No seguimento da estátua do Fundador…

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  1. Uma vez ia eu num comboio, o último daquela noite, quando na antepenúltima paragem praticamente todos os passageiros saem do comboio (pouca gente seguia para as duas últimas), excepto eu e mais uma pessoa. Essa outra pessoa era nem mais nem menos que o Jorge Jesus.

    Eu, como grande memer que sou, tentei tirar uma foto à socapa, para depois meter uma caption a dizer “ESTE COMBOIO ESTÁ ENGARSADE”, “O BILHETE CUSTOU PINERS” ou qualquer merda do género, mas ele topou-me, fez-me sinal para baixar o telemóvel e chamou-me para ir ao pé dele.

    Mal acabo de me sentar, ele declama de forma ininterrupta e com uma eloquência e dicção perfeitas – como eu nunca vi na vida – os 10 primeiros poemas da Mensagem de Fernando Pessoa. Sem cábula: sabia-os de cor. E declamados com uma alma, uma força, que até se me eriçaram os pêlos do braço, e não sou nada gajo de me emocionar.

    Nisto o comboio pára, ele levanta-se e antes de sair diz: Podes contar a quem quiseres, nunca ninguém vai acarditar (forçou esta pronunciação com ar extremamente irónico) em ti.

    Ainda hoje, não percebo bem o que se passou

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