
Notícia original:
https://www.rtp.pt/noticias/economia/crise-no-mobiliario-setor-necessita-de-cinco-mil-trabalhadores_v1361431
Artigo subsequente:
https://www.google.com/amp/s/www.publico.pt/2022/01/10/opiniao/opiniao/portugueses-nao-querem-trabalhar-1991275/amp
É triste como até canais de media públicos simplesmente propagam narrativa corporativa neste país
Edit: para pessoal que anda a usar apps ou browsers marotos que saltam o Google:
> ##Os portugueses não querem mas é trabalhar
> #O misterioso caso dos 5000 trabalhadores que o sector do mobiliários nem com “salários de 2000 euros” terá conseguido arranjar.
> Filipe Martins
> 10 de Janeiro de 2022, 0:26
> A RTP exibiu a 7 de Novembro de 2021 uma peça intitulada “Crise no mobiliário” que revelou para nosso espanto que esse sector precisa de 5000 trabalhadores e que nem com salários de 2000 euros os consegue atrair. Ora isto é de cortar o coração a qualquer pessoa temente ao euro.
> Disposto a ajudar a suprir essas vagas, contactei no dia seguinte a direcção de informação da RTP e a APIMA (associação do sector que é interveniente na referida peça) questionando onde estavam os empregos de 2000 euros pois queria encaminhar-lhes um batalhão de candidatos, comigo à cabeça. Lamentavelmente, fiquei sem resposta; insisti no dia 22 do mesmo mês e fiquei novamente sem resposta. Apelei à provedora do telespectador no dia 2 de Dezembro mas não logrei melhor sorte.
> Ora, assim se confirma o teor da peça, pois nem só a APIMA tem falta de funcionários para responder a emails como a própria RTP não foi poupada à maleita.
> Decidi investigar, inconformado, vestindo o fato de Philip Marlowe e mergulhando no serrim.
> #Não questionarás o jornalismo
> Seria totalmente infrutífero orientar a investigação no sentido de questionar a qualidade da notícia, pois este não é país onde grasse o jornalismo de porteira, produzido por jornaleiros contratados ao dia na praça e transportados de camião, que avistam a cenoura sem desconfiar do pau. Não! Neste país os jornalistas são formados, têm carteira profissional. E têm segurança laboral, porque se não a tivessem, com salários de 2000 euros ali a abanar, há muito que teriam abraçado o mobiliário.
> Concedo que a boa-nova da RTP choca com outras notícias, por exemplo aquela da funcionária de limpeza da Câmara de Braga que, a troco de 400 euros, prometia favorecer certos candidatos na contratação de auxiliares de educação… Com 5000 empregos que “estarão por preencher” (que é jornalês erudito para “pode ser, pode não ser”) foram fazer batota para arranjar trabalho e ainda pagaram por cima. Trouxas!
> #Trabalhar, trabalhar
> Não me demorando na estapafúrdia ideia de questionar “O Jornalismo”, e tendo eu alguns conhecimentos na indústria do mobiliário, consegui, com efeito, confirmar a existência de pelo menos uma oferta de emprego com salário de 2000 euros. É em Freamunde e é bem desafiante: dar formação em marcenaria avançada aos titulares do CF Canelas, e — Santa “Flexibilidade e polivalência” — limpar a jaula dos leões às quartas-feiras.
> O facto de só ter conseguido localizar esta oferta de emprego prova bem a minha inaptidão para protagonista dos romances de Raymond Chandler, pois oportunidades destas e melhores abundam no coração da indústria do mobiliário, o Vale do Sousa, como se torna por demais evidente se considerarmos que alguns dos seus concelhos estão entre os que têm mais carros de luxo por habitante (dados de 2019). Em Paços de Ferreira, por exemplo, quase um quarto dos carros são de gama alta ou mesmo de luxo, não obstante estar na 250.ª posição no que toca a rendimentos declarados no IRS, o que demonstra bem a capacidade de superação desta indústria.
> Mas não é com palavras que se supera; é com excelência, “focagem” e muita determinação. E com facturação paralela, trabalho não declarado, horas-extra pela porta do cavalo, e fábricas que não pertencem ao patrão mas a agências imobiliárias que pertencem ao patrão, pois o que se poupa no IMI sempre dá para a gasolina, que está pela hora da morte.
> #Trabalhar como Ricardo Salgado trabalhou
> Esta problemática da falta de vontade para trabalhar dos portugueses tira o sono às pessoas de bem desde pelo menos 2013, ano em que o dr. Ricardo Salgado teve a coragem de denunciar a situação. Recordemos as doutas palavras de alguém por cuja idoneidade jurava o Banco de Portugal:
> “Se os portugueses não querem trabalhar e preferem estar no subsídio de desemprego, há imigrantes que trabalham, alegremente, na agricultura e esse é um fator positivo”.
> Tivera Portugal mais homens destes, com esta coragem para pôr o dedo na ferida, doa a quem doer! É inegável que o faroeste alentejano e o tomate cherry têm prosperado imenso com o trabalho exemplar de indianos e nepaleses, homens sérios e alegres, que não se distraem com “horários de trabalho”, “habitabilidades” ou “salubridades”, e outros preciosismos que se alastram como epidemias por terras de comunas.
> Estes que vêm do Índico é que são homens! Não são como os betinhos lusitanos que só querem iphones, sapatilhas de marca e empregos que dêem para levar uma vida digna.
26 comments
Até que ponto a RTP (que era a mais séria) chegou.
Bando de fake news!
O texto ~~do jornalista~~ do Público está delicioso.
Bom trabalho do jornalista do público.
A propaganda em Portugal nem é particularmente sofisticada, nem tem de ser quando não há contraditório na comunicação social, nem há consequências quando são apanhados a mentir, para além que o português comum é fácil de enganar e ainda vai repetir a propaganda como o exemplo dos “idiotas úteis”.
