
Em tom de brincadeira, tenho para mim que a meritocracia é um conceito criado por quem já está no topo para meter os que estão em baixo mais motivados para dar mais ao litro para produzir mais riqueza para os primeiros. E no fim são retribuídos com um “bom trabalho”. Isto tudo é na mesma onda do jovem dinâmico.
Existe algumas excepções, claro. Podes melhorar a tua vida com o teu trabalho, mas no fim, mesmo que sejas a pessoa mais qualificada para o cargo ou tens todas as habilidades para ser alguém bem sucedido na vida, sem o capital nunca conseguirás abrir o teu negócio, fazer o tal curso ou pagar o tal MBA. Não sejamos hipócritas. Um caso ou outro em 10 mil não serve para confirmar que a meritocracia funciona.
Só nos resta dar condições melhores de partida para todos e é precisamente esse o papel do estado. Remover apoios de quem precisa é tornar a sociedade cada vez mais desigual.
Não há paciência para a veneração da mediocridade sobretudo vindo de alguém pertencente a uma dinastia.
Quem quiser mais perspetivas sobre o assunto recomendo a leitura com excelentes argumentos e dados do livro:
“A Tirania do Mérito,
O que aconteceu ao bem comum?
de Michael J. Sandel”
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Diz alguém que nunca na puta da vida atingiria algo não fosse a falta de meritocracia…
Isso é sequer motivo de controvérsia? Só alucinados sem noção da complexidade das estruturas sociais e económicas é que podem concordar com algo tão simplista como essa tanga da meritócracia.
>O modelo meritocrático é a ideia de que cada um de nós chega até onde as nossas capacidades o permitem. Vem muito associado à ideia de esforço. E portanto, **como se a origem e o ponto de partida de cada um de nós não fosse muito relevante. Penso que é muito fácil para cada um de nós compreender que os nossos pontos de partida foram muitíssimo relevantes para o que somos, independentemente do esforço.**
Ironicamente, tal é precisamente atestado pelo entrevistado. Quanto do que o JFR é dependerá do “acaso” de ser filho de quem é? O mérito não é tudo e em muitos casos, é a menor das muitas componentes de que depende o sucesso de uma pessoa e o seu rendimento/património.
Tal como o próprio reconhece:
>Acredito piamente que o esforço faz a diferença, mas também não sou cego, e reconheço o privilégio que tive por ter nascido onde nasci, e ser filho de quem sou.
Agora como é que uma coisa que mais do que simples e evidente, é ainda [atestada pela ciencia](https://press.princeton.edu/ideas/a-belief-in-meritocracy-is-not-only-false-its-bad-for-you) continua a escapar a tanta gente é que me é uma incógnita… Ou melhor… não é. Só acredita na pureza da meritócracia quem está em posições de sucesso. Usa este conceito para explicar e justificar a sua propria posição de poder, ignorando todos os outros factores e acasos que a fizeram ser como é. Admitir que não é só o mérito a influenciar o estatuto de uma pessoa seria ela ser levada a confrontar-se com essas outras vertentes menos prestigiantes.
Meritocracia: mais uma disciplina das faculdades atuais. Aprendem coisas que nunca viram, transformam em números coisas e transportam para Excel algo.
E através de uma fórmula básica definem a competência de alguém.
Numa fábrica, por exemplo, quem tem mais mérito: quem produz pouco com qualidade ou muito sem qualidade (produzir muito com muita qualidade não existe, e não estamos a falar de robôs).
No Excel, a meritocracia vai para o que produz muito, para mostrar aos outros que é possível e aplica-se umas “penalidades” ao mesmo indivíduo porque produziu com baixa qualidade, sem alarmes, para não assustar. No fim temos uma fábrica toda destrambelhada, porque apostou na meritocracia e não na motivação do grupo de trabalho.
Em Portugal sim, não existe meritocracia
Fora sim.
Ele tem razão. A solução de todos os males, é como ele aplicou no caso dele: Nascer na família certa.
é difícil dar valor a algo que ele nunca precisou
O odio pela meritocracia e uma das causas do nosso fraco desenvolvimento.
E obvio que o esforço e o merito individual nao sao as unicas coisas que determinam o sucesso de cada um. Mas as sociedades onde se igualam oportunidades a partida, sao consequentemente sociedades mais meritocratas.
