[https://sicnoticias.pt/pais/2023-05-15-Como-reter-as-novas-geracoes–Semana-de-quatro-dias-entre-as-recomendacoes-5fbcd5d3](https://sicnoticias.pt/pais/2023-05-15-Como-reter-as-novas-geracoes–Semana-de-quatro-dias-entre-as-recomendacoes-5fbcd5d3)

Psicóloga considera que as empresas têm de mudar o paradigma “se querem reter os profissionais”. “As novas gerações têm outra atitude face ao trabalho e valorizam realmente muito o seu bem-estar”.

**O Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis (**[**LABPATS**](https://laboratoriopats.wixsite.com/labpats/)**) recomenda a concretização da semana de quatro dias de trabalho, sem perda de remuneração, para melhor conciliar a vida profissional e familiar e conseguir reter as novas gerações.**

“Esta semana de quatro dias só funciona com algumas condições: que não haja decréscimo salarial, ou seja, que a pessoa não fique a receber menos, e que a pessoa não tenha que fazer o trabalho de todos os dias naqueles quatro dias, senão acaba por ficar completamente sobrecarregado”, explicou Tânia Gaspar, coordenadora do trabalho desenvolvido pelo LABPATS.

## Empresas têm de mudar paradigma “se querem reter os profissionais”

Reconhecendo que há atividades profissionais em que a semana de quatro dias é mais fácil de aplicar do que noutras, a psicóloga acrescenta: “se a pessoa tiver de fazer o mesmo número de horas \[da semana\] numa fábrica, por exemplo, em quatro dias, vai haver quatro dias muito pesados e isso pode levar à exaustão”.

Tânia Gaspar considera que as empresas têm de mudar o seu paradigma “se querem reter os profissionais”, explicando que “as novas gerações têm outra atitude face ao trabalho e **valorizam realmente muito o seu bem-estar**”.

>”O trabalho é uma área da sua vida, mas não é a área da sua vida”.

No conjunto de recomendações a que a Lusa teve acesso e que serão apresentadas na terça-feira, em Lisboa, os especialistas aconselham **mudanças na legislação sobre saúde ocupacional**, integrando nas equipas um psicólogo do trabalho/sociólogo do trabalho, para fortalecer a relevância da [**saúde mental**](https://sicnoticias.pt/especiais/saude-mental) e psicossocial, uma das dimensões que apresenta maior risco no estudo feito pelos investigadores.

Para chegar às recomendações, os especialistas do laboratório avaliaram 2.000 profissionais de áreas tão diversas como a saúde, a administração pública, educação, indústria e restauração, **identificando vários níveis de risco em termos de ambiente de trabalho saudável**. O mais elevado prende-se com a saúde mental e o [**burnout**](https://sicnoticias.pt/especiais/saude-mental/2023-05-15-Cerca-de-80-dos-trabalhadores-tem-pelo-menos-um-sintoma-de-burnout-159388e6).

Para incentivar as organizações a promoverem ambientes de trabalho saudáveis, **recomendam a criação de incentivos e/ou benefícios fiscais**.

Defendem também que a [**saúde e bem-estar**](https://sicnoticias.pt/saude-e-bem-estar) devem ser prioridades na definição de políticas e programas nos diferentes ministérios e que se deve valorizar e promover a confiança e celeridade do [**Sistema de Mediação Laboral**](https://dgpj.justica.gov.pt/Resolucao-de-Litigios/Mediacao/Sistemas-Publicos-de-Mediacao/Sistema-de-Mediacao-Laboral) e Sistema Judicial, atribuindo mais recursos. Tudo com auditorias regulares para monitorizar o cumprimento da lei.

“Esta questão da saúde e do bem-estar tem de ser uma prioridade (…) transversal aos vários programas dos vários ministérios. Nós não podemos achar que isto porque tem lá nome saúde é do Ministério da Saúde ou, porque tem o nome trabalho, é do Ministério do Trabalho”, afirmou a especialista.

## Teletrabalho ou trabalho híbrico sempre que possível

Ao nível das organizações, recomendam que as empresas tenham programas de prevenção dos riscos psicossociais e de promoção do bem-estar psicológico, participação e desempenho dos profissionais, “principalmente ao nível do stress, burnout, assédio e na conciliação entre o tempo de trabalho e o tempo de lazer”.

Devem igualmente promover a participação dos profissionais na definição das políticas empresariais e na participação em atos de gestão das organizações, assim como **permitir o teletrabalho ou trabalho híbrido, sempre que possível**.

## “Promoção da liderança baseada na empatia”

Ao nível das **lideranças**, aconselham a que se coloque o **bem-estar dos profissionais como uma prioridade** das práticas de gestão de recursos humanos que se incentive a formação continua de conhecimentos e competências de liderança.

Para um ambiente de trabalho saudável, recomendam a **promoção da liderança baseada na empatia** e a promoção de recompensas aos profissionais pelo seu mérito, sejam elas financeiras ou não financeiras, como por exemplo a atribuição de dias de folga/férias extra.

Aconselham ainda que seja promovida maior assertividade junto da administração/direção para a “gestão conjunta de objetivos e gestão de desempenho da própria liderança e dos profissionais, justa e realista”.

**”Dar voz” aos profissionais**, promovendo momentos de partilha, escuta ativa com segurança psicológica é outras das recomendações na área das lideranças.

Ao nível dos **profissionais**, aconselham a que **desenvolvam competências de autocuidado, autorregulação e autoconhecimento** (para evitar situações extremas como o burnout) e defendem que devem apoiar e envolver-se na elaboração das estratégias de melhoria das condições de trabalho.

