“Será que quero ter filhos?” Quando adiar pode ser tarde demais

10 comments
  1. Cedo demais também pode gerar problemas que depois pode ser tarde demais para que sejam resolvidos. Como em tudo é uma questão de perspectiva.

  2. Isto é o problema do pensamento de “primeiro vou conseguir estabilidade financeira, depois tenho filhos”.

    A maioria das pessoas só consegue estabilidade financeira a partir dos 40s, quando já não é viável ter filhos, porque existe um limite biológico.

    Os nossos pais , muitos deles, criaram nos sem ter estabilidade financeira e mesmo assim tivemos tudo: comida, roupa, uma casa para morar, educação académica e profissional. Porque no final o mais importante, o que realmente importa para os filhos é receberem atenção e amor, se as necessidades básicas forem satisfeitas.

    Eu não digo que ter dinheiro e estabilidade não é importante. Mas os nossos filhos não precisam de crescer numa mansão ou num T3 ou T4, não precisam de ser inscritos na escola de surf ou escola de música profissional, não precisam passar todos os anos viagens internacionais a 5 países diferentes, não precisam de ter todos as consolas de última geração… O que os filhos precisam é de amor , atenção e carinho, algo que hoje em dia é raro, e que faz muitas crianças (e consequentemente adolescentes e adultos) crescerem com problemas mentais e emocionais. Não é a falta de dinheiro a raiz dos problemas na maioria da infância das crianças, mas sim a falta de amor e atenção, e isto muitas pessoas não compreendem.

    O que as pessoas precisam ter é estabilidade mental e emocional para ter filhos, não financeira.

  3. Passou-se em Portugal do 8 para o 80 em 3 gerações. A geração da minha mãe (nascidos em 50 +/- 10 anos), e atenção que me refiro á classe media-baixa tinham pelo menos 5 filhos (a minha mãe teve 11 irmãos, o meu pai 7), porque esses mesmos filhos eram centrais á geração de riqueza no seio familiar. 70% dos meus tios tiveram apenas a escolaridade primária e com idade de um só dígito estavam na lavoura/ fábrica.

    A minha geração, (nascidos em 80 +/- 10 anos), teve grosso modo uma infância relativamente confortável. Eramos 2/3 irmãos, os país eram trabalhadores fabris / especializados / empregadas domésticas e não tínhamos TODOS os brinquedos que queríamos mas no Natal a BMX aparecia e os mais velhos davam uma mãozinha a criar os mais novos. Vivíamos em casas arrendadas ou os pais mais desafogados a custo lá conseguiram comprar uma casita que hoje vale 10-50x o valor de compra original.

    Na geração do meu filho. (Nascidos em 2010 +/- 10 anos), os país estão no limiar da cautela extrema. Temos educação melhor, mas não necessariamente mais poder de compra. O mercado habitacional está desvirtuado. Pornográficamente desvirtuado e as pessoas têm medo. No infantário quase não há irmãos e todos temos colegas com os 40 á vista que estão no limbo.

    Segue-se a **minha opinião pessoal**:

    Sentem-se com o vosso par assim que atingirem maturidade emocional, mais importante que conforto financeiro, e decidam se é importante para vocês ter um filho / perfilhar outro ser humano. E se a resposta for sim. Partam para isso. Entendam que nos próximos 18 anos a vossa relação pessoal e tempo de lazer particular ocupará sempre o 2 lugar na escala de importância familiar. Nenhuma criança pede para nascer e é vossa prerrogativa dar-lhe amor, alimento, princípios e protecção para que o ciclo um dia se repita harmoniosamente.

    Se estiverem á espera que os astros se alinhem, e que a conta bancária engorde o suficiente para precaver qualquer imprevisto, eu garanto, a mãe natureza não esperará. E a juventude é fugaz. Mais do que férias exóticas todos os anos, mais do que brinquedos novos, mais do que roupas de marca, a divisa que mais terão que gastar com um filho é TEMPO. Nada é mais valioso. Tentem espremer mais uma hora ou duas por semana e não mais 10 ou 20 euros. As crianças querem o vosso TEMPO.

  4. Eu não quero ter filhos simplesmente porque não quero. Não tenho uma desculpa ou justificação, simplesmente não quero. Super apoio quem quer ter, desejo que toda a gente que tenha ter filhos realmente consiga realizar esse objetivo, não tenho nada contra crianças.
    Eu simplesmente não quero ter filhos, é só isso mesmo.

  5. Claramente algumas pessoas aqui não têm noção do custo que é ter um filho, desde recém-nascido até adulto, aliás nem em idade adulta pára, é a faculdade, é carta de condução etc etc.. e isto se nao houver uma surpresa e o filho infelizmente tiver algum problema de saúde

    Para um casal que ganhe o que se ganha em média em Portugal e tendo em conta o preço a que as rendas estão… viveriam os 3 mal, sobreviveriam?
    Sim, no entanto viver mês após mês a contar os tostões, trabalhar e não ter dinheiro para aproveitar os pequenos prazeres da vida como ir jantar fora, ir ao cinema , ir de férias pelo menos 1 vez por ano, poder pagar toda a educação necessária como por exemplo explicações, faculdade, poder ter acesso a saúde privada para questões como dentistas e oftalmologistas, entre tantos outros para mim não faz sentido e portanto se eu nao tiver condições para o fazer não o farei.

  6. Eu quero ser pai, a minha mulher quer ser mãe. Queríamos começar a tentar este ano.

    Mas há um medo a nível financeiro. Estamos os 2 efectivos e a receber na casa dos 1800€ mensais (total líquido). Temos despesas dos carros, casa (agua, luz, gás e tv, comida) e pouco mais, não pagamos renda (pais da mulher emigrados que suportam essa despesa), temos os meus pais que podem ficar com a cria visto estarem ambos reformados logo a despesa da creche era menor ou até nula.

    Mesmo assim, há o medo do dinheiro, de estar preparado, de não ter aproveitado a vida melhor..

    Fraldas são quase 50€/mês pela Amazon packs de 256 fraldas, a juntar a tudo o resto, como comida, roupa, carrinhos, cadeiras para 2 carros etc.

    Há a questão do meu trabalho que é por turno, logo teria de ou mudar, ou pedir para mudarem de horário que não vai ser fácil porque faço madrugadas e estou num cargo de chefia, e não foi deixar a mulher sozinha grávida ou com a criança durante a noite.

    Enfim… não vejo que uma criança deva ter do bom e do melhor. Dar tudo o que ela quer, não a vai ajudar em nada, não precisa de saúde privada, nem de ter todos os desportos possíveis, roupa de marca. Mas também, há que ter o mínimo, e ver histórias dos meus pais que chegaram a saltar refeições para ter dinheiro para os filhos comerem, não é coisa que quero.

  7. Nunca o quiz.
    Mas fui massacrado pela familia e amigos “que estava a ser invejoso”
    Sou pai, não posso dizer que estou infeliz ou feliz.
    Há alturas acho que foi o melhor que me aconteceu.
    Outras alturas vejo que não vejo isso, perdi muito da minha vida.
    Divertimento,aventuras viagens.
    E a nivel sexual também perdi muito.
    Perdemos.

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