Artigos de opinião como este são uma gota no oceano que é a maré de “os portugueses não querem trabalhar” que se vê todas as semanas nas noticias, há vários meses sem pausa…
Onde é que oferecem 2k que vou já, anda aqui um gajo em turno para levar 1200-1300
Já o disse aqui mas trabalho na área, conheço as fábricas e até alguns dos indivíduos entrevistados.
Os famosos 2000€ são reais, no universo de um departamento de produção o responsável de fábrica, eventualmente de secção, ou um excelente marceneiro/estofador/instalador pode até tirar isso após alguns anos e renegociação, mas não se iludam, é 1/100 se tanto, o resto são eternos “aprendizes” ou operários fabris entre o SMN e os 900€.
E sabem porquê esta percentagem? Porque quando chegam ao nível de ganhar esses valores mandam o senhor ceo foder e vão tirar o dobro por conta própria.
Portanto vão para o caralho com esta lengalenga falsa, se qualquer um de nós quiser ser marceneiro vai tirar o SMN durante uns anos e quando quiser um aumento vai levar com o “pois mas agora está difícil”.
Já agora o senhor Celso se não desprezasse tanto os designers e arquitectos e não lhes pagasse 800€+comissões patéticas não andava com a rotatividade que anda nas suas lojas.
Ironicamente, ainda hoje tive uma discussão com uma colega “portuguesa de bem” que afirma que o problema de Portugal desde 74 é a subsidiodependência.
O artigo do Público está excelente mas OP podias tirar o google amp do link:
https://www.publico.pt/2022/01/10/opiniao/opiniao/portugueses-nao-querem-trabalhar-1991275
O jornalista do publico é malandro
>Em Paços de Ferreira, por exemplo, quase um quarto dos carros são de gama alta ou mesmo de luxo, não obstante estar na 250.ª posição no que toca a rendimentos declarados no IRS, o que demonstra bem a capacidade de superação desta indústria.
Até cuspi o café!
Alguém tem um pulitzer a mais para este gajo?
>Mas não é com palavras que se supera; é com excelência, “focagem” e muita determinação. E com facturação paralela, trabalho não declarado, horas-extra pela porta do cavalo, e fábricas que não pertencem ao patrão mas a agências imobiliárias que pertencem ao patrão, pois o que se poupa no IMI sempre dá para a gasolina, que está pela hora da morte.
Na muche. Tecido empresarial portugues descrito muito bem em dois parágrafos apenas.
Estamos com níveis de propaganda corporativa comparáveis aos estados unidos de momento.
Um bem haja para quem ainda afirma que Portugal é um país socialista desde 74.
Já trabalhei na área, numa empresa com mais de 50 trabalhadores e o unico que ganhava isso era o patrão e era a maior parte pela porta do cavalo.
Há quem o consigo atingir, mas a maioria dos trabalhadores são pouco instruidos e muito pressionados a não mudar de empresa, sem falar que infelizmente era uma prática geral para as empresas que eu conheci.
Era mais que óbvio que isto era tudo treta.
Precisam de pessoal?
1. Paguem o devido valor pelo trabalho.
2. Providenciem condições laborais aceitáveis.
3. Criem as condições para que a pessoas possam ter uma carreira e progredir na mesma.
Eu gostava era de perceber como é que vocês lêm estes artigos para assinantes do público sem serem assinantes. Claro que nunca eu o faria de outra forma, Sr. Agente, estou só curioso
“Se os portugueses não querem trabalhar e preferem estar no subsídio de desemprego, há imigrantes que trabalham, alegremente, na agricultura e esse é um fator positivo”.
Coitado, o Ricardo Salgado nesta altura já mostrava indícios de demência, só que ninguém percebeu.
Um diagnóstico precoce pode salvar vidas. E milhões ao estado
Nossa. Já valeu pela assinatura do Público e os membros do Livre estão a dar tudo para ganharem o meu voto!
Vivemos uma anedota gigante e nós somos o palhaço… Enfim não há muito mais a dizer.
Sou de Paços de Ferreira, filhos de patrão com escalão A e pessoal a precisar que nem um desconto na cantina tinha.
Carros topo de gama aos magotes. Porsches aqui é coisa corriqueira. Alguns com vários, é Cayenne para a mulher e 911 para ele. Os filhos andam de BMW e siga, já os funcionários coitados….vão de motorizada ao frio ou num Opel Corsa com 20 anos. O Encarregado com sorte se calhar já vai num Meganezito com 7 ou 8 anos e anda a pagá-lo durante 10 anos.
É ridículo o que se passa nesta zona e ninguém faz nada. Quem diz esta diz o Vale do Ave com o têxtil que não deve ser muito diferente.
r/antiwork
Só falta a típica reportagem do setor hoteleiro. Wait for it, quando vier é épica!
É continuar a mandá-los a todos para aquele sitio.
Há 5 anos despedi-me para ser freelas, nunca mais ia arranjar trabalho blá blá blá.
Encorajo toda a gente que possa (convém planear) a fazer o mesmo, só assim se acaba com esta escória toda.
Ou então emigrem, porque isto não há paciência.
>Ora isto é de cortar o coração a qualquer pessoa temente ao euro.
Cuspi-me todo.
Já nem vejo TV e raramente levo notícias a sério, metade são claramente propaganda/lobbying e a outra metade publicidade.
Mas agora ja podem parar de fingir que são coitadinhos, visto que a porta a importação de ~~escravos~~ trabalhadores, já esta aberta.
Muito bom. Devias escrever para um jornal de jornalismo independente, tipo Fumaça. Parabéns
Estão todos zangados com a corporações mas depois vai tudo votar na direita 🙄