
## Captar passageiros para transportes coletivos depende de novos modelos de cobrança de impostos, mudar perceção dos meios e aposta na digitalização sem excluir os seniores, defendem os especialistas
O programa para baixar o preço dos passes foi insuficiente para captar os cidadãos para os transportes públicos. Em 2021, apenas 12,2% dos residentes em Portugal usavam o comboio, autocarro, metro ou barco para chegarem ao trabalho; uma década antes, eram 15,6% os que escolhiam esta opção, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Com a viagem de transportes a demorar praticamente o dobro do tempo do percurso de carro — 43 minutos e meio vs. 18,8 minutos — é necessário encontrar outras fórmulas para captar mais pessoas para os transportes coletivos.
Novos modelos de cobrança de impostos na área dos transportes, mudar a perceção que os cidadãos têm sobre os veículos utilizados e a aposta na digitalização sem excluir os seniores foram algumas das propostas avançadas num encontro de especialistas, a propósito da inauguração do centro de investigação para a mobilidade Tmob-Hub, no campus de Azurém, em Guimarães, da Universidade do Minho.
“Os modelos de taxação em torno da mobilidade são antigos, baseados em tecnologia do séc. XX. Os novos modelos têm de ser inteligentes e atrair as pessoas para os transportes coletivos”, defendeu o antigo secretário de Estado da Mobilidade, José Mendes. “O setor automóvel representa 12% das receitas fiscais. É arriscado mexer nisso mas é preciso. É preciso pagar impostos conforme a hora em que for usado o veículo, a localização, o tráfego e o número de pessoas no veículo”, detalhou o agora presidente da Fundação Mestre Casais, virada para a sustentabilidade.
Paulo Humanes considera que “toda a mobilidade no futuro tem de ser partilhada“, mas reconhece que “há situações em que o carro ainda tem um papel, pelo que não deve ser abolido”. O diretor responsável pela área de Mobilidade, Automóvel e Cidades no CEiiA recordou que este centro de engenharia e inovação de Matosinhos tem um projeto no estado brasileiro de Santa Catarina para captar pessoas para os transportes coletivos.Captar passageiros para transportes coletivos depende de novos modelos de cobrança de impostos, mudar perceção dos meios e aposta na digitalização sem excluir os seniores, defendem os especialistas
O programa para baixar o preço dos passes foi insuficiente para captar os cidadãos para os transportes públicos. Em 2021, apenas 12,2% dos residentes em Portugal usavam o comboio, autocarro, metro ou barco para chegarem ao trabalho; uma década antes, eram 15,6% os que escolhiam esta opção, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Com a viagem de transportes a demorar praticamente o dobro do tempo do percurso de carro — 43 minutos e meio vs. 18,8 minutos — é necessário encontrar outras fórmulas para captar mais pessoas para os transportes coletivos.
Novos modelos de cobrança de impostos na área dos transportes, mudar a perceção que os cidadãos têm sobre os veículos utilizados e a aposta na digitalização sem excluir os seniores foram algumas das propostas avançadas num encontro de especialistas, a propósito da inauguração do centro de investigação para a mobilidade Tmob-Hub, no campus de Azurém, em Guimarães, da Universidade do Minho.
“Os modelos de taxação em torno da mobilidade são antigos, baseados em tecnologia do séc. XX. Os novos modelos têm de ser inteligentes e atrair as pessoas para os transportes coletivos”, defendeu o antigo secretário de Estado da Mobilidade, José Mendes. “O setor automóvel representa 12% das receitas fiscais. É arriscado mexer nisso mas é preciso. É preciso pagar impostos conforme a hora em que for usado o veículo, a localização, o tráfego e o número de pessoas no veículo”, detalhou o agora presidente da Fundação Mestre Casais, virada para a sustentabilidade.
Paulo Humanes considera que “toda a mobilidade no futuro tem de ser partilhada“, mas reconhece que “há situações em que o carro ainda tem um papel, pelo que não deve ser abolido”. O diretor responsável pela área de Mobilidade, Automóvel e Cidades no CEiiA recordou que este centro de engenharia e inovação de Matosinhos tem um projeto no estado brasileiro de Santa Catarina para captar pessoas para os transportes coletivos.
“Os brasileiros tendem a andar mais a pé ou de bicicleta, embora tenham a ambição de andarem de carro ou de mota. Com a nossa solução, registamos os percursos a pé ou de bicicleta e depois transformamos os dados em viagens de autocarro. As pessoas experimentam o autocarro e, assim, tenta-se quebrar o ciclo de andar de carro”, explicou o responsável.
