A minha motivação para fazer isto prendeu-se com o facto de que o transito na cidade onde moro, tem ficado cada vez pior à medida que os anos vão passando. A pandemia ajudou à festa, mas já em 2018/2019 se notava mais carros na rua e mais trânsito, isto apesar de estarem a ser feitas estradas novas, requalificando outras em mau estado e criando-se estacionamentos novos. No entanto o município foi dos que mais população perdeu desde 2011 aqui na região segundo os censos de 2021. Por isso não estava a entender muito bem como é que menos pessoas equivale a mais carros e mais trânsito.
Mais um pouco de contexto, a cidade é servida por uma linha de comboio com serviço regional, inter regional e inter cidades. Tem empresa municipal de autocarros, apesar de diminuírem o numero de carreiras e autocarros até 2018/19, ano em que a tendência se reverteu e começaram a adicionar mais autocarros e mais linhas. No entanto, no final dos anos 90 e inicio dos anos 2000 a oferta não tinha sequer comparação, existiam 3 empresas de autocarros privadas, agora existe 1 municipal que é operada pela Transdev Norte sem qualquer outra candidatura à exploração.
Eu tenho as minhas conclusões mas não as vou partilhar, pelo menos para já, para não enviesar a de ninguém nem fazer parecer isto um post de propaganda, quero manter o mais imparcial possível. Eu próprio sou condutor habitual, por isso contribuo para este problema.
Outros detalhes:
* Só fui até 2022 porque é o ano mais recente de dados de tudo que existe, e escolhi 10 anos para trás como medida.
* Apenas inclui nos veículos ligeiros os ligeiros de passageiros, no entanto na rua, existe muita gente que utiliza ligeiros de mercadorias com o único objetivo de transporte de passageiros individual, por isso o número real há de ser ligeiramente pior que este.
* A Ferrovia atingiu o pico de material circulante de passageiros com cerca de 1500 unidades em 1999 para 1011 agora
* Transporte de Mercadorias Ferroviário atingiu o pico de 7200 unidades em 1984 para 2200 agora
* No total de mercadoria + passageiros, a ferrovia atingiu um pico de 12000 unidades em 1984 para 3600 agora, ou seja, menos de 1/3.
* Nestes números excluem-se locomotivas que podem ser usadas para ambos e apenas contabilizam-se vagões / outros contentores de mercadoria e carruagens de passageiros / automotoras.
Para variar, Portugal a evoluir na direção oposta ao futuro!
É vergonhoso
Carros, carros e carros. Este país só pensa em carros. Nada de novo. Somos uma atraso de vida em muita coisa, a mobilidade não é exceção.
Que vergonha.
# extenção
u/NGramatical
Opinião impopular:
– 1o Temos que nos focar em resolver o problema do excesso de carros dentro das grandes cidades, muito causado pela deterioração dos transportes publicos. Em vez de andarmos a investir em linhas rapidas para aqui e para acolá deviamos primeiro investir nos transportes dentro das cidades
– 2o Temos já uma infraestrutura existente de auto estradas espalhada pelo país, que tem um potencial muito maior de chegar a muito mais sitios que uma rede de comboios. Promova-se ainda mais a utilização de autocarros com combustiveis de baixa libertação de CO2.
Isto para dizer que não acho que deva deixar de existir investimento em linhas ferroviárias entre cidades, no entanto acho que nos deviamos primeiro focar no maior problema que é no interior das cidades.
Em 10 anos há menos 100 mil habitantes?
Então é por isso que as casas ficaram mais caras e tem que se construir mais
Não se verifica investimento em infraestrutura no país. Até mesmo os números de construção em habitação, na Irlanda, que tem metade da população portuguesa, atualmente constroem o dobro de moradias anualmente. E observa-se que também atravessamos uma crise imobiliária bastante severa.
No interior carro é fundamental, não há transportes.
Agora aí nas cidades não entendo como é que toda a gente quer ter um charuto. Têm autocarros, metro, quimboio, aeroportos, alfas pendulares, elétricos, tuk-tuks, é só escolher.
