Saúde e Bem-estar

Durante anos, a cirurgia e os tratamentos convencionais dominaram a resposta clínica à dor crónica e às patologias musculoesqueléticas. Hoje, novas abordagens baseadas na capacidade de regeneração do próprio organismo começam a ganhar espaço em Portugal. Oferecem soluções terapêuticas inovadoras, mais direcionadas e com menor impacto invasivo para os doentes, como explica o anestesiologista, Armando Barbosa.

Medicina regenerativa ganha terreno em Portugal no tratamento da dor e das lesões musculoesqueléticas

A medicina regenerativa está a conquistar um papel crescente no panorama clínico nacional, impulsionada por avanços científicos e pela procura de soluções menos invasivas para a dor crónica e patologias musculoesqueléticas. Entre as técnicas que mais têm evoluído destacam-se o PRP (Plasma Rico em Plaquetas) e o BMA (Concentrado de Medula Óssea), terapias que utilizam componentes biológicos do próprio paciente para estimular a reparação de tecidos.

Estes procedimentos, amplamente estudados a nível internacional, têm ganhado espaço também em Portugal, onde várias clínicas especializadas têm vindo a adotá-los de forma criteriosa. Entre os profissionais que trabalham nesta área encontram-se os médicos anestesiologistas com prática dedicada ao tratamento da dor.

O PRP, técnica que consiste na concentração de plaquetas com elevado teor de fatores de crescimento, é hoje utilizado no tratamento de artroses, tendinopatias e lesões desportivas, promovendo a regeneração natural dos tecidos. Segundo especialistas, quando aplicado com protocolos adequados, pode reduzir a inflamação, melhorar a mobilidade e acelerar a recuperação.

O BMA, recolhido através da aspiração de medula óssea, permite obter um concentrado celular com potencial regenerativo mais amplo. É frequentemente indicado em casos mais complexos, como artrose avançada, lesões ligamentares extensas e determinadas patologias degenerativas da coluna.

CANVA

Em Portugal, técnicos com experiência na área têm reforçado a importância de uma seleção clínica cuidadosa dos doentes para garantir maior segurança e eficácia. Na área da coluna vertebral, uma das mais desafiantes em medicina da dor, estas terapias têm vindo a ganhar destaque.

A aplicação de soluções regenerativas em discos intervertebrais, facetas articulares e ligamentos surge como alternativa menos invasiva à cirurgia, permitindo atuar diretamente na origem da dor e oferecendo novas opções terapêuticas a pacientes com quadros crónicos. A adoção crescente destas técnicas no país acompanha a tendência internacional, refletindo uma mudança gradual no paradigma do tratamento da dor.

A evolução tecnológica, a maior padronização dos procedimentos e a formação especializada dos profissionais têm contribuído para a expansão da medicina regenerativa enquanto complemento às abordagens tradicionais. Embora promissoras, estas terapias requerem avaliação clínica detalhada, sendo escolhidas caso a caso. Profissionais da área destacam que o PRP e o BMA não substituem todas as alternativas existentes, mas representam mais uma ferramenta para ajudar doentes a recuperar função, mobilidade e qualidade de vida.

(Artigo da autoria de Armando Barbosa, médico anestesiologista)