Quando questionada sobre uma eventual proibição dos voos domésticos dentro de Portugal Continental, a presidente da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) defendeu que “a liberdade na operação traz eficiência e riqueza”. Para Tânia Cardoso Simões, “é preferível ter um esquema de incentivos ou desincentivos do que uma proibição total de voos“.
## Informar sem excluir os seniores
A captação de passageiros para os transportes públicos também depende da informação que é prestada antes e durante a viagem, para garantir que ninguém fica perdido ou que escolhe a opção mais rápida, sem destruir o orçamento.
A Bosch, uma das maiores empregadoras do Minho, chama a atenção para a digitalização na área dos transportes. “Chego a uma qualquer cidade europeia e são apresentadas as melhores rotas para nos deslocarmos. Isto é muito importante para as pessoas terem confiança na utilização dos transportes coletivos”, sublinhou André Santos. O responsável pela área de desenvolvimento notou, por outro lado, que “em Portugal dependemos muito do carro e não olhamos muito para outros meios mesmo quando eles são melhores”. Por causa disso, completou, “precisamos de educar as pessoas para mudar para os transportes partilhados”.
Já o presidente honorário do Tmob-Hub, António Gomes Correia, sublinhou que as linhas de comboio, aeroportos e estradas “têm de estar ligados de forma a servir os cidadãos”. Isso implica que “cada utilizador possa ser informado através do telemóvel das melhores soluções para ir do ponto A para o ponto B”, independentemente do meio de transporte que for utilizado.
Apesar de ser favorável à digitalização, o diretor executivo da Plataforma Ferroviária Portuguesa, Paulo Duarte, alertou para o risco de exclusão dos seniores. “Não nos podemos esquecer das pessoas mais velhas: chegam às estações e não está lá ninguém para lhes vender um bilhete e não há ninguém que lhes atenda o telefone. As pessoas continuam a ser necessárias nas estações e nos interfaces”, recomendou.
Sobre a importância do financiamento para garantir as melhorias na oferta dos transportes públicas, o presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), Miguel Cruz, considerou como “viável” a opção pela alta velocidade e defendeu a combinação entre o Estado e as empresas. “Se quisermos implementar a alta velocidade sem grandes perturbações ao longo do tempo e sem custo de oportunidade, a melhor abordagem que podemos seguir é a das parcerias público-privadas“, referiu.
Por outro lado, o diretor-geral da Mota-Engil Concessões, Rui Guimarães, que encerrou este debate em Guimarães sobre a mobilidade, aproveitou para deixar um lamento sobre a falta de investimentos nas infraestruturas ao longo da última década. “Desperdiçámos dez anos de oportunidades de financiamento a juros muito baixos porque temos alguns complexos”, concluiu o gestor.
[https://cnnportugal.iol.pt/transportes-publicos/transportes/baixar-o-preco-dos-passes-nao-foi-suficiente-para-que-os-cidadaos-aderissem-aos-transportes-publicos-e-agora-mais-incentivos-ou-proibicoes/20230430/644bce13d34ef47b87534d7c](https://cnnportugal.iol.pt/transportes-publicos/transportes/baixar-o-preco-dos-passes-nao-foi-suficiente-para-que-os-cidadaos-aderissem-aos-transportes-publicos-e-agora-mais-incentivos-ou-proibicoes/20230430/644bce13d34ef47b87534d7c)
41 comments
Aqui em Lisboa a única forma de captar passageiros é desenvolver a rede de metro em Oeiras, Amadora, Odivelas e Loures. A única. Um tipo de carro da Damaia a Carnaxide nem 10 minutos são. Estão lado a lado. De autocarro é quase 1 hora. Não existe transporte público que resista sem rede.
Um bom incentivo era os transportes serem viáveis, em vez do *”Being Late Simulator 2023″* que são.
O facto de eles estarem em greve constante nao ajuda (CP)
Os autocarros esta sempre atrasados, o unico transporte que funciona minimamente bem em Lisboa sao os Barcos, que mesmo assim tem greves mas normalmente esta tudo normal.
O melhor incentivo aos transportes públicos é deixar de os ver como um meio de transporte para os pobres e passar a vê-lo como um transporte prático e mais conveniente. Baixar o preço só tem efeito até um certo ponto, só funciona para quem tem uma boa rede de transportes à porta e já estava no limbo entre usar ou não TP.
