Hotéis e restaurantes defendem que salários não explicam falta de trabalhadores

38 comments
  1. Vocês têm é todos falta de resiliência. Ganho o smn e como adoro a minha empresa faço horas extraordinárias não pagas porque tem que ser. O patrão diz que sou o trabalhador ideal e até me dá 14 meses de salário anual em vez de 12. #grind /s

  2. “Há falta de trabalhadores no sector do turismo, dizem duas grandes associações do sector, e o problema tem de ser resolvido através de medidas como o recurso a imigrantes, que pode ser impulsionado com o recente acordo de mobilidade da CPLP(Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), e acções de curta formação e reconversão. Até porque, defendem, o problema não se centra nos níveis salariais.”

    A AHP(ASSOCIAÇÃO DA HOTELARIA DE PORTUGAL) e a AHRESP(ASSOCIAÇÃO DA HOTELARIA, RESTAURAÇÃO
    E SIMILARES DE PORTUGAL) quer toda gente a começar a semana a ranger os dentes 😠😬

    Estas declarações indignam e revoltam qualquer um que se sente. E a maneira como esfregam as mãos para o acordo com os CPLP… Hmmm, um cheirinho neocolonialista, aqueles velhos tempos onde o pessoal trabalha de graça e sorridente.

    Meus senhores/as, o setor do Turismo(hotelaria, restauração…)não quer nem vai melhorar as condições de trabalho, como é que ainda temos um Estado a apostar as fichas todas nisto?

    Somos todos bonecos, um país para turistas e para inglês ver.

  3. Tenho um amigo empresário, proprietário de um negócio com 8 funcionários, todos a salário mínimo , ele se queixa que não há quem queira trabalhar.

    Então eu tentei dialogar, falei que o smn é pouco, que se ele aumentasse um pouco o salário, poderiam aparecer interessados.

    A resposta foi: não adianta aumento de salário, não é esse o problema. É que realmente não existem pessoas para trabalhar.

    Pela amizade encerrei a conversa

  4. Pois, realmente têm toda a razão, não são os salários…apenas, é todo um conjunto de fezes, são as péssimas condições de trabalho, são os horários de trabalho demasiado longos mais os extras que não são pagos a mais (fins de semana e feriados), e por aí fora.

  5. > Os salários oferecidos pelas empresas hoteleiras estão, na maioria dos casos, ajustados às funções.

    Aposto que lá dentro da Cabeça dele até queria dizer que pra essas funções de merda, os macacos amestrados que as fazem até nem deviam ser pagos.

  6. Nenhum país alguma vez enriqueceu apostando no turismo… Contudo Portugal continua a achar que o turismo é a galinha dos ovos de ouro.

  7. Eu defendo que explicam, mas é muito fácil tirarem isto a limpo: ao entrevistarem alguém, digam-lhe quanto vão ganhar. Se disserem que pelo SMN não querem aceitar a vaga, ofereçam o dobro. Se nesse caso aceitarem, o salário explica a falta de trabalhadores.

  8. “quem paga o salário baixo aos escravos acha que não são os salários baixos por falta de trabalhadores”

    /thread

    metem nojo quando falam da “fome” do acordo cplcp.. ridículo!

  9. O que foi escrito:

    >” (…) e o problema tem de ser resolvido através de medidas como o recurso a imigrantes, que pode ser impulsionado com o recente acordo de mobilidade da CPLP(Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), e acções de curta formação e reconversão. Até porque, defendem, o problema não se centra nos níveis salariais.”

    O que eu li:

    >Vamos buscar escravos à África.

  10. Em coimbra temos um célebre estabelecimento na praça da república que paga 2.80€/h.

    Nunca fui servido pelo mesmo gajo mais que uma/duas vezes. Quando já não existirem putos que se sujeitem a isso choram que “não há malta para trabalhar”

  11. *e por isso defendemos que a soluçao é importar malta que a única coisa que tem para oferecer é trabalhar por salário baixo*

    bem, pelo menos à minha conta nao se governam…

  12. Não é o dinheiro que conta. É o fazer parte de um projecto aliciante, integrar uma equipa jovem e dinâmica, ser pró-activo e empreendedor.

    Ainda no outro dia fui comprar uma prenda de Natal e perguntei se podia pagar em pró-actividade. Teceram comentários acerca da profissão de minha mãe. Pronto, pensei eu, malta difícil de negociar. Acrescentei uma dose q.b. de empreendedorismo. Mandaram-me três sarrafadas que até fiquei a sangrar. Perguntei se o espírito de equipa, os valores empresariais, não contavam para nada. Chamaram a polícia, e saí de lá arrastado pelos cabelos.

    Não se vão safar assim. Vou lá voltar e insistir que aceitem o meu pagamento.