O seu papi deve gostar muito dessa ideia.
Cá existem as “cunhas” ou “tachos”.
mas e se for meritocracia de bem???
Bela entrevista de alguém que reconhece e bem as vantagens do ponto de partida em que começou na vida. Parece ter uma posição ideal para apontar o dedo as falhas deste sistema.
A sugestão do uso da contribuição para o bem social, ou da comunidade, como metrica de sucesso pode ser pouco tangível para ser pratica no dia a dia. No entanto o idealista em mim pensa que somente aproximar questões como a remuneração ou mesmo o reconhecimento em sociade dos diferente agentes desta contribuição podem gerar uma sociedade mais justa, que oferece oportunidades a individuos mais diversos de realizarem o seu potencial. Gostei particularmente da sugestão para a habitação, penso que é similar ao modelo austríaco e que do que conheço gerou óptimos dividendos.
As punhetas intelectuais que os inúteis inventam para justificar aquilo que não são… 🤣
Enquanto tivermos a meritocracia sequestrada pelo “papácracia” não nos iremos livrar destas bujardas dos inuteis deste País. Já são 50 anos desta merda.
Assumindo que a meritocracia é uma opção realista, qual seria a solução final para as pessoas que não tivessem mérito? Existe algum ensaio sobre este assunto?
Ui, tive agora uma discussao com uma amiga americana sobre o nosso estilo de vida europeu e o quanto somos controlados pelos governos e que eles tem de lutar por merecer as coisas.
Achar que todos podemos ter sucesso se trabalharmos para isso, e que se nao o temos e’ apenas culpa nossa…
Esta entrevista tem tanta coisa errada, mas vou-me focar só no título.
>“O modelo meritocrático é a ideia de que cada um de nós chega até onde as nossas capacidades o permitem. Vem muito associado à ideia de esforço. E portanto, como se a origem e o ponto de partida de cada um de nós não fosse muito relevante. ”
Isto é um espantalho daqueles, é equivalente a dizer que a sociedade devia rejeitar qualquer tipo de ideias igualitárias porque um pedófilo subsidiodependente não devia ter os mesmos direitos que um trabalhador honesto. Ao longo desta entrevista e conhecendo o background do homem fica logo extremamente claro o motivo da aversão à meritocracia.
Adiante, o modelo meritocrático não é bom por ser perfeito, obviamente que não é e uma pessoa que venha de um meio extremamente desfavorecido terá de trabalhar mais para atingir o mesmo que alguém que tenha pais ricos. A questão é que sem meritocracia ficamos sujeitos à cunha e à corrupção, e é a isto que este senhor deve a sua vida e o seu conforto material. Eu tive de estudar, trabalhar e emigrar para não estar sujeito à humilhação de andar a ganhar menos que um qualquer verme da Juventude Socialista.
A meritocracia é uma mentira? Sim, mas a igualdade também, e a boa educação também é só uma construção social.Se abandonarmos este tipo de “mentiras” só nos resta uma tecnocracia autoritária com um programa de reprodução eugénico, era bom para mim, mas se calhar vocês não iam gostar.
Em tom de brincadeira, tenho para mim que a meritocracia é um conceito criado por quem já está no topo para meter os que estão em baixo mais motivados para dar mais ao litro para produzir mais riqueza para os primeiros. E no fim são retribuídos com um “bom trabalho”. Isto tudo é na mesma onda do jovem dinâmico.
Existe algumas excepções, claro. Podes melhorar a tua vida com o teu trabalho, mas no fim, mesmo que sejas a pessoa mais qualificada para o cargo ou tens todas as habilidades para ser alguém bem sucedido na vida, sem o capital nunca conseguirás abrir o teu negócio, fazer o tal curso ou pagar o tal MBA. Não sejamos hipócritas. Um caso ou outro em 10 mil não serve para confirmar que a meritocracia funciona.
Só nos resta dar condições melhores de partida para todos e é precisamente esse o papel do estado. Remover apoios de quem precisa é tornar a sociedade cada vez mais desigual.
Não há paciência para a veneração da mediocridade sobretudo vindo de alguém pertencente a uma dinastia.
Quem quiser mais perspetivas sobre o assunto recomendo a leitura com excelentes argumentos e dados do livro:
“A Tirania do Mérito,
O que aconteceu ao bem comum?
de Michael J. Sandel”