
Portugal possui uma comissão para a seca que se reuniu 13 vezes em seis anos. Em plena crise climática, especialistas defendem medidas estruturais (e não reactivas) de combate à escassez da água.

Portugal possui uma comissão para a seca que se reuniu 13 vezes em seis anos. Em plena crise climática, especialistas defendem medidas estruturais (e não reactivas) de combate à escassez da água.
20 comments
É construir mais estufas no Alentejo para produzir frutos vermelhos e aumentar a população de turistas no Algarve….
> O presidente da Zero recorda que, no século XXI, em plena crise climática, Portugal “não tem uma estratégia para a água”. “Tínhamos um plano [o Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água (PNUEA)] que deveria estar em vigor entre 2012 e 2020, mas que foi abandonado a partir de 2015. Desde então, estamos um pouco a funcionar em função das necessidades, sem estratégia”, lamenta Francisco Ferreira numa conversa telefónica com o PÚBLICO.
> Não devíamos ter comissões, devíamos ter um plano eficiente para uso da água. Caso contrário, temos estas comissões ad aeternum.
> A mais recente reunião da comissão para a seca realizou-se no dia 21 de Abril, tendo sido o primeiro encontro de 2023. Após o encontro, os ministérios do Ambiente e da Agricultura anunciaram a manutenção de medidas para poupar água, anunciando outras como suspensão de novas estufas no Sudoeste alentejano e a interdição do uso da água para a rega nalguns pontos do país onde há défice hídrico.
> Joaquim Poças Martins, por sua vez, recorda que, como estamos diante de um fenómeno global de mudança do clima, temos de nos “preparar para um novo normal”. E o que é essa nova normalidade? “São períodos de seca que se arrastam, um ano seco depois de outro. Praticamente estamos desde 2017 a enfrentar a seca”, diz o especialista em gestão hídrica, para quem uma comissão dedicada à seca acabaria por ser “um trabalho a tempo inteiro”. “Quase até poderíamos criar o Ministério da Seca”, refere o docente da FEUP.
> Os dados do mais recente Relatório de Monitorização Agro-meteorológica e Hidrológica, feito pelo grupo de trabalho que presta assessoria técnica à comissão, sublinham “casos críticos no país”, como a barragem de Bravura (Aproveitamento Hidroagrícola do Alvor) e do Arade (Aproveitamento Hidroagrícola de Silves, Lagoa e Portimão). Na primeira, as reservas de águas estão destinadas “exclusivamente para abastecimento público”, o que compromete “irremediavelmente” o sector agrícola. Já no Arade, é compulsória a adopção do plano de contingência para situações de seca.
> “Vejamos o caso de Israel: é um país mais seco do que o nosso, mas que não está a sofrer com falta de água. E os agricultores em Israel ganham mais dinheiro do que os portugueses. Não foi sempre assim. Nos anos 90, na sequência de problemas graves, adoptaram uma série de políticas públicas, incluindo a nacionalização da água. A água em Israel pertence ao Estado – quem capta a água tem de medir [o consumo] e pagar. Em Portugal, [água para a agricultura] quase não se mede nem se paga”, explica Joaquim Poças Martins.
>O especialista em gestão hídrica refere que usamos a água subterrânea “à vontadinha” – e que, em bom rigor, não devia ser assim, deveriam ter uma licença, “mas a maioria não tem e, mesmo com licença, não paga”. Como a água para fins agrícolas em Portugal é “quase de graça”, argumenta Poças Martins, os agricultores não têm incentivos para poupar água. É na agricultura que temos de prestar atenção quando falamos de recursos hídricos, pois é também no sector onde se verifica uma gigantesca fatia do consumo.
> “A água dos poços aqui custa zero e lá 60 cêntimos por metro cúbico. Israel reutiliza toda a água residual e paga ainda 30 cêntimos o metro cúbico. Em Portugal, a reutilização de água residual é quase zero porque o agricultor tem água no poço. Desperdiçamos um volume de águas residuais, distribuído ao longo do país, que equivale a uma barragem inteira do Alqueva. Isto permitiria ter muito menos escassez, mas não estamos a usar – são recursos que vão parar ao mar”, lamenta Poças Martins.
> A água que desperdiçamos todos os dias também desespera Maria José Roxo. A geógrafa não compreende como os decisores não aproveitaram o período de seca para remover os sedimentos das albufeiras, permitindo assim que as barragens armazenassem uma maior quantidade da água que caiu do céu no fim de 2022 e no início de 2023.
> Outro caminho que os especialistas consideram premente é o que passa por repensar as culturas que queremos ter no país e, fazendo contas, definir os grandes investimentos em que queremos apostar. Desejamos mais barragens? Queremos construir unidades de dessalinização? Para servir quais culturas? E a que custo ambiental? Tudo isso tem de ser ponderado em função de uma aposta estratégica.
> São períodos de seca que se arrastam, um ano seco depois de outro. Praticamente estamos desde 2017 a enfrentar a seca (…) Quase até poderíamos criar o Ministério da Seca.
> “Sabemos quais são as nossas prioridades, mas temos de planificar os investimentos. Se eu for para uma determinada cultura que consome demasiada água, tenho de pensar se compensa o investimento no regadio, por exemplo – há um limite para a subsidiação. Precisamos não só de sentar e analisar o custo e o benefício em relação às opções tomadas, mas também apostar fortemente numa maior eficiência hídrica”, alerta Francisco Ferreira.
