Foi penálti. E imaginemos que acaba de ser expulso o guarda-redes da equipa da casa, perto do final do último jogo do campeonato. Um jogador de campo calça agora as luvas, já na angústia da baliza. E o adepto do Sporting Clube de Braga Pedro Morgado conta que é provável que se sentisse derrotado à partida, no momento desse eventual penálti decisivo, num hipotético jogo entre o Braga e o Sporting Clube de Portugal. Na memória teria uma final de há 10 anos, a que se seguiu “uma semana de tristeza absolutamente irracional, porque quando não se ganha uma taça na verdade não se está a perder nada”. Aos 41 anos, o psiquiatra Pedro Morgado diz não ser uma pessoa muito supersticiosa, mas acrescenta que todos nós temos os nossos vieses. “Tenho o mesmo cachecol há muito tempo e acho mesmo que ele dá sorte ao Braga. Na verdade, o Braga ganha mais vezes em casa do que perde. Mas, pronto, estas coisas acontecem-nos.” Acontece-lhe ser adepto com presença habitual nos jogos em casa, apesar de nos tempos de estudante ter tido pouco jeito para a bola. Apaixonou-se pelo Braga já quando estava quase a entrar para a Faculdade de Medicina, depois de ter crescido em Bragança com a família. Quando andava pelos 11 anos, um amigo dos pais suicidou-se. Pedro gostava muito desse amigo da família, e aquela morte marcou-o, também porque foi a primeira vez que ouviu falar de saúde mental. Terá sido essa a pessoa que mais contribuiu para que viesse a estudar Psiquiatria, diz agora. Queria perceber o porquê de as pessoas adoecerem. E queria ajudar a evitar que outras vidas terminassem assim.