O programa de redução do valor dos passes só aconteceu nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e num número limitado de empresas de transporte que já serviam convenientemente estas regiões.
Eu moro na região do Cávado, e este ano o valor dos bilhetes e do passe mensal apenas têm aumentado. É bom lembrar que o resto do país ainda está à espera de uma revolução na mobilidade, que tarda em chegar.
Para mim todos os menores de +-20 anos deveriam ter transporte público grátis para de habituarem e verificar que é o uma alternativa válida para muitos deles. Mas não, é melhor estar sempre dependente do papá e da mamã e depois ter o seu próprio transporte.
Passo nº1: obrigar todos os políticos a utilizar transportes públicos diariamente.
Acabavam-se os motoristas privados e carros privados. Poupava-se centenas de milhares de euros ao Estado anualmente.
Se os políticos fossem obrigados a andar de transportes públicos, iam ver como as coisas começavam a melhorar.
como na pirataria.. nao é problema de preço, é problema de serviços.
Podiam começar por ouvir os trabalhadores e acabar com as greves, eu sinceramente já há mais de uma década que ando de TP, e este ano foi o ano que mais andei de carro, e não é por prazer já que me sai mais caro, mas ou era isso ou despedir-me. Não serve de nada incentivar se depois não conseguem acompanhar a procura.
Com proibições só complicam a vida a quem não vive perto das cidades.
Eu começava por oferecer o navegante aos deputados e tirar os carros oficiais, iam ver como começava a coisa a melhorar, até lá TP=POBRE
Têm paragens de comboio e estações de metro e 0% de estacionamento, quem adere?
Eu tenho umas quantas sugestões: mais transportes e com menos tempo entre cada passagem, para não ir tudo cheio.
O preço não é tudo. Não consegues vender 1 Kg de merda por 1euro. Mas também não consegues despachar o saquinho de merda nem que o ofereças.
>Em 2021, apenas 12,2% dos residentes em Portugal usavam o comboio, autocarro, metro ou barco para chegarem ao trabalho; uma década antes, eram 15,6% os que escolhiam esta opção, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Sugiro fazerem os cálculos em Fevereiro de 2020, antes do trabalho remoto ficar tão popular.
Falando por experiência própria, quando ainda ia para o escritório, a taxa de ocupação do parque de estacionamento da estação (margem sul) subiu consistentemente ano após ano.
Tira as leis e impostos, sejam de “incentivos” Ou não. Deixa as pessoas decidirem o que é melhor para elas.
Não foi suficiente? Como assim?
Antes do passe estar mais barato ainda era possível apanhar um comboio da Fertagus de manhã e levar a bicicleta, hoje em dia é incrivelmente difícil.
Ver esta questão numa perspectiva económica, de impostos ou cobranças, é ignorar que as pessoas não usam os TP porque são uma bela merda. Mesmo que o passe custasse 0€, haveria muita gente a ignorar, porque com TP é muito mais difícil organizar uma vida dinâmica
O primeiro passo era por os comboios a funcionar como deve ser.
Especialmente no norte já perdi as contas às vezes em que o raciocínio foi “mais vale ir de carro, os comboios podem falhar”. Não dá para confiar na disponibilidade dos comboios especialmente este ano.
O problema dos transportes não é serem caros; é serem uma merda.
E fora das grandes cidades nem vale a pena dizer nada.
Na maior parte das cidades europeias se comparares o tempo de viagem entre carro particular e transportes públicos, os transportes públicos são sempre mais rápidos. Em Portugal são sempre mais lentos. Muito mais lentos. Eu demoro 40 minutos a chegar ao trabalho se houver trânsito e demoro 1:30 h se for de transportes. É fácil fazer as contas. Resolvam isso melhorando os transportes 🤷🏻♂️
Era mais caro do que é hoje antes?
E agora? Menos greves, maior frequência de transportes para não virem sempre á pinha.
Mas parece que é pedir muito.
É difícil mudar habitos, principalmente de quem está habituado ao carro.
Enquanto nas grandes cidades o uso de carro privado não for um transporte de luxo, nada vai mudar.
Vivo na Holanda e aqui toda a gente usa transportes públicos. Razão muito simples: são fiáveis.
