Interessante. O sector de advocacia tem tantas particularidades, e depois um advogado que tirou o curso no Brasil pode operar em Portugal sem qualquer adaptação ou equivalência?
A guilda dos advogados “gate keeper” da profissão que tem o monopólio sobre quem se pode apresentar perante um juiz enquanto advogado, não quer concorrência.
Quando era puto a minha mãe ainda me levava a um oftalmologista, sou meio zarolho, para obter prescrição para óculos. Um consultório velho e porco com equipamentos centenários. As dioptrias eram calculadas com lentes velhas e com tentava-erro. Depois vieram os grandes porcos capitalistas das óticas com equipamentos de ponta onde bastava eu enfiar o olho, olhar para um balão, e a máquina calculava tudo. E mais barato.
Mas a ordem dos médicos na altura garantiu-nos que os pacientes iam ser largamente prejudicados com a “liberalização do sector”.
Ainda se lembram quando precisávamos de ir a uma farmácia para comprar um paracetamol?
Faz me lembrar a história do acesso aos mestrados na fdl…
Seria um passo atrás. Tal como a integração no Euro, a integração no espaço Lusófono é o que garante a Portugal um número de trabalhadores que permite manter o país a funcionar.
Também concordo com a globalização e acho que um ambiente cosmopolita enriquece muito a cultura local, contudo vejo que Portugal precisa ter mais cautela ao tentar fazer uma integração tão rápida com os países da CPLP como está a tentar fazer nos últimos anos. Ora, Portugal ainda é um país pequeno, com uma população de apenas 10 milhões de habitantes, e está a abrir as suas fronteiras de forma completamente irresponsável e sem qualquer planeamento mais aprofundado. Portugal está a convidar para o seu território um bloco de países com quase 300 milhões de habitantes, sendo que estes países têm ordenados mínimos que representam menos de 30% da realidade portuguesa. Imaginem se apenas 1 milhão desses quase 300 milhões decidir aventurar-se em Portugal. Um aumento repentino de 10% da população representaria um colapso em serviços como o SNS, o setor imobiliário, a segurança, entre outros, colocando em risco as pessoas que já residem em Portugal hoje. Uma verdadeira loucura do Costa.
Este tema levanta vários temas para mim:
1. Portugal precisa de mais advogados?
2. Existe alguma avaliação da qualidade dos advogados e do ensino do direito no Brasil comparado com Portugal?
3. Quão semelhantes são os códigos?
A minha experiência com advogados Portugueses e todo o sistema legal não é famosa.
Se a ideia é recebermos pessoas competentes, mais competentes que os nossos advogados, que ajudem a melhorar o sistema, que melhorem o nosso país, produzam riqueza e sejam felizes e possam viver em paz, então que venham.
[deleted]
Eu até acho boa ideia aumentar o número de advogados, porque arranjar um advogado é bem caro. Muito mais que um médico, por exemplo, e não é uma formação mais especializada que medicina.
Para mim, primeiro aboliam-se todas as barreiras estúpidas tipo os estágios não remunerados para aceder à profissão, mas pode ser necessário além disso trazer profissionais de fora do país para os preços baixarem para algo mais comportável.
Não sou advogado. Mas já ocasionalmente li comunicações, contratos legais de casos legais brasileiros e fds, que é difícil. Montes de coisas em que achas “mas aquilo não é palavra”, linguagem super complicada (a sério, muito mais que a portuguesa) e conceitos básicos para nós (particularmente directivas europeias, venda à distância e proteção de dados) que não têm.
Não faz o menor sentido na minha opinião um advogado de um dos lados poder ser advogado no outro lado, sem ter de fazer nenhuma prova, ou equivalência. Isto obviamente para os dois lados.
[removed]
Se permitimos médicos estrangeiros exercer em Portugal, então devemos permitir outras profissões como Advogados, Engenheiros, Arquitetos.
Job security
/s
“Atualmente, cerca de 10% dos advogados registados em Portugal são brasileiros.” Um aumento de quase 482%, desde 2017. Eis o motivo e acho que ser advogado no brasil é mais fácil do que em Portugal com estágios não remunerados etc.
