Parece uma recriação de uma estátua de algum povo pré-romano com milhares de anos.
O Chad Afonso e o Virgem Henriques
a da esquerda é afonso como material propaganda do regime salazarista. afonso é musculado, a barba é bem feitinha, tem a capa à super homem, a coroa é com pinta. é uma estátua p’ra enganar morcões.
o da direita é afonso, quebrado pelo portugal atual, uma figura mais ou menos etérea da mitologia da consciência portuguesa, destruído ou ainda em construção pelo país que o recebe agora. a espada pesa-lhe não tem força p’ra a levantar. é uma estátua p’ra enganar intelectuais.
Uns com paus e pedras fazem obras de arte, outros fumaram ganzas..
O da direita tem ar de um jovem, que acabou de estar a sós com um padre.
Quantos mais anos se passam menos nos lembramos dos detalhes do D. Afonso. Daí o resultado da direita. Já são 50 anos a mais da estátua da esquerda.
Eu fazia essas coisas com barro na escola… Agora viraram esculturas públicas 😔
não me admirava nada que a segunda estatua tenha custado 5 milhoes de euros e tenha sido criado um departamento qualquer com 50 pessoas
A da direita parece o verdadeiro Afonso Henriques que foi para Viseu quando era pequeno, que era um miúdo enfezado.
A da esquerda, o jovem atlético que regressou a Guimarães uns anos depois.
Há teorias que dizem que não são a mesma pessoa.
É deprimente ver que o que há para escolher a nível de arte pública em Portugal parece ser entre propaganda bacoca do Estado Novo e cagalhões de granito ou aço enferrujado provavelmente pagos a ajuste direto. Do kitsch bonito passou-se ao ironicamente feio.
O da direita parece o típico redditor deste sub.
É uma homenagem ao Brian May
É uma escultura do neolítico. É que se não é imita bem.
Sempre que se fala de arte vêm esta confusão de um conservadorismo ignorante contêmporâneo total.
Pessoal sei que estavam a dormir nas aulas de História mas desde o Séc XIX existe uma coisa chamada “Realismo” que quis quebrar com a arte conservadora da altura e obteve a mesma reação que agora vocês estão a ter. Portanto estão dois séculos atrasados.
Isto não invalida de uma escultura típica do Estado Novo ser arte boa e uma escultura de agora ser arte MÁ (como esta é) ou vice-versa.
Bom exemplo de como a subjetividade escuda o apologismo para a incompetência.
Já li a explicação para a estátua.
Como, supostamente, é o Rei na idade da puberdade, a estátua representa quase fielmente género masculino nessa idade.
A estátua vai ser terminada com incrustações de granito de porrinho para representar as borbulhas do Afonso e simbolicamente a sua relação com a Galiza.
Conclusão, vocês não percebem nada de arte.
A segunda estátua é de quando o Afonso foi integrante dos Ramones
Já caguei merdas parecidas…
É isso e aquele idiota do Picasso, já viram? Aquelas linhas todas tortas lol nem sabe desenhar
Eu considero-me artista, e já vivi muito uma batalha interior muito parecida a estes comentários, ou seja, o conflito entre ser fiel à minha visão e agradar ao público.
Há aqui uma grande armadilha para o artista que quer ser extremamente fiel à sua visão, digo isto por experiência e por ver isso em colegas. Ela acontece mais frequentemente a artistas que envergam por caminhos mais académicos.
Basicamente, a obsessão por se ser único e original, do ponto de vista académico e aos olhos dessas elites, acaba por fazer com que o artista cria obras do gênero desta, que precisam de uma nota de intenções a explicar tudo o que artista quer dizer com aquilo. E a própria nota de intenções vai ser só completamente compreendida por outros membros desta elite académica.
Se a intenção da obra é realmente apelar, cativar e no fundo servir esse público elitista, porque preenche a necessidade deles por estimulação e novidade intelectual, está tudo bem, não há nada de errado com isso.
A armadilha é confundir os dois mundos, o mundo elitista com o mundo real, e deixar o egos alimentados pelo intelecto apoderar-se da percepção. Isto resulta numa espécie de hipnose coletiva, em que as pessoas que decidem para quem vão os subsídios do estado para artes, eles próprios são académicos elitistas que acabam por escolherem outros académicos elitistas que satisfazem os seus caprichos. Resultado? O belo colosso que é o cinema português financiado pelo estado e esculturas como estas.
Quando estas obras são criticadas pelo público comum, por que na verdade elas não são apelativas para a generalidade da população, não servem as suas necessidades, o ego destes artistas dispara e culpa o público de ser inculto, pouco educado e ignorante em relação às artes. E isso até pode ser verdade de um ponto de vista intelectual, e até poderiam argumentar isso se as suas obras estivessem numa galeria cujo público alvo fosse um público elitista. No entanto, se a obra é financiada pelo estado com o intuito de ser exibida em praça pública, ou seja para servir o público, todos os envolvidos, tanto os juris que decidem que obra vai ser produzida, como o próprio artista, deveriam ter a responsabilidade de porém os seus egos e caprichos de parte e focarem-se naquilo que melhor serve o público. E servir o público não significa ser-se vulgar e pimba ou abdicar de uma visão única, significa adaptar essa visão e comunicar o que quer de uma forma que a maior parte das pessoas conseguir perceber e interpretar.
