O que responder quando os boomers nos dizem isto?

37 comments
  1. na altura deles com 20-30mil euros tinhas uma casa e só um a trabalhar já sustentavas a casa. Hoje em dia precisas de um a trabalhar para pagar a renda e o outro para pagar os gastos.

  2. “Não foi por você ter tido uma infância de merda que eu preciso ter uma vida de merda também”

    Dito isso, a nossa geração tem mais sorte que a desses boomers. Sim existem desafios, especialmente no que toca à habitação e afins, mas eu prefiro essas coisas a não ter tido hipótese de estudar, mesmo que quisesse, ter que ir trabalhar para o campo cedo, etc.

    Em termos comparativos a minha mãe aos 11 anos trabalhava para ajudar a família, o meu pai era aos 13, eu, como me deram aquilo que eles não tiveram, comecei a trabalhar, a sério, aos 24. Há que dar valor a essas coisas.

  3. A mim ninguém me deu nada, e tendo em conta que a maioria dos boomers viviam em situação de pobreza, também duvido que outros tenham recebido… Com sorte receberam um carro velho, já relativamente à casa, se fosse algo que realmente tivessem recebido, não teríamos o atual problema de habitação, mas alguns sortudos terão uma opinião diferente, incluindo os próprios boomers que receberam dos pais e pouco ou nada fizeram por aquilo de que são proprietários.

  4. “Boomers”. Lá estão vocês a importar merdas dos EUA.

    Os nossos velhos começaram a trabalhar aos 10 anos, muitos nem aprenderam a ler.

  5. Tenho 25 anos. O salto entre a geração dos meus avós e dos meus pais foi abismal em termos de condições de vida. Os meus avós viviam em pobreza extrema e ambos os meus pais têm cursos superiores (inclusive o meu pai é doutorado). Na minha idade já estavam casados e tinham uma casa própria (boa) e a caminho do primeiro filho (muito com a ajuda dos meus avós que conseguiram melhorar a sua condição de vida através do seu trabalho). Quando lhes digo que atualmente eles não conseguiam ter esse estilo de vida dizem-me que a culpa é que a nossa geração não tem resiliência nenhuma e quer tudo de mão beijada. Os meus pais aos 30 e tal anos conseguiram juntar valores significativos na conta bancária que lhes permitiram construir 1 casa praticamente do 0 e outra uma reconstrução. Atualmente não tenho quaisquer possibilidades de comprar casa, nem de pagar um casamento, quanto mais de construir uma casa. Percebo o que eles querem dizer, mas o mundo das vacas gordas em que eles viveram não é de todo o mesmo mundo que nós apanhamos em “início” de vida.

  6. Esta foto tem idade para ser dos pais dos boomers. Eu tenho 54 anos, dois filhos na casa dos 20 e não fui criada em escolas dessas.

  7. Todas as gerações tiveram a sua luta, é por isso que passámos de uma sociedade feudal para uma (semi) livre. No tempo dos nossos pais e avós foi contra a exploração laboral: trabalho infantil e limitação do horário de trabalho, direitos das mulheres etc… E de certeza absoluta que encontraram resistência dos estabelecimentos da altura. É importante manter o foco nos verdadeiros objectivos das lutas de cada um de nós e não nos deixar abafar por estes e outros ruídos, não perder forças a lutar contra os nossos cujas opiniões foram moldadas por esses mesmos que se quer destituir, é esse o objectivo dos que não querem mudança. Portanto OP, se a pessoa que te partilhou isso ouviu o teu lado e mesmo assim não encontraram ponto em comum, não é com ele que deves de insistir 🙂 as cabeças das serpentes estão identificadas e bamboleiam-se constantemente nos media.

  8. Emoji beringela é um link para um pdf sobre a História da Economia.

    Melhor caso, aprendem algo.
    Pior caso, apanham vírus a tentar abrir um pdf.

  9. Portugal não participou na segunda guerra mundial, logo a expressão “boomer” não se aplica por cá.

  10. E que tal obrigado ?

    Já agora em Portugal (ao contrario dos USA de onde veio esse termo boomer) não vimos um aumento expressivo de qualidade de vida e oportunidades pelo contrario o que nós vimos foi uma guerra colonial e um aumento da pobreza.
    Portanto essa historia de culpar os boomers em Portugal é fazer pouco de quem pouco sempre teve.