É muito bonito baixar os preços ou até tornar os transportes públicos grátis (não passam de medidas populistas para ganhar a curto prazo) mas isso não resolve o problema.
Tem de haver investimento a sério para haver retorno a médio/longo prazo, mas em Portugal o que conta são esmolinhas e a maior parte da população vai na cantiga.
Se um trajeto demora 15 minutos de carro, nem de borla atrai pessoas que de transporte levam 1h10.
Exemplo: Campo Grande-Restelo
Eu deixei de andar metro pq deixar o carro perto do metro corro o risco meu catalysador ou pneus serem roubados. Já ouvi tantos casos e tb me aconteceu. Mais seguro deixar o carro em estacionamente em lx com seguranca.
A realidade é que mais tugas agora ganham o suficiente para a gasolina, e preferem o conforto e a liberdade do transporte próprio.É literalmente impossível contornar este facto. E forçar as pessoas a não o fazerem é criminoso.
Por mais que digam que é mais cómodo rápido etc, as pessoas tem direito de escolha, e podem não querer sentir o mau cheiro das outras pessoas ou obriga-las a tomarem banho.
Cada pessoa deve ter o direito a deslocar-se como quer. Independentemente da forma.Isto não é Inglaterra.
A nova proposta deles para cortar a mobilidade das pessoas é linda. Só podem se deslocar nos seus veículos 100 vezes por ano para fora da sua área de residência, e passado isto passam a pagar multas.Isto é verdadeiramente um ataque à liberdade das pessoas.
Enquanto o carro significar poupança de tempo e conforto, não adianta baixar preços. Acredito piamente que se os TP fossem gratuitos, o problema mantinha-se.
Trabalhar a partir de casa para todos os que possam é a solução, todos os que deixaram de ir aos escritórios das empresas e passaram a trabalhar a partir de casa com o Covid são também responsáveis pelos números mais baixos da utilização das latas.
Que bom baixaram o preço mas por causa de greves acabaram por usar mais o carro do que o comboio nestes últimos tempos
Para entrar em Londres de carro paga-se 16 libras por dia.
Parece-me uma boa medida para Lisboa e Porto… Havia muito mais gente a aderir aos transportes públicos.
Dito isto, só conheço os transportes em Lisboa. E são horríveis… Metro em hora de ponta é de 10 em 10 mins nas linhas mais movimentadas, 15 ou 20 na vermelha.
Comboios vêm sempre cheios e de 20 em 20 mins em hora de ponta.
Depois há um problema estrutural, malta de Loures e Odivelas não consegue ir para Oeiras, Sintra ou Cascais sem demorar 2 a 3 horas de transportes (ou vice versa), o que é simplesmente ridículo, todo o transporte só está desenhado para Lisboa e 0 interface entre as restantes localidades à volta.
O problema é a falta de qualidade, de fiabilidade e da baixa frequência do serviço. Até podiam meter de borla, que como está ninguém quer usar.
“Transportes” públicos… quando estes transportarem de forma regular e previsível, sem 1001 greves todos os anos a sem estarem a cair de podres, depois podemos ter uma conversa séria sobre este tema. Até lá é fingir que nem ninguém vê o o elefante na sala.
Mais e melhor oferta.
O que é preciso é mais e melhor oferta.
Expandir redes de transportes públicos.
Mais interligações.
Horários mais fiáveis.
Aumentar a frequência dos autocarros.
Mais faixas exclusivas a transportes públicos.
Incentivar a procura serve de muito pouco quando não há oferta capaz de a satisfazer.
Estamos mesmo a comparar o número de utilizadores de transportes públicos em 2021? Ano de confinamento?? Mas está tudo burro ou o cm jornal já passou a divulgar informação truncada do +liberdade?
Captar mais pessoas para os transportes?
Para os meios que existem, temos gente a mais. É ver os autocarros carregados em hora de ponta e as pessoas nas paragens a desesperar e a vê-los passar.
Moro nos subúrbios de Lisboa, não conduzo, e por isso quando tenho de ir a algum lado vou de transportes públicos.
Tenho a sorte de fazer a minha vida no dia a dia a pé mas pelo menos uma vez por semana ando de transportes públicos (mais frequentemente autocarro e às vezes comboio ou metro).
A minha opinião enquanto utilizadora de transportes públicos é que não basta baixar o preço, é preciso aumentar a oferta e tornar os transportes mais regulares e confiáveis.
