
[https://www.dw.com/pt-002/o-novo-fluxo-migrat%C3%B3rio-de-angola-para-portugal/a-64887587](https://www.dw.com/pt-002/o-novo-fluxo-migrat%C3%B3rio-de-angola-para-portugal/a-64887587)
> **A atual conjuntura sociopolítica e as deficientes condições de acesso à saúde e educação de qualidade em Angola estão a levar muitos a emigrar para Portugal. E a procura por vistos é crescente.**
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>Todos os dias chegam a Portugal, pelo aeroporto de Lisboa e Porto, voos provenientes de Luanda com muitos angolanos. Uns vêm de férias e em negócios e outros saem de Angola para vir tratar da saúde ou em busca de uma vida melhor.
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>Jorge Gonçalves Pereira, um dos recém-chegados a Lisboa, faz parte desta nova vaga de imigrantes angolanos. O radialista, de 51 anos, deixou o país natal há cerca de sete meses, depois da perda, no ano passado, do tio que o criou.
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>”Do ano passado para cá, eu só pensava nisso, em emigrar. Decidi mesmo deixar Angola para dar outra qualidade de vida às minhas filhas. Estou cá com três filhas, duas menores e uma adulta de 22 anos. Então vim cá à procura de melhores condições para elas”, admite.
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>”Era impensável sair de Angola”
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>Apesar de ter tido uma infância difícil, para Jorge Pereira “era impensável sair de Angola”, mas a situação política e, sobretudo, o agravamento do nível de vida, com a subida substancial dos preços dos produtos básicos, obrigou a isso.
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>”O que eu passei na minha infância em Angola, os meus filhos não podem passar, principalmente as meninas. Elas mal chegaram, matriculei-as. Estão a estudar. Estão a gostar do ensino aqui e nem querem mais trocar de distrito. Querem continuar aqui na Amadora”, conta.
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>Lígia Mendes, 47 anos, era jornalista em Angola. Admitia, por força do marido também imigrante, que “as coisas iriam melhorar” com a eleição do Presidente João Lourenço, em 2017. Com a morte do pai, decidiu vir para Lisboa com quatro crianças, há precisamente cinco anos, também em busca de novas oportunidades.
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>”Eu já pensava em emigrar por ver a situação precária em que estava a viver. Não havia sítios de lazer para levar os meus filhos, não havia jardim zoológico e isso me fazia refletir”, diz Lígia que juntou os três filhos e um sobrinho, pediu o visto e emigrou.
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>”\[Foi\] difícil porque só trouxe 100 euros na mão”, recorda.
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>Muitos motivos para emigrar
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>Lígia diz que falta de uma assistência médica adequada também foi um motivo para ela deixar Angola. “Sem falar também da educação, que é muito precária, associada a outras coisas”, acrescenta.
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>O processo de integração não foi fácil, mas hoje Lígia vive em família numa casa arrendada, e os filhos estão a estudar com sucesso. O sobrinho, que já completou a faculdade, faz agora um estágio para entrar no mercado de trabalho.
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>Lígia faz embalagens de catering para a aviação e Jorge Pereira trabalha como técnico de manutenção num hotel. Dizem que, aos poucos, notam mudanças de vida de acordo com os objetivos que os trouxeram a Portugal.
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>Jorge admite, no entanto, que ainda não está “bem posicionado”. “Com tempo, com a fé de Deus, acredito que vou conseguir \[algo melhor\], porque aqui há mais oportunidades para progressão”, diz.
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>O novo fluxo migratório de Angola a Portugal
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>03:36
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>E, para já – acrescentam Lígia e Jorge – o regresso a Angola está fora de questão, a não ser que seja para ir tratar de algum assunto pontual.
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>Alta demanda de vistos
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>Estes e outros angolanos ouvidos em Lisboa pela DW confirmam que, devido à situação do país, todos os dias há longas filas no Consulado de Portugal em Luanda para obtenção de vistos. “As coisas pioraram socialmente; não há emprego para os jovens. Está muita gente a tentar vir”, afirma Lígia Mendes.
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>Há inclusive mulheres grávidas que, por falta de condições adequadas de atendimento local, preferem deslocar-se a Portugal ou países vizinhos para terem acesso a um melhor serviço de parto, confirma o economista angolano Jonuel Gonçalves: “Temos gente assim na fronteira, na Namíbia. Preferem ter o filho namibiano. Que ele fique cidadão namibiano”.
