Porque haveriam de entrar para o quadro, acaba a investigação e ficam a fazer o quê?
Continuação da investigação é para ser feita pelos próximos alunos da universidade.
E têm é não têm razão.
O ensino superior é mais privado que muitas empresas privadas. Isto no sentido que no seu orçamento, em alguns casos, o dinheiro de origem não público (propinas, projetos de investigação europeus etc) é superior a 50%. Enquanto isso algumas empresas privadas vivem direta ou indirectamente dependentes de contratos com o estado.
Agora, estão sujeitos a muitas regras públicas e se as fundações podem contratar ao abrigo da lei do privado a investigação é um caso à parte e bem.
É um caso à parte porque no nosso país é, provavelmente, o sector mais competitivo não estão só a competir cá dentro mas sim internacionalmente.
Porque têm razão? Porque sem um investimento a longo prazo não se vai conseguir ganhar a batalha. Faz parte desse investimento ter investigadores de carreira. Tradicionalmente é feito só com docentes mas essa é uma visão dos anos 80. Temos que ter investigadores e gestores de ciência profissionais em que o foco é a investigação e não docentes que vão dar uma perninha.
Porque não têm razão?
Porque parte da dotação tem que ser obtida com os próprios projetos. Porque, por natureza, tem que continuar competitiva.
Uma melhor solução?
Talvez mudando o RGIES e deixar de ser tudo igual.? És um bom docente mas não na investigação? Toma lá 22 horas de aulas. És um bom investigador toma lá 2 horas.
Ou seja talvez flexibilizar seja a solução.
Neste País só há dinheiro para as empresas dos amiguinhos dos partidos, PPPs e bancos.
Para tudo o resto não há dinheiro.
Se a UE fizesse uma auditoria às universidades portuguesas para ver onde andam os dinheiros dos projetos ia tudo preso
Provável solução: mais investimento do governo?
Nah, aumento de propinas deve ser melhor.
Outro problema que também é mencionado no artigo, é que os salários dos professores do ensino superior começam cada vez mais a não ser competitivos vs. indústria. Por exemplo, em IT, um aluno júnior pode ir ganhar ligeiramente menos em termos líquidos do que um Professor Universitário em início de carreira que já tem Doutoramento. Com meia dúzia de anos de experiência, pode ultrapassá-lo facilmente pois as progressões de carreira são lentas.
Se esta tendência se mantiver e agravar, a médio/longo prazo vai haver cada vez mais quem salta da academia para a indústria (ou mesmo para o estrangeiro) nas áreas tecnológicas mais procurados. Tal como os médicos estão a saltar fora do SNS. O que tal como os médicos, é um desperdício de recursos. Por exemplo, a perda de um doutorado que tenha tido uma bolsa de doutoramento, representa um pouco menos de 70000€ só pelo valor da mensal da bolsa + propinas pagas pela FCT.
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Porque haveriam de entrar para o quadro, acaba a investigação e ficam a fazer o quê?
Continuação da investigação é para ser feita pelos próximos alunos da universidade.
E têm é não têm razão.
O ensino superior é mais privado que muitas empresas privadas. Isto no sentido que no seu orçamento, em alguns casos, o dinheiro de origem não público (propinas, projetos de investigação europeus etc) é superior a 50%. Enquanto isso algumas empresas privadas vivem direta ou indirectamente dependentes de contratos com o estado.
Agora, estão sujeitos a muitas regras públicas e se as fundações podem contratar ao abrigo da lei do privado a investigação é um caso à parte e bem.
É um caso à parte porque no nosso país é, provavelmente, o sector mais competitivo não estão só a competir cá dentro mas sim internacionalmente.
Porque têm razão? Porque sem um investimento a longo prazo não se vai conseguir ganhar a batalha. Faz parte desse investimento ter investigadores de carreira. Tradicionalmente é feito só com docentes mas essa é uma visão dos anos 80. Temos que ter investigadores e gestores de ciência profissionais em que o foco é a investigação e não docentes que vão dar uma perninha.
Porque não têm razão?
Porque parte da dotação tem que ser obtida com os próprios projetos. Porque, por natureza, tem que continuar competitiva.
Uma melhor solução?
Talvez mudando o RGIES e deixar de ser tudo igual.? És um bom docente mas não na investigação? Toma lá 22 horas de aulas. És um bom investigador toma lá 2 horas.
Ou seja talvez flexibilizar seja a solução.
Neste País só há dinheiro para as empresas dos amiguinhos dos partidos, PPPs e bancos.
Para tudo o resto não há dinheiro.
Se a UE fizesse uma auditoria às universidades portuguesas para ver onde andam os dinheiros dos projetos ia tudo preso
Provável solução: mais investimento do governo?
Nah, aumento de propinas deve ser melhor.
Outro problema que também é mencionado no artigo, é que os salários dos professores do ensino superior começam cada vez mais a não ser competitivos vs. indústria. Por exemplo, em IT, um aluno júnior pode ir ganhar ligeiramente menos em termos líquidos do que um Professor Universitário em início de carreira que já tem Doutoramento. Com meia dúzia de anos de experiência, pode ultrapassá-lo facilmente pois as progressões de carreira são lentas.
Se esta tendência se mantiver e agravar, a médio/longo prazo vai haver cada vez mais quem salta da academia para a indústria (ou mesmo para o estrangeiro) nas áreas tecnológicas mais procurados. Tal como os médicos estão a saltar fora do SNS. O que tal como os médicos, é um desperdício de recursos. Por exemplo, a perda de um doutorado que tenha tido uma bolsa de doutoramento, representa um pouco menos de 70000€ só pelo valor da mensal da bolsa + propinas pagas pela FCT.