
Estava a ler a seguinte notícia sobre a funcionária de um hipermercado (não refere o nome, mas facilmente se entende qual é) que, alegadamente, violou as regras da empresa…
O que me deixou com (bastantes) dúvidas nesta notícia foi a seguinte frase usada na acusação por parte do estabelecimento comercial:
“estava proibida de receber gratificações de clientes, em dinheiro ou géneros, ou seja, não podia aceitar os selos…”
Então, os funcionários de (pelo menos deste) super/hipermercados não podem receber gorjetas? Faz mesmo parte da política da empresa?
Pode ser algo que toda a gente saiba e só eu é que não, mas eu nunca ouvi tal coisa, aliás cresci a ver ficarem os cêntimos de arredondamento da conta.
5 comments
Acho q é algo normal, é para a empresa se proteger de alguma acusação de favorecimento a algum cliente.
Agora a notícia em si, que mencionas, é bem pior, isso é apenas uma desculpa do ~~PD~~ Continente para tentar despedir ilegalmente uma funcionária por ter comido um croissant sem ter pedido primeiro à chefia e só ter pago depois de o ter comido – algo que foi provado em tribunal ser prática corrente nesse estabelecimento pelos funcionários
há aqui 2 questões:
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– a cultura das gorjetas é algo que deve ser alimentado? Não, nunca na vida, metam isso no rabo.
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– as pessoas devem ser penalizadas por os clientes as gratificarem voluntariamente? Claro que não era o que faltava!
Para evitar que os funcionários se enganem intencionalmente nos trocos em proveito próprio. Se a gorjeta for proibida, o funcionário não tem razão para ter com ele dinheiro que não seja o da caixa.
Quando trabalhei num supermercado de outra rede, também fomos informados que era despedimento imediato consumir produtos da pastelaria/padaria. E tem a sua lógica, pois se fosse permitido podíamos fazer de propósito quantidades a mais para ficarmos com elas depois. No entanto as sobras na loja em que trabalhei eram doadas para qualquer coisa relacionada aos sem abrigo.
Quanto a gorjetas, tinha clientes que não queriam os cêntimos e muitas vezes eu recusava. Mas quando aceitava ficava apenas para a caixa, não para mim. Era uma forma de diminuir as quebras na caixa, já que no meu caso nem tinha fundo de caixa.
O que não estão a perceber são as regras anti corrupção dessa empresa, que honestamente deveriam ser melhores.
Um funcionário não pode aceitar uma gratificação de um cliente porque facilmente se torna uma situação de corrupção e/ou favorecimento.
Agora se há formas de resolver isso? Claro que sim. Quando estive na Alemanha a trabalhar eram muito rígidos em relação a isso, mas facilmente se podem criar regras onde é possível um empregado aceitar uma gratificação ou um presente de um fornecedor ou cliente, desde que obedeça às regras para evitar as situações ilícitas. Até porque se não houver, é fácil corromper um funcionário de um hipermercado para deixar passar não sei quantas consolas, televisores e objectos caros (sim isto já aconteceu em Portugal, mais do que uma vez).
Se é miserável despedir uma funcionária por causa de um croissant? Sim é.
Se a situação poderia ser evitada ou resolvida de outra forma? Claro, mas o despedimento provavelmente já estava na calha, simplesmente só precisavam de uma desculpa.