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>O autor do livro “Economia e Poder no Atlântico Sul”, entre outros títulos, olha para este fenómeno, “que não é novo”, com alguma apreensão, afirmando que, neste momento a emigração de angolanos é pouco explicável, “porque, realmente, as condições de funcionamento da economia angolana não apontariam para uma saída tão massiva assim como está a acontecer a nível de quadros”.
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>”Há uma frustração”
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>”Há realmente uma frustração da parte de vários jovens quadros que sentem que o país não está a abrir as oportunidades de que eles precisam para se realizarem. E eles têm já um horizonte visual que é muito bem informado. \[Sabem que\] tem outros países do mundo onde \[podem se\] projetar ou ter pelo menos um conjunto de nível de vida compatível com a formação que \[adquiriram\]”, avalia.
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>Jonuel Gonçalves considera que, apesar de haver atualmente mais liberdade de informação, Angola parou “de há muito tempo para cá” no que toca a oportunidades e resolução dos problemas sociais, contrariamente ao slogan lançado pelo Presidente João Lourenço: “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”.
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>O economista diz que esta saída de quadro deveria servir de alerta para se tomar em conta os fatores que levam a esta nova vaga de emigração. Por outro lado, avisa: “Quanto mais quadros saírem mais difícil será implementar programas económicos com efeitos sociais positivos”.
29 comments
Sns a cair de podre, educação com falta de professores, falta de habitação e a solução do governo é trazer mais imigrantes…
Isto é espectacular, ou és facho.
Percebo agora que Portugal foi criado e mantido ao longo de quase 800 anos para cumprir o seu destino anunciado:
Ser dormitório, hospital e escola para todo o 3° mundo, especialmente para os cidadãos das colónias que lutaram para dele se afastar.
Crise na habitação? Certamente mais pessoas a viver cá vai ajudar a resolver o problema, certo? Certo?
Todos os dias arroz?
Não vi vos a chorar quando na última crise muitos portugueses foram ganhar bem para Angola.
O chega vai ganhar as próximas eleições porque os vota Costa vão por às culpas nos imigras, como se Portugal não tivesse emigrantes às paletes… O costa vai acabar com o AL como forma de por culpas 😂
é aproveitar esta mão de obra da melhor forma para desenvolvermos a nossa economia. Ninguem portugues quer fazer construção civil, uber, serralharia, etc é meter este pessoal nisso que a maioria são esforçados e querem é trabalhar
Acho uma piada a estes posts para gerar polémica e mais sentimento anti-imigração entre os portugueses. Típica estratégia do CH.
Ainda alguém aqui se lembra das dezenas de milhares de portugueses que só conseguiram arranjar trabalho em Angola, quando a economia angolana estava em crescimento e o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, face a uma taxa de desemprego a roçar os 20%, sugeria aos portugueses que emigrassem?
Convém não esquecermos o passado.
Engraçado.. quase que jurava que na crise de 2012 era exactamente ao contrário com os mesmo argumentos.
Para mim, gente em idade de trabalhar que quer ir para Portugal e contribuir para a economia, descontar para o estado social e fazer crescer Portugal será sempre bem vinda.
Este post so serve para tentar criar racismo. Só isso.
E se eu quiser ir trabalhar para Angola bem que me fodo com um ano à espera de visto e 400 dólares por dia de multa por cada dia para lá do visto de turista.
Somos tão estúpidos. 🙁
Mais um post com o mesmo arroz xenófobo e anti imigrante…
Sempre que há alturas de crise, as minorias e quem é diferente são sempre o bode expiatório. Por mais instruída que seja a população, não há forma de mudar a natureza humana. É triste.
>>diz Lígia que juntou os três filhos e um sobrinho, pediu o visto e emigrou. “[Foi] difícil porque só trouxe 100 euros na mão”, recorda.
Foda-se como é que depois se admiram de virem viver para barracas e passarem fome
A lorparia paga os futuros votos no ps, é lidar
“difícil porque só trouxe 100 euros na mão”, recorda.
As pessoas metem-se em cada uma. Vai viajar para fora com 100 euros? Claro que ficara em casa de algum familiar, mas nao faz sentido para mim.
Sub is gone…
Isto só pode ser “bom” ou “mau” não é?
Nada contra imigração é pena é ser de fraca qualidade na sua maioria
O fluxo de emigrantes poderá agravar certos problemas que já afectam os portugueses, como o da habitação. É uma preocupação pertinente e relevante.
No entanto, tendo em conta o estado em que ficaram os PALOPs após a nossa saída súbita, não tão diferente do estado que ficou o Iraque com a saída, relativamente súbida, dos Estados Unidos, eu acho que não temos imenso mérito para os criticar a não ser que estejamos a ver as coisas meramente de um ponto de vista patriótico.
