Trabalho e estudo em Lisboa mas vivo na Margem Sul, como tal tenho de passar o rio muitas vezes, isto não é nada de novo, há literalmente milhões de pessoas na minha situação. Há contudo um problema grave aqui:

* O imposto de viver na Margem Sul:

Ao contrário do que acontece no Porto por exemplo, não há nenhuma maneira de passar o rio sem pagar. Dependendo de onde vives podes passar de barco, comboio ou carro, mas o unico sitio para passar o rio sem pagar é em Vila Franca de Xira. Para terem noção do ridiculo, caso não conheçam a zona, [Almada – Cais do Sodré são ~13km](https://i.imgur.com/IH0EOvy.png) usando a 25 de Abril mas [106km(!) pelo caminho mais curto sem pagar portagens nem bilhetes](https://i.imgur.com/IH0EOvy.png). Óbvio que isto não é uma opção para ninguem.

Isto afeta mais que a Margem Sul, essencialmente torna Lisboa inacessivel sem pagar a tudo o que está a Sul.

* Há tambem o problema de “o que raio estou eu a pagar ao certo?”

Se apanhar o comboio, barco ou autocarro não há grandes duvidas para que serve o dinheiro do meu bilhete ou passe, mas quando pago o 1.90€ da 25 de Abril, [a portagem mais cara do país todo](https://radiocomercial.iol.pt/noticias/109700/ponte-25-de-abril-tem-a-portagem-mais-cara-do-pais),para que serve esse dinheiro?

Após 56 anos a ponte ainda não está paga? Que serviços presta a Lusoponte quando é [o estado a pagar a manutenção desta](https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/construcao/detalhe/governo-aprova-tres-milhoes-para-a-manutencao-da-ponte-25-de-abril)?

Transportes ajudam mas nem sempre são opção como sabem, viagens de 30mins transformam-se em odisseias de quase 2h para alguns lugares ou nem são possiveis(metro, barco e comboios param durante a noite)

24 comments
  1. Tal como as pessoas que vivem em Lisboa pagam outro imposto de viver em Lisboa (no preço da aquisição da habitação ou na renda da mesma)

  2. A ponte Vasco da Gama é mais cara. O problema é que essa ponte é bom negócio para quem a explora. Portugal foi vendido por 10 escudos e agora os “investidores” tem que recuperar o seu investimento. Não posso dizer que andamos a saque porque já fomos saqueados.

  3. No Porto fico chateado por pararem o metro à 1h… muitas vezes quis andar e não pude. Será que não vale a pena de todo ter o serviço noturno?

    Podem dizer que é porque as pessoas não andam de noite, mas não será um problema de falta de procura induzida (como não há metro, não andam) e se começassem a disponibilizar o serviço mais pessoas iriam andar? Não podiam ter metros menores no serviço estas ocasiões? (desengatar carruagens, por exemplo)

    Seria bom que considerassem esse tipo de questões, é que isso torna o TP numa menos-valia para quem quer deixar de andar de carro.

  4. boa questão nesse “imposto” da Ponte.

    sempre me questionei porque raio existe o imposto de selo na primeira renda e 28% de imposto na renda…

  5. Tens que pensar numa óptica de custo/benefício.

    A diferença entre o preço médio por m2 (valores do idealista de dezembro 2021) representam 157.600 euros de diferença entre uma casa em Lisboa é uma casa em Almada com 100m2.

    Se cada passagem de ponte for 1.9eur, essa diferença deixa-te fazer 82.947 travessias pagas (ou seja – de ida e volta). Esse valor, a dividir pelos dias de trabalho anuais (média de 220), chega-te para 377 anos de travessias entre as margens do Tejo.

  6. >Após 56 anos a ponte ainda não está paga? Que serviços presta a Lusoponte quando é o estado a pagar a manutenção desta?

    Acho que o *catch* é que as portagens da Ponte 25 de Abril pagam a construção e manutenção da…Ponte Vasco da Gama.

