
Boa tarde!
Por favor corrijam-me caso esteja no lugar errado a falar sobre o tema.
Moro em Lisboa, e estando a sobreviver ao “Apapalipse”, pensei em escrever tudo o que vejo de errado com este evento – sendo com os media falham em o fazer. Sintam-se livres a acrescentar à lista ou a discutir pontos que tenha abordado.
1: Estado Português – um estado laico – financia evento religioso de larga escala (JMJ)
2: O Evento exige um investimento tremendo por parte do estado, que não é consultado com os contribuintes (não é feito qualquer tipo de referendo para com os mesmos)
3: Moedas refere um grande retorno possível sobre o investimento – o que não justifica a completa ausência de referendo, e não passa de especulação mal fundamentada sem qualquer estudo feito sobre o mesmo (que tenha conhecimento)
4: O Evento é mal planeado e organizado em cima da data
5: É feita uma “limpeza” da capital, que na verdade acaba por ser nada mais que um esconder os problemas por baixo do tapete, temporariamente – como é o caso dos [sem abrigos enxotados](https://rr.sapo.pt/noticia/amp/pais/2023/07/14/camara-de-lisboa-rejeita-acusacao-de-limpeza-de-sem-abrigo-antes-da-jmj/339147/) do Cais do Sodré, em vez de ser procurada uma solução mais sustentável (ou, no mínimo, digna) para a questão
6: Múltiplos trajetos de transportes públicos são cortados ou afetados a propósito do evento (sem sequer falar do já existente mau funcionamento destes), complicando a vida aos trabalhadores Portugueses. Os poucos que funcionam chegam muitas vezes completamente sobrelotados de peregrinos (estilo serviços mínimos em dia de greve)
7: Cobertura mediática altamente tendenciosa, com uma forte agenda na cobertura da JMJ, por um enquadramento focado nos pontos positivos do evento, sem abordar os negativos
8: Peregrinos ruidosos em espaços públicos e nas ruas residenciais à noite com as suas cantorias religiosas + [vandalismo](https://www.nit.pt/fora-de-casa/na-cidade/peregrinos-da-jmj-forcam-entrada-na-estacao-de-comboio-do-cais-do-sodre)
E claro que também é válido ressaltar a questão que infelizmente nunca perde relevância dos constantes abusos e assédios na igreja, mas ponho essa questão de lado neste post e foco-me sobretudo nestes outros pontos.
Uma vez mais digam-me caso esteja no lugar errado para abordar o assunto, e corrijam-me caso me falte algum ponto ou esteja a ver a coisa mal.
by Embarrassed-Handle-1
11 comments
>esconder os problemas por baixo do tapete
Bem vindo a Portugal, nós somos peritos nisso! ^^infelizmente
No que toca ao ponto 8, lembra-te que as autoridades têm um estranho hábito de ignorar certas situações pontuais, manifestações aos altos berros e buzinadelas quando o Benfica marca golo, etc… não é só nas JMJ.
Censura/violação da liberdade de expressão com a remoção de cartazes alusivos aos abusos da igreja
[Cartaz sobre os abusos sexuais da Igreja em Oeiras for removido](https://www.reddit.com/r/portugal/comments/15ga63n/cartaz_sobre_os_abusos_sexuais_da_igreja_em/?utm_source=share&utm_medium=web2x&context=3)
>2: O Evento exige um investimento tremendo por parte do estado, que não é consultado com os contribuintes (não é feito qualquer tipo de referendo para com os mesmos)
Pegando só neste ponto, se não há referendos para salvar a TAP e EFACEC’s da vida…A JMJ ao lado destas empresas não é nada.
Não vou tocar em nada do que está acima, pois faz perto de zero sentido.
A democracia indireta tem destas coisas, e nunca na vida existe cabimento legal (ou sequer constitucional) para referendar um evento. Percebo e aceito que não se concorde, mas não falamos de um tema ou iniciativa que me pareça cair na esfera de decisão pública (Euro 2004 foi referendado? a Expo 98?).