29 comments
  1. Visões interessantes, sem dúvida, mas por que motivo se evita o elefante na sala? O principal motivo pelo qual as novas gerações saem do país não é o nº de dias de trabalho, mas sim a compensação pelo trabalho

  2. Peço desculpa pela linguagem forte, mas isto é profundamente absurdo. Sinceramente, não sei em que planeta é que esta gente vive. Será propaganda paga pelo PS? Há apenas duas razões porque os jovens portugueses emigram: baixos salários e falta de oportunidades para licenciados. Com as políticas em vigor, nenhuma das duas se vai alterar, pelo que só vejo a situação a piorar.

  3. A quantidade de vocês que comenta e nem abriu o artigo é sempre deliciosa. Reter nas empresas, como retenção, termo comum em HR. Não é reter em Portugal.

  4. Enquanto houver ambientes de trabalho tóxicos, sem rigor nenhum e sobre as mãos de gestores sem o mínimo de instrução básica, e falta de investimento em indústrias competitivas, querem que os jovens fiquem? O CRL que ficam! Ponham centros de investigação de computação quântica, tragam empresas de produção de componentes electrónicos e biotecnologia e façam contratos de colaboração entre estes e as faculdades.

    Os jovens portugueses votam todos os anos em favor de países frios e chuvosos com pessoas menos calorosas mas mais desenvolvidos, com maior mobilidade e apoios sociais. Mas o Governo não quer ver isso

  5. Para as empresas fabricantes isto não deve ser muito viável… os clientes já se queixam por demorarem cerca de 2 semanas a construir um móvel (porque é por ordem de chegada da encomenda) se fosse uma semana de 4 dias mais semana iríamos demorar na construção da encomenda. Teríamos que contratar mais, para contratar mais teríamos que aumentar o preço das encomendas, ao aumentar os preços da encomenda iramos ficar sem clientes pq iriam comprar ao IKEA ou China (mais barato) etc, ou seja acabaríamos por fechar e cerca de 15 trabalhadores da empresa ficariam sem trabalho…

  6. Manter salários e reduzir dias de trabalho. A grande ilusão da década. Mas hei, vamos ser todos felizes, garantidamente.

  7. já era bom ñ existirem bancos de horas e todos trabalharem 35h por semana; fala quem já trabalhou 60h por semana a recibos verdes..”

  8. COMO RETER NOVAS GERAÇÕES:

    **- Habitação a custos adequados ao rendimentos ou rendimentos adequados à habitação.**

    Podem fechar o post.

    **A semana de 4 dias não é grande solução**, basta um exemplo, médicos. É que nem os profissionais querem. Para se pagar o mesmo tem de se ser mais produtivo e nós já temos um problema de produtividade. Podemos ser mais produtivos em 4 dias do que em 5? sim mas não na maioria das profissões e o que fazemos nas outras profissões? aumentamos o custo? na saúde, nos serviços, na agricultura etc etc. um segurança consegue vigiar o mesmo espaço em menos tempo? A redução do tempo de trabalho poderá acontecer mas vais ser um processo longo, não por decreto.

    Eu não gosto de falar de **teletrabalho** como uma solução, mas sim de **flexibilização do trabalho**. Eu já antes da pandemia fazia trabalho remoto, pontualmente mas já era uma realidade, a vantagem era não apenas poder trabalhar a partir de casa, mas de qualquer lugar. E isto podia ser aproveitado a nível nacional. Em vez disso temos uma atitude conservadora das empresas e mesmo de estado que continuam a insistir no trabalho presencial em vez de se adaptarem a uma nova realidade onde o trabalho presencial tem um objetivo e não apenas porque fica bem ver pessoas a trabalhar quando vai lá um cliente.

    Nós hoje vivemos num paradigma em que o tuga tem pouca flexibilidade e tem de competir por habitação/serviços/recursos com o cidadão estrangeiro que vem para Portugal porque têm mais flexibilidade.

    Por isso é que eu volto ao tema da habitação. A habitação própria é o maior encargo que a maioria das famílias tem na sua vida, sem resolver a questão do acesso à habitação de pouco importa subir salário, melhorar os transportes, flexibilizar o trabalho, etc. enquanto um jovem olhar para o salário médio e perceber que com ele não consegue ter uma casa para morar e ter filhos a pessoas vão continuar a sair do país, independente das outras medidas que sejam tomadas.

  9. Eu já ficava bastante contente com a igualdade de horários. O governo devia obrigar o privado a praticar as 35h semanais.

    É ridículo termos 2 tipos de trabalhadores em Portugal.

  10. Está tudo doido?? Muito antes da semana de quatro dia e qualquer outra treta ser uma questão o que é preciso é (a) pagar (muito) mais e (b) dar vínculos de trabalho mais estáveis.

    Muito pouca gente vai estar interessada numa semana de quatro dias se a alternativa for um contrato efetivo em que se recebe acima de €1000 líquidos (loucura) e se tem revisões salariais anualmente para acompanhar a inflação e um caminho claro de progressão de carreira.

    Falar nos quatro dias é atirar areia para os olhos para evitar o que é realmente importante. É praticamente insultuoso…

  11. Bastava a obrigatoriedade de escolha por parte do funcionário se quer ou não trabalhar em regime de teletrabalho.

    Se nem isso conseguem integrar, quanto mais os 4 dias…

  12. Legítima pergunta : o que preferem, salários melhores e desemprego maior, ou menores salários e menor desemprego?

  13. aka como tentar reter gerações mais novas sem oferecer aquilo que é fundamental e que lhes oferecem lá fora: dinheiro e currículo.

    deixem-se de merdas.

  14. Mais uns a atirar areia para os olhos dos papalvos.

    O que é preciso é muito simples: salários capazes e vínculos contratuais estáveis.

    Assim consegue-se fixar gente.

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