Rui Caeiro, diretor executivo da Liga Portugal, assegura em entrevista a Bola Branca que “mecanismos de compensação” e calculo da “implantação social” garantem que “os clubes não ficarão a perder”. Todos estão “alinhados e empenhados” em concretizar uma medida que vem “com muito tempo de atraso”.

Metade do valor arrecadado pela venda centralizada dos direitos audiovisuais da Liga deve ser distribuído de forma igualitária, enquanto que a outra metade será dividida com base no “mérito desportivo” e na “implantação social”.

O modelo de distribuição ainda não está fechado, mas, em entrevista à Renascença, o diretor executivo da Liga, Rui Caeiro, garante que terá como base o que é praticado nas outras Ligas europeias. Nas cimeiras de presidentes têm sido apresentadas aos clubes “as opções que existem”.

“Para nós, o modelo que deve ser aplicado será um que tenha uma componente de distribuição igualitária, na ordem do que é feito nas outras ligas, por volta dos 50%. Os outros 50% com base no mérito desportivo e na implantação social de cada uma das equipas”, começa por revelar.

O modelo de distribuição igualitária garante aos clubes de menor dimensão um automático aumento da receita. Por outro lado, a divisão da outra metade do valor é a carta na manga da Liga para garantir que os maiores contribuidores não sairão prejudicados.

Assim, é certo que os os clubes mais bem-sucedidos e com mais adeptos vão receber um valor superior.

Isto acontece de duas formas. A mais imediata de calcular é por via da classificação, quer seja a da época anterior, ou numa média das últimas temporadas. A outra, adianta o diretor executivo da Liga Portugal, é a medição da dimensão do clube junto dos adeptos.

Pegando nos exemplos europeus, para medir esta “implantação social”, cada país optou por um método diferente. Na Premier League inglesa e na Ligue 1 francesa, o valor é dividido com base na audiência que cada clube gera para as televisões. Já na Seria A italiana, a percentagem reservada para este capítulo é dividida consoante o número de sócios de cada clube.

Em Espanha, a centralização implicou uma ligeira redução do valor dos direitos de Barcelona e Real Madrid, mas um aumento muito significativo para todos os outros. Ainda assim, a Liga acredita que nenhum clube em Portugal perderá dinheiro.

“Temos a firme convicção de que os clubes não ficarão a perder com o processo de centralização, as práticas internacionais mostram isso. Estamos a trabalhar com o empenho de todos os clubes. Existem mecanismos de compensação e várias soluções que foram trabalhadas noutras realidades, o que queremos é estudar essas realidades e encontrar o melhor modelo, que seja adequado à nossa realidade”, afirma Rui Caeiro, em entrevista a Bola Branca.

by Viriato181

8 comments
  1. **Valorização em bloco salvaguarda receita individual**

    Pelas contas, para que nenhum clube perca com a centralização é necessário que o valor total da venda seja superior ao que foi praticado nos últimos contratos, ainda negociados individualmente.

    De acordo com os estudos realizados pela Liga Portugal, o novo modelo de comercialização, que tem de ser apresentado até ao final da época desportiva de 2025/2026, é o suficiente para “aumentar o valor global dos contratos audiovisuais do futebol português”.

    “Os estudos de várias entidades apontam para valores, no mercado atual, na ordem dos 150 a 170 milhões de euros [na venda individual]. Os estudos da Liga apresentam valores muito superiores, que vão dos 275 aos 325 milhões de euros, enquanto valor global [da venda centralizada]”, diz o diretor executivo.

    Os valores apresentados pelos estudos da Liga são superiores ao praticado no passado, mas ainda têm margem para melhoria, garante Rui Caeiro.

    Um dos aspetos com margem para crescer é a venda dos direitos de transmissão noutros países, algo que, atualmente, representa uma pequena percentagem da receita e no qual a Liga tem investido, com tentativas de internacionalizar a marca do futebol português.

    “Temos a perfeita consciência de que o valor do mercado nacional é muitíssimo superior ao valor do mercado internacional. A nossa convicção é que, quando conseguirmos a centralização, já num processo normal [no futuro], vamos conseguir extrair muito mais valor da dimensão internacional. Atualmente, os valores do mercado internacional devem estar entre os 5 e os 10%”, explica.

    Uma dessas formas é levar a “final four” da Taça da Liga para o Médio Oriente, uma possibilidade reconhecida pelo diretor executivo.

    Para além de um aumento do valor dos contratos, a centralização dos direitos televisivos traz também a possibilidade de a Liga controlar o produto que é vendido e exportado.

