Os detalhes dos casos de alegadas más práticas no Hospital de Faro denunciados por uma médica interna

11 comments
  1. Infelizmente a jovem médica, que só agora começou a formação na especialidade, sairá a mais prejudicada neste processo.

    O director do hospital, Horácio Guerreiro, é um asco ao praticamente chamá-la de maluca e ignorante.

    Não duvido das palavras da Interna nem das acusações de negligência (qualquer pessoa que já teve contacto com aquele serviço não duvidará. Há médicos muito bons, e médicos muito maus).

    EDIT: apesar de já algumas pessoas me terem citado, quero reforçar uma coisa: existem excelentes cirurgiões no hospital de Faro. Excelentes mesmo, alguns são dos melhores no que fazem a nível nacional e verdadeiramente preocupados com o doente.
    Mas depois existem outros, e estamos a falar de provavelmente três cirurgiões, que são muito maus, quer pela sua técnica cirúrgica quer por serem pessoas horríveis. Continuam lá porque despedir um médico do serviço público é mesmo muito difícil e porque se dão com as pessoas certas (mais uma vez, estou a falar de situações que ultrapassam az meras “complicações “, que existem e que infelizmente são sempre muitas e que não são culpa de ninguém).

  2. Conheço um médico cuja mulher teve um problema de saúde grave e ela estava de férias no Algarve, tendo ido para o hospital de Faro e ele teve de sair de Lisboa para o Algarve e tirou-a do hospital de Faro, onde ela estava à 4h à espera ainda na triagem, para a urgência de um hospital da área metropolitana de Lisboa, onde foi imediatamente operada assim que chegou.

    Ele guiou o carro sempre a abrir, em marcha de urgência, até chegar ao hospital. Tudo isto numa tarde.

    Quando ele me contou a história perguntei 1) porque ela estava à 4h à espera de era urgente e 2) porque ele a retirou e levou para Lisboa, onde só me disse que não queria que a mulher morresse em Faro.

    Ela sobreviveu em Lisboa.

    Não posso divulgar muito mais sobre este caso pois isto deu sérios problemas e também porque quero proteger a identidade dos meus amigos, mas depois de ouvir isto agora percebo porque há pessoas que fazem quilómetros até chegarem a um hospital da área metropolitana de Lisboa.

  3. Infelizmente não me surpreende. Já assisti a situações de pessoas próximas e até um caso na minha família que passaram por esse matadouro. A sorte delas foi terem sido transferidas para norte após semanas de maus cuidados. Saíram de lá com mais problemas do que quando entraram.

  4. Vamos ver o que vai dar. Precisamos de mais médicos dispostos a denunciar casos destes.
    Infelizmente se isto não der em nada, duvido que mais alguém denuncie alguma coisa nos próximos anos .

  5. Num caso clássico em Portugal, não se critica quem deixou as coisas chegar a este ponto, ou quem não faz nada para as resolver. Mas críticas não faltam a quem abriu a boca para apontar as falhas.

  6. Ela como médica devia saber que há complicações que acontecem e que o médico não faz milagres. Seja como for, e apurados os factos, ninguém vai querer ter uma colega que de repente pode apontar “negligência” a outros sem que haja fundamentos sólidos para tal (corroborados por vários profissionais). Ninguém quer isso. Infelizmente parece-me que acabou de destruir a sua carreira.

  7. Uma verdinha a pôr-se em bicos de pé contra um talhante de costas quentes. Vai aprender a estar calada, pois a Ordem dos Médicos é a maior panelinha nacional. Eu por mim falo, pois aprendi a estar em silêncio nas reuniões e com isso passei entre os pingos da chuva. Mas que há malta intragável há. Não conheço a personagem em causa, mas já me cruzei com alguns serviços de talho terríveis.

  8. Vou dar os meus 5 cêntimos neste caso, por estar dentro da área apesar de não ser numa especialidade cirúrgica. Primeiro invejo a coragem dela em expor o problema (que não sei se e verdade ou nao) porque em qualquer área e complicado confrontar uma chefia, sobretudo alguém que tem a nossa formação inteira na mão (o orientador da nota ao interno e leva o interno a exame e o seu feedback e tambem importante para a nota final que serve para colocação).
    Ponto 2: não sei como é que o diretor de serviço expôs a situação, mas ele tem razão numa coisa. As técnicas cirúrgicas são mto complexas e mtas vezes sujeitas a complicações. E muito difícil um interno tão novo saber com tanto critério tratar se de uma complicação. Estamos a falar de alguém que tem de ser um autêntico talhante para chegar a este ponto.
    O que retiro disto?
    Estou rodeado todos os dias de bons e maus médicos e reconheço isso, tal como reconheço que é transversal a todas as áreas. As pessoas por norma sabem muito pouco se saúde e associam tudo o que é outcome negativo a negligência ou erro médico.
    As pessoas devem informar se antes de partir para opiniões que incendeiam as redes, porque mesmo para médicos, muitas vezes as coisas não são preto no branco.
    Já que aqui estamos, deixem me tambem falar vos de condições de trabalho. As especialidades cirúrgicas chegam muitas vezes a fazer 100h ou mais por semana, como a rapariga expôs.
    Não preciso de ser um génio para perceber que se o comum mortal se queixa por trabalhar mais de 40h, pelo impacto que tem, que um médico que trabalha 100h ou mais tem, sem qualquer sombra de dúvida, menos qualidade no que faz.
    Um bom dia a todos.

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