O país ainda não se refez das mortes e danos causados pela forte tempestade desta semana, que deixou várias regiões destruídas e ainda intransitáveis e sem comunicações. O pior é que os próximos dias serão também de intempérie. Desta vez, será de chuva intensa prolongada, e possibilidade de ventania, sobretudo no norte e centro, nas regiões mais afetadas pela tempestade.

O alerta é lançado pelas autoridades portuguesas. O governo português está a “antecipar problemas de cheias e inundações que serão inevitáveis dado que os terrenos não conseguem absorver a água”, declarou já o primeiro-ministro Luís Montenegro aos jornalistas, citado pelo jornal Expresso.

“Embora a depressão tenha passado, ainda temos alguns riscos associados a níveis altos de chuva e de intensidade de vento. O que foi deixado por esta depressão fragiliza muita da capacidade de resposta”, declarou.

“Período prolongado de precipitação”

As previsões meteorológicas indicam que a partir de domingo “vamos ter um período prolongado de precipitação”, explicou, por seu turno, Nuno Lopes, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, numa conferência de imprensa realizada pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e noticiada pela Lusa.

Será, de acordo, com este especialista “uma semana muito chuvosa” com mais de “de 160 milímetros (160 litros por metro quadrado) distribuídos ao longo da semana na parte norte do território, mas também a parte sul será afetada”.

Além dos solos fragilizados e já saturados de água e agora sem permeabilização, há outro fator a ter em conta, como vincou o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, à SIC.

 O degelo da neve que se depositou na Serra da Estrela vai resultar em “mais água para o Mondego e para o Zêzere, que é mais uma dificuldade adicional”.

Como medidas preventivas de maiores danos, a Proteção Civil portuguesa deixou já alertas, em especial direcionados para as regiões banhadas pelo Mondego e Tejo.

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Alerta às populações

“O que se pede aos cidadãos é que, de alguma forma, nas zonas do Mondego e do Tejo, retirem todos os bens e todos os animais que estejam em zonas potencialmente inundáveis”, pediu Mário Silvestre, comandante nacional de emergência e proteção civil, citado pela SIC .

Segundo referiu, trata-se de “antecipar um problema” através da adoção de medidas preventivas nas áreas que estão sujeitas a ser inundadas, apontando o exemplo de vários parques de estacionamentos que estão em leitos de cheia.

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O caos ainda reina no país, com os operacionais a limpar os vestígios de destruição deixados pela depressão Kristin, trabalhos que poderão ser agora interrompidos nos próximos dias de chuvas intensas.