  11. “a entrada que deste para a casa não dava para comprar umas sandes de presunto no aeroporto nos dias de hoje”

  12. O meu pai obrigava-me, em miúdo, a ir para a aldeia e ajudá-lo no campo. Morávamos na cidade mas ambos os meus pais são do campo. (Um dia deu-lhes um capricho de começar plantar uma variedade de coisas a 1h de casa)

    Naturalmente, da infância à adolescência, protestava bastante ter que ajudar no campo, pois claramente gostaria de aproveitar melhor os meus fins de semana e fazer coisas de miúdo. Ao que ele me respondia sempre, eu paguei o meu fato de comunhão aos 9 anos!!! Ao que eu comecei a responder, tenho muita pena, mas queres que vá trabalhar também, é? Constrangido respondia sempre que não.

    O que eu quero dizer é, esta geração passou por muito, garantidamente, no entanto tornou muito difícil à geração seguinte de se sentir agradecida sem ser com coisas de atirar à cara ou de fazer sentir culpado.

  13. Resposta:

    Isso explica o porquê de vocês serem uma geração desqualificada e o vosso antigo país um país sub-desenvolvido.

  14. e têm razão. é verdade que está muito difícil para termos casa, carro etc… mas a verdade é que muito das opiniões são simplesmente importadas dos EUA. Essa parvoíce dos boomers não se aplica à realidade portuguesa, e quando se reclama que era fácil ter casa para a geração dos nossos pais/avós, não era neste país de certeza. Creio que muita gente por aqui tem as histórias de miséria das nossas famílias, com o “só se comia carne ao domingo pq era muito cara”, ou o lanche era pão com azeite, roupa que durava anos ou décadas depois de remendada… houve uma melhoria sim e explosão após a adesão à UE (e tlz esses sejam os nossos boomers) mas mesmo assim, houveram tantas crises pouco dp disso… pode-se falar realmente de alguma geração que tenha tido tudo luxos e facilidade em arranjar casa e afins?? Noutros países sim, não no nosso. Pelo menos em comparação com a realidade actual.

    O que acontecia muitas vezes, era fazeres o empréstimo para a casa (davam a toda a gente) e conseguires comprar a casa, mas depois eram anos de miséria e contar tostões, muitas vezes com medo que nos ponham na rua por atraso de pagamentos… vivi isso na pele e testemunhei de muitos outros também.

  15. Não respondes.

    Não fales a ninguém que se auto proclama como Boomer.
    Não endereças nem rotules ninguém por Boomer.

    Não categorizes. São nomenclaturas criadas para acentuar a divisão natural que ja existe entre gerações, para sabotar qualquer iniciativa de colaboração inter geracional, que desde sempre foi o segredo da prosperidade das civilizações mais ‘gloriosas’ que tão vulgarmente enunciamos com frequência e fazemos documentários pela X° vez.

    Cada um é como cada qual e a Estupidez é justa na escolha do estrato social, faixa etária, orientação política, sexual, racial (etc.) em que escolhe os seus simbiontes. Estupidez não discrimina.

    Quem te diz isso, é só alguém pouco inteligente. Essas pessoas não conversam com intenção de criar entendimento, e se for este o teu objetivo deves te poupar à interação na sua inteireza.

    Cada vez que se cai nestes clubismos , falhamos a realidade das coisas e pagamos caro. Só que quando conseguimos fazer contas ao preço já parece tarde demais.

    Como agora. 2023. Parece tarde demais.

    Nunca é tarde demais para parar com merdas.

  16. Nem os meus pais, nem nenhum dos meus avós e que eu saiba nenhum dos meus bisavós ia para uma escola assim!

  17. Diz lhes simplesmente que és grato por aquilo que te deram e lamentas o que tiveram de passar para te dar o que tens hoje e seres quem és.

    As diferenças entre gerações são um facto. Os pulos sócio culturais e tecnológicos trouxeram melhoria de vida a todos (em geral).

    Mas a nossa realidade era diferente da realidade deles, e a deles diferentes das dos pais deles e por aí fora.

