Basta ver a quantidade de quiosques de bibliotecas comunitárias que foram simplesmente pilhados da noite para o dia, por este Portugal fora
Isso também era normal aqui pela alemanha até há uns anos, agora… Também vai deixar de o ser na dinamarca, mais coisa menos coisa.
Edit, mas ainda se vêm muitas “mini bibliotecas”, a unica que conheci em pt durou menos de 15 dias lol
Há uns belos anos atrás fui trabalhar para a Noruega na área da restauração onde encontrei um ambiente de trabalho baseado na confiança. Não havia cameras de filmar, era-me confiado o dinheiro do dia para ir depositar ao banco passadas apenas umas semanas. As horas de trabalho eram escritas pelos trabalhadores e entregues ao fim da semana. As bebidas e outros itens estavam expostos e os clientes pegavam e no fim de consumir pagavam. Os vendedores de fruta punham a mercadoria, uma balança e uma caixa na berma da estrada que passavam a recolher ao fim do dia.
Passado um ano, uns amigos meus tugas decidiram juntar-se a mim. (Junto com um influxo de trabalhadores espanhóis e italianos) A reacção deles a esta maneira de fazer as coisas foi muito triste. “Otarios! Olha para isto. Tudo à mão de semear! ”
Agora se passares lá têm cameras por todo lado e reina a desconfiança.
And that’s why we can’t have nice things.
o que achas?
Mesmo la, não vai durar muito. Infelizmente tudo isso está em vias de extinção.
Em Portugal era uma “prank” gira de fazer por acaso.
Em Portugal tens um Camping com uma Loja Justa: vendem os artigos, deixa-se o dinheiro e traz-se o produto. Sem vendedor.
Aqui no UK costumo comprar ovos “frescos” assim. Uma vizinha que vive numa pequena quinta ao fundo da rua tem galinhas e 2 ou 3 vezes por semana põe os ovos numa caixa junto ao portão da quinta, com um pequeno mealheiro ao lado e uma plaquinha a sugerir £1 por 6 ovos. Sem câmaras. Já faz isso há pelo menos 4 anos (desde que vivo na area) e assumo que por continuar a fazer não deve haver muito gamanço.
A única coisa parecida que eu conheço é água engarrafada a 1 euro no aeroporto de Dublin. Estão numa mesa e é só levar.
Na Finlândia é comum veres coisas perdidas postas num sítio visível para as pessoas encontrarem. Vês frequentemente em parapeitos de janelas e assim. Eu encontrei um casaco de senhora de marca no chão de uma estação de metro e pus no fim do corrimão das escadas. Passei lá no dia seguinte e ainda lá estava. Conheço que viva lá e conte que uma vez esteve mais de um mês uma aliança do lado do fora do prédio até que finalmente o dono apareceu.
Porque é que isto acontece? As pessoas não têm necessidade de roubar, é simples. Ninguém passa fome, ninguém fica sem teto. Tens contrato de arrendamento a acabar em menos de 6 meses, tens direito ajuda prioritária do Estado para arranjares uma casa. Saúde e medicamentos são super comparticipados. As pessoas ganham no mínimo 1250 ~ 1500 para um custo de vida semelhante fora as comparticipações. E um salário médio de 3800.
Os impostos são altos, mas o estado social funciona e as leis laborais e sindicalização evita as pessoas de serem exploradas. Queres estudar? Pagas 0 de propina.
Houve bibliotecas em cabines telefónicas aqui em Lisboa, infelizmente com o covid arranjaram pretexto para as trancar e hoje estão vazias, mas ainda as vi a funcionar durante muito tempo.
Nunca funcionaria no nosso país. Tudo o que está no chão teria desaparecido pouco tempo depois da criança ter montado o estamine. O problema é a cultura das nossas pessoas, a grande maioria da população vive como se estivesse sozinha no mundo sem pouco ou nenhum interesse no seu próximo.
Que pergunta absurda, claro que desaparecia.
Já tive em vários países nórdicos e a mentalidade não se compara. Na Noruega deixam vidros e portas abertas dos carros em supermercados e afins, vendedores de estrada (melancias, batatas, etc) deixam uma caixa e preço estipulado e as pessoas pegam e deixam o €. O vendedor só tem trabalho a ir de manhã levar coisas e ao fim do dia a ir buscar. Os bairros estão cheios de brinquedos das crianças que vivem na rua, dividem umas com as outras logo de pequenas.