A envergadura do evento e o cariz temporário com implicações nos transportes é absolutamente normal. Pergunta a quem vive ao pé de estádios de futebol como fazem.
Ruidoo, cobertura mediática, mau planeamento do evento são questões tão ambiguas….
Post #8527 sobre as JMJ.
Em relação ao ponto 2: Os contribuintes nunca foram consultados para investimentos tremendamente maiores do que a JMJ e com retorno muito mais duvidoso:
Expo98 – Custou 2100 milhões de euros segundo o tribunal de contas, retorno impossível, apenas com o evento mas deixou infraestruturas que valorizaram a cidade e o País.
Euro2004 – Custou 1035 milhões de euros retorno impossível e apenas deixou infraestruturas para alguns clubes/empresas demasiado ricos.
Web summit – O estado paga diretamente á organização privada irlandesa 11 milhões de euros para realizar o evento em Lisboa, retorno possível de atingir e investimento no futuro e na tecnologia.
JMJ – Previa-se que o estado gastasse 30 milhões mas já vai em 38 milhões de euros, espero que os 1,3 milhões de peregrinos esperados, por mais pelintras que sejam facilmente deixem cá bem mais do que os 38 milhões investidos e o parque tejo será uma infraestrutura que ficará para usufruto de todos.
Mas tens razão, o contribuinte não foi consultado mas também não era fácil referendar cada evento destes. Muito mais fácil seria o municípios referendar a aquisição e instalação de obras de arte nas nossas ruas e praças.
Fdx, lá vêm estes hereges falar mal da JMJ!
Não sabes que se rezarmos com muita força e vontade no final desta semana os quase 2 milhões de Tugas sem médico de família vão ficar instantaneamente com a sua situação resolvida. E o parque público habitacional irá ficar nos 30%. E os médicos, professores, polícias irão terminar de se manifestar. E vAi TuDo FiCaR bEm para toda a gente!
Fogo, que chatice pá! Até parece que não têm fé no Papa, no Marcelo, o Costa e todos os membros honestos e trabalhadores dos nossos governos!
Não estás a ver a coisa mal, mas a carruagem já passou.
Como mencionaram abaixo, os investimentos públicos nestes eventos nunca são, nem devem ser, alvo de referendo. Expo e Euro são apenas alguns exemplos.
Desde 2019 que se sabia que a JMJ ia ter lugar em Lisboa, existiram imensas polémicas com a Igreja, com o palco, com os ajustes direitos e agora é que existe uma “revolta” tremenda com o que se vive?
Tudo o que descreveste viveu-se em 2004 e na final da UCL.
Somos ótimos a receber malta, “limpamos” as ruas, os transportes públicos aparecem em abundância e depois voltamos a lixar o Zé Povinho até à próxima debandada cultura, desportiva ou religiosa que aparecer.
Óbvio que é ridículo enfiarmos milhões num evento religioso, mas o tempo para reagir já passou.
Vou dizê-lo só mesmo porque gosto de ver merda a arder: quem vive em Lisboa que se vá fodendo à grande com merdas destas. Escolher morar em sitios centrais é esoclher morar em sitios centrais. Não pagam um premium pelo acesso a toda a merda? pois que recebam agora o acesso a esta merda!
Faz-me lembrar a malta no Braço de Prata a gatsra 1M€+ em apartamentos com insonorização de merda a queixarem-se na TVI dos festejos das eleições no Brasil na Fábrica.
Tivessem votado os vossos euros a uma moradia numa zona tranquila
não há paciência para a cartilha dos mata-frades contras as JMJ…
O mundo não gira à vossa volta.
Aceita os limões da vida e faz limonada!
Portugal está cheio de velhos do restelo que defendem e opinam estrondosamente da sua prisão mental.
Construam a vossa vida, e conquistem a vossa liberdade.
Deixem de regular por baixo e escolher o conforto momentâneo.