Se como artista, a tua arte não é capaz de falar com o coração de qualquer pessoa e transmitir a tua mensagem através da própria peça, precisas de um texto a explicar tudo, tu não estás a produzir arte que vai ser bem sucedida com as massas, estás a produzir para satisfazer o teu ego e meia dúzia de elitistas que vão entender o teu texto. Se esse é o caso também não te podes queixar de não conseguires ser um artista com prosperidade financeira porque as pessoas não percebem a tua arte, “se ao menos as pessoas percebessem a minha arte eu seria bem sucedido”. Arte é comunicação, é transmitir mensagens, é partilhar pensamentos e emoções, e um comunicador tem de assumir a responsabilidade do resultado da sua comunicação. E pode ser difícil, mas isso significa adaptar a comunicação para o recetor compreender, aprender a falar a linguagem do outro traz sempre muito mais benefícios do que ficar à espera que o outro aprenda a nossa, principalmente se o interesse é nosso em o outro compreender a nossa mensagem.
Consta que a segunda estatua teve como modelo a Manuela Ferreira Leite é para colocar em Zamora e só a retiramos quando devolverem Olivença.
O da esquerda é como eu me vejo ao espelho, o da direita é quando me tiram foto
Depois de ler a maioria dos comentários cheguei a conclusão que o estado falhou na cultura e arte.
É como comparar Cabanel a Picasso, são tipos de arte diferente. Mas neste caso ambos não chegam ao nível destes. Se fosse para parecer mais realista possível pediam à Madame Tussauds para fazer um de cera.
A da esquerda tenta enaltece-lo como herói e exagera em certos aspetos, parece até uma personagem de videojogo, com a intenção da propaganda do estado novo do nosso “passado épico”, o qual a maioria dos portugueses da época não o viveu.
A da direita exagera a fragilidade dele quando era adolescente. É fraco e tem medo. E isso é refletido também na maneira que foi feita a escultura, daí parecer “má” e imperfeita. A escolha dos materiais também reflete isso.
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Parece uma recriação de uma estátua de algum povo pré-romano com milhares de anos.
O Chad Afonso e o Virgem Henriques
a da esquerda é afonso como material propaganda do regime salazarista. afonso é musculado, a barba é bem feitinha, tem a capa à super homem, a coroa é com pinta. é uma estátua p’ra enganar morcões.
o da direita é afonso, quebrado pelo portugal atual, uma figura mais ou menos etérea da mitologia da consciência portuguesa, destruído ou ainda em construção pelo país que o recebe agora. a espada pesa-lhe não tem força p’ra a levantar. é uma estátua p’ra enganar intelectuais.
Uns com paus e pedras fazem obras de arte, outros fumaram ganzas..
O da direita tem ar de um jovem, que acabou de estar a sós com um padre.
Meanwhile in Lagos:
https://thumbs.dreamstime.com/b/lagos-portugal-september-th-statue-former-king-dom-sebastiao-old-town-101462958.jpg
Queue in Little Dark Age…
Quantos mais anos se passam menos nos lembramos dos detalhes do D. Afonso. Daí o resultado da direita. Já são 50 anos a mais da estátua da esquerda.
Eu fazia essas coisas com barro na escola… Agora viraram esculturas públicas 😔
não me admirava nada que a segunda estatua tenha custado 5 milhoes de euros e tenha sido criado um departamento qualquer com 50 pessoas
A da direita parece o verdadeiro Afonso Henriques que foi para Viseu quando era pequeno, que era um miúdo enfezado.
A da esquerda, o jovem atlético que regressou a Guimarães uns anos depois.
Há teorias que dizem que não são a mesma pessoa.
É deprimente ver que o que há para escolher a nível de arte pública em Portugal parece ser entre propaganda bacoca do Estado Novo e cagalhões de granito ou aço enferrujado provavelmente pagos a ajuste direto. Do kitsch bonito passou-se ao ironicamente feio.
O da direita parece o típico redditor deste sub.
É uma homenagem ao Brian May
É uma escultura do neolítico. É que se não é imita bem.
Sempre que se fala de arte vêm esta confusão de um conservadorismo ignorante contêmporâneo total.
Pessoal sei que estavam a dormir nas aulas de História mas desde o Séc XIX existe uma coisa chamada “Realismo” que quis quebrar com a arte conservadora da altura e obteve a mesma reação que agora vocês estão a ter. Portanto estão dois séculos atrasados.
Isto não invalida de uma escultura típica do Estado Novo ser arte boa e uma escultura de agora ser arte MÁ (como esta é) ou vice-versa.