Na Alemanha vais apanhar morangos e pagas sem
la estar ninguém. Nas cidades tiras um jornal e pagas sem la estar ninguém.
Depois os portugueses chamam ciganos aos outros.
Na Escandinávia podes alugar um carro através duma app, há serviços em que alugas a particulares e outros em que alugas a empresas, tudo muito simples e eficaz.
Quando contei isto em PT a primeira reação foi: como é que sabem ou evitam que eu vá para o parque industrial sacar peões?
🤦♂️
Volta e meia aqui em Inglaterra, pelo menos nas cidades pequenas e areas rurais, as pessoas metem brinquedos ou outras coisas, com o preço, a vender na frente da casa ou garagem, com um cestinho para meterem o dinheiro.
Ja passei, e usei, tambem por pequenos mini mercados em aldeias que esta tudo exposto, e escolhes o que queres, e pagas no cesto, e o mesmo acontece para quem tem galinhas, metem os ovos a venda a entrada das quintas, onde deixas a caixa de ovos que levaste da ultima vez, mais o dinheiro.
Em grandes cidades ja duvido que isso funcione assim.
Coisas so genero ja existem assim em Portugal.
Ainda a 2semanas atrás num almoço de equipa na costa da caparica vi uma mesa feita de paletes com plantas (suculentas, cactos etc pequenos) e uma cartolina a pedir para levarem e deixarem um donativo por mbway para um certo numero.
Levei uma suculenta para plantar aqui na minha casa e mandei 2.5e por mbway.
Iam roubar ou estragar em 2 tempos
Acho que isto apenas seria possível em zonas muito rurais, e ainda não tenho a certeza. Mas há uns anos atrás tive um trabalho na Beirã no Alto Alentejo e lá as pessoas confiavam umas nas outras ao ponto de não trancarem os carros e deixarem as janelas abertas.
nos caminhos de santiago que já fiz, encontrei algumas bancas dessas, “sem atendimento”. umas eram souvenirs mas havia também de produtores que preparavam um saquinho com frutas e também tinham alguns doces/salgados. havia uma particularidade, a banca estava junto ao muro da vivenda mas este muro tinha gradeamento e do lado de dentro estava a caixa onde se podia deixar o pagamento. era grande o suficiente para não passar entre o gradeamento mas este deixava espaço suficiente para se esticar o braço confortavelmente. vi também outros mimos, como garrafas de água fresca e uma peça de fruta prontas a levar e claramente indicadas como ofertas, mas neste caso é diferente.
por cá, já vi também bancas parecidas em alguns festivais mais hippies, com artesanato e usados. algumas eram de troca, outras podias simplesmente levar. o denominador comum a isto é mesmo o sentido de comunidade
Muita gente fala, com razão, da tendência nacional para a rapina.
Porém, no outro dia vi um vídeo de um brasileiro a mostrar o ambiente seguro em Portugal e, entre outras coisas, mostrou uma banca de fruta num passeio em Lisboa, o estabelecimento encerrado e ninguém roubava nada. Para ele, tal era inimaginável no Brasil.
É uma questão de educação e, como alguém escreveu, de um instinto de pilhagem que advém da pobreza recente. Muitos dos que até têm um nível de vida bom, não deixam de manter essa atitude de rapina porque subiram na vida à custa de muito golpe.
Há zonas em Portugal em que ainda há a confiança que havia há umas décadas. Quando era miúdo, ninguém fechava a porta de casa e também deixavam coisas na rua e ninguém lhes tocava. Em certas zonas urbanas isso não sucederia.
Há, no entanto, sinais que muita coisa está a mudar. Ainda no outro dia estava chateado numa daquelas feiras num município da zona, com bares, restaurantes, expositores de empresas, etc, e reparei que não havia um único pedaço de lixo no chão, quando não há muitos anos o hábito era o de deitar ao chão. Ou cuspir.
Acho que sabes a reposta.
Aqui em Portugal?
Desaparecia tudo em menos de um minuto.