  13. Depende da posição: se tivesse um restaurante com 1 estrela Michelin e estivesse à procura de um sous chef, também iria procurar e bem pois é um cargo com enorme responsabilidade e gostaria de ter um garante de qualidade, onde para isso iria implicar um salário fabuloso, pois é uma especialidade dificil de encontrar.

    Aí sim, tenho de dizer que é dificil e mesmo subindo o ordenado, não é fácil de encontrar, pois são especialidades e a exigência é muito alta.

    Mas não é isto que estamos a falar: a esmagadora maioria dos restaurantes não se pauta pela qualidade pois estão adaptados ao seu público: baixa qualidade para terem baixos preços. E com isso vem também uma baixa visão, baixos salários e baixas condições.

    É o que é: querem champagne mas só tem orçamento para terem Sagres? Não dá…

    E o grande problema é que nem aumentam o salário, pois o pensamento cultural está muito impregnado: é preciso pagar pouco para ter o máximo lucro, quando o que se deveria ter era uma alteração da visão e estratégia: melhor qualidade de serviço, mais qualidade do produto e com isso mais clientela que paga mais. E isso só se obtem com trabalhadores mais qualificados e com mais especialização, logo salários mais altos. E ter capacidade de reter esse telento, para que possam evoluir e melhorar ainda mais – só assim é que podem ter um negócio altamente lucrativo e digno para todos os envolventes.

  14. Associação de chorões punheteiros continua a preferir pagar artigos a fazer gaslight ao Tuga, ao invés de constatar o óbvio.

    Mais notícias às onze.

    Sê resiliente. Trabalha sem veres dinheiro à frente.

  15. Isto confirma que o patronato/empreendedor/empresário do País, é de uma mediocridade incrível…

    E juntamente com a qualidade dos nossos políticos, temos a resposta do principal motivo para o subdesenvolvimento de Portugal:

    Pseudo político + pseudo empresário = subdesenvolvimento.

  16. eu borrava a cara de merda se tivesse que recorrer a este tipo de argumentação, só os artigos que encomendam já dava para os aumentos.

    a falta de vergonha bom senso e humanidade é gritante

    e até para eles são maus esta mais que provado que as pessoas quando melhor recompensadas trabalham melhor produzem mais

  17. Não percebo é como não há mais protestos contra este tipo de acordos por parte dos sindicatos que representam estes sectores.

  18. Como alguém que trabalha na área há largos anos até concordo em certa parte. Não é só os salários serem ou não baixos.

    É o :

    Feriados não serem pagos( vai tudo po banco de horas, e mal contadas, a quererem só dar 8 horas quando a lei é bem expressa)

    Natal, passagem de ano, páscoa, feriados? Trabalha tudo e não faz barulho. Receber extra? Lolol

    Banco de horas é tudo para o bucho( já cheguei ao fim do ano com 300 horas extras. 0 pagas ou gozadas, só depois com ameaças é que as pude gozar, porque pagar seja o que for tá quieto)

    Horários loucos, rotativos.

    Fazes 59 minutos a mais no dia? Lolol não conta para o banco de horas, só a partir de 60 minutos é que conta.

    Folgas rotativas é à grande conforme o que o patrão queria. Alguém ficava doente ou de baixa bem podias dizer adeus á folga( adeus vida social, relacionamentos e sanidade mental e fisica)

    Férias não podem ser gozadas na época alta( que para o hotel é o ano quase todo), ou seja as férias de todos ficam encafoadas todas juntas em 2 meses, que dobra o trabalho dos que sobram..

    Queres gozar dias do banco de horas? Lololol não podes senão não há gente para garantir o serviço.

    De 2015-2019 andamos a levar com festas de natal onde o patrão todo orgulhoso a mostrar lucros recordes anos a fio, pandemia começa em Março por cá, em Junho já tinha despedido toda a gente que não estava efetivo(65%). Continuou a receber apoios do estado para layoff à grande.

    Gorjetas são muito poucas mesmo, e é se não os supervisores ficarem com elas, ou na receção.

    Cobrir 3 secções diferentes, passar o dia a correr.

    Meia hora de almoço nunca existe, é sempre 10/15 minutos.

    Pausas 5 minutos muito raramente há tempo para tal pois o dia é a correr do inicio ao fim.

    Tentas pedir um dia para ir fazer alguma coisa importante é um filme e levas logo com jogos mentais( ah e os teus colegas vão ter de fazer 16horas assim, achas bem esforça-los assim).

    Tás de folga? Ligam-te de manhã a perguntar por qualquer merda só porque sim, ou para te dizerem que te mudaram as folgas sem te perguntar se aceitavas.

    O patrão vai para o expresso chorar a dizer que não consegue gente para trabalhar e que vai buscar gente às filipinas e cabo verde(LOL) quando 85% dos empregados são corridos a ordenado mínimo.

    Material antigo, pedes ao patrão: só para o ano é que há orcamento, na semana a seguir sabes que se gastou 75.000€ em flores para os escritórios.

    Há 10-15 anos ganhava-se muito mais do que hoje em dia, a minha mãe trazia para casa 1500€ tranquilamente todos os meses. Hoje em dia um empregado de 1° é corrido a 700euros. Mas como eu disse, não é uma merda só por causa do salário. É uma merda por todo o resto de condições de merda que se tem.

    Perde-se vida social, tempo livre, sanidade mental, corpo todo dorido. Muito facilmente a vida descamba e de repente uma pessoa só faz trabalho casa na vida. E sem valor monetário para compensar.

    Todas estas condições da merda e ganhas sempre o mesmo ao fim do mês.

    Fazes queixa ao ACT? Boa sorte. O patrão é o presidente da AHP

    Já para não falar dos sindicatos da merda que permitiram contratos colectivos de trabalho que fodem o trabalhador mesmo mas mesmo à grande.

    End rant, obrigado por virem ao meu ted talk.

  19. Sou engenheiro e trabalho na minha área de estudo, mas já trabalhei em 2 cafés (a servir à mesa e balcão e na preparação de pedidos) e conheço muitas pessoas cuja profissão é, ou foi, na restauração. Se me oferecessem o salário que ganho agora para ir trabalhar num café, eu não aceitava, é tão simples quanto isto. Por isso identifico-me com as pessoas que dizem que os salários na restauração deviam ser aumentados.

    Mesmo que o horário fosse 8 horas diárias (que não é, dado que têm de entrar mais cedo e sair mais tarde), não me voltaria a sujeitar a faltas de civismo, a tanto km percorrido e à escravatura que é trabalhar num café pelo SMN, quanto mais por um bom salário. Por isso, o que os empregadores devem mudar é: aumentam para salários muito altos e tratam os trabalhadores como pessoas

  20. Sim, não é só os salários de escravo é também as condições de merda , setor de merda com bastante precariedade e horários de merda.

    Paguem melhor, ofereçam melhores condições, contratem mais pessoas para ter horários menos parasíticos na vida de uma pessoa e quem sabe as pessoas queiram voltar a trabalhar neste setor de merda.

  21. De facto, eu não acho que o problema seja o salário por si mesmo (existem inúmeras industrias que atraem jovens com o salário mínimo e têm uma enorme rotatividade).

    Na minha modesta opinião, tem a ver com as condições, horas extra não pagas, o turnos, a precariedade, a falta de formação interna, o ambiente tóxico e patrões sem nenhuma noção de gestão ou de empatia. Para lidar com isso tudo, é necessário mais dinheiro para justificar o esforço e a flexibilidade.

    Porque se propões a um jovem, entre um trabalho num call center ou num supermercado, onde requerem pouca formação ou a formação é eficazmente dada, ou vais fazer um horário repartido num restaurante, onde não te ensinam nada e andam aos berros contigo, onde ficas a tarde sem fazer nada, se não estás perto de casa, pelo mesmo salário de um trabalho num supermercado/call center, a escolha é bastante óbvia….

    Se eles não querem tocar nas condições, terão de mexer no salário. Usar imigrantes dá a impressão que eles são “baratos” e que pagam o mínimo, logo, muita gente evita ir a esses sítios, não por racismo ou por xenofobia, mas pq não querem suportar este tipo de patrões que exploram os trabalhadores à força toda.

  22. Não sou empresário, nem trabalho na restauração. Mas enquanto emigrante, um ordenado decente motivou-me a:

    – Deixar a minha esposa e filho por três meses.

    – meter-me num avião sem nada garantido.

    – começar de novo.

    – arrendar casas em zonas dúbias de uma cidade que eu desconhecia.

    – ver um gajo a cagar atrás de um contentor do lixo, enquanto bebia o meu café e olhava para fora da janela.

    – estar longe da família

    – estar longe dos amigos.

    – gastar imenso tempo e dinheiro cada vez que vou a Portugal.

    – ser atendido como lixo ou como se fosse um filho da puta cada vez que vou comer fora em Portugal só porque falo a língua nativa de Portugal. Enquanto que na terra onde sou emigrante qualquer tasca me atende como se eu fosse realeza.

    – aguentar temperaturas negativas meses a fio nos meses de inverno.

    E estes filhos da puta estão a tentar dizer-me que não conseguem motivar um bando de analfabetos a servir cafés e a por pratos nas mesas? Quão incompetentes de merda são os empresários portugueses?

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