
Para onde navegas [Europa], se não ofereces percursos de paz, vias inovadoras para acabar com a guerra na Ucrânia e com tantos conflitos que ensanguentam o mundo? Que rota segues, Ocidente?” – Papa Francisco, Lisboa, 02/08/23
by Couve_do_Lidl

Para onde navegas [Europa], se não ofereces percursos de paz, vias inovadoras para acabar com a guerra na Ucrânia e com tantos conflitos que ensanguentam o mundo? Que rota segues, Ocidente?” – Papa Francisco, Lisboa, 02/08/23
by Couve_do_Lidl
5 comments
A rota da autodestruição, naturalmente.
A europa vai colapsar, o caminho é convertermo-nos ao islão, só assim vamos acabar com a degeneração que estamos a mergulhar.
O muito falar e nada dizer. Que “percursos de paz e vias inovadoras”?
A Tankieficação do Papa está quase completa. Uma leitura insana que demonstra que a elite intelectual da América do Sul (a quem ele pertence indubitavelmente) está completamente consumida por propaganda russa e por uma ignorância da História, ao mesmo tempo que acusa o Ocidente de ignorar a sua própria história e os horrores do imperialismo europeu enquanto se passa pano sobre o imperialismo russo, que também existiu e continua a existir hoje. E que a esquerda latino-americana é ainda mais performativa e “for show” do que a europeia – se tal não fosse já evidente por se ter um Papa que se diz de esquerda só por ser jesuíta.
É possível criticar a Europa e o Ocidente (a quem a América Latina supostamente pertencia até há duas décadas atrás, mas nada que umas dúzias de anos de propaganda interna e externa via o culto dos BRICS não resolvam). Mas não relativamente ao que se passa em 2023. Que se fale à vontade sobre o que Portugal ou a Europa fizeram há séculos atrás, e os efeitos que ainda hoje se sentem, não tenho problemas com esse debate – mas é preciso ser ignorante ou mal intencionado para fazer falsas equivalências em 2023.
Para citar um vizinho do Papa Francisco, só que com humanidade, consciência, e boas intenções, “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é virar o opressor”.
E para citar outra vizinha brasileira, também ela mais esclarecida do que o Papa Francisco, e se calhar falando dos traumas ancestrais da América Latina, “Minha dor é perceber / que apesar de termos feito tudo o que fizemos / ainda somos os mesmos / e vivemos /como os nossos pais”.
Nas mãos deles, os horrores seriam tão cruéis quanto os nossos do passado. Já Claude Levi Strauss escrevia sobre isto nos anos 30.
É absolutamente execrável que estejamos a patrocinar a vinda de uma pessoa que tem estas posições a Portugal – isto é diametralmente oposto aos interesses que dizemos defende e ao que está em jogo em relação ao futuro do continente inteiro.
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