Os “estudantes maduros” do ensino superior

9 comments
  1. Vou apresentar um resumo de um comentário que reflecte a realidade:

    > Quem não se formou na sequência normal de estudos, e o queira fazer com família constituída e trabalho, enfrenta um calvário que, inevitavelmente o irá desmotivar:

    + aulas em horários impossíveis

    + poucos cursos em horário compatível (desinteressantes na sua maioria)

    + propinas elevadas a carregar num orçamento familiar já depauperado

    + livros caros e muitas vezes esgotados, **apenas acessíveis em bibliotecas que fecham à hora em que sai do emprego**, a par do cansaço de lidar com um dia de trabalho, crianças e os afazeres do dia a dia

    Acrescento (minha autoria e relativo à área da engenharia em instituições ditas de referência):

    + Reserva de slots nos laboratórios só possíveis em horário diurno, porque o segurança diz que o contrato com a empresa não permite vigiar os labs a partir de uma certa hora e que tal só é possível com uma carta do docente. Docente esse que não tem sensibilidade para a situação e que não sabe como fazer a dita carta (e o semestre a passar …. ).

  2. > A elevadíssima taxa de abandono que existe nesta população mais velha não pode deixar de interpelar instituições de ensino e ministério.

  3. Já para não falar da desconsideração desses estudos por parte das entidades empregadoras.

    No entanto, depois de todo o calvário, aprende-se a dar mais importância ao que realmente importa: a superação individual. Que os patrões não gostem, que os outros não vejam valor, que exista até quem despreze o esforço, isso não importa quase nada. Só importa durante o processo, porque essa energia negativa por vezes soma ao cansaço e é difícil continuar. Mas no fim? No fim não importa para nada.

    No meu caso pessoal (embora conheça várias pessoas na mesma situação) terminei o meu doutoramento bem depois dos 40 e no meu emprego continuo a ser visto exatamente como o técnico que era antes do doutoramento. Se o voltava a fazer? Claro.

    Portugal também padece deste problema: mudar é mau. Se esta pessoa era assim, porque quer ser de outra maneira? Se eu pensava isto em 1980 porque hei de pensar diferente em 2023? Há um enorme preconceito por quem se supera, por quem se transforma. Especialmente se for mais velho.

  4. Estudo e trabalho ao mesmo tempo. A minha turma da noite descobriu que a instituição superior onde estudo vai fechar o horário de noite do curso que frequento. Ainda não sei bem porquê, mas pode estar relacionado com as inscrições da turma da noite não darem lucro. O fecho vai ao menos ser faseado.

  5. Tenho 37 e estou a tentar tirar a licenciatura.

    Esgotadas as cadeiras que são lecionadas depois das 18 vou ter de a) arranjar um trabalho de noite para acabar; b) desistir do curso que me custou tanto a conseguir entrar.

    Vou acrescentar (não Li o artigo, que é premium) que o estatuto trabalhador/estudante só funciona do lado da faculdade. A entidade empregadora não ganha nada com isso e se insistires na lei para o ter eles fazem-te a vida no inferno, porque “precisam de ti as 40h, não para desapareceres aleatoriamente”.

  6. Eu tenho 21 e acho que a faculdade é completamente desnecessária a nao ser que saibam mesmo o que querem ser e ter noção do que irão querer fazer no futuro e se valerá realmente a pena.

    Aqui em Portugal temos muitos licenciados, nao só em Portugal mas em todo mundo… antigamente um estudante tinha estudar nos livros da biblioteca, e nao havia a tecnologia que hoje em dia existe, hoje tens tudo na Internet ou tiras fotos a tudo, consegues buscar informação em uma questão de segundos.

    Por isso é que se vê bastante licenciados em supermercados… está um mercado de trabalho com uma sobrelotação enorme pois hoje em dia tirar uma licenciatura é “fácil” digamos… claro que nao é facil ser doutor mas em geral muitos estão nas faculdade pelas convivências, bebidas, festas etc.

    Tenho bastante gente que conheço que esta na faculdade por essas razões, e muitas mais como por exemplo ” vou trabalhar mais tarde e curto a vida de estudante” já que é os meus pais pagam.

    Faculdade nao sao para aprendizagem… o ponto de um diploma de faculdade é para mostrar um potencialmente empregado que aparece em algum lugar, 4 anos consecutivos, cumprir uma serie de tarefas razoavelmente bem e em horáris, entao se ele te contratar há uma chance decente de aparecer na empresa todos os dias e nao estragar o negócio.

    Verdade nua e crua independentemente do que irás seguir.

  7. Eu literalmente já trabalho como programador e tou pensando seriamente em arranjar um part time em call center a noite e sair do meu emprego atual só para conseguir acabar o curso.

    Os direitos dos trabalhadores estudantes é tudo muito bonito até teres professores que te obriguem a passar duas ou três horas por dia nas aulas deles se não não passas, tenho um professor que literalmente já me disse: Não chumbas por faltas mas se não apareceres nesse horário chumbas por não “validar o trabalho”, e essa validação do trabalho aparentemente demora 3 horas 2 vezes por semana para trabalhadores estudantes e 10min para quem não trabalha, ou seja é só uma forma de contornar as regras para ter que aparecer lá 🤡, sem contar com as outras cadeiras…

  8. o meu pai tirou há cerca de 10 anos uma licenciatura em direito em Coimbra; quando terminou devia ter 60 anos e trabalhava full time e a viver em Leiria

    Eu não conseguiria

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