>A existência de pressões do Governo sobre a gestão da TAP foi um dos temas que dominou a comissão parlamentar de inquérito (CPI). A versão preliminar do relatório, entregue esta terça-feira no Parlamento, rejeita que tenha existido ingerência na gestão corrente. Quando existiu, havia razões que o justificavam.
>“Não se registam situações com relevância material que evidenciem uma prática de interferência na gestão corrente da empresa por parte das tutelas. Com efeito, a generalidade dos depoimentos aponta para a inexistência de interferência ou ingerência política das tutelas na gestão corrente da empresa”, conclui o documento.
>Uma das situações relatadas foi a de um pedido de Alberto Souto Miranda, antigo secretário de Estado Adjunto de Pedro Nuno Santos, para que os administradores em representação do Estado votassem contra o orçamento da companhia aérea. O que acabou por não acontecer. “Importa assinalar que o episódio referido por Diogo Lacerda Machado, no que concerne a uma orientação de voto sobre o orçamento da empresa, tendo surgido como uma situação excecional e isolada, poderá contribuir para, a contrario, se concluir que a norma era efetivamente a da não ingerência“.
>O relatório também relativiza as situações apontadas como alegados exemplos de interferência política durante as audições. Ou se tratam de “iniciativas de membros da Administração da TAP solicitando à tutela uma orientação ou tomada de decisão sobre assunto concreto. É o caso do pedido de alteração de voo de Sua Excelência o Presidente da República por iniciativa da agência de viagens e da CEO da TAP”.
Se houvesse é que me espantava. Aliás, nem sei como é que os visados não tiveram uma amnésia colectiva, como outros tantos indivíduos que foram chamados ao Parlamento.
“We investigated ourselves and found we did nothing wrong” – PS
Ridículo.
“TAP? Nem sei o que isso é!” – CPI, talvez
Galambagate? Agora somos americanos?
Então significa que brincar com centenas de milhares de euros em validações por WhatsApp (assim como fazer grande parte da comunicação de gestão por essa via), sendo que o registo para efeitos de histórico depende do que estiver disponível arbitrariamente nos telemóveis individuais, é, portanto, uma prática agora oficialmente aceite.
O que mais me espanta no povo português é a forma como se aceita amigavelmente a adoção de práticas incompatíveis com a transparência, tendo em conta que nos livramos há pouquíssimas décadas da opressão da ditadura.
8 comments
>A existência de pressões do Governo sobre a gestão da TAP foi um dos temas que dominou a comissão parlamentar de inquérito (CPI). A versão preliminar do relatório, entregue esta terça-feira no Parlamento, rejeita que tenha existido ingerência na gestão corrente. Quando existiu, havia razões que o justificavam.
>“Não se registam situações com relevância material que evidenciem uma prática de interferência na gestão corrente da empresa por parte das tutelas. Com efeito, a generalidade dos depoimentos aponta para a inexistência de interferência ou ingerência política das tutelas na gestão corrente da empresa”, conclui o documento.
>Uma das situações relatadas foi a de um pedido de Alberto Souto Miranda, antigo secretário de Estado Adjunto de Pedro Nuno Santos, para que os administradores em representação do Estado votassem contra o orçamento da companhia aérea. O que acabou por não acontecer. “Importa assinalar que o episódio referido por Diogo Lacerda Machado, no que concerne a uma orientação de voto sobre o orçamento da empresa, tendo surgido como uma situação excecional e isolada, poderá contribuir para, a contrario, se concluir que a norma era efetivamente a da não ingerência“.
>O relatório também relativiza as situações apontadas como alegados exemplos de interferência política durante as audições. Ou se tratam de “iniciativas de membros da Administração da TAP solicitando à tutela uma orientação ou tomada de decisão sobre assunto concreto. É o caso do pedido de alteração de voo de Sua Excelência o Presidente da República por iniciativa da agência de viagens e da CEO da TAP”.
Se houvesse é que me espantava. Aliás, nem sei como é que os visados não tiveram uma amnésia colectiva, como outros tantos indivíduos que foram chamados ao Parlamento.
“We investigated ourselves and found we did nothing wrong” – PS
Ridículo.
“TAP? Nem sei o que isso é!” – CPI, talvez
Galambagate? Agora somos americanos?
Então significa que brincar com centenas de milhares de euros em validações por WhatsApp (assim como fazer grande parte da comunicação de gestão por essa via), sendo que o registo para efeitos de histórico depende do que estiver disponível arbitrariamente nos telemóveis individuais, é, portanto, uma prática agora oficialmente aceite.
O que mais me espanta no povo português é a forma como se aceita amigavelmente a adoção de práticas incompatíveis com a transparência, tendo em conta que nos livramos há pouquíssimas décadas da opressão da ditadura.
Somos mesmo um caso de estudo.
Não sei o que é que o povinho estava a espera… XD