Quanto comentário sem senso crítico. Uns comparando o trabalho do advogado ao do dentista, outros dizendo que só é vantajoso aos brasileiros. Isso só mostra falta de reflexão. O curso de direito demanda pelo menos 4 anos, mais aprovação na ordem, mais conhecimento da legislação local. Se (veja bem “se”) ainda assim o advogado se aventurar em ir para o outro país serão mais tantos anos de procura e adaptação a nova moradia, ao novo trabalho, a nova legislação? Quantias pessoas comparativamente tem interesse nisso? E quantos portugueses ganham muito dinheiro no Brasil? Quantos portugueses encontraram acolhida no Brasil sem perder laços com Portugal? Só quem não conhece nada além de Portugal pra falar uma besteira dessas.
Se podemos andar num autocarro conduzido por malta que nunca tinha entrado num antes de ter a carta também podemos meter o futuro financeiro da família nas maos de alguém que nem fala a mesma língua.
Como dizia o outro, *é lidardes*.
A ordem dos medicos ja faz isto ha muito tempo. O classico gatekeeping
Acho muito bem. Corre los daqui pra fora
O Brasil possui 1,3 milhão de advogados, dos quais 3 mil trabalham em portugal (0,2%).
Já Portugal possui 34 mil advogados, dos quais 2 mil trabalham no Brasil (5,8%).
Esses 3 mil advogados brasileiros trabalham sobretudo com imigrantes brasileiros e processos de naturalização/residência em geral. Já os advogados portugueses atuam em grandes empresas portuguesas com negócios no Brasil. Seria capaz de apostar que os 2 mil advogados portugueses ganham MUITO mais dinheiro no Brasil do que os 3 mil advogados brasileiros em Portugal.
Mas boa sorte com isso.
Se os advogados portugueses tiverem acesso direto no Brasil, o inverso deve ser igual.
Isto é só a Ordem dos Advogados a fazer aquilo que melhor sabe: manter o acesso à profissão o mais limitado possível, para manter o privilégio da classe intocado.
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Interessante. O sector de advocacia tem tantas particularidades, e depois um advogado que tirou o curso no Brasil pode operar em Portugal sem qualquer adaptação ou equivalência?
A guilda dos advogados “gate keeper” da profissão que tem o monopólio sobre quem se pode apresentar perante um juiz enquanto advogado, não quer concorrência.
Quando era puto a minha mãe ainda me levava a um oftalmologista, sou meio zarolho, para obter prescrição para óculos. Um consultório velho e porco com equipamentos centenários. As dioptrias eram calculadas com lentes velhas e com tentava-erro. Depois vieram os grandes porcos capitalistas das óticas com equipamentos de ponta onde bastava eu enfiar o olho, olhar para um balão, e a máquina calculava tudo. E mais barato.
Mas a ordem dos médicos na altura garantiu-nos que os pacientes iam ser largamente prejudicados com a “liberalização do sector”.
Ainda se lembram quando precisávamos de ir a uma farmácia para comprar um paracetamol?
Faz me lembrar a história do acesso aos mestrados na fdl…
Seria um passo atrás. Tal como a integração no Euro, a integração no espaço Lusófono é o que garante a Portugal um número de trabalhadores que permite manter o país a funcionar.
Também concordo com a globalização e acho que um ambiente cosmopolita enriquece muito a cultura local, contudo vejo que Portugal precisa ter mais cautela ao tentar fazer uma integração tão rápida com os países da CPLP como está a tentar fazer nos últimos anos. Ora, Portugal ainda é um país pequeno, com uma população de apenas 10 milhões de habitantes, e está a abrir as suas fronteiras de forma completamente irresponsável e sem qualquer planeamento mais aprofundado. Portugal está a convidar para o seu território um bloco de países com quase 300 milhões de habitantes, sendo que estes países têm ordenados mínimos que representam menos de 30% da realidade portuguesa. Imaginem se apenas 1 milhão desses quase 300 milhões decidir aventurar-se em Portugal. Um aumento repentino de 10% da população representaria um colapso em serviços como o SNS, o setor imobiliário, a segurança, entre outros, colocando em risco as pessoas que já residem em Portugal hoje. Uma verdadeira loucura do Costa.