23 comments
Até as pedras iam
Basta ver a quantidade de quiosques de bibliotecas comunitárias que foram simplesmente pilhados da noite para o dia, por este Portugal fora
Isso também era normal aqui pela alemanha até há uns anos, agora… Também vai deixar de o ser na dinamarca, mais coisa menos coisa.
Edit, mas ainda se vêm muitas “mini bibliotecas”, a unica que conheci em pt durou menos de 15 dias lol
Há uns belos anos atrás fui trabalhar para a Noruega na área da restauração onde encontrei um ambiente de trabalho baseado na confiança. Não havia cameras de filmar, era-me confiado o dinheiro do dia para ir depositar ao banco passadas apenas umas semanas. As horas de trabalho eram escritas pelos trabalhadores e entregues ao fim da semana. As bebidas e outros itens estavam expostos e os clientes pegavam e no fim de consumir pagavam. Os vendedores de fruta punham a mercadoria, uma balança e uma caixa na berma da estrada que passavam a recolher ao fim do dia.
Passado um ano, uns amigos meus tugas decidiram juntar-se a mim. (Junto com um influxo de trabalhadores espanhóis e italianos) A reacção deles a esta maneira de fazer as coisas foi muito triste. “Otarios! Olha para isto. Tudo à mão de semear! ”
Agora se passares lá têm cameras por todo lado e reina a desconfiança.
And that’s why we can’t have nice things.
o que achas?
Mesmo la, não vai durar muito. Infelizmente tudo isso está em vias de extinção.
Em Portugal era uma “prank” gira de fazer por acaso.
Em Portugal tens um Camping com uma Loja Justa: vendem os artigos, deixa-se o dinheiro e traz-se o produto. Sem vendedor.
Aqui no UK costumo comprar ovos “frescos” assim. Uma vizinha que vive numa pequena quinta ao fundo da rua tem galinhas e 2 ou 3 vezes por semana põe os ovos numa caixa junto ao portão da quinta, com um pequeno mealheiro ao lado e uma plaquinha a sugerir £1 por 6 ovos. Sem câmaras. Já faz isso há pelo menos 4 anos (desde que vivo na area) e assumo que por continuar a fazer não deve haver muito gamanço.
A única coisa parecida que eu conheço é água engarrafada a 1 euro no aeroporto de Dublin. Estão numa mesa e é só levar.
Na Finlândia é comum veres coisas perdidas postas num sítio visível para as pessoas encontrarem. Vês frequentemente em parapeitos de janelas e assim. Eu encontrei um casaco de senhora de marca no chão de uma estação de metro e pus no fim do corrimão das escadas. Passei lá no dia seguinte e ainda lá estava. Conheço que viva lá e conte que uma vez esteve mais de um mês uma aliança do lado do fora do prédio até que finalmente o dono apareceu.
Porque é que isto acontece? As pessoas não têm necessidade de roubar, é simples. Ninguém passa fome, ninguém fica sem teto. Tens contrato de arrendamento a acabar em menos de 6 meses, tens direito ajuda prioritária do Estado para arranjares uma casa. Saúde e medicamentos são super comparticipados. As pessoas ganham no mínimo 1250 ~ 1500 para um custo de vida semelhante fora as comparticipações. E um salário médio de 3800.
Os impostos são altos, mas o estado social funciona e as leis laborais e sindicalização evita as pessoas de serem exploradas. Queres estudar? Pagas 0 de propina.
Houve bibliotecas em cabines telefónicas aqui em Lisboa, infelizmente com o covid arranjaram pretexto para as trancar e hoje estão vazias, mas ainda as vi a funcionar durante muito tempo.
Nunca funcionaria no nosso país. Tudo o que está no chão teria desaparecido pouco tempo depois da criança ter montado o estamine. O problema é a cultura das nossas pessoas, a grande maioria da população vive como se estivesse sozinha no mundo sem pouco ou nenhum interesse no seu próximo.
Que pergunta absurda, claro que desaparecia.
Já tive em vários países nórdicos e a mentalidade não se compara. Na Noruega deixam vidros e portas abertas dos carros em supermercados e afins, vendedores de estrada (melancias, batatas, etc) deixam uma caixa e preço estipulado e as pessoas pegam e deixam o €. O vendedor só tem trabalho a ir de manhã levar coisas e ao fim do dia a ir buscar. Os bairros estão cheios de brinquedos das crianças que vivem na rua, dividem umas com as outras logo de pequenas.