    No modelo atual, o diretor executivo da Liga, Rui Caeiro, admite que há muitos impedimentos à melhoria da experiência do adepto no estádio e do produto que é visualmente exibido, um ponto fulcral na tentativa de aumentar a receita da venda para outros países.

    “Precisamos de construir um regulamento audiovisual que permita melhorar a imagem do nosso futebol, na perspetiva daquilo que é visualizado em casa pelos nossos espectadores. É importante dotar [a Liga e os clubes] dessas ferramentas, para que se consiga construir um produto que queremos e que lhe seja atribuído o valor que entendemos que são possíveis”, diz.

    Algo que fica claro, de acordo com as informações da Liga, é que todos os clubes estão empenhados na centralização dos direitos audiovisuais, que chegam a Portugal vários anos depois da adoção nos principais campeonatos europeus.

    Em Espanha, por exemplo, os direitos de transmissão já são vendidos de forma centralizada desde 2015. Rui Caeiro partilha da ideia de que Portugal tem terreno para encurtar, até em relação a Ligas mais periféricas.

    “Os clubes estão conscientes de que a centralização vem com muito tempo de atraso em relação àquilo que é a realidade europeia. Os clubes estão conscientes de que é preciso trabalhar nesta importante componente da sua sustentabilidade. Há um alinhamento total de vontades. Isso tem sido partilhado em cimeiras de presidentes e assembleias gerais”, completa.

    **Centralização para melhor ranking da UEFA**

    Um dos grandes objetivos de Portugal é “retomar o lugar” o lugar que entende ser seu no contexto do ranking das ligas europeias, o sexto. Para isso, a centralização dos direitos pode ter um papel central.

    “A centralização é uma ferramenta de aumento de competitividade e é importante na questão do ranking. Quando a conseguirmos, vamos poder dotar os nossos clubes de melhores condições financeiras e, ao fazermos isso, estamos a aumentar a nossa competitividade ao nível dos clubes médios, que são determinantes para conseguirmos melhorar a nossa posição no ranking”

    Apesar do foco na Liga imediatamente acima de Portugal, os Países Baixos, que ultrapassaram a Liga nacional no último ano, Rui Caeiro lembra a importância de não esquecer os “concorrentes” quem vêm atrás e não está “à nossa espera”, em particular a Bélgica.

  2. Pelos sócios não pode ser, porque os clubes podem perfeitamente martelar isso. Como tal, por audiências faz mais sentido. Ou então uma sondagem como a que saiu agora. Em que basicamente dá 40% da população é do Benfica e Sporting e Fcporto têm ambos 22%

  3. Ou seja, no fundo é uma cópia do que fazem os espanhóis. No meu entender é a melhor opção para a centralização portuguesa.

    Resta à Liga Portugal reorganizar o calendário desportivo com melhores horários, quer para os adeptos internamente, quer para aqueles que queiram ver a partir do estrageiro e, acima de tudo, publicitar de forma a atrair interesse estrangeiro em acompanhar os jogos (ou certos clubes) da 1ª divisão portuguesa. Mas isto tudo é um caminho longo e os resultados benéficos que a centralização pode trazer não se vão evidenciar ao fim de 1\2 épocas.

  4. Continuo sem acreditar nisto. Os grandes nunca vão aceitar perder um cêntimo portanto isto ou não avança ou as diferenças entre grandes e pequenos continuará enorme.

    Os prémios por mérito desportivo é que não sei. Se queremos equilibrar não devíamos dar mais dinheiro aos últimos lugares? Podemos cair num perpetuar os clubes grandes que ficam no top3.

    A única coisa que pode ser positiva é os pequenos ficarem todos mais ou menos em pé de igualdade mas daí até termos uma liga competitiva, duvido

  5. Modelo sério seria, 50% do valor do bolo a dividir igualitariamente, 25% pela taxa de ocupação dos jogos em casa na época anterior e os restantes 50% divididos da seguinte forma, 25% considerar número de troféus e número de participações em competições europeias, ou seja, o que se deve considerar são fatores objetivos e não subjetivos.

  6. E quem é que quer ver o Tugão fora de Portugal? Vão exportar o quê, as faltas com repetições em câmera lenta? As perdas de tempo? Os 10 segundos de bola corrida entre nova falta?

  7. Salvo erro, os 3 grandes têm contratos a rondar o 50M /época, o que significa que um valor total de 200M /época não será irrealista.

    Isto daria 100M a dividir por 18, portanto um mínimo de 5M por clube, que é actualmente o orçamento dos clubes mais pequenos. É um boost enorme para estes, assim o dinheiro seja bem gasto.

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