As forças armadas da Índia lançaram na noite desta terça-feira, 6 de Maio, vários ataques contra território paquistanês, em particular contra a disputada região de Jamu e Caxemira, dando início à Operação Sindoor. Segundo as autoridades do Paquistão, foram mortas pelo menos três pessoas, incluindo uma criança, e 12 ficaram feridas. Ofensiva surge numa altura de crescente tensão entre as duas potências nucleares.
“Há pouco, o Exército indiano lançou a Operação Sindoor, atingindo infra-estruturas terroristas no Paquistão e na região ocupada de Jamu e Caxemira, a partir de onde foram planeados e conduzidos ataques terroristas contra a Índia”, avançou um comunicado do Governo indiano, sem dar detalhes sobre a natureza dos ataques desta noite.
De acordo com números divulgados pelos meios de comunicação social indianos (mas não confirmados pelo Paquistão), o ataque provocou 12 mortos e 55 feridos.
A Índia alega ainda não pretender escalar a violência na região, tendo tomado decisões “orientadas e ponderadas”. “Não foram visadas quaisquer instalações militares paquistanesas. A Índia demonstrou considerável contenção na selecção dos alvos e no método de execução.”
Segundo testemunhas citadas pela agência Reuters, foram ouvidas várias explosões e disparos de artilharia em torno de Muzaffarabad, capital da Caxemira paquistanesa. As explosões, cuja origem está ainda por explicar, provocaram um apagão na cidade. Há ainda registo de ataques às cidades de Kotli (também na Caxemira) e Bahawalpur (Punjab).
Na província do Punjab, que alberga quase metade dos 240 milhões de habitantes do Paquistão, foi decretado estado de emergência, com hospitais e forças de segurança em alerta máximo para responder a confrontos na região.
“O inimigo levou a cabo um ataque cobarde a cinco locais no Paquistão. O Paquistão tem pleno direito a uma forte retaliação perante este acto de guerra da Índia. Uma resposta firme está a ser dada”, reagiu o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, em breves declarações partilhadas nas suas redes sociais. “O povo e as forças armadas paquistanesas sabem bem como lidar com o inimigo.”
O executivo convocou esta noite uma reunião de emergência do Comité de Segurança Nacional do Paquistão, marcada para as 10h desta quarta-feira (hora local, 6h em Lisboa).
Antes do comentário do primeiro-ministro, já um porta-voz das forças armadas paquistanesas tinha prometido uma resposta por parte de Islamabad, em declarações à emissora nacional ARY.
Entretanto, a televisão estatal paquistanesa adiantou que a força aérea do país abateu duas aeronaves militares indianas na sequência do ataque.
Guterres “muito preocupado”
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou-se “muito preocupado com as operações militares” da Índia para lá das suas fronteiras e apelou à “máxima contenção militar” dos dois países asiáticos. “O mundo não pode permitir um conflito militar entre a Índia e o Paquistão.”
Os ataques surgem numa altura de crescente tensão entre os dois Estados vizinhos, ambos com poder nuclear. Em Abril, a Índia culpou o Paquistão por um ataque a turistas hindus na Caxemira indiana que provocou 26 vítimas mortais, tendo também assegurado que iria retaliar. O ataque, classificado como “terrorista” por Nova Deli, foi o mais mortífero em mais de 20 anos contra civis na parte indiana da região.
O Paquistão negou as acusações e disse ter informação de que a Índia estava a planear uma ofensiva contra o seu território.
Desde então, as duas nações anunciaram um conjunto de medidas de retaliação que incluíram o fim das trocas comerciais, a suspensão do Tratado de Águas do rio Indo, expulsão de diplomatas, revogação de vistos e o encerramento do espaço aéreo do Paquistão a aviões indianos.
Há mais de uma semana que a “linha de controlo”, fronteira que divide a Caxemira de maioria muçulmana da Caxemira hindu, é palco de trocas de disparos entre soldados paquistaneses e indianos.
Esta noite, após os ataques contra o Paquistão, o Exército indiano fez uma publicação na rede social X com a frase: “A justiça está servida.”