Bom exemplo de como a subjetividade escuda o apologismo para a incompetência.
Já li a explicação para a estátua.
Como, supostamente, é o Rei na idade da puberdade, a estátua representa quase fielmente género masculino nessa idade.
A estátua vai ser terminada com incrustações de granito de porrinho para representar as borbulhas do Afonso e simbolicamente a sua relação com a Galiza.
Conclusão, vocês não percebem nada de arte.
A segunda estátua é de quando o Afonso foi integrante dos Ramones
Já caguei merdas parecidas…
É isso e aquele idiota do Picasso, já viram? Aquelas linhas todas tortas lol nem sabe desenhar
Eu considero-me artista, e já vivi muito uma batalha interior muito parecida a estes comentários, ou seja, o conflito entre ser fiel à minha visão e agradar ao público.
Há aqui uma grande armadilha para o artista que quer ser extremamente fiel à sua visão, digo isto por experiência e por ver isso em colegas. Ela acontece mais frequentemente a artistas que envergam por caminhos mais académicos.
Basicamente, a obsessão por se ser único e original, do ponto de vista académico e aos olhos dessas elites, acaba por fazer com que o artista cria obras do gênero desta, que precisam de uma nota de intenções a explicar tudo o que artista quer dizer com aquilo. E a própria nota de intenções vai ser só completamente compreendida por outros membros desta elite académica.
Se a intenção da obra é realmente apelar, cativar e no fundo servir esse público elitista, porque preenche a necessidade deles por estimulação e novidade intelectual, está tudo bem, não há nada de errado com isso.
A armadilha é confundir os dois mundos, o mundo elitista com o mundo real, e deixar o egos alimentados pelo intelecto apoderar-se da percepção. Isto resulta numa espécie de hipnose coletiva, em que as pessoas que decidem para quem vão os subsídios do estado para artes, eles próprios são académicos elitistas que acabam por escolherem outros académicos elitistas que satisfazem os seus caprichos. Resultado? O belo colosso que é o cinema português financiado pelo estado e esculturas como estas.
Quando estas obras são criticadas pelo público comum, por que na verdade elas não são apelativas para a generalidade da população, não servem as suas necessidades, o ego destes artistas dispara e culpa o público de ser inculto, pouco educado e ignorante em relação às artes. E isso até pode ser verdade de um ponto de vista intelectual, e até poderiam argumentar isso se as suas obras estivessem numa galeria cujo público alvo fosse um público elitista. No entanto, se a obra é financiada pelo estado com o intuito de ser exibida em praça pública, ou seja para servir o público, todos os envolvidos, tanto os juris que decidem que obra vai ser produzida, como o próprio artista, deveriam ter a responsabilidade de porém os seus egos e caprichos de parte e focarem-se naquilo que melhor serve o público. E servir o público não significa ser-se vulgar e pimba ou abdicar de uma visão única, significa adaptar essa visão e comunicar o que quer de uma forma que a maior parte das pessoas conseguir perceber e interpretar.
Se como artista, a tua arte não é capaz de falar com o coração de qualquer pessoa e transmitir a tua mensagem através da própria peça, precisas de um texto a explicar tudo, tu não estás a produzir arte que vai ser bem sucedida com as massas, estás a produzir para satisfazer o teu ego e meia dúzia de elitistas que vão entender o teu texto. Se esse é o caso também não te podes queixar de não conseguires ser um artista com prosperidade financeira porque as pessoas não percebem a tua arte, “se ao menos as pessoas percebessem a minha arte eu seria bem sucedido”. Arte é comunicação, é transmitir mensagens, é partilhar pensamentos e emoções, e um comunicador tem de assumir a responsabilidade do resultado da sua comunicação. E pode ser difícil, mas isso significa adaptar a comunicação para o recetor compreender, aprender a falar a linguagem do outro traz sempre muito mais benefícios do que ficar à espera que o outro aprenda a nossa, principalmente se o interesse é nosso em o outro compreender a nossa mensagem.
Consta que a segunda estatua teve como modelo a Manuela Ferreira Leite é para colocar em Zamora e só a retiramos quando devolverem Olivença.
O da esquerda é como eu me vejo ao espelho, o da direita é quando me tiram foto
Depois de ler a maioria dos comentários cheguei a conclusão que o estado falhou na cultura e arte.
É como comparar Cabanel a Picasso, são tipos de arte diferente. Mas neste caso ambos não chegam ao nível destes. Se fosse para parecer mais realista possível pediam à Madame Tussauds para fazer um de cera.
A da esquerda tenta enaltece-lo como herói e exagera em certos aspetos, parece até uma personagem de videojogo, com a intenção da propaganda do estado novo do nosso “passado épico”, o qual a maioria dos portugueses da época não o viveu.
A da direita exagera a fragilidade dele quando era adolescente. É fraco e tem medo. E isso é refletido também na maneira que foi feita a escultura, daí parecer “má” e imperfeita. A escolha dos materiais também reflete isso.