    É realidade que em comparação de poder de compra no passado com menos compravas mais, mas isso era tb para uma pequena percentagem da população.

    Muitos viveram ate 2000 ou depois disso em casas com animais em lojas debaixo deles em que o soalho era de madeira e rachas deixavam o cheiro bom ir para a sala de estar que era cozinha e all de entrada que dava acesso a um quarto onde 3 irmãos dormiam na mesma cama.

    Enfim. É isso, agradecer por aquilo que conseguiram dar e seguir em frente percebendo que sim, os tempos mudaram para “melhor”

  18. Para que milhões de pessoas na China e na Índia ultrapassassem o limiar da pobreza foi preciso milhões de ocidentais de classe média perderem o poder de compra. Estes segundos nao precisariam que isto acontecesse se 99 por cento da riqueza não girasse sempre por uma mesma elite cada vez mais rica. Estes milionários acumulam cada vez mais riqueza, todos os indicadores dos últimos 20 anos assim o demonstram. A geração de Maio de 68 parou o mundo e lutou para maior equidade. Estas gerações filhas , a x, a milenial e a z está aqui a scrollar num slacktivismo preguiçoso e inútil.

    Fonte: os scrolls que tenho feito.

  19. Mando lhes uma foto dos mesmos boomers agarrados ao telemóvel, ao Facebook, etc em todo o sítio em vez de conviver de forma normal com as pessoas á volta (da mesma forma que nos criticavam por fazer o mesmo quando ainda estranhavam essas “novas” tecnologias que agora afinal já lhes dão jeito).

    Basicamente não podem dar uma palmadinha nas próprias costas só porque cresceram com o que havia… Não foi escolha deles. Nessa altura todos tinham de se sujeitar. Que remédio.

    Dito isto, não se perde nada por termos sempre presente o quão boa é a nossa vida com tantas coisas que usamos e que damos por garantidas muitas vezes sem pensar. Mas de nada serve o desprezo por quem tem uma vida melhor hoje só porque “quando eu era pequeno não tinha nada disto!”

  20. Acho que já vou tarde, mas para mim a melhor resposta é definitivamente:

    “Aqueles que criticam as gerações de hoje esquecem-se de quem é que as criou”

  21. Não discutes. Tentar mudar mentalidades é uma causa nobre, mas não vale a pena em grande parte dos casos. Ouves, calas e segues a tua vida. Pelo menos é assim que faço. Se a pessoa estiver a falar com respeito e se notar que de facto está a tentar ensinar me algo, tento retirar o “sumo” da conversa. Se for só para dizer que são melhores que eu porque tiveram uma infância mais dura, prefiro mandar foder baixinho. Clássico caso de “os teus problemas são inválidos pq os meus eram piores”.

  22. Não esquecer que até aos anos 80 era muito comum os casais ficarem uns anos a viver em casa com os pais. Alguns ficavam a vida inteira. Casavam, tinham filhos e viviam avós, pais e netos, todos na mesma casa. Se fosse grande, por vezes ainda vivia lá uma tia solteirona.
    Além disso, havia também muita gente que fazia moradias de r/c + 1 onde viviam uns em cima e outros em baixo.
    Noutros casos (conheci muitos), como não havia carros, nas traseiras de casa construíam uma espécie de anexos que davam para uma casa e uns arrumos onde passavam a ferro e viam tv para não desarrumarem a casa. Era uma espécie de sala de estar.
    Claro que evoluímos e apareceram os alojamentos locais; o crédito à habitação; o turismo; o capitalismo e empreendedorimo e muitas casas passaram a ser vistos como activos financeiros e não apenas como uma simples casa para viver, como era antigamente.
    A evolução tem destas coisas. Já não vivemos em anexos mas se calhar vamos ter de voltar a viver com os pais.

  23. Sou brasileiro, a resposta que daria pra alguém que falasse isso, é que na época a questão era acesso. Tinham basicamente que não ter filhos e focar em estudar e teriam no mínimo um emprego garantido. Hoje estou desempregado, com formação superior, inglês avançado, estudando francês e com cinco anos de experiência na minha área.

    A situação hoje é de escassez de oportunidade, na época deles era escassez de acesso.

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