> Para o ambientalista, a construção de unidades de dessalinização – como a que foi anunciada para o litoral alentejano – deve ser vista como “um investimento de último recurso”. Já Poças Martins pensa que a criação de novas barragens – hipótese admitida pela tutela do ambiente e da acção climática – deve ser encarada com igual cautela, seja pelo custo, seja pelo impacto ambiental.
> “Portugal tem de pensar na agricultura que tem e na que quer, pensar se quer continuar a cultivar o que tem cultivado, como tem cultivado. Há agricultores que pedem mais barragens, ou que se traga água do Norte para o Sul, do ponto de vista económico e ambiental não funciona. Não faz qualquer sentido fazer um transvase do Norte para o Sul [a chamada auto-estrada da água], no meu ponto de vista. Quanto às barragens, é preciso ver quem as paga. Já temos bastantes barragens. Acho mais sensato primeiro usar bem a água que temos e depois pensar como conseguimos mais”, conclui o professor da Faculdade de Engenharia do Porto.
Mais taxas e taxinhas. Andam a cagar durante estes anos todos e depois correm atrás do prejuízo. Mas o prejuízo é sempre pro mesmo.
A água é escassa mas é baratíssima ou de borla, logo é usada à vontadinha.
Insistir em agricultura de regadio em zonas em desertificação é uma das coisas mais estupidas que a humanidade faz e em PT não somos imunes a essa estupidez
A única estratégia possível é abandonar tudo abaixo do Tejo, com excepção do Algarve e Alentejo Litoral.
Ainda no ano passado abriram 9 campos de golf no Algarve, se bem me lembro. E estão a fazer mais no Alentejo.
Temos culturas de coisas como abacates e outras de alto consumo de água nas zonas mais vulneráveis do país.
[O Alentejo e o Algarve já estão em seca severa desde março, pelo menos. A zona de seca moderada já engloba Lisboa e uma parte do centro interior considerável. E a zona de seca extrema está cada vez a avançar mais e ainda só chegamos a maio…](https://www.ipma.pt/pt/oclima/observatorio.secas/).
O país está a ficar desértico e a única coisa que o governo faz é tornar o país no parque infantil para os ricos de países estrangeiros.
No final quem vai pagar a fatura são as pessoas locais.
No meu concelho a distribuição de água para consumo tem mais de 70% de perdas de toda a água que é captada e colocada na rede.
As perdas na rede de distribuição são o maior problema na conservação de água no país, muito mais do que a água que consumimos e desperdícios que possamos fazer em casa… Contudo os municípios e as autoridades teimam em aumentar o preço e penalizar o consumidor em vez de arranjarem as suas redes.
Lembram-se do inverno passado quando a maioria dos países estava a reforçar as reservas de energia, a cortar os consumos eletricos a noite, a reduzir ou acabar com iluminação publica que não a dos candeeiros e afins e aqui em Portugal ninguem do governo se chegou a frente para aplicar a mesma medida?
Se nem quando os outros estão todos a mudar, aqui mudam, acham que vão mudar a estratégia da água quando nem sequer tem uma base por onde copiar?
> especialistas defendem medidas estruturais (e não reactivas)
LOL coitados
Algo que devia começar a ser obrigatório em novas construções de habitação e hotelaria era os painéis solares e um sistema de captação de águas das chuvas para uso de descargas de casa de banho.
Portugal tem um problema de energia, não de água. Instalem-se centrais nucleares e faz-se dessalinização da água toda que for precisa – o que não falta é acesso ao mar. Já temos o risco do nuclear em espanha perto da fronteira sem nenhum do proveito quando podíamos ser independentes energeticamente e ter água infinita.
Mas com os governantes que temos que nem um aeroporto sabem decidir onde colocar, meter esta gente a gerir um projecto nuclear era engraçado, estava construído no ano 2300.
Portugal sempre foi assim, zero planeamento, vai-se fazendo e depois logo se vê.. Isso serve para ir mudando conforme quem está à frente.
desde quando o governo tem uma estratégia para alguma merda?
O problema da água em Portugal é o preço ser muito subsidiado. Se não fosse já ficava muito caro o desperdício de 70% para a rede. Ficava mais caro regar o relvado da mansão.
O preço da água deveria ser o preço real.
Se há pessoas com dificuldades apoia-se essas pessoas.
Só com essa motivação se reduz o desperdício e cria-se incentivos económicos para produzir mais água nomeadamente através de dessalinização
[Relacionado](https://youtu.be/7M59_BV2rOA).
Não há possíveis locais para construir mais barragens?
Só a quantidade imensa de gente que demora séculos a tomar banho deixa-me chocado, tirando as senhoras que por causa do cabelo percebe-se.
Eu tomo banho nas calmas em menos de 5m e não percebo como existem homens a demorar 10/15min. Que desperdício
Deixamos que a água das nossas ribeiras e rios vá parar ao mar sem utilização. (deve ser para dar de beber aos golfinhos). /s.
Eu aposto em mineração de lítio para destruir os lençóis de água existentes. Assim é usada com uma boa finalidade ecológica.
É só mais uma das muitas coisas que fazemos mal… quando faltar lá vão a correr atrás do prejuízo…