Em Portugal, os denominados três grandes (Benfica, Sporting e FC Porto) continuam a dominar o futebol nacional – discutem títulos, sonham com a presença na UEFA Champions League e, normalmente, lutam entre si pela supremacia. As crises até podem acontecer. Alguns resultados menos conseguidos, exibições mais fracas, mas rapidamente são superadas e o caminho volta a ser o das vitórias.

Contudo, a milhares de quilómetros, no outro lado do mundo, a realidade dos três grandes é bem diferente. Na antigo colónia portuguesa de Macau, as filiais de Benfica, Sporting e FC Porto viveram uma autêntica temporada negra, marcada por descidas e resultados que fazem corar de espanto quem olha apenas para o brilho das equipas-mãe.

A Casa do Benfica de Macau, um dos clubes mais titulados do território, com seis campeonatos conquistados – em 2020, estavam em primeiro lugar, quando o campeonato foi suspenso, devido à COVID-19, e não houve campeão oficial -, não conseguiu repetir o sucesso de 2024, quando subiu ao lugar mais alto do pódio.

Depois de uma época passada em que dominaram por completo o futebol macaense, os encarnados – que contam com vários portugueses no plantel viveram uma temporada muito aquém das expectativas, terminando num modesto quarto lugar, a 19 pontos do campeão Chao Pak Kei — o pior resultado deste que ingressou na primeira divisão, em 2012.

Ainda assim, há que dizer que nem tudo foi mau. Para compensar o falhanço no campeonato, o Benfica de Macau voltou a conquistar a Taça, oito anos depois da última conquista, ao bater o Cheng Fung na final (6-2).

Foto: Benfica de Macau

Se no caso do Benfica se pode falar em desilusão, no Sporting de Macau a palavra certa é tragédia. O clube leonino não resistiu a uma época de pesadelos e acabou por descer à segunda divisão, perdendo o estatuto de presença habitual na elite do futebol macaense. 17 jogos, uma vitória, um empate, 15 derrotas, quatro pontos conquistados, 95 golos sofridos e o último lugar na liga de Macau.

Equipa do Sporting de Macau em 2025. Foto: Sporting de Macau

Era, ainda assim, uma queda anunciada, dado que, nas últimas três temporadas, o Sporting de Macau somou três penúltimos lugares. Em 2026, os leões regressam ao segundo escalão, pela primeira vez desde 2013. Um duro golpe para uma filial que, apesar de pequena em dimensão, conta com quatro campeonatos e uma Taça no palmarés.

Tabela classificativa da primeira divisão. Foto: Federação de Macau

Mas a crise portuguesa no Ásia não termina aí. A Casa do FC Porto de Macau, que já se encontrava nas divisões inferiores – desde 2012, ano da última participação na elite macaense -, viu a sua situação agravar-se e caiu agora da terceira para… a quarta divisão, duas épocas depois de ter conquistado a promoção.

10 derrotas, um empate, zero vitórias e 72 golos sofridos explicam bem a campanha vivida pelos azuis e brancos neste ano.

Casa do FC Porto de Macau subiu à terceira divisão em 2023 e agora voltou a cair. Foto: Casa do FC Porto de Macau

Um cenário que contrasta com a competitividade que o clube-mãe exibe na Liga. Se em Portugal os dragões continuam a lutar por títulos, em Macau a chama azul e branca parece apagar-se lentamente.

Três clubes, três histórias e um denominador comum: a crise. Enquanto em Portugal se discutem lideranças e táticas milionárias, em Macau o futebol dos grandes portugueses vive tempos de penumbra. É a ironia de um desporto globalizado – onde as mesmas cores que enchem estádios na Luz, em Alvalade e no Dragão enfrentam, do outro lado do planeta, o peso das derrotas, das descidas e da frustração.