Este tema levanta vários temas para mim:
1. Portugal precisa de mais advogados?
2. Existe alguma avaliação da qualidade dos advogados e do ensino do direito no Brasil comparado com Portugal?
3. Quão semelhantes são os códigos?
A minha experiência com advogados Portugueses e todo o sistema legal não é famosa.
Se a ideia é recebermos pessoas competentes, mais competentes que os nossos advogados, que ajudem a melhorar o sistema, que melhorem o nosso país, produzam riqueza e sejam felizes e possam viver em paz, então que venham.
[deleted]
Eu até acho boa ideia aumentar o número de advogados, porque arranjar um advogado é bem caro. Muito mais que um médico, por exemplo, e não é uma formação mais especializada que medicina.
Para mim, primeiro aboliam-se todas as barreiras estúpidas tipo os estágios não remunerados para aceder à profissão, mas pode ser necessário além disso trazer profissionais de fora do país para os preços baixarem para algo mais comportável.
Não sou advogado. Mas já ocasionalmente li comunicações, contratos legais de casos legais brasileiros e fds, que é difícil. Montes de coisas em que achas “mas aquilo não é palavra”, linguagem super complicada (a sério, muito mais que a portuguesa) e conceitos básicos para nós (particularmente directivas europeias, venda à distância e proteção de dados) que não têm.
Não faz o menor sentido na minha opinião um advogado de um dos lados poder ser advogado no outro lado, sem ter de fazer nenhuma prova, ou equivalência. Isto obviamente para os dois lados.
[removed]
Se permitimos médicos estrangeiros exercer em Portugal, então devemos permitir outras profissões como Advogados, Engenheiros, Arquitetos.
Job security
/s
“Atualmente, cerca de 10% dos advogados registados em Portugal são brasileiros.” Um aumento de quase 482%, desde 2017. Eis o motivo e acho que ser advogado no brasil é mais fácil do que em Portugal com estágios não remunerados etc.
Quanto comentário sem senso crítico. Uns comparando o trabalho do advogado ao do dentista, outros dizendo que só é vantajoso aos brasileiros. Isso só mostra falta de reflexão. O curso de direito demanda pelo menos 4 anos, mais aprovação na ordem, mais conhecimento da legislação local. Se (veja bem “se”) ainda assim o advogado se aventurar em ir para o outro país serão mais tantos anos de procura e adaptação a nova moradia, ao novo trabalho, a nova legislação? Quantias pessoas comparativamente tem interesse nisso? E quantos portugueses ganham muito dinheiro no Brasil? Quantos portugueses encontraram acolhida no Brasil sem perder laços com Portugal? Só quem não conhece nada além de Portugal pra falar uma besteira dessas.
Se podemos andar num autocarro conduzido por malta que nunca tinha entrado num antes de ter a carta também podemos meter o futuro financeiro da família nas maos de alguém que nem fala a mesma língua.
Como dizia o outro, *é lidardes*.
A ordem dos medicos ja faz isto ha muito tempo. O classico gatekeeping
Acho muito bem. Corre los daqui pra fora
O Brasil possui 1,3 milhão de advogados, dos quais 3 mil trabalham em portugal (0,2%).
Já Portugal possui 34 mil advogados, dos quais 2 mil trabalham no Brasil (5,8%).
Esses 3 mil advogados brasileiros trabalham sobretudo com imigrantes brasileiros e processos de naturalização/residência em geral. Já os advogados portugueses atuam em grandes empresas portuguesas com negócios no Brasil. Seria capaz de apostar que os 2 mil advogados portugueses ganham MUITO mais dinheiro no Brasil do que os 3 mil advogados brasileiros em Portugal.
Mas boa sorte com isso.
Se os advogados portugueses tiverem acesso direto no Brasil, o inverso deve ser igual.
Isto é só a Ordem dos Advogados a fazer aquilo que melhor sabe: manter o acesso à profissão o mais limitado possível, para manter o privilégio da classe intocado.
E bem