Na Alemanha vais apanhar morangos e pagas sem
la estar ninguém. Nas cidades tiras um jornal e pagas sem la estar ninguém.
Depois os portugueses chamam ciganos aos outros.
Na Escandinávia podes alugar um carro através duma app, há serviços em que alugas a particulares e outros em que alugas a empresas, tudo muito simples e eficaz.
Quando contei isto em PT a primeira reação foi: como é que sabem ou evitam que eu vá para o parque industrial sacar peões?
🤦♂️
Volta e meia aqui em Inglaterra, pelo menos nas cidades pequenas e areas rurais, as pessoas metem brinquedos ou outras coisas, com o preço, a vender na frente da casa ou garagem, com um cestinho para meterem o dinheiro.
Ja passei, e usei, tambem por pequenos mini mercados em aldeias que esta tudo exposto, e escolhes o que queres, e pagas no cesto, e o mesmo acontece para quem tem galinhas, metem os ovos a venda a entrada das quintas, onde deixas a caixa de ovos que levaste da ultima vez, mais o dinheiro.
Em grandes cidades ja duvido que isso funcione assim.
Coisas so genero ja existem assim em Portugal.
Ainda a 2semanas atrás num almoço de equipa na costa da caparica vi uma mesa feita de paletes com plantas (suculentas, cactos etc pequenos) e uma cartolina a pedir para levarem e deixarem um donativo por mbway para um certo numero.
Levei uma suculenta para plantar aqui na minha casa e mandei 2.5e por mbway.
Iam roubar ou estragar em 2 tempos
Acho que isto apenas seria possível em zonas muito rurais, e ainda não tenho a certeza. Mas há uns anos atrás tive um trabalho na Beirã no Alto Alentejo e lá as pessoas confiavam umas nas outras ao ponto de não trancarem os carros e deixarem as janelas abertas.
nos caminhos de santiago que já fiz, encontrei algumas bancas dessas, “sem atendimento”. umas eram souvenirs mas havia também de produtores que preparavam um saquinho com frutas e também tinham alguns doces/salgados. havia uma particularidade, a banca estava junto ao muro da vivenda mas este muro tinha gradeamento e do lado de dentro estava a caixa onde se podia deixar o pagamento. era grande o suficiente para não passar entre o gradeamento mas este deixava espaço suficiente para se esticar o braço confortavelmente. vi também outros mimos, como garrafas de água fresca e uma peça de fruta prontas a levar e claramente indicadas como ofertas, mas neste caso é diferente.
por cá, já vi também bancas parecidas em alguns festivais mais hippies, com artesanato e usados. algumas eram de troca, outras podias simplesmente levar. o denominador comum a isto é mesmo o sentido de comunidade
Muita gente fala, com razão, da tendência nacional para a rapina.
Porém, no outro dia vi um vídeo de um brasileiro a mostrar o ambiente seguro em Portugal e, entre outras coisas, mostrou uma banca de fruta num passeio em Lisboa, o estabelecimento encerrado e ninguém roubava nada. Para ele, tal era inimaginável no Brasil.
É uma questão de educação e, como alguém escreveu, de um instinto de pilhagem que advém da pobreza recente. Muitos dos que até têm um nível de vida bom, não deixam de manter essa atitude de rapina porque subiram na vida à custa de muito golpe.
Há zonas em Portugal em que ainda há a confiança que havia há umas décadas. Quando era miúdo, ninguém fechava a porta de casa e também deixavam coisas na rua e ninguém lhes tocava. Em certas zonas urbanas isso não sucederia.
Há, no entanto, sinais que muita coisa está a mudar. Ainda no outro dia estava chateado numa daquelas feiras num município da zona, com bares, restaurantes, expositores de empresas, etc, e reparei que não havia um único pedaço de lixo no chão, quando não há muitos anos o hábito era o de deitar ao chão. Ou cuspir.
Acho que sabes a reposta.
Aqui em Portugal?
Desaparecia tudo em menos de um minuto.
E depois voltava a aparecer na feira da Vandoma…