Há quase seis anos, muitos portugueses foram obrigados a trabalhar a partir de casa. A pandemia da covid-19 abriu horizontes às maravilhas do teletrabalho e também aos seus desafios. O último Inquérito Europeu sobre as Condições de Trabalho da agência europeia Eurofound sublinha que as pessoas que trabalham remotamente de forma regular têm duas vezes mais probabilidade de trabalhar 48 ou mais horas por semana do que os seus colegas em trabalho presencial e são seis vezes mais propensos a trabalhar nos tempos livres. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), no final de 2024, 20,5% do total da população empregada em Portugal estava em teletrabalho, perto do valor europeu — 22,2%, de acordo com o Eurostat. “O fenómeno do “always on”, sentido por parte considerável dos/as trabalhadores/as portugueses/as (62%), traduz-se em jornadas de trabalho prolongadas e horários irregulares, aumentando os riscos de stresse e burnout”, alerta um documento lançado pela Ordem dos Psicólogos, em 2024, sobre o impacto da transição digital na saúde psicológica e no bem-estar laborais.