Na minha opinião, merecem o nosso apoio. O problema da habitação não foi causado por aqueles que procuram melhores condições de vida e não vai ser solucionado com mais ou menos rapidez por causa dos emigrantes.
Pondo a minha opinião de parte é díficil ler algumas respostas neste thread sem sentir um pouco de cheiro a xenofobia.
Venham mais, se não apoiar esta causa sou xenófobo nem que acabe debaixo da ponte.
Nunca irei perceber o princípio do SNS em Portugal. Todos têm direito à saúde, mesmo não residentes. É único no mundo.
Todos têm direito à saúde. É favorecer a quantidade ao detrimento da qualidade.
Carrega Ventura!
I M P O R T A R V O T O S
Portugal só está importando mão de obra desqualificada, o futuro é bem incerto, eu sou brasileiro e gostaria de morar em Portugal, porém meu salário no Brasil é maior que o de um programador em Portugal.
Está a ficar de loucos isto!
Para isto que quiseram acabar com o SEF, o PS quer deliberadamente ter uma política de imigração completamente desregulada … com que objectivo não sei , mas eu sei que eles sabem muito bem que isto não é minimamente positivo para os portugueses.
A estratégia é o suicídio.
Portugal vai-se transforma num esgoto terceiro mundista
Eu não sei é como é que os líderes do país olhavam para as Forças Policiais, SNS, Segurança Social e viam tudo no limite dos limites, com poucas condições para os Portugueses no país e mesmo assim decidiram que era boa ideia deixar entrar gente de todo o lado sem controlo nenhum e sem regras…
Portugal já não é dos Portugueses.
Como alguém que é filho e neto e familiar de angolanos e portugueses de Angola dos dois lados da família, eu nunca esperaria que o governo português relaxasse tanto as medidas de imigração com o resto da CPLP pelo motivo óbvio de que isso causaria uma fuga de cérebros dos países mais pobres e uma sobrecarga aqui em Portugal que para todos os efeitos, não é um país de imigrantes, mas de emigrantes.
O que me preocupa não é que venham pessoas, mas que o governo português, consciente de que o país está no limite e provavelmente á beira de enfrentar uma crise pior do que 2008, com uma das rendas mais inflacionadas da Europa, facilite ainda mais a entrada de pessoas que vêm para aqui começar do zero e meter-se numa situação precária, vendendo a imagem de sermos a cidade no topo da colina quando na verdade, somos o país mais pobre do ocidente Europeu e um dos mais pobres da zona Euro, governados por uma cúpula com tiques de ditador que conseguem a proeza de nos meter atrás da Roménia em alguns índices de desenvolvimento.
E depois ainda se fala da ilegalidade que vai aumentar por causa da falta de serviços que foram tirados durante este atual governo que também é outro problema que estão a querer criar.
Quem se vai foder com isto vão ser os próprios imigrantes que estão a ser-lhes vendidos um sonho e depois vão acabar na merda, mais o povo português que por mais que se meta numa masmorra BDSM, nunca se queixa e até diz “sim mestre”, com medo de sofrer represálias.
A ideia que eu tenho da maioria dos imigrantes brasileiros RECENTES é que eles não olham para Portugal também como um sítio para ficar, olham para o país como um sítio para obter cidadania europeia e depois dão o fora daqui que isto é uma merda. E não tem nada de mal com isto, mas não vamos pensar que Portugal é um país de destino para imigrantes, porque não é, nós não somos uma país como a Inglaterra, a França, a Holanda, nem nenhum deles. Portugal não é de longe, um país de primeiro mundo e isso é uma coisa que eu digo sempre para colegas que eu conheço aqui nos Açores que vêm com ilusões de nos compararmos a uma Alemanha, eu sempre lhes lembro da realidade de elas viverem numa realidade legalmente ULTRAperiférica e provinciana, comparável á guiana francesa e martinica, com um IDH do Médio Oriente e 25% da população na linha da pobreza. Portugal não é um país de imigrantes. Nós não um país que recebe estrangeiros como a Alemanha ou a Inglaterra, nós somos um país da história do roto para o nú, nós recebemos pessoas que vêm de sítios como a Venezuela, Angola e Ucrânia e depois quem pode, emigra para o norte que são o creme do bolo.
Agora o que motiva o costa (e Marcelo), muito sinceramente, não sei se está a cumprir alguma promessa de alguma cabala internacional, tipo essa história do WEF ou do grupo Bilderberg ou alguma dessas conspirações malucas a que ele se comprometeu a cumprir, não faço ideia, quem souber mais a respeito, por favor diga.