Hoje em dia em hora de ponta tens comboios ou autocarros de 10 em 10mins, contra países civilizados em que em hora de ponta nas rotas de maior procura chegas a ter transportes que passam de minuto a minuto. E no Verão ao fim de semana na linha de Cascais tens comboios sempre à pinha, mesmo sem greve nas horas de praia os comboios vão tão cheios que metem medo.
Tens percursos que se fazem em 15 minutos de carro e em 40 de transportes públicos porque só lá vai um autocarro que passa pelas capelinhas todas ou é preciso apanhar 2 ou 3 transportes para lá chegar.
Com a Carris Metropolitana tens novas rotas sim mas há falta de motoristas por isso os autocarros não cumprem horários, às vezes não passam e há motoristas que não conhecem as rotas por isso enganam-se no caminho deixando pessoas apeadas nas paragens.
Fora do centro de Lisboa faz falta um metro ou mais ligações entre linhas de comboio, porque em hora de ponta mesmo os autocarros ficam presos no trânsito.
Hoje em dia os transportes públicos são o transporte dos pobres, quando deviam ser a escolha lógica de todos porque obviamente são a opção mais barata e amiga do ambiente. Mas ninguém se devia ter de sujeitar a chegar atrasado ao trabalho porque só há uma opção de transporte entre a casa e o trabalho e nesse dia o autocarro não passou. E quem pode, claro que se quer esquivar disso.
Esta é a minha experiência de viver num subúrbio de Lisboa, mas acredito que seja assim noutros sítios. Depois de viajar noutros países e andar de transportes em hora de ponta no estrangeiro cheguei à conclusão que Portugal não sabe fazer transportes públicos.
Este tema já foi muito falado, até podiam ser grátis mas se não estiverem em condições, o cidadão não os vai utilizar.
Entre 2017 e 2020, apanhava o comboio Fertagus todos os dias até Roma-Areeiro e não era assim tão mau, com a excepção de ter casas-de-banho fechadas/pagas em praticamente todas as estações em Lisboa
Hoje em dia, os comboios estão completamente sobrelotados, só falta o pessoal ir no telhado. Em vez de comprarem mais carruagens, tiveram a brilhante ideia de remover assentos para que coubesse mais gente. Ass backwards country, completamente.
Houve muito pessoal que vendeu as suas casas em Lisboa e arredores, mudando-se para a Margem Sul. Não só vemos mais pessoas em transportes públicos como também mais carros, é completamente insustentável.
Quando há greve então, é para esquecer…
O preço, na minha experiencia, nunca foi um problema, eu ja paguei 70€ num passe do porto a gaia, o problema era ter de apanhar 3 transportes e ainda andar a pé, demorando quase 2h, se o trabalho nao me cansasse, eu chegava a casa cansada por ter de acordar bem mais cedo e chegar a casa bem tarde ao ponto que nem tempo tinha para fazer o que quer que seja. No trabalho que estou ate compensava porque tinha bus á porta e saía á porta do trabalho, só que tinha de ir ao centro da cidade apanhar o segundo, tendo que apanhar o primeiro mais de 1h antes de entrar, algo que de carro fazia em menos de 10min visto que é quase ao lado da minha casa indo pela auto estrada. O problema é que só ha bus durante o dia, entao metro esse é inexistente, a unica opçao chega a ser mesmo só o carro. Á beira da minha casa só ha bus a partir das 7h, o outro fica a 10min a pé e passa ás 6.30, eu entrando ás 6h, era impossivel, e como saio quase á meia noite, nao ha nenhum transporte a essa hora. O outro caso é que tive de negar fazer intermédios porque tinha de apanhar os bus á hora de ponta e eles insistem a colocar apenas bus pequenos que vai a abarrotar pelas costuras.
Obvio que para o centro do porto é bem melhor usar transportes, ou para certos shoppings, mas para outros sitios é completamente impossivel.
Os transportes públicos são a primeira opção, desde que sejam mais rápidos do que ir de carro próprio. As pessoas vão sempre escolher o carro, mesmo pagando mais, de o carro for mais rápido.
Falando do meu caso: vou de carro para o trabalho mesmo que o passe custasse 10€/mês.
Trabalho de noite ( neste momento entro às 17h e saio às 2h), mas também já entrei às 22 e saí às 7h.
Os transportes às 2 da manhã são escassos e eu não me sinto segura a andar na rua sozinha a essa hora devido a situações anteriores..