  7. Referencei isto num comentário há bastante pouco tempo.

    O preço da portagem da 25 de Abril é puramente para decentivizar a entrada de carros em Lisboa (o que fazem aos lucros não sei bem). Sem ele, compensaria para muitos vir de carro em vez de pagar um passe de transporte público, mas Lisboa já tem carros a mais em todo o lado como está.

  8. Acerca da Lusoponte. Definitivamente não tem nada que ver com o Joaquim Ferreira do Amaral ser o Presidente do Conselho de Administração.
    E é por pura coincidência que ele era ministro das Obras Públicas e que assinou o contrato de concessão nos anos 90.

  9. Como já aqui foi dito, esta posição também desconsidera a diferença substancial do valor das casas de Lisboa para Almada, assim como dos custos das portagens de todas as autoestradas circundantes à cidade exceptuando a A1 até Vialonga. Existe o circuito externo de Lisboa que vai entre Amadora e Loures, mas de Oeiras até Sintra é sempre a pagar. Não é “imposto” nenhum.
    Já a questão do custo da portagem face à concessão da Lusoponte serve para manter serviços de apoio em caso de acidente e para pagar uma certa mama a certas pessoas (no questions there).
    Dito por um gajo que vivia em Lisboa e decidiu comprar casa em Almada. Tive de viver numas águas-furtadas minúsculas durante uns anos para conseguir juntar para a entrada da casa. Zero arrependimentos.

  10. Questão pertinente, mas há uma lógica que explica a situação.

    A ponte 25 de Abril está paga, mas a Vasco da Gama não. Isto porque quando esta segunda ponte foi construída, foi financiada através de dívida, sendo que as portagens servem para a pagar.

    Se a 25 de Abril não tivesse portagens, ninguém ia pela Vasco da Gama, e esta nunca ia conseguir ser paga.

    Porque é que foi assim financiada, e não como as pontes do Porto?

    A nova ponte no Porto vai custar 44M€, a Vasco custou 900M€, quase 20 vezes mais. Entendeu-se que um investimento de tal ordem não devia ser suportado por todos os contribuintes, mas sim por quem ia beneficiar dela, i.e., os seus utilizadores, principalmente porque à data da construção, Lisboa já ia ser bastante beneficiada pela Expo 98.

  11. Eu tb pago impostos eu não uso transportes públicos , ainda assim não tenho desconto ou ajuda do estado para a minhas deslocações.
    Se queres usar a puta da ponte paga

  12. Só alguém que é de Lisboa para dizer que no Porto não se paga. Lá porque não tens portagens nas mini pontes, não quer dizer que não pagues. À volta do Porto é só pórticos de ex-SCUTs e auto-estradas portajadas.

  13. Eu também me chateia um bocado cada vez que saio de Lisboa, ter que pagar para voltar para a minha casa…Como se o imposto de viver aqui não fosse já um abuso.

  14. Eu acho, com todo o respeito, que isto, primeiro não é um problema de viver na margem sul (onde eu vivo) mas sim de viver na periferia de Lisboa e segundo é um não problema, pois ainda mais agora com o passe navegante e com tantos apoios e benefícios (como fazer um passe a meio preço para a família, ou dependente do escalão pagar menos, ou se fores estudante pagas menos) não só o preço do passe cobre o dinheiro que gastas em gasolina e nas portagens como também incentiva as pessoas a andar de transportes públicos.

    No entanto, quem vive na margem sul sabe que há poucos transportes públicos, como disseste, milhões de pessoas fazem este percurso, a rede de transportes públicos não é suficiente para a nossa procura.

    Para finalizar tenho que concordar no entanto que não faz muito sentido pagar portagens para passar a ponte, talvez seja uma ideia arcaica (porque antigamente quem pagava portagens era quem vinha de Lisboa) de quem queria ir para as praias da Costa, mas hoje em dia não faz sentido. Se ainda fosse para motivar a utilização de transportes públicos…

  15. A Área Metropolitana de Lisboa devia ser partida em duas: Grande Lisboa e Península de Setúbal. Duas grandes áreas urbanas divididas por uma barreira geográfica bastante difícil: estuário do Tejo. Sempre existirá esta divisão e barreira.

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