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A minha motivação para fazer isto prendeu-se com o facto de que o transito na cidade onde moro, tem ficado cada vez pior à medida que os anos vão passando. A pandemia ajudou à festa, mas já em 2018/2019 se notava mais carros na rua e mais trânsito, isto apesar de estarem a ser feitas estradas novas, requalificando outras em mau estado e criando-se estacionamentos novos. No entanto o município foi dos que mais população perdeu desde 2011 aqui na região segundo os censos de 2021. Por isso não estava a entender muito bem como é que menos pessoas equivale a mais carros e mais trânsito.
Mais um pouco de contexto, a cidade é servida por uma linha de comboio com serviço regional, inter regional e inter cidades. Tem empresa municipal de autocarros, apesar de diminuírem o numero de carreiras e autocarros até 2018/19, ano em que a tendência se reverteu e começaram a adicionar mais autocarros e mais linhas. No entanto, no final dos anos 90 e inicio dos anos 2000 a oferta não tinha sequer comparação, existiam 3 empresas de autocarros privadas, agora existe 1 municipal que é operada pela Transdev Norte sem qualquer outra candidatura à exploração.
Eu tenho as minhas conclusões mas não as vou partilhar, pelo menos para já, para não enviesar a de ninguém nem fazer parecer isto um post de propaganda, quero manter o mais imparcial possível. Eu próprio sou condutor habitual, por isso contribuo para este problema.
Outros detalhes:
* Só fui até 2022 porque é o ano mais recente de dados de tudo que existe, e escolhi 10 anos para trás como medida.
* Apenas inclui nos veículos ligeiros os ligeiros de passageiros, no entanto na rua, existe muita gente que utiliza ligeiros de mercadorias com o único objetivo de transporte de passageiros individual, por isso o número real há de ser ligeiramente pior que este.
* A Ferrovia atingiu o pico de material circulante de passageiros com cerca de 1500 unidades em 1999 para 1011 agora
* Transporte de Mercadorias Ferroviário atingiu o pico de 7200 unidades em 1984 para 2200 agora
* No total de mercadoria + passageiros, a ferrovia atingiu um pico de 12000 unidades em 1984 para 3600 agora, ou seja, menos de 1/3.
* Nestes números excluem-se locomotivas que podem ser usadas para ambos e apenas contabilizam-se vagões / outros contentores de mercadoria e carruagens de passageiros / automotoras.
Fontes: [Pordata](https://www.pordata.pt/tema/portugal/transportes-87), vários tópicos
Para variar, Portugal a evoluir na direção oposta ao futuro!
É vergonhoso
Carros, carros e carros. Este país só pensa em carros. Nada de novo. Somos uma atraso de vida em muita coisa, a mobilidade não é exceção.
Que vergonha.
# extenção
u/NGramatical
Opinião impopular:
– 1o Temos que nos focar em resolver o problema do excesso de carros dentro das grandes cidades, muito causado pela deterioração dos transportes publicos. Em vez de andarmos a investir em linhas rapidas para aqui e para acolá deviamos primeiro investir nos transportes dentro das cidades
– 2o Temos já uma infraestrutura existente de auto estradas espalhada pelo país, que tem um potencial muito maior de chegar a muito mais sitios que uma rede de comboios. Promova-se ainda mais a utilização de autocarros com combustiveis de baixa libertação de CO2.
Isto para dizer que não acho que deva deixar de existir investimento em linhas ferroviárias entre cidades, no entanto acho que nos deviamos primeiro focar no maior problema que é no interior das cidades.
Em 10 anos há menos 100 mil habitantes?
Então é por isso que as casas ficaram mais caras e tem que se construir mais
Não se verifica investimento em infraestrutura no país. Até mesmo os números de construção em habitação, na Irlanda, que tem metade da população portuguesa, atualmente constroem o dobro de moradias anualmente. E observa-se que também atravessamos uma crise imobiliária bastante severa.
No interior carro é fundamental, não há transportes.
Agora aí nas cidades não entendo como é que toda a gente quer ter um charuto. Têm autocarros, metro, quimboio, aeroportos, alfas pendulares, elétricos, tuk-tuks, é só escolher.