Tradutores recusam trabalhar com tribunais porque “pagam mal e tarde”. Escassez já os fez recorrer “a lojista chinesa da loja da esquina”

10 comments
  1. Então mas passo a vida a ouvir neste sub que a malta do público não faz nada e recebe balúrdios porque está tudo tabelado, e agora é isto? Em que é que ficamos?

  2. ~~Escassez~~ **Avareza e ignorância** já os fez recorrer a lojista chinesa. Parece que querem repetir o que se passou com o Google Translate e um certo ucraniano.

    Da última vez que trabalhei com os tribunais portugueses, demorei quase 8 meses a receber e tive que pagar as deslocações todas do meu próprio bolso até receber.

    Depois espantam-se que tradutores/intérpretes só trabalham para fora. Ao menos aí sei quando recebo e até que me paguem mal na óptica deles, pagam bem melhor do que a malta da tugalândia.

    Não se deixem enganar. Não há escassez nenhuma. **Há é falta de vontade de pagar bem e a tempo e horas.**

    P.S: Se esta notícia tivesse saído em qualquer outro país dito de primeiro mundo, seria uma vergonha nacional, internacional e agitaria logo a percepção do país.
    Um país que supostamente recuperou tão bem da crise de 2008-2009 mas que não pode pagar por um intérprete qualificado para que um cidadão aceda a algo tão essencial quanto uma ida ao médico ou uma diligência.
    Um país que paga 200-300€ a um médico para **apenas e só** assinar 2 papéis de uma peritagem, mas que não tem dinheiro para pagar a um intérprete certificado e experiente no mesmo processo.

    As desigualdades são absolutamente ridículas. E aposto que se um médico tarefeiro ler isto, depois de milhares de horas extra não pagas, de receber um salário miserável para o que estudou e de mal dormir entre trabalho/estudo, até fica com indigestão. Uns são tratados como fidalgos e outros como papalvos.

  3. Chinês não é língua, é família de línguas.

    Vais perguntar a um chinês continental se falas chinês e diz-te que sim. Entrega-lhe os documentos, e se calhar o gajo ou traduz tudo errado ou nem sequer percebe nada do que está lá escrito, pois o dono ou colaborador da loja acaba por falar cantonês/Hakka/Hokkien/Sichuan/Taiwanês e não mandarim (o que tendemos de referir por simplesmente chinês no ocidente)…

    Isto antes de mencionar que, caso sejam lojistas de múltiplas gerações fora da China continental, podem inclusive lerem somente chinês tradicional e não simplificado como foi imposto pelo regime de Mao na Revolução Cultural.

    A multitude de erros de comunicação e tradução ao apanhar um chinês qualquer é enorme, nem imagino o que se pode dar errado com um caso tão importante…

  4. Acho que vou ser cilindrado mas mesmo assim merece ser comentado. O estado Português, goste-se de quem governa ou não, porque não faz diferença, não é uma pessoa de bem. Pelo menos na área da saúde, que é a com a qual tenho mais conhecimento de causa, há pagamentos a fornecedores com atrasos superiores a 1 ano! A média era, aqui há uns anos, 6 meses. Isto funciona como bola de neve porque depois as empresas que aprovisionam o estado não podem pagar aos fornecedores a tempo e horas, e por aí adiante. Há sempre mecanismos financeiros que permitem não ser caloteiro mas obviamente que esta não é a situação ideal. Junta-se isto ao facto que muitos dos contratos de fornecimento não obedecem às regras de concurso público e são atribuidos de forma “nebulosa” e as empresas honestas são obrigadas a lidar com dois tipos de caloteiros, o estado, pessoa coletiva, e alguns fornecedores afetos ao estado que por não terem qualquer mérito na aquisição de contratos, não se pronunciam negativamente e contribuem para o status quo. É uma vergonha absoluta o quão caloteiro o estado Português é. Mantenham isto em mente da próxima vez que falarmos na competitividade do tecido empresarial português porque este comportamento do estado junto com o nepotismo que existe faz com que ao invés de termos os melhores a prestar serviço ao estado, temos aquilo que só pode ser considerado um cartel ou uma família mafiosa em que ninguém diz nada porque senão é escorraçado da família. (nem é preciso ir muito longe na memória, basta ver as aventuras no fornecimento da proteção civil durante a é poca de incêndios).

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    TLDR: O estado português é um caloteiro de primeira o que contribui para a falta de competitividade de vários níveis do tecido empresarial português. Aliás, fornecer o estado só para quem pode ou tem “primos” porque os fundos vão demorar